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Arte & Cultura

São Paulo, SP

Instituto Tomie Ohtake apresenta “Estrelas escolhidas”, individual de Luiz Zerbini

por Kleber Patrício

O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam, de 26 de junho a 16 de agosto de 2026, “Estrelas escolhidas”, exposição individual de Luiz Zerbini, com curadoria de Ana Roman e Luiza Mello. A mostra reúne cerca de 230 obras produzidas ao longo dos últimos dez anos, entre monotipias, pinturas, livros de artista e instalações, marcadas pela investigação da monotipia realizada […]

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Meio Ambiente & Responsabilidade Social

Ubatuba, SP

Instituto Argonauta auxilia baleia-jubarte emalhada em Ubatuba

por Kleber Patrício

A Equipe de desenredamento de grandes cetáceos do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha foi acionada para atender uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) juvenil avistada emalhada nas proximidades da Ponta Grossa, em Ubatuba. O animal, conhecido como Lena, já havia sido registrado na região no ano passado e voltou a ser avistado neste ano […]

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Livro que revela o lado oculto do TDAH em mulheres ensina como elas podem recuperar o foco e o equilíbrio emocional

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Capa.

Você, mulher, já se sentiu cansada, dispersa, atrasada, improdutiva, tudo isso apesar das tentativas para “funcionar melhor”? Ou teve a sensação de que sua mente nunca desacelera e ainda assim nada parece sair do lugar? Para milhões de mulheres, esse cenário não é exceção, mas uma rotina. E, segundo a especialista Shanna Pearson, há uma explicação pouco reconhecida por trás desse padrão: o TDAH, um transtorno do neurodesenvolvimento, frequentemente invisível nas mulheres, que é mal diagnosticado ou interpretado apenas como “desorganização” ou “falta de disciplina”. Apesar desse aparente caos mental, ela afirma que “o cérebro não está com defeito, ele apenas funciona de forma diferente”.

É nesse ponto cego que Pearson constrói o livro “TDAH Invisível em MulheresEstratégias Comprovadas para Recuperar o Foco, o Equilíbrio Emocional e o Controle da Vida” (352 págs., R$ 72,90), lançamento da Editora Cultrix. A obra que rapidamente se tornou best-seller nos Estados Unidos, possui clareza e linguagem acessíveis e combina experiência clínica, estratégia comportamental e aplicação prática imediata.

Diferente de muitos livros tradicionais sobre o transtorno, TDAH Invisível em Mulheres oferece mais de 100 ferramentas aplicáveis no dia a dia, construídos a partir de mais de 450 mil atendimentos feitos pela autora ao longo de 26 anos de prática clínica e coaching especializado. Pearson traz uma abordagem direta e baseada em ação, sendo descrito por especialistas como um guia que “funciona no mundo real”, justamente por traduzir experiência clínica em estratégias testadas em larga escala.

O livro é estruturado em quatro partes que orientam o leitor de forma prática e progressiva:

Parte I (“O quê?”) explica como funciona o cérebro com TDAH;

Parte II (“Por quê?”) aborda padrões emocionais e estímulos inconscientes que influenciam comportamentos cotidianos;

Parte III (“Ferramentas”) reúne mais de 100 estratégias práticas voltadas para foco, organização, procrastinação e regulação emocional;

Parte IV (“E agora?”) amplia a discussão para autonomia, identidade e construção de uma vida mais sustentável com TDAH.

Shanna Pearson destaca no livro o que muitas vezes é ignorado nos diagnósticos tradicionais: a hiperatividade interna, a sobrecarga emocional, os ciclos de exaustão e a sensação persistente de inadequação vivida por muitas mulheres. Entre os temas trabalhados com as pacientes estão foco, organização, gestão do tempo, procrastinação, regulação emocional e tomada de decisão.

Em vez de oferecer soluções genéricas, TDAH Invisível em Mulheres se dirige especialmente a mulheres que já testaram métodos de organização, aplicativos, técnicas de foco e estratégias de produtividade sem resultados duradouros. O livro traz uma promessa central simples e direta: entender como seu cérebro funciona e aprender a trabalhar com ele, não contra ele.

Trecho do livro:

Talvez você tenha lido outros livros sobre TDAH, seguido influenciadores no tema ou assistido a inúmeras lives e, sem dúvida, acumulou uma pilha de informações. Mas que diferença isso fez em sua vida? Imagino que pouca; menos do que você esperava. Por isso, afirmo que este livro é diferente, e você deve me ouvir.

Primeiro, se você é mulher e tem TDAH, entendo perfeitamente sua dificuldade. Passei por isso – e sobrevivi! Sei muito bem como se sente e quero compartilhar com você soluções que podem facilitar muito sua vida.

Segundo, e muito mais importante, minha prática como coach me permitiu desenvolver a maior empresa do mundo para trabalho individual com adultos com TDAH, e as soluções que compartilho se baseiam em vinte e seis anos de resultados comprovados com dezenas de milhares de clientes! Com genuína humildade e surpresa, desde 1999, tenho o privilégio de ser coach e orientadora de mais de 450 mil indivíduos com TDAH, e hoje realizamos quase 60 mil sessões de uma hora, todos os anos.

Quero esclarecer que estes não são seguidores de redes sociais, membros de grupos on-line ou ouvintes de podcast em busca de informação gratuita (para ser sincera, não sou muito ativa nas redes sociais, pois a maioria de meus clientes nos encontra por recomendação). Quase qualquer pessoa pode acumular milhares de assinantes não pagantes em um grupo gratuito grande e, assim, alegar que “orientou” e “ajudou” milhares de indivíduos, em geral sem oferecer aconselhamento comprovado. — A autora

Sobre a autora:

Shanna Pearson é fundadora e presidente da Expert ADHD Coaching, o maior programa de  coaching personalizado para adultos com TDAH do mundo. Com mestrado em Psicologia e especialização em Educação Experiencial, ela acumula diversos prêmios internacionais de liderança e mais de 26 anos de experiência criando programas inovadores para mais de 120 organizações públicas e privadas. Criadora da metodologia exclusiva de Coaching Cinestésico e Baseado em Ação, Shanna supervisiona quase 60 mil sessões de coaching por ano e treina e orienta cada coach de sua equipe. Sua autoridade no assunto não vem apenas da formação acadêmica, mas de sua própria jornada lidando com o TDAH severo. Essa

Sobre o Grupo Editorial Pensamento:

Mais que livros, inspiração!

Desde 1907, o Grupo Editorial Pensamento publica livros para um mundo em constante transformação e aposta em obras reflexivas e pioneiras. Em busca desse objetivo, construímos uma das maiores e mais tradicionais empresas editoriais do Brasil. Hoje, o Grupo é formado por três selos: Pensamento, Cultrix e Jangada, e possui em catálogo aproximadamente 2 mil títulos, publicando cerca de 80 lançamentos ao ano. Ao longo de sua trajetória, o Grupo Editorial Pensamento aposta em mensagens que procuram expandir o corpo, a mente e o espírito. Mensagens que emanam energia positiva e bem-estar. Mensagens que equilibram o ser. Mensagens que transformam o mundo.

SERVIÇO:

Livro TDAH Invisível em Mulheres

Autor: Shanna Pearson (https://adhdcoaching.com/)

Editora: Cultrix

Páginas: 352

Preço: R$ 72,90

Disponível para compra em pré-venda através do link.

(Com Marcelo Boero/Aspas e Vírgulas)

Instituto Tomie Ohtake apresenta “Estrelas escolhidas”, individual de Luiz Zerbini

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Luiz Zerbini, Embaúbas 3, 2026, óleo, acrílica, pastel seco e grafite sobre tela, 195 x 300 cm, foto. Foto: Pat Kilgore.

Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam, de 26 de junho a 16 de agosto de 2026, “Estrelas escolhidas”, exposição individual de Luiz Zerbini, com curadoria de Ana Roman e Luiza Mello. A mostra reúne cerca de 230 obras produzidas ao longo dos últimos dez anos, entre monotipias, pinturas, livros de artista e instalações, marcadas pela investigação da monotipia realizada a partir do contato direto com plantas, folhas, galhos, cascas e outras materialidades. O conjunto inclui trabalhos desenvolvidos a partir do acervo botânico do Instituto Inhotim e do Sítio Burle Marx, além de obras que ampliam o diálogo da produção gráfica de Luiz Zerbini com diferentes contextos, como as pesquisas relacionadas à gravura japonesa Ukiyo-e. Estrelas escolhidas acontece paralelamente às exposições Viva Viva Escola Viva, sobre o movimento indígena das Escolas Vivas, e Quando o museu é rio, realizada em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi.

Nascido em São Paulo e radicado no Rio de Janeiro, Luiz Zerbini construiu uma relação contínua com a paisagem e com o universo botânico. Seu ateliê – por muitos anos próximo ao bairro do Jardim Botânico – e, posteriormente, seu próprio jardim particular tornaram-se espaços de observação e convivência cotidiana com diferentes espécies vegetais. Essa relação aparece nas obras não como ilustração da natureza, mas como uma experiência de aproximação, contato e escuta do mundo vivo.

Luiz Zerbini, Xamã 1, 2020, óleo e acrílica sobre papel de algodão, 107 x 80 cm. Foto: Pat Kilgore.

Ao longo dos últimos anos, o artista desenvolveu uma prática em que o mundo vegetal se tornou agente do processo artístico. Nas monotipias, as plantas são utilizadas como matrizes, deixando suas marcas diretamente sobre o papel por meio da pressão da prensa, revelando nervuras, texturas e densidades que escapam ao olhar cotidiano.

Sua pesquisa gráfica ganhou novos desdobramentos a partir da colaboração com o gravador João Sánchez, do Estúdio Baren. O encontro entre os dois abriu um campo experimental em que o improviso, o erro e a matéria conduzem a composição das imagens. Ao longo dos anos, a investigação incorporou diferentes suportes, como seda, feltro, pedra litográfica e papéis diversos, além da produção de tintas desenvolvidas especialmente para o trabalho.

Segundo as curadoras, “o rigor técnico do gravador, aliado a uma certa ingenuidade do artista diante dos procedimentos, abriu uma frente experimental de criação. Nela, a composição se resolve no momento da impressão, sem projeto prévio, no encontro entre tinta, papel e matéria orgânica. Não há controle total do processo; o improviso conduz o fazer, e é justamente isso que interessa ao artista”.

Além das obras gráficas, a exposição apresenta núcleos dedicados às publicações produzidas pelo artista, além de um projeto sobre etnobotânica ainda em desenvolvimento. Mesas e instalações concebidas para a exposição aproximam processos, matrizes, referências e obras finalizadas, revelando o caráter experimental e processual da pesquisa de Zerbini.

Sobre o artista:

Luiz Zerbini nasceu em São Paulo, em 1959. Iniciou sua atividade artística no final dos anos 1970. Expoente da chamada Geração 80, é conhecido por fazer pinturas em grande escala, de colorido exuberante, em geral figurativas e com incursões no abstracionismo geométrico. As composições do artista incluem a paisagem e as formas da natureza. Sua obra transita entre a pintura, a escultura, a instalação, a fotografia, a monotipia, e a produção de textos e vídeos. Zerbini integra, ainda, o grupo Chelpa Ferro.

Retrato, Luiz Zerbini. Foto: Eduardo Ortega.

Entre suas exposições recentes, destacam-se: Observations: Luiz Zerbini in Conversation with Frank Walter (2025)Fortes D’Aloia & Gabriel | Jardins, São Paulo, Brasil; Vagarosa luminescência voadora (2025)Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo, Brasil; Afinidades III – Cochichos (2024), Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil; Paisagens ruminadas (2024), Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília, Brasil e Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil; Siamo Foresta (2023), Triennale Milano, Milão, Itália; Dry River (2022), Sikkema Jenkins & Co, Nova York, Estados Unidos; A mesma história nunca é a mesma (2022), Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo, Brasil; Fire (2020), Stephen Friedman Gallery, Londres, Reino Unido; Nous les Arbres (2019), Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris, França; Intuitive Ratio (2018), South London Gallery, Londres, Reino Unido; e Dreaming Awake (2018), Marres, House for Contemporary Culture, Maastricht, Países Baixos.

Luiz Zerbini é representado pelas galerias Fortes D’Aloia & Gabriel (Brasil) e Sikkema Jenkins & Co (Nova York). Seus trabalhos estão em instituições como o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), em São Paulo, Brasil; Instituto Inhotim, em Brumadinho, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, em São Paulo, Brasil; Christen Sveaas Museum/Kistefos-Museet, na Noruega; Fondazione Sandretto Re Rebaudengo, na Itália; e Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, na França.

Estrelas escolhidas é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e do Instituto Tomie Ohtake. A mostra conta com o apoio do mantenedor institucional Nubank e com o patrocínio da Motiva, por meio do Instituto Motiva, e do Aché Laboratórios Farmacêuticos, na cota Prata, além do apoio da galeria Fortes D’Aloia & Gabriel.

SERVIÇO:

Estrelas escolhidas

26 de junho a 16 de agosto de 2026

De terça a domingo, das 11h às 19h [última entrada até 18h]

Entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros – SP

Metrô mais próximo: Estação Faria Lima/Linha 4 – Amarela

Telefone: (11) 2245-1900

Site: institutotomieohtake.org.br /

Facebook: facebook.com/inst.tomie.ohtake

Instagram: @institutotomieohtake

Youtube: https://www.youtube.com/@tomieohtake

Loja: www.lojatomie.org.br.

(Com Martim Pelisson/Instituto Tomie Ohtake)

56ª edição do Festival de Inverno de Campos do Jordão conta com mais de 80 concertos gratuitos em Campos do Jordão e São Paulo

Campos do Jordão, SP, por Kleber Patricio

Orquestra do Festival sob regência de Josep Caballé Domenech na 55ª edição do Festival. Foto: Íris Zanetti.

Criado em 1970 e reconhecido como o mais tradicional evento de música clássica da América Latina, o Festival de Inverno de Campos do Jordão chega à sua 56ª edição em 2026. A programação artística acontece de 4 de julho a 2 de agosto, em seis palcos em Campos do Jordão e em três na capital paulista. Serão mais de 80 apresentações, todas elas com entrada gratuita. Na cidade da Serra da Mantiqueira, o Festival acontece no Auditório Claudio Santoro, no Parque Capivari, na Capela São Pedro Apóstolo — localizada no Palácio Boa Vista —, no Espaço Cultural Dr. Além, e em dois novos palcos: a Concha Acústica do Museu Felícia Leirner — vizinha do Auditório —, e o CARDE Museu, aberto ao público em 2024. Esse acréscimo amplia o acesso dos eventos à população local e também aos milhares de turistas que visitam a cidade durante o inverno.

A capital paulista também terá um calendário de performances diverso na Sala São Paulo. Elas acontecem na Sala de Concertos, na Estação Motiva Cultural — espaço inaugurado em 2025 — e na Sala Eleazar de Carvalho, situada no primeiro andar da Sala São Paulo e aberta ao público a partir desta edição do Festival. “Quando assumi a direção artística, a pergunta era: o que poderia trazer mais conteúdo e mais brilho a um festival que já é o maior da América Latina? A resposta foi trabalhar com profundidade. Nesta edição, o público poderá mergulhar no universo de Brahms, com as quatro sinfonias, obras orquestrais e mais de 30 peças de música de câmara, além de acompanhar uma produção completa de A Flauta Mágica, de Mozart, no Auditório Claudio Santoro”, afirma Roberto Minczuk, diretor artístico do Festival de Inverno de Campos do Jordão.

Enquanto a programação artística reúne alguns dos principais intérpretes e conjuntos do estado de São Paulo e do país, a formação de novos talentos continua sendo o coração do Festival. Considerado a espinha dorsal do evento, o Módulo Pedagógico oferece nesta edição 140 bolsas de estudo a jovens músicos brasileiros, especialmente, e estrangeiros.

Ao longo de todo o mês, os bolsistas participarão de uma intensa programação de aulas, ensaios, masterclasses e apresentações, em contato direto com professores convidados do Brasil e do exterior. Além da formação artística, o Festival proporciona uma experiência profissional completa, permitindo que os alunos integrem grupos artísticos e participem de concertos em Campos do Jordão e São Paulo.

Uma das novidades desta edição é a Academia de Ópera, iniciativa voltada à formação de cantores e instrumentistas em repertório lírico. A atividade dialoga diretamente com a montagem de A Flauta Mágica, de Mozart, apresentada pela Orquestra do Festival, o Coro Acadêmico da Osesp e solistas sob direção musical de Roberto Minczuk e direção cênica de Pablo Maritano. Ela acontecerá nos dias 4, 5, 8, 9, 11 e 12 de julho no Auditório Claudio Santoro, em Campos do Jordão. “O Brasil possui muitos talentos no canto lírico, mas ainda oferece poucas oportunidades para que esses artistas desenvolvam plenamente seu potencial. A ópera exige experiência de palco, atuação, domínio musical e convivência com profissionais experientes. A criação da Academia de Ópera nasce justamente desse desejo de oferecer aos jovens cantores uma formação prática e intensiva dentro de um ambiente artístico de excelência”, comenta o diretor do Festival.

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO

Entre os destaques da Programação Artística em Campos do Jordão está o concerto de abertura ao ar livre da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), sob regência de seu diretor musical e regente titular, Thierry Fischer, no Parque Capivari (04/jul). Ainda na noite de abertura, o Núcleo de Ópera do Festival apresenta A Flauta Mágica, de Mozart, com direção musical de Roberto Minczuk, no Auditório Claudio Santoro.

A agenda sinfônica reúne algumas das principais orquestras e corpos artísticos do país, entre elas a Sinfônica de Guarulhos, Orquestra Jovem do Estado de São Paulo (Ojesp); a Orquestra Experimental de Repertório (OER); a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas; a Orquestra Filarmônica Catarinense; a Orquestra do Theatro São Pedro; a Camerata Antiqua de Curitiba; e a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp). A Orquestra do Festival, formada pelos bolsistas selecionados desta edição, fará um ciclo completo das Sinfonias de Brahms, um dos mais amados compositores da música de concerto.

A programação também amplia o diálogo da música de concerto com outros gêneros musicais. No Parque Capivari, a Brasil Jazz Sinfônica, residente desta edição, se apresenta acompanhada de Fabiana Cozza, Mariana Aydar e Mônica Salmaso. O palco do Parque recebe também shows de Demônios da Garoa e do Roberta Sá Trio.

A agenda inclui, dentre outros, concertos do Coral Paulistano, da Orquestra Filarmônica de Violas, da Orquestra Municipal de Jundiaí, da Orquestra Joseense e da Orquestra da Fundação Lia Maria Aguiar, da Camerata de Cordas de Campos do Jordão e do Coro Jovem de Campos do Jordão – AME Campos, os três últimos formados por músicos da região.

Na música de câmara, o Festival recebe o Quarteto Camargo Guarnieri, o Heloísa Fernandes Quarteto, a soprano Camila Provenzale, os violinistas Rosnei Tuon e Cláudio Cruz, os violonistas Eduardo Isaac e Fabio Zanon, dentre muitos outros, com alguns deles integrando também o grupo de professores do Festival.

Uma das novidades desta edição são os concertos realizados à meia-noite no Espaço Cultural Dr. Além, em Abernéssia. A programação reúne o Hot Club Piracicaba Solistas e o violinista Ricardo Herz, ampliando o diálogo do Festival com o jazz, a música instrumental brasileira e outras sonoridades.

A agenda artística completa pode ser acessada no site oficial do Festival.

MÓDULO PEDAGÓGICO

O Festival receberá, ao todo, 140 bolsistas e mais de 50 professores convidados. Ao longo de quatro semanas de atividades, os alunos participarão de uma intensa programação de aulas, ensaios, masterclasses e apresentações, totalizando aproximadamente 1.200 horas de formação artística.

As atividades estão organizadas em cinco frentes: Academia de Ópera, voltada a solistas vocais e instrumentistas; Música de Câmara; Regência; Violão; e Orquestra do Festival. Os bolsistas terão contato direto com músicos e professores brasileiros e estrangeiros, em uma proposta pedagógica que alia excelência artística, prática de palco e intercâmbio de experiências.

Uma das novidades desta edição é a Academia de Ópera, iniciativa dedicada à formação de cantores e instrumentistas em repertório lírico. A atividade dialoga diretamente com a montagem de A Flauta Mágica, de Mozart, apresentada pelo Núcleo de Ópera do Festival sob direção musical de Roberto Minczuk. “O Festival proporciona uma verdadeira imersão musical. Durante um mês, os jovens músicos têm a oportunidade de estudar intensamente, tocar música de câmara, participar de ensaios e concertos e conviver diariamente com artistas e professores de excelência. Sou testemunha ocular e auditiva de várias gerações de músicos. Quando entrei no Festival como bolsista, em 1977, eu era o único aluno de oboé. Hoje, o nível da Orquestra do Festival é impressionante e mostra o quanto a formação musical evoluiu no Brasil. É muito encorajador ver jovens músicos preparados para integrar as principais orquestras do país e construir carreiras de destaque dentro e fora do Brasil”, afirma Arcadio Minczuk, coordenador pedagógico do Festival.

Os bolsistas participarão de apresentações em Campos do Jordão e São Paulo, integrando diferentes formações criadas especialmente para esta edição do Festival. A programação inclui concertos da Orquestra do Festival, além de apresentações ligadas às diversas frentes pedagógicas desenvolvidas ao longo do evento. “Na música de câmara, todos são protagonistas. Você está exposto, sem um regente intermediário, e depende do gesto e da escuta do outro. Esse treino é fundamental: músicos que passam pela música de câmara se tornam melhores músicos de orquestra. Por isso dedicamos uma parte tão importante da programação a essa prática. Ela está no coração da formação que oferecemos no Festival”, completa Arcadio.

Os concertos da Orquestra do Festival na Sala São Paulo serão transmitidos ao vivo pelo canal oficial do Festival no YouTube (link) nos dias 24 de julho e 2 de agosto. “A Fundação Osesp realiza este grande Festival desde 2012, mas a ligação da Osesp com Campos do Jordão é muito anterior. Ao longo de décadas, milhares de músicos passaram por esse programa de formação, que segue sendo uma das iniciativas mais importantes para o desenvolvimento da música de concerto no Brasil”, afirma Marcelo Lopes, presidente e CEO da Fundação Osesp. “Além da excelência artística e pedagógica, o Festival também desempenha um papel importante na difusão cultural e na economia criativa, levando ao público uma programação gratuita e de alta qualidade em Campos do Jordão e São Paulo. Ao longo de mais de cinco décadas, o evento vem contribuindo para enriquecer o cenário musical brasileiro e promover oportunidades de intercâmbio entre alunos, professores e artistas convidados”, conclui.

PRÊMIOS E BOLSAS

O Prêmio Eleazar de Carvalho contemplará o/a bolsista que mais se destacar nessa edição, concedendo a ele/a uma bolsa de US$ 1.400 mil (um mil e quatrocentos dólares) mensais para estudar por um período de até nove meses em uma instituição estrangeira de sua escolha, além de ter cobertas as despesas de traslado entre o Brasil e o exterior. Mais bolsistas que se destacarem durante as atividades do Festival poderão ser contemplados com outros prêmios.

ACESSIBILIDADE

A programação do 56º Festival de Inverno de Campos do Jordão oferecerá 18 concertos em sua programação com recursos de acessibilidade: audiodescrição e interpretação em Libras. Nestas apresentações, é necessário confirmar presença até três dias antes do evento, pelo e-mail da Ver com Palavras: contato@vercompalavras.com.br. A programação com acessibilidade será divulgada em breve no site do Festival.

SOBRE O FESTIVAL DE INVERNO DE CAMPOS DO JORDÃO

Criado em 1970 pelos maestros Eleazar de Carvalho, Camargo Guarnieri e Souza Lima, o Festival de Campos do Jordão combina, com excelência, uma programação de música de concerto a um trabalho pedagógico amplo e qualificado. Ao longo de suas 55 edições, o evento se consolidou como o maior e mais importante festival de música clássica da América Latina, oferecendo aos bolsistas a vivência com importantes nomes da música nacional e internacional e, paralelamente, uma programação cultural de qualidade, que beneficia não somente a cidade de Campos do Jordão (SP) como todo o seu entorno, ampliando as oportunidades de acesso à música erudita.

REALIZAÇÃO

A 56ª edição do Festival de Inverno de Campos do Jordão conta com o patrocínio da Desenvolve SP e Yelum Seguradora e apoio de Minalba, Nacional Gás e AlmavivA, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Parceiro de Mídia: Folha de São Paulo. Apoio Institucional: Parque Capivari, CARDE Museu, Auditório Claudio Santoro, Museu Felícia Leirner, EMESP Tom Jobim e Prefeitura de Campos do Jordão. Realização: Fundação Osesp, Estado de São Paulo, Ministério da Cultura e Governo do Brasil.

Consulte a programação: https://www.festivalcamposdojordao.org.br/programacao-e-ingressos/programacao/.

SERVIÇO:

56º Festival de Inverno de Campos do Jordão

DATA: 04 de julho a 02 de agosto de 2026

INGRESSOS: Entrada gratuita.

Auditório Claudio Santoro, CARDE Museu, Sala São Paulo, Sala do Coro e Estação Motiva Cultural: ingressos neste link três dias antes de cada apresentação, ao meio-dia (limitado a quatro por pessoa). Observação: há uma cota de 100 ingressos para serem retirados no dia de cada apresentação na Sala São Paulo e no Auditório Claudio Santoro, e de 50 ingressos na Estação Motiva Cultural. Eles estarão disponíveis 1h antes dos concertos.

Capela São Pedro Apóstolo e Espaço Cultural Dr. Além: distribuição de ingressos presencial, 1h antes, na entrada dos locais (limitada a dois por pessoa).

Parque Capivari: entrada livre.

LOCAIS (Campos do Jordão e São Paulo):

Auditório Claudio Santoro – Av. Dr. Luís Arrobas Martins, 1.880, Alto da Boa Vista, Campos do Jordão, SP. Tel. (12) 3662-2334. 820 lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: somente em dias de concerto, a partir de 2h30 antes do início das apresentações.

Parque Capivari – R. Eng. Diogo José de Carvalho, 1.291, Capivari, Campos do Jordão, SP. Gratuito (entrada livre, sem necessidade de retirada de ingressos). Horário de funcionamento: diariamente, das 9h às 20h.

Espaço Cultural Dr. Além – Avenida Dr. Januário Miraglia, 1.582, Abernéssia, Campos do Jordão, SP. Tel. (12) 3664-2300. 186 lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 8h às 17h30.

Palácio Boa Vista – Capela São Pedro Apóstolo – Av. Adhemar Pereira de Barros, 3.001, Jardim Dirce, Campos do Jordão, SP. 90 lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: de quarta a domingo, das 10h às 12h e das 14h às 17h.

CARDE Museu – Rua Benedito Olímpio Miranda, Av. Alto da Boa Vista, 280, Campos do Jordão, SPXX lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: de quinta a segunda, das 10h às 18h.

Sala São Paulo – Sala de Concertos – Praça Júlio Prestes, 16, Térreo, Campos Elíseos, São Paulo, SP. Tel. (11) 3367-9500. 1.388 lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 18h.

Sala São Paulo – Sala Eleazar de Carvalho – Praça Júlio Prestes, 16, 1º andar, Campos Elíseos, São Paulo, SP. Tel. (11) 3367-9500. Gratuito. Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 18h.

Estação Motiva Cultural – Praça Júlio Prestes, 16, Térreo, Campos Elíseos, São Paulo, SP. Tel. (11) 3367-9500. 543 lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 18h.

Mais informações e conteúdo:

Site oficial

YouTube oficial

Instagram oficial

Facebook oficial.

(Com Alexandre Félix/ Fundação Osesp)

Museu Histórico da Cidade inaugura exposição “PRO-POLIS”, do artista Ricardo Siri

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Ricardo Siri – Estudos para Movimento Mel Concreto 19_2023_cera de abelha Alveolada.

Há cerca de oito anos, o artista transdisciplinar Ricardo Siri começou a estudar e a criar abelhas nativas brasileiras. Esse processo lhe rendeu prêmios, como o terceiro melhor mel do Brasil, e transbordou para a sua criação artística. O resultado será apresentado pela primeira vez na exposição “PRO-POLIS”, que será inaugurada no dia 27 de junho de 2026, no Museu Histórico da Cidade, na Gávea, Rio de Janeiro. Com curadoria de Fernanda Lopes, serão apresentadas cerca de 20 obras inéditas, entre pinturas e esculturas, produzidas com mel, cera de abelha e própolis. “Os trabalhos estabelecem uma ponte entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação”, afirma o artista.

“Em PRO-POLIS, Ricardo Siri transforma materiais produzidos pelas abelhas em dispositivos de pensamento. Ao trazer mel, cera e própolis para o campo da arte, o artista nos convida a refletir sobre formas de coexistência, cuidado e construção coletiva que atravessam tanto a natureza quanto a vida em sociedade. Seu interesse não está em representar a natureza, mas em trabalhar a partir dela. Seus materiais carregam histórias, geografias e relações ecológicas complexas”, diz a curadora Fernanda Lopes.

Ricardo Siri – Jardineira – cosmos.

A própolis – substância utilizada pelas abelhas para proteger e imunizar a colmeia – torna-se matéria pictórica, em obras abstratas. O material, normalmente associado à defesa e à saúde do organismo das abelhas, é transformado em pintura, criando superfícies orgânicas com tonalidades naturais de marrom, verde e vermelho. “Nas pinturas, a própolis atua simultaneamente como matéria, cor e arquivo. Produzida a partir de resinas coletadas pelas abelhas em diferentes paisagens, ela traz para a superfície da obra vestígios de territórios, vegetações e ciclos naturais que permanecem inscritos em sua materialidade”, conta a curadora. Algumas obras incorporam também geoprópolis, mistura de terra e própolis produzida por espécies como as abelhas mandaçaia, ampliando o diálogo entre arte, território e biologia. “As pinturas revelam texturas, transparências e densidades próprias desses materiais, trazendo para o campo da arte uma matéria viva que carrega em si a memória vegetal das paisagens visitadas pelas abelhas”, ressalta Siri.

A exposição apresentará também quadros nos quais o artista cria estruturas a partir de folhas de cera de abelha, usando a história da arte como referência. Nas obras chamadas “Estudos para Movimento Mel Concreto”, ele faz uma alusão ao Movimento Neoconcreto, um dos mais importantes da arte contemporânea, surgido em 1959. “Eu junto a cera, derreto e faço uma folha, que passo no alveolador, que a deixa hexagonal, e crio estruturas, sempre muito matemáticas. De certa forma, todos os trabalhos falam de geometria, porque as abelhas são muito geométricas”, conta Siri, que é formado em engenharia civil.

Ricardo Siri – Propopolizada 02 – 2023 – pintura com própolis em papel Canson.

Ampliando a pesquisa sobre os movimentos artísticos, Siri também faz referências a importantes nomes da história da arte, como Piet Mondrian (1872–1944), reproduzindo as formas e as cores de sua obra, com cera de abelha e mel em natura, em trabalhos que chamou de “Meldrian”. As cores vêm da própria cera, sem pigmentos. Em seus estudos, Siri descobriu que cada espécie de abelha produz a cera de uma cor, e, muitas vezes, dentro da mesma colmeia, da mesma espécie, há variação de cores.

Ainda com as folhas de cera de abelha, cortando e montando, o artista criou QR codes, que, para sua surpresa, podem ser lidos por aparelho celulares e levam o público para dentro das colmeias, com mais informações sobre a vida das abelhas que criaram aquela cera. A tecnologia também fará parte de pinturas inspiradas nas estruturas das colmeias, feitas com própolis e pigmentos naturais de flores e plantas do quintal da casa do artista, que são polinizadas pelas abelhas, como bougainville, urucum e café. Em um primeiro olhar, o espectador verá formas hexagonais, de cores diversas. Ao fotografá-las, no entanto, aparecerão imagens concretas na tela, como uma abelha e uma flor, ampliando a experiência do público. “As pessoas estão o tempo todo com o celular nas exposições e, muitas vezes, fotografam sem nem olhar a obra direito. Então é uma brincadeira com o olhar, uma forma de chamar a atenção para o que está ali, uma forma de polinizar as pessoas”, diz o artista.

Ricardo Siri – Jardins Polinizados.

A maioria dos trabalhos são feitos com materiais vindos do meliponário do artista, que tem esse nome devido às melíponas, que são as abelhas nativas brasileiras. No entanto, no Brasil, encontramos outras espécies de abelhas, vindas de outros países, mas que não polinizam o nosso bioma. Em uma homenagem a estas abelhas, e aos milhares de estrangeiros que vieram para o Brasil, com os próprios avós do artista, ele criou obras que trazem imagens de mapas-múndi, feitos com cera de abelhas estrangeiras, encontradas em nosso país. “Todos esses mapas são para falar desse lugar de migração das abelhas. E até uma homenagem a elas, porque eu acho que elas são bem-vindas”, diz.

Completam a exposição, estruturas em formatos de colmos, feitos com corda e cera de abelha, que se relacionam com os trabalhos da exposição e também com a pesquisa que o artista vem desenvolvendo há muito tempo sobre os ninhos.

SOBRE O ARTISTA

Siri é artista transdisciplinar.  Músico, compositor, além de meliponicultor. Formado no ano de 2000 pela Los Angeles Music School. Com sete álbuns autorais lançados, recebeu em 2010 o prêmio da Música Brasileira pelo álbum “Ultrasom”. Suas performances emergiram do palco, e seus instrumentos viraram poesias sonoras. A partir daí, sua carreira expande definitivamente para as artes visuais, sendo convidado a realizar exposições e performances no Brasil e exterior como   Victoria and Albert Museum – Londres, NBK Gallery – Berlim e Portikus – Frankfurt. Com uma trajetória que une natureza e tecnologia, Siri desenvolve esculturas e instalações, que criam pontes sensoriais entre o orgânico e o urbano. Sua prática artística nasce do cuidado com os organismos vivos e propõe uma escuta profunda do mundo.

SOBRE A CURADORA

Crítica de arte, curadora e pesquisadora, Fernanda Lopes é doutora em história e crítica de arte pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Belas Artes da UFRJ. Atuou como diretora artística da galeria Athena (RJ, 2022-2024), curadora adjunta do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro [MAM Rio (2016-2020)] e curadora associada em artes visuais do Centro Cultural São Paulo [CCSP (2010-1012)]. Publicou os livros A experiência Rex – “Éramos o time do Rei” (2006), Área experimental: lugar, espaço e dimensão do experimental na arte brasileira dos anos 1970 (2012) e Francisco Bittencourt: arte-dinamite (2016, organizado com Aristóteles A. Predebon), além de ensaios e artigos, especialmente sobre arte brasileira e crítica de arte. Entre as curadorias que realizou desde 2008 está a Sala Especial do Grupo Rex na 29a Bienal de São Paulo (2010) e a curadoria adjunta da exposição Maria Martins: desejo imaginante, no Museu de Arte de São Paulo [Masp (2021)].

SOBRE O MUSEU HISTÓRICO DA CIDADE

O Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro (MHC) foi inaugurado em 1934, instalado originalmente no Palacete da Gávea, com o objetivo de preservar e conservar o patrimônio histórico e cultural da cidade, que foi capital da colônia, do império e da república. Desde sua criação, o MHC atuou como um espaço de referência para o estudo e a documentação da história urbana, social e cultural do Rio de Janeiro, reunindo acervo diverso composto por aproximadamente 25 mil itens, incluindo gravuras, pinturas, fotografias, mobiliário, porcelanas, mapas, maquetes, documentos e objetos diversos. Ao longo das décadas, o MHC passou por diferentes fases de expansão e atualização, consolidando-se como um espaço de preservação, pesquisa e difusão cultural. Seu acervo é resultado de doações de órgãos da administração municipal e de aquisições realizadas pela Prefeitura, refletindo não apenas a história local, mas também a inserção da cidade em contextos nacionais e internacionais. O MHC não se limita à guarda de objetos: desenvolve exposições permanentes e temporárias que promovem diálogo entre passado e presente, combinando história, memória urbana e expressões culturais contemporâneas. Por meio de ações educativas, oficinas, atividades culturais e programas de formação, o Museu busca engajar públicos diversos, incluindo crianças, jovens, adultos e profissionais das áreas de história, museologia e artes, estimulando reflexão crítica, senso de pertencimento e cidadania. Nos últimos anos, a instituição também tem promovido projetos que valorizam a participação comunitária, experiências sensoriais e itinerâncias educativas, consolidando-se como um espaço de mediação cultural que articula memória, educação e cultura, e contribui para a criação de uma rede integrada de museus municipais.

SERVIÇO:

Exposição “PRO-POLIS”, de Ricardo Siri  

Abertura: 27 de junho de 2026, às 9h

Exposição: até 22 de agosto de 2026

Museu Histórico da Cida (MHC) [3º andar]

Estrada Santa Marinha, s/n – Gávea – Rio de Janeiro – RJ  

De terça a domingo, das 9h às 16h.

Entrada gratuita

Curadoria: Fernanda Lopes.

(Com Beatriz Caillaux/Midiarte Comunicação)

MASP apresenta performances de Regina José Galindo sobre deportação e violência policial

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Regina José Galindo, Deportada (Todo lo que perdí) [Tudo o que perdi], 2024.

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, a partir de 3 de julho, a exposição Sala de Vídeo: Regina José Galindo. A mostra apresenta o registro em vídeo de “Deportada” (Todo lo que perdí) [Tudo o que perdi] (2024), performance da artista que utiliza o próprio corpo para denunciar as violências estruturais impostas às populações migrantes, em especial àquelas expulsas dos Estados Unidos, por políticas de deportação. No final da mostra, Regina José Galindo (Cidade da Guatemala, 1974) realiza a performance inédita “Duelo”.

Galindo é uma das principais referências contemporâneas da performance na América Latina. Artista e poeta autodidata, formou-se na cena guatemalteca do final dos anos 1990, fazendo parte de uma geração que começou a circular internacionalmente em um período de reabertura política após décadas de ditadura militar e violência de Estado. Esse contexto atravessa toda a sua produção: nascida durante a guerra civil que dizimou e levou ao desaparecimento compulsório de milhares de guatemaltecos, Galindo transforma sua própria história em matéria artística. Em 2005, foi premiada com o Leão de Ouro para Jovens Artistas na Bienal de Veneza.

Com curadoria de Bruna Fernanda, assistente curatorial, MASP, a sala de vídeo apresenta dois canais exibidos simultaneamente. Em uma tela maior, Galindo se veste com todas as roupas de Cristina Cazales Pacheco, mulher deportada de Nova York para o México, cujo marido e filhos permanecem nos Estados Unidos. Durante a ação, os presentes são convidados a retirar, uma a uma, cada camada de roupa do corpo da artista, até o momento em que ela sai da sala. Em uma tela menor, um relato de Cristina, ao mesmo tempo íntimo e político, narra a vida construída nos Estados Unidos, a separação da família e a perda de um período de vida que não pode ser recuperado.

Na obra, os vestígios materiais de Cristina – roupas, móveis, fotografias – manifestam o apagamento de sua existência por uma sociedade que normaliza as consequências de deslocamentos forçados. Ao se cobrir com essas camadas e permitir que sejam retiradas por estranhos, Galindo coloca em cena o gesto da deportação como um ato coletivo: quem retira a roupa também participa, ainda que simbolicamente, da violência que expulsa. O trabalho retoma um tema recorrente na trajetória da artista, a migração de povos centro-americanos para os Estados Unidos, em um contexto de acirramento da repressão às populações imigrantes.

Ao longo de mais de duas décadas, a produção de Galindo tem abordado abusos dos direitos humanos, violências de gênero e opressões estruturais que operam em escala global. Em trabalhos como ¿Quién puede borrar las huellas? [Quem pode apagar as pegadas?] (2003) e Presencia [Presença] (2017), ela mobiliza o próprio corpo e o de outras pessoas como suporte para tornar visível o que as estruturas de poder buscam apagar. A roupa, recorrente em sua prática, funciona como vestígio material de um corpo que já não está mais ali, expondo a materialidade de uma existência reduzida, muitas vezes, a um número ou a uma estatística.

Deportada (Todo lo que perdí) [Tudo o que perdi] foi comissionada e produzida pelo Hemispheric Institute (Nova York, EUA), com apoio de Mellon Fellow Residence, em fevereiro de 2024, com fotografias de Manuel Molina Martagon e agradecimentos a Cristina Cazales e sua família. A obra é inédita no Brasil.

Sala de Vídeo: Regina José Galindo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A programação do ano também inclui mostras de Carolina Caycedo, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón e Silät, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero. E mostras audiovisuais de Clara Ianni, Oscar Muñoz, Claudia Martínez Garay e Edgar Calel.

PERFORMANCE NO VÃO LIVRE

Por ocasião do encerramento da Sala de Vídeo, em 22 de agosto de 2026, Regina José Galindo realizará uma performance inédita no Vão Livre do MASP. Intitulada Duelo, a ação é desenvolvida a partir de uma pesquisa sobre violência policial no Brasil e dialoga com o trabalho exibido na sala de vídeo. A artista estará vestida com as roupas de luto de uma mãe que perdeu um filho assassinado pela polícia e permanecerá imóvel enquanto o depoimento dessa mãe é transmitido ao longo de aproximadamente uma hora. Horário a confirmar.

SOBRE A ARTISTA

Regina José Galindo (Cidade da Guatemala, 1974) é artista e poeta. Autodidata, ela desenvolveu sua prática na cena guatemalteca dos anos 1990 e se tornou uma das principais referências da performance na América Latina contemporânea. Utilizando o corpo como principal suporte, sua obra tensiona os limites físicos e morais de si mesma e do público para denunciar abusos dos direitos humanos, violências de gênero e opressões estruturais. Em 2005, foi premiada com o Leão de Ouro para Jovens Artistas na Bienal de Veneza. Sua obra integra coleções e foi apresentada em instituições de referência em todo o mundo. No Brasil, realizou uma exposição individual na Galeria Portas Vilaseca, no Rio de Janeiro, em 2025.

ACESSIBILIDADE

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.

REALIZAÇÃO

Sala de Vídeo: Regina José Galindo é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O ano de Histórias Latino-americanas no MASP conta com patrocínio do Nubank.

SERVIÇO:

Sala de Vídeo: Regina José Galindo

3/7 — 23/8/2026

Curadoria: Bruna Fernanda, assistente curatorial, MASP

Edifício Lina Bo Bardi, 2º subsolo

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da loja do MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.

(Fonte: Museu de Arte de São Paulo “Assis Chtaeubriand”)