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Maestro Roberto Minczuk dirige e rege ‘Don Carlo’ e anuncia agenda de fim de ano

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Maestro Roberto Minczul, regente titular e diretor artístico do Theatro Municipal de São Paulo, dirige “Don Carlo”, de Verdi, como um dos espetáculos mais aguardados do 2º semestre de 2026. Fotos: Larissa Paz.

O ano de 2026 tem consolidado uma fase de extremo vigor e renovação para o Maestro Roberto Minczuk. Após celebrar três décadas de uma carreira consagrada, o regente reassumiu a direção artística do Festival de Inverno de Campos do Jordão e acaba de liderar, com sucesso absoluto de crítica, a montagem da complexa ópera “Tristão e Isolda” e, agora, com a direção musical do espetáculo “Don Carlo”, ópera de Giuseppe Verdi que volta a ser encenada na capital paulista após 21 anos e estreia em 18 de setembro, com ingressos praticamente esgotados.

Agora, Minczuk desenha os próximos passos para o último trimestre do ano com uma missão clara: inovar os formatos, dialogar com o comportamento contemporâneo e repensar o futuro das orquestras diante das recentes alterações no mercado cultural.

Agenda confirmada: o que esperar até dezembro

Mesmo diante das recentes alterações na programação de óperas no cenário paulistano, o Maestro Roberto Minczuk segue à frente da Orquestra Sinfônica Municipal em uma maratona de espetáculos de peso até o fim do ano.

Um dos principais destaques do período é a Ópera “Don Carlo”, de Giuseppe Verdi, que, após 21 anos da última apresentação, retorna ao Theatro Municipal com direção musical de Roberto Minczuk e cênica de Caetano Vilela, além de reunir a Orquestra Sinfônica e o Coro Lírico Municipal. A ópera retrata o drama amoroso e político do príncipe Don Carlo e trará o tenor Atalla Ayan, a soprano Ailyn Perez e grande elenco. Mais informações em: https://theatromunicipal.org.br/eventos/opera-don-carlo/.

Confira a agenda oficial do Maestro Roberto Minczuk:

Ópera Don Carlo, de Giuseppe Verdi

Data: 18 a 26 de setembro de 2026

Local: Theatro Municipal de São Paulo.

Concerto Schubert e Mahler

Data: 30 e 31 de outubro de 2026.

Sobre: Apresentação da Orquestra Sinfônica Municipal sob regência do maestro Roberto Minczuk.

Local: Theatro Municipal de São Paulo.

Morais e Tchaikovsky

Data: 06 de novembro de 2026 às 20:00 e 07 de novembro de 2026 às 17:00.

Sobre: Concerto da Orquestra Sinfônica Municipal sob regência de Roberto Minczuk.

Local: Theatro Municipal de São Paulo.

Ingressos e detalhes: theatromunicipal.org.br/eventos/morais-e-tchaikovsky/.

Ópera “Os Pescadores de Pérolas”, de Georges Bizet

Data: A partir de 28 de novembro de 2026 (17:00), com récitas também em 29 de novembro (17:00) e 01 de dezembro de 2026.

Sobre: Superprodução operística sob a batuta de Roberto Minczuk, à frente da Orquestra Sinfônica Municipal.

Local: Theatro Municipal de São Paulo.

Ingressos e detalhes: theatromunicipal.org.br/eventos/opera-os-pescadores-de-perolas-de-georges-bizet/.

Concerto “Noite de Festa”

Data: 18 e 19 de dezembro de 2026.

Sobre: Encerramento festivo do ano com peças de Francisco Mignone (Fantasia Brasileira nº 3) e Beethoven.

Local: Theatro Municipal de São Paulo.

Ingressos e detalhes: theatromunicipal.org.br/eventos/concerto-noite-de-festa/.

Teatro de Vermelhos (Ilhabela/SP)

Evento: Concerto de Ano Novo com trilhas sonoras de grandes filmes (Apocalypse NowA Lista de Schindler2001: Uma Odisseia no Espaço) e projeções visuais.

Data: 29 de dezembro (previsão).

Ingressos e Programação: Acessar o site do Teatro de Vermelhos.

Agenda Internacional:

Orquestra Filarmônica do Novo México (EUA)

Evento: Temporada como diretor musical e maestro titular

Data: Início em outubro de 2026.

Ingressos e Programação: Acessar a agenda da Filarmônica do Novo México(https://nmphil.org/).

Concertos Regidos pelo Maestro Roberto Minczuk (Temporada 2026/2027):

11 de outubro de 2026: Young Musical Stars Play Tchaikovsky & Schumann

13 e 14 de novembro de 2026: Festive & Dancing Strings

12 de dezembro de 2026: Handel’s Messiah

16 de janeiro de 2027: Tchaikovsky’s Towering Concerto No. 1

07 de fevereiro de 2027: J.S. Bach, Mozart & Haydn

12 e 13 de fevereiro de 2027: A Morning Breath of Fresh Air

01 de maio de 2027: Carmina Burana

21 e 22 de maio de 2027: A Morning with J.S. Bach

29 de maio de 2027: Mahler’s Tragic Symphony (Performance de despedida do Maestro como Diretor Musical).

(Com Silvana Chaves/Em Foco Comunicação Estratégica)

Mostra coletiva “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?” tem programação cultural gratuita no Museu Lasar Segall

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Mostra “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu:o que a gráfica pode imaginar?”, com curadoria de Luiz Armando Bagolin, no Museu Lasar Segall. Foto: Matheus Parizi.

A exposição “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”, com curadoria de Luiz Armando Bagolin, segue até o dia 19 de outubro de 2026 no Museu Lasar Segall, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. O evento, que tem entrada gratuita, conta com apoio da Associação Cultural de Amigos do Museu Lasar Segall e do Núcleo Marcello Grassmann.

A mostra ainda conta com programação cultural que envolve os artistas participantes entre setembro e outubro: Oficina de criação e impressão de matrizes de gravura em relevo e estêncil, nos dias 19 e 26 de setembro de 2026 (sábados), das 15h às 18h (10 vagas) coordenação de Tauany de Freitas, Zizi Batista e Cláudio Caropreso e Conversa entre curador, artistas e público sobre o tema  “Por que e para quem se grava hoje?”, no 03 de outubro de 2026 (sábado), das 15 às 17h (30 vagas) coordenação de  Luiz Armando Bagolin e Paulo Camillo Penna.

Oficina de criação e impressão de matrizes de gravura em relevo e estêncil, que acontece nos dias 19 e 26/09. Foto: Lucas Lacaz Ruiz/Divulgação.

Reunindo gravuras de doze artistas visuais — Amália Barrio, Cláudio Caropreso, Comtrario Pereira, Francisco Maringelli, Paulo Penna, PF Cozinha da Gravura (Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella), Pedro Pessoa, Rafael Kenji, Raphael Giannini, Ulysses Bôscolo e Zizi Baptista —, a mostra celebra o fazer gráfico em seu campo expandido, que vai da gravura em metal e da xilogravura à monotipia e ao desenho.

No centro da exposição está o ateliê de gravura como espaço coletivo de trabalho: o lugar onde a imagem não nasce pronta, mas se constrói por etapas, é reimpressa e se transforma a cada passagem pela matriz. Os doze artistas partilham essa prática comum — muitos deles formados ou atuantes em ateliês de gravura de São Paulo — e trazem para a sala um recorte dessa produção feita a muitas mãos.

A escolha do Museu Lasar Segall tem sentido preciso. A casa que foi residência e ateliê do pintor abriga, há décadas, um ateliê coletivo de gravura em plena atividade. Expor ali é aproximar as obras do próprio lugar em que muitas delas foram pensadas e impressas, e lembrar que o museu, antes e além da sala de exposição, é também um espaço de fazer.

Os artistas e curador da mostra “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu:o que a gráfica pode imaginar?”, no Museu Lasar Segall. Foto: Matheus Parizi.

“‘Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu” não é um percurso que proponho: o primeiro trajeto é o que a casa vê quando se vira para dentro; o segundo, o que estas obras já fazem quando entram no acervo. E há um terceiro, que dispensa a sala: do lado de fora, a gráfica se cola ao muro, exposta ao tempo e a quem passa”, afirma o curador Luiz Armando Bagolin.

SERVIÇO:

Mostra “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”

Curadoria: Luiz Armando Bagolin

Artistas visuais: Amália Barrio, Cláudio Caropreso, Comtrario Pereira, Francisco Maringelli, Paulo Penna, PF Cozinha da Gravura (Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella), Pedro Pessoa, Rafael Kenji, Raphael Giannini, Ulysses Bôscolo e Zizi Baptista

Apoio: Associação Cultural de Amigos do Museu Lasar Segall e do Núcleo Marcello Grassmann

Período: 18 de julho a 19 de outubro de 2026

Visitação: Quarta a segunda, das 11h às 19h

Entrada: Gratuita e Livre.

Programação cultural

Dia: 19 e 26 de setembro de 2026 (sábados), das 15h às 18h

Oficina de criação e impressão de matrizes de gravura em relevo e estêncil

A oficina propõe a criação de matrizes em estêncil e MDF voltadas para impressões de cartazes e volantes.

Coordenação: Tauany de Freitas, Zizi Batista e Cláudio Caropreso

Vagas: 10

Inscrições: Por ordem de chegada no primeiro dia da oficina.

Serão ofertadas outras 10 vagas para moradores da comunidade Souza Ramos.

Gratuito

Dia: 03 de outubro de 2026 (sábado), das 15 às 17h

“Por que e para quem se grava hoje?”

Conversa entre curador, artistas e público sobre o tema da exposição Do Museu ao Ateliê, do Ateliê ao Museu: o que a gráfica pode imaginar? organizada em torno das questões: o que é e para que serve um ateliê de gravura hoje.

A conversa se compõe de dois movimentos: primeiro, o ateliê de gravura como categoria entre nós — os coletivos, os gabinetes, os acervos, em que cada artista fala a partir de sua experiência de ateliê; no segundo, a circulação da estampa para fora do campo — quem recebe a gravura hoje que não seja gravador ou tenha uma relação estreita com a gravura.

Coordenação: Luiz Armando Bagolin e Paulo Camillo Penna

Participantes: qualquer pessoa interessada em acompanhar a conversa.

Vagas: 30

Local: ateliê de gravura

Inscrições: Por ordem de chegada no dia da apresentação

Gratuito.

Local: Museu Lasar Segall

Rua Berta, 111, Vila Mariana, São Paulo/SP 04120-040

Tel: (11) 2159 0400

E-mail: info@mls.gov.br

Site: www.mls.gov.br

Redes sociais:

Museu Lasar Segall @museu_lasar_segall

Luiz Armando Bagolin @labagolin

Amália Barrio @amaliabarrio

Cláudio Caropreso @caropresoxilogravura

Comtrario Pereira @comtrario

Francisco Maringelli @franciscomaringelli

Paulo Penna @paulocpenna1970

PF Cozinha da Gravura (Tauany de Freitas e Ana Luiza

Perrella) @pf.cozinhadagravura

Pedro Pessoa @pedro_pessoa1

Rafael Kenji @kenji.rafa

Raphael Giannini @raphael_com_ph_

Ulysses Bôscolo @ulyssesbo

Zizi Baptista @zizibaptista.

(Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

MASP apresenta coletiva internacional “Histórias latino-americanas”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Daniel Lind-Ramos – El Viejo Griot [O Velho Griô] [[The Old Griot], 2018-22
Proa de barco, sacos de estopa, tampa de plástico, chapéu, madeira, corneta, remos de madeira, papelão, fibra de vidro pintada, plástico e tecidos sintéticos, cocos secos e envernizados, balde de PVC, pandeiro, conga, luvas, arame, fechos de metal, espelho, alfinetes de costura, corda náutica, material de embalagem plástica e corda [Boat bow, burlap sacks, plastic lid, hat, wood, bugle, wood oars, cardboard, painted fiberglass, plastic and synthetic textiles, dried and lacquered coconuts, PVC bucket, tambourine, conga drum, gloves, wire, metal fasteners, mirror, sewing pins, marine rope, plastic wrapping material and rope], 269 × 526 × 282 cm. Coleção do artista, cortesia Max Levai Gallery, Nova York.

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugurou no dia 4 de setembro a coletiva internacional “Histórias latino-americanas”. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a exposição reúne 187 trabalhos de 148 artistas provenientes de 20 países. A mostra analisa como colonização, migração, movimentos de resistência e projetos de nação contribuíram para a criação de diferentes narrativas sobre a América Latina.

Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, obras do período pré-colonial ao contemporâneo dialogam a partir de problemas compartilhados, como a colonização, o extrativismo, os projetos de progresso, as formas de organização coletiva, as migrações, as diásporas e as aspirações de futuro. Pinturas, documentos, mapas, esculturas, fotografias, instalações, têxteis e vídeos revelam o uso de imaginários e símbolos para inventar, governar e disputar a região ao longo do tempo.

“A América Latina está interligada por múltiplos processos históricos, como a invasão colonial, o genocídio de populações, a herança do colonialismo europeu, o imperialismo estadunidense. Também se conecta por meio de formas coletivas de transformar a adversidade em criação, pela produção e pelo consumo de telenovelas, por festividades massivas e ritmos complexos que respondem a muitos intercâmbios. A região é uma zona de conflito e criação. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões”, diz Amanda Carneiro.

Manuel Chavajay (Lima, Peru, 1983) – Ch’umil kaj / estrellas en la Via Láctea [Ch’umil kaj / estrelas na Via Láctea], 2024 – Cerâmica, acrílica e tinta spray [Ceramic, acrylic and spray], 49 × 400 × 40 cm. Coleção do artista, cortesia Galeria Pedro Cera, Lisboa, Madri [Collection of the artist, courtesy Galeria Pedro Cera, Lisbon, Madrid].

A exposição está organizada em cinco núcleos: O mundo ao revésRetórica do progressoSociedades americanasEstamos em salsa e A queda do céu.

O mundo ao revés parte do conceito andino pachakuti, que nomeia uma inversão radical da ordem do mundo. Para inúmeros povos indígenas, a invasão europeia das Américas produziu uma ruptura dessa natureza, alterando relações com o território, o tempo e o conhecimento. O conjunto de obras reflete como a colonização inventou um mito de paraíso tropical repleto de riquezas naturais que estaria à disposição para ser explorado pela Europa, e a versão latino-americana do Barroco.

Já Retórica do progresso examina como projetos de urbanização e industrialização moldaram uma narrativa latino-americana do século 20, revelando promessas e contradições. A cidade, a fábrica, a rodovia, a arquitetura e o planejamento urbano despontam como uma vitrine de uma modernidade anunciada, mas também como instrumentos de controle, desigualdade e devastação ambiental. A expografia permite que uma das janelas do Edifício Pietro Maria Bardi revele a vista da Avenida Paulista, estabelecendo um diálogo entre a capital paulista e a exposição. Nesse núcleo, a obra comissionada Nuremberg Map of Tenochtitlan, da artista mexicana Mariana Castillo Deball, ocupa parte do piso do espaço expositivo. A instalação reproduz em grande escala um dos primeiros mapas europeus feitos de Tenochtitlan — então capital do Império Asteca e atual Cidade do México. Deball evidencia como a cartografia colaborou para classificar, administrar e dominar o território indígena. A mostra apresenta ainda outras obras comissionadas de JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado.

Em Sociedades americanas, a exposição olha para formas de organização comunitárias, como quilombos, cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias populares, que pensam a construção de alternativas concretas às promessas não cumpridas do desenvolvimento.

Pepón Osorio – La Cama [The Bed], 1987 – Técnica mista [Mixed media], 190.5 × 146 × 207 cm – El Museo del Barrio, compra através do The Ford Foundation, Nova York. Cortesia do artista e P·P·O·W, NovaYork [El Museo del Barrio, purchase through The Ford Foundation, New York, Courtesy of the artist and P·P·O·W, New York]. Foto [Photo] Matthew Sherman, cortesia [courtesy] El Museo del Barrio, Nova York [New York].

Estamos em salsa faz referência à canção homônima lançada em 1978 pelo músico nova-iorquino de origem porto-riquenha Wayne Gorbea. Formada por matrizes afro-caribenhas, o estilo musical surge do encontro entre migrantes, gravadoras, bailes e comunidades latinas, consolidando-se em Nova York. Obras como Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, abordam as relações entre dependência econômica e repertório cultural por meio de produtos como Coca-Cola, petróleo, banana, dendê, milho e taco. Meireles grava mensagens políticas sobre garrafas retornáveis e as devolve às prateleiras, infiltrando sua crítica na logística do varejo. Caro, por sua vez, subverte a logomarca do refrigerante, forçando a identidade de seu país a se moldar aos signos de uma mercadoria global.

O último núcleo, A queda do céu, é nomeado em referência ao livro escrito por Davi Kopenawa e Bruce Albert. No livro, publicado em 2010, os autores revelam como a destruição da floresta amazônica pela invasão garimpeira desencadeia uma catástrofe que ultrapassa a noção de crise ambiental e nomeia o colapso concreto das relações que mantêm a vida de pé. O núcleo articula o sonho e o mito, compreendidos como formas de conhecimento alternativas às utopias de progresso. A coexistência e a sobreposição de territórios e linhas do tempo também orientaram a expografia da mostra. O público pode seguir a sequência proposta para percorrer a exposição ou pode estabelecer seus próprios caminhos, criando associações e leituras diversas. A pintura Metaesquemas (1956‒1958), de Hélio Oiticica, foi uma referência para painéis, blocos de cores e cortes diagonais que evitam uma separação rígida entre as seções, favorecendo a continuidade e o diálogo entre diferentes trabalhos.

Histórias latino-americanas é o tema do ciclo curatorial de 2026. A programação do ano também inclui as mostras de Jesús Soto, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.

Seba Calfuqueo (Santiago, Chile, 1991) – Cementerio indígena bajo el agua hasta hoy en la Central hidroeléctrica Ralco [Cemitério indígena embaixo d’água até hoje na hidrelétrica Central Ralco] [Indigenous Cemetery Remains Submerged at the Ralco Hydroelectric Power Plant], 2023 – Acrílica e pigmentos sobre papel Arches Aquarelle [Acrylic and pigments on Arches Aquarelle paper], 88,5 × 69,5 cm. Coleção [collection of] Daniel Alvarez, São Paulo. Foto [Photo] Filipe Berndt.

A mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção, relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um caráter especulativo, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021–22), Histórias Indígenas (2023), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Histórias da Ecologia (2025).

Acessibilidade

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.

Catálogo

Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial e textos de Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro e Julieta González.

Loja MASP

Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.

Realização

Histórias latino-americanas é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio master de Nubank e patrocínio Vivo.

SERVIÇO:

Histórias latino-americanas

Curadoria: Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, com assistência de Teo Teotonio, assistente curatorial, MASP

4/9/2026 — 31/1/2027

Edifício Pietro Maria Bardi, 2º ao 6º andar

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da Loja MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Fonte: Assessoria de imprensam MASP)

Em setembro, concerto “Luz e Sombra”, do Coral Paulistano, conduz público por diferentes paisagens sonoras

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Coral Paulistano. Fotos: Rafael Salvador.

No dia 24, quinta-feira, às 20h, acontece o concerto “Luz e Sombra”, do Coral Paulistano, sob regência de Maíra Ferreira e Isabela Siscari, na Sala do Conservatório do Theatro Municipal de São Paulo. O repertório percorre diferentes épocas da música vocal, da polifonia renascentista às criações apresenta uma imersão sonora pela riqueza, exuberância e refinamento da música vocal italiana dos séculos XVI e XVII. Os ingressos custam R$50, a classificação é livre e a duração de 60 minutos, sem intervalo.

Entre as obras apresentadas, “Exaudi Domine a 16 vozes”, de Giovanni Gabrieli; “Ridon’ hor per le piagge”, de Maddalena Casulana, “Water Night”, de Eric Whitacre; “Agua Nocturna”, de Silvia Berg; “O dolorosa gioia”, de Carlo Gesualdo, e “Sound Patterns”, de Pauline Oliveros, entre outras.

Isabela Siscari e Maíra Ferreira.

Segundo Isabela Siscari, regente do espetáculo ao lado de Maíra, Luz e Sombra tem um programa que explora os contrastes. Luz e Sombra propõe um percurso por diferentes paisagens sonoras, construído a partir de escolhas musicais e textuais que encontram na música coral um campo privilegiado de expressão”, explica.

“O programa explora contrastes de luminosidade, estilos e atmosferas poéticas, aproximando obras do Renascimento e do início do Barroco de composições dos séculos XX e XXI, revelando como luz e escuridão, dia e noite, prazer e dor atravessam a criação coral ao longo dos séculos e chegam até os dias de hoje”, finaliza.

Por meio de obras de compositores contemporâneos como Eric Whitacre, Silvia Berg, Tania León e Pauline Oliveros, o público é convidado a experimentar diferentes possibilidades da voz na construção do misterioso, do noturno, do profundo e do poético, em paisagens que evocam desde a natureza até a vastidão do universo em contraste com a pequenez humana.

Maíra Ferreira, regente do Coral Paulistano.

A luminosidade e os elementos da natureza encontram diferentes formas de expressão nas obras de Luca Marenzio, Claudio Monteverdi e György Ligeti, em que imagens do sol, das águas, da noite e da manhã transformam a paisagem e a passagem do tempo em matéria poética e musical. A dramaticidade se apresenta também em dimensões espirituais e profundamente humanas, nas obras de Carlo Gesualdo, Maddalena Casulana e Giovanni Gabrieli, assim como no conjunto de peças de Jaakko Mäntyjärvi sobre textos de Shakespeare.

SERVIÇO:

Luz e Sombra

Patrocínio Scotiabank

CORAL PAULISTANO

Maíra Ferreira, regência

Isabela Siscari, regência

24 de setembro, quinta-feira, 20h

Sala do Conservatório, Praça das Artes

Ingressos R$50 (inteira)

Classificação livre para todos os públicos – Sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária

Duração total: aproximadamente 60 minutos, sem intervalo

Repertório:

GIOVANNI GABRIELI

Exaudi Domine a 16 vozes [6’]

MADDALENA CASULANA

Ridon’ hor per le piagge [3′]

ERIC WHITACRE

Water Night [5’]

SILVIA BERG

Agua Nocturna [8’]

CARLO GESUALDO

O dolorosa gioia [4’]

PAULINE OLIVEROS

Sound Patterns [4’]

TANIA LEÓN

El sendero ancho [4’]

CLAUDIO MONTEVERDI

Ecco mormorar l’onde [4’]

LUCA MARENZIO

Scaldava il sol [3’]

JAAKKO MÄNTYJÄRVI

Four Shakespeare Songs [13’]

GYÖRGY LIGETI

Éjszaka és Reggel [4’].

(Com André Santa Rosa/Assessoria de Imprensa do Theatro Municipal)

Aldeia Guarani Jejy-Ty, em SP, inaugura primeiro Centro Cultural próprio

Iguape, SP, por Kleber Patricio

Recurso de incentivo à cultura transforma espaço da escola em sede própria para preservação da cultura Guarani Mbya com capacidade para 100 pessoas. Fotos: Divulgação.

A Aldeia Jejy-Ty, comunidade Guarani Mbya, localizada em Iguape, no Vale do Ribeira (SP), inaugura seu primeiro Centro Cultural próprio, construído com recursos do Programa de Ação Cultural (ProAC) do Governo do Estado de São Paulo. O projeto marca uma mudança estrutural para a comunidade: até então, oficinas, rodas de conversa e apresentações culturais aconteciam no espaço e no pátio da escola local, sem uma sede específica.

“Antes nós utilizávamos espaços da escola, como o pátio para a realização das atividades culturais como canto, a dança”, relembra o cacique Leonardo da Silva, liderança da Aldeia Jejy-Ty. Com a aprovação do projeto junto ao ProAC, a comunidade da Aldeia Jejy-Ty conseguiu recursos para erguer uma construção estruturada especificamente para atender a demanda cultural dos indígenas.

Um espaço pensado para durar

A obra de construção do centro cultural utilizou madeira tratada e estrutura com pilares de ferro e fibra de vidro — escolha, segundo Leonardo, feita para garantir maior durabilidade ao centro cultural. O espaço, com capacidade para 100 pessoas, contará com salas para reuniões, ensaios e apresentações, sala de aula equipada com laptops, sala de projeção, refeitório, banheiros e um minimuseu com exposição de fotos, arte e objetos históricos.

Agora, com a sede própria, o Centro Cultural terá programação semanal de sexta a domingo, com oficinas de artesanato, música, audiovisual, gastronomia indígena e pintura corporal, além de apresentações culturais e atividades físicas tradicionais, como a Dança Tangará e a Dança dos Xondaros. Durante a semana, o centro funcionará como ponto de encontro para a comunidade e visitantes.

Calendário de eventos e fortalecimento comunitário

O centro também sediará seis eventos anuais de relevância para a cultura Guarani — entre eles, o Ano Novo Guarani, a Semana do Índio e o Encontro de Jovens Lideranças. Ao longo dos 18 meses de funcionamento previstos pelo projeto, a expectativa é impactar diretamente entre 1.500 e 2.000 pessoas.

“Nossa expectativa é realizar encontros de jovens, de mulheres, encontros de liderança — é muito importante trazer essa formação para nossos jovens e para as mulheres, para fortalecer cada vez mais a nossa comunidade. Também queremos viabilizar a exposição e venda de artesanato, para que a comunidade consiga gerar renda”, afirma o cacique. Saiba mais sobre a Aldeia em https://jejyty.com.br/.

O papel das leis de incentivo

O Centro Cultural da Aldeia Jejy-Ty é um exemplo direto de como mecanismos de fomento como o ProAC funcionam como ponte entre comunidades tradicionais e infraestrutura cultural historicamente inacessível. Sem espaço próprio, aldeias como a Jejy-Ty dependiam de estruturas emprestadas — escolas, pátios, espaços ao ar livre — para manter viva sua produção cultural.

Com o financiamento, a comunidade não apenas constrói um espaço físico, mas garante também 18 meses de funcionamento, o que assegura continuidade às atividades e ao trabalho de preservação da cultura Guarani Mbya para as próximas gerações.

(Com Ellen Fernandes/EBF Comunicação)