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“Oposições Geométricas”: Paulo Kuczynski aproxima obras de Mavignier e Piza em nova exposição

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Arthur Luiz Piza década de 1960 – colagem de papel e areia sobre cartão – 21,5 x 37,5 cm. Foto: Alexandre Silva.

Paulo Kuczynski Galeria inaugura, no dia 16 de maio, a exposição “Oposições Geométricas”, que reúne obras de Almir Mavignier e Arthur Luiz Piza. Com texto curatorial de Paulo Venancio Filho, a mostra coloca em relação duas trajetórias fundamentais da abstração construtiva que, embora tenham na geometria um ponto de partida comum, se desenvolvem a partir de princípios distintos.

Esse contraste também se manifesta em seus percursos: Piza atuou em Paris, em um momento de deslocamento de sua centralidade no circuito moderno, enquanto Mavignier se formou na Alemanha do pós-guerra, em meio à renovação das vanguardas e à emergência de uma nova geografia artística europeia, mais dispersa e interconectada.

Na obra de Arthur Luiz Piza, desenvolvida entre colagens, relevos e gravuras, a geometria se manifesta como matéria e relação. Seus relevos partem do recorte manual de pequenos quadrados de papel, montados um a um, compondo superfícies que, à primeira vista, parecem regulares. Um olhar mais atento revela assimetrias deliberadas, deslocando o interesse da forma ideal para a comunicação entre os elementos.

Almir Mavignier, Vorn und Hinten M 3 (1968) – óleo sobre tela, 40 x 30 cm. Foto: Alexandre Silva.

Essa investigação tem início nas colagens sobre papel e se desdobra em experimentações com suporte e materialidade. Após anos de trajetória, o artista encontra nos carpetes de sisal um suporte que amplia as possibilidades do relevo, incorporando posteriormente recortes metálicos. Seu processo se desenvolve de modo contínuo, em que cada etapa contém, em potência, desdobramentos futuros.

Em Almir Mavignier, a geometria se organiza a partir do controle e da precisão. Sua trajetória é marcada por um processo de redução formal que culmina na adoção do ponto como elemento constitutivo. A partir do final dos anos 1950, desenvolve um procedimento técnico no qual a tinta é depositada em pequenos volumes que se organizam em tramas rigorosas.

A repetição controlada do gesto confere à sua pintura um caráter sistemático, no qual cada ponto resulta de uma operação precisa. Inserida no contexto das pesquisas ópticas do pós-guerra, sua obra se articula em torno de efeitos visuais que se revelam na percepção do conjunto, produzindo vibrações e deslocamentos na leitura da forma.

Como observa Paulo Venancio Filho no texto curatorial, “A impregnação visual nas obras de Piza é mais lenta e densa, mais introvertida que extrovertida, mais de profundidade que de superfície, resultado de uma tensão entre o efeito puramente óptico, característico de Mavignier e a lentidão da absorção pictórica. Entretanto, em Piza como em Mavignier, realiza-se a mesma experiência de indagação sobre a persistência e as possibilidades de uma racionalidade estritamente visual […] a construção geométrica vai se prolongar em ambos de maneira divergente, mas correlata.” 

Arthur Luiz Piza A 19, 1982 – relevo em metal sobre sisal, 30,5 x 25 x 5 cm. Foto: Alexandre Silva.

Oposições Geométricas constrói um diálogo entre Mavignier e Piza, que começa muito antes de sua concepção. Amigo de Piza, em Paris, e admirador à distância da obra de Mavignier, Paulo Kuczynski vem, há cerca de 15 anos, colecionando trabalhos de ambos, adquirindo-os na Europa, onde viveram e produziram algumas de suas obras mais importantes. Hoje, ao reunir um conjunto de grande relevância, a galeria tem a satisfação de conceber esta mostra — acompanhada de um catálogo — e, finalmente, apresentar ao público esse acervo de obras cuidadosamente garimpadas.

Sobre a galeria

A arte brasileira do século passado — em particular o modernismo, o concretismo e o neoconcretismo — constitui o foco de interesse do marchand e colecionador Paulo Kuczynski, que há cinquenta anos vem contribuindo para a formação de coleções privadas e institucionais no Brasil e no exterior.

Kuczynski aprimorou seu olhar para identificar, no período mais fértil de cada artista, as melhores obras. E foi graças a esse olhar que alguns dos trabalhos mais relevantes de Volpi, Pancetti, Segall, Frans Krajcberg, Lygia Clark, Cildo Meirelles, Tarsila, Ismael Nery, Di Cavalcanti e Guignard, entre outros, passaram a integrar importantes acervos.

Marco zero do percurso de Kuczynski, a obra de Alfredo Volpi o acompanharia a partir da década de 1960, quando o marchand vendeu uma tela sua. Encarregado de comercializar outros quadros do pintor, ele se apaixonou pelas obras e as comprou, iniciando assim sua coleção particular. Volpi, com quem manteve uma relação muito próxima, frequentando seu ateliê por vinte anos, foi, pois, o estopim da dupla atividade de Kuczynski, a de colecionador e a de marchand.

Arthur Luiz Piza A 52, 1982 – relevo em metal sobre sisal, 30 x 25,4 x 4 cm. Foto: Gustavo Bighetti.

Incontáveis aquisições e vendas, mostras e publicações de Paulo Kuczynski em suas cinco décadas de atividade incluíram, em 2019 — apenas as mais recentes —, a venda ao MoMA de A Lua, de Tarsila do Amaral. Em 2023, com A coleção imaginária, exposição no Instituto Tomie Ohtake, nos apresentou um panorama da arte brasileira a partir de peças que passaram por suas mãos. E em 2024 trouxe ao Brasil o quadro A viúva, de Segall, que, confiscado pelos nazistas em 1937 é dado por perdido, reaparecera em Paris.

Comandada por Paulo Kuczynski, Anita Kuczynski e Alexandre Santos Silva, a PK Galeria de Arte segue oferecendo obras que sublinham seu protagonismo ao garimpar as melhores produções de artistas que marcaram a história da arte brasileira.

SERVIÇO:

Oposições Geométricas

Texto curatorial: Paulo Venancio Filho

Endereço: Alameda Lorena, 1661 – Cerqueira César, São Paulo

Período expositivo: 16 de maio a 22 de agosto de 2026

Horário: Segunda a sexta, das 9h30 às 18h e aos sábados, das 11h às 15h

Entrada gratuita

Classificação: livre

Mais informações: pkgaleria.com/.

(Com Edgard França/Cor Comunicação)

AquaRio: maior aquário marinho da América do Sul apresenta jantar imersivo

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

No terceiro andar do maior aquário marinho da América do Sul, o azul profundo do Grande Tanque Oceânico cria uma atmosfera singular. Centenas de peixes cruzam o espaço em movimentos contínuos, enquanto a alta gastronomia ganha protagonismo em um jantar exclusivo no AquaRio, com menu assinado pelo Laguiole.

Realizado anteriormente apenas no formato privativo para empresas, o Jantar no AquaRio passa, a partir de maio, a contar também com vagas avulsas abertas ao público. A experiência é única no Brasil e acontece uma vez por mês, com número limitado de participantes. A programação do jantar tem início às 18h, com um tour completo e exclusivo pelo aquário, sem a presença de outros visitantes. Durante uma hora, o percurso convida à contemplação, revelando os 26 mil metros quadrados do espaço, seus 4,5 milhões de litros de água e cerca de 10 mil animais de 350 espécies.

O túnel que cruza o Grande Tanque Oceânico amplia a sensação de imersão e se torna o cenário ideal para o coquetel de boas-vindas, que acontece às 19h, com carta de vinhos, espumantes e drinks. Às 20h, tem início o jantar, com entrada, prato principal e sobremesa acompanhados de vinho branco e tinto. Entre um prato e outro, o olhar acompanha o ritmo contínuo do oceano, em uma experiência que equilibra sabores, texturas e contemplação. O encerramento, às 21h30, respeita o ciclo biológico dos animais, que precisam dormir. Com o apagar gradual das luzes do tanque, a noite também se despede, reforçando uma proposta que valoriza a experiência dos visitantes e o bem-estar dos animais.

Informações gerais

Frequência: mensal, com vagas limitadas

Valor: sob R$ 1.400 por pessoa (inclui drinks, espumante e vinhos)

Próxima data: 20 de maio de 2026

Reservas e informações: (21) 3613-0705 ou site oficial do AquaRio (www.aquariomarinhodorio.com.br)

Modalidade: experiências avulsas e corporativas disponíveis.

(Com Giovanna Cavalieri Longo Firmato Glória/FSB Comunicação)

Estopô Balaio estreia “Reset América Latina” no Sesc Belenzinho

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotossesc belenzin: Cassandra Mello.

Coletivo Estopô Balaio estreia no dia 14 de maio, no Sesc Belenzinho, o espetáculo “Reset América Latina”, terceiro e último trabalho da Trilogia da Amnésia, iniciada com Reset Nordeste (2020) e seguida por Reset Brasil (2023). A temporada segue até 28 de junho, com sessões de sexta à domingo.

Premiado ao Shell na categoria Inovação por “A Cidade dos Rios Invisíveis” em 2020, conhecido por suas criações em ruas, praças e trens da CPTM, o grupo da zona leste de São Paulo realiza, agora, um movimento inédito: ocupar um espaço fechado. Entre os nove espetáculos de sua trajetória, apenas um havia sido concebido para palco. A decisão marca uma inflexão estética e estratégica na história do coletivo.

“Estamos trocando de pele em todos os sentidos”, afirma a diretora e atriz Ana Carolina Marinho. “A trilogia é um mergulho para dentro. Investigamos o que esquecemos de lembrar quando inventamos identidades que nos homogeneízam. O nordestino, o brasileiro e agora o latino-americano são construções que encobrem camadas étnicas, raciais e territoriais muito mais complexas.”

A mudança de linguagem dialoga também com o contexto das políticas culturais atuais. Diante de dificuldades crescentes de circulação e financiamento para trabalhos itinerantes, o grupo opta por experimentar um formato que dialogue com os mecanismos institucionais vigentes, sem abrir mão de sua perspectiva crítica.

Ao mesmo tempo, o coletivo prepara a inauguração de sua nova sede no Jardim Romano, também na zona leste, instalada em um antigo salão religioso que está sendo transformado em teatro. A abertura está prevista para julho, logo após o encerramento da temporada no Sesc.

Um cruzeiro chamado “Sangue Latino”

Em cena, Reset América Latina se inicia dentro de um cruzeiro de luxo — metáfora do próprio teatro. Um “não-lugar” em águas internacionais, onde passageiros embarcam para viver uma experiência de consumo cultural e identitário.

O primeiro ato assume a forma de um musical: canções populares do imaginário brasileiro conduzem um espetáculo que revisita simbolicamente as grandes navegações e o projeto colonial. Aos poucos, surgem fissuras. Conflitos de classe, raça e pertencimento atravessam dois núcleos de personagens: um casal em ascensão social e um grupo de amigos que ganha uma viagem premiada. “O cruzeiro atravessa o Atlântico como uma espiral do tempo”, explica o dramaturgo e ator Juão Nyn. “Caravelas, navios negreiros — tudo ecoa nesse percurso. A ideia é questionar essas identidades criadas pelos invasores da terra e perguntar: o que somos antes de sermos latino-americanos?”

No segundo ato, o espetáculo desloca o olhar para os bastidores da embarcação — cozinha, limpeza e maquinário. Trabalhadores exaustos, ainda que financeiramente recompensados, confrontam a sensação de esvaziamento e saque simbólico. Uma disputa em torno de um prato — a “língua” servida aos passageiros — torna-se alegoria da violência histórica sobre território, cultura e linguagem.

Já o terceiro momento rompe com a narrativa realista e avança para uma dimensão imagética e pós-dramática. A figura da cobra — demonizada na tradição cristã e reverenciada em diversas cosmologias indígenas — torna-se eixo simbólico da transformação. Trocar de pele, aqui, é abandonar camadas coloniais para acessar outras temporalidades e cosmovisões.

Ancestralidade crítica
A Trilogia da Amnésia parte da provocação: o que apagamos quando adotamos identidades nacionais ou regionais como essência? Se o conceito de Nordeste tem menos de um século e o de América Latina nasce de projetos coloniais, que histórias anteriores ficam soterradas?

O grupo propõe o que chama de “ancestralidade crítica”: reconhecer que toda identidade é atravessada por disputas e que honrar o passado pode implicar também trair legados violentos. A discussão inclui a branquitude latino-americana e suas estratégias de pertencimento simbólico, tensionando a ideia de uma experiência homogênea no continente.

Elenco e criação coletiva

Pela primeira vez, o Estopô inicia um processo tendo todo o elenco fixo do grupo em cena — Ana Carolina Marinho, Juão Nyn, Dandara Azevedo, Kelly Andrade e Dunstin Farias — acompanhados por quatro intérpretes convidados. Integrantes que não atuam assumem funções de produção, figurino e secretariado.

A dramaturgia é assinada por Lara Duarte, com colaboração do coletivo, assistência de direção de Bárbara Freitas e Direção de Eliana Monteiro. A preparação vocal, corporal e direção de movimentos é de Dudu Galvão e produção de Wemerson Nunes.

A identidade visual do espetáculo incorpora desenhos produzidos por crianças do Jardim Romano em oficina artística, reforçando o diálogo territorial que marca a trajetória do coletivo.

Montado com recursos do ProAC, Reset América Latina tem previsão de 30 apresentações públicas.

Sinopse

O cruzeiro Sangue Latino, um empreendimento de luxo que promete conduzir seus passageiros por uma travessia festiva e musical pelo imaginário latino-americano, enfrenta uma pane silenciosa por causa de uma maraca na tubulação. A partir desse curto-circuito, diferentes núcleos entram em choque, reunindo cozinha, maquinário, limpeza, saguão e passageiros, e revelando as fissuras que sustentam esse projeto colonial. A narrativa passa a assumir contornos cada vez mais absurdos e melodramáticos, tensionando privilégios, expectativas e os limites da empatia. À medida que identidades se confundem e papéis sociais se deslocam, o espetáculo expõe como os projetos coloniais seguem operando no presente, ao mesmo tempo em que sugere a existência de um plano em curso, uma estratégia em movimento, uma possibilidade de levante indígena.

Marcando a segunda experiência do coletivo na caixa cênica, Reset América Latina desloca para o espaço fechado do teatro uma pesquisa antes realizada em diálogo direto com a cidade, e se pergunta como trazer o território para dentro do cruzeiro, convidando o público a embarcar em uma viagem satírica sobre o que constitui a identidade Latino Americana.

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO GERAL: Eliana Monteiro

DIRETORA ASSISTENTE: Bárbara Freitas

IDEALIZAÇÃO E CRIAÇÃO: Coletivo Estopô Balaio

DRAMATURGIA: Lara Duarte com Colaboração do Coletivo Estopô Balaio

TEXTOS: Ana Carolina Marinho, Bárbara Freitas, Eliana Monteiro, Dandara Azevedo, Dunstin Farias, Juão Nyn, Keli Andrade, Lara Duarte, Wescritor

DIREÇÃO DE MOVIMENTOS E PREPARADOR CORPORAL: Dudu Galvão

DIREÇÃO E PRODUÇÃO MUSICAL: Dani Nega

CRIAÇÃO MUSICAL: Coletivo Estopô Balaio e Dani Nega

PRODUÇÃO MUSICAL – SHOW DE ABERTURA: Dani Nega e Pipo Pegoraro

CANÇÕES ORIGINAIS: Elenco

ARRANJOS DE VOZ: Dudu Galvão

ELENCO ESTOPÔ BALAIO: Ana Carolina Marinho, Dandara Azevedo, Dunstin Farias, Keli Andrade, Juão Nyn

ELENCO CONVIDADO: Adyel Kariú Kariri, Hayla Cavalcanti, Potira Marinho, Wescritor

DESENHO DE LUZ: Guilherme Bonfanti

OPERAÇÃO DE LUZ: Yasmin Ebere

OPERAÇÃO E DESIGN DE SOM: André Papi

VIDEOGRAFIA: Bianca Turner

OPERAÇÃO DE VÍDEO MAPPING: Julia Ro, Laura do Lago e Bianca Turner

CONCEPÇÃO DE CENOGRAFIA: Eliana Monteiro

ASSISTENTE DE CENOGRAFIA E DESENHO TÉCNICO: José Fernando Bicudo

CENOTÉCNICO: Zé Valdir

CRIAÇÃO E CONCEPÇÃO DE FIGURINOS: Mara Carvalho

CONFECÇÃO, MODELAGEM E COSTURA: Silvana Carvalho

ADEREÇOS: Rafa Giz e Zé Valdir

IDENTIDADE VISUAL: Daniel Torres

CONTRA-REGRAS: Lisa Ferreira, Muri Palma, Mauro José e Rafael Alcantara

MONTADORES: Mauro José, Rafael Alcantara

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Márcia Marques – Canal Aberto

SECRETARIA: Lisa Ferreira

MÍDIAS SOCIAIS: Jorge Ferreira

FOTOGRAFIA E CÂMERA: Cassandra Mello

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Wemerson Nunes

ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Muri Palma

PRODUÇÃO: WN Produções e Bela Filmes Produções

REALIZAÇÃO: Coletivo Estopô Balaio e Sesc São Paulo

ACESSIBILIDADE: LIBRAS e AUDIODESCRIÇÃO (Consulte datas)

AGRADECIMENTOS: Teatro de Contêiner Mungunzá (Cia Mungunzá), Cia Antropofágica (Teatro Pyndorama), Cia Livre (Casa Livre), Cooperativa Paulista de Teatro, Casa Faroffa, Galpão do Folias, Complexo Funarte, Teatro Flávio Império, SP Escola de Teatro, Teatro da Vertigem e aos moradores do Jardim Romano.

SERVIÇO:

Reset América Latina

Data: 14 de maio a 28 de junho, às sextas e aos sábados, às 20h30, e, aos domingos, às 17h30

Estreia 14 de maio, quinta-feira às 20h30.

Sessões especiais nos dias 16 e 17 de maio, durante a Semana S: retirada de ingressos dia 15/5 a partir das 14h online. Gratuito

Sessões especiais nos dias 23 e 24 de maio, durante a Virada Cultural retirada de ingressos um dia antes a partir das 15h online. Gratuito.

Acessibilidade: Interpretação em Libras nos dias: 24/05, 29/05, 06/06, 14/06, 20/06 e 28/06.

Audiodescrição nos dias: 07/06, 12/06 e 21/06.

Local: Sesc Belenzinho – R. Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo, SP

Ingressos: R$60,00 (inteira); R$30,00 (meia-entrada); R$18,00 (Credencial Plena).

Vendas no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.

Local: Sala de Espetáculos I (130 lugares). Duração: 120 min. Classificação: A partir de 12 anos.

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000. Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700 | sescsp.org.br/Belenzinho

Estacionamento: De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$8,00 a primeira hora e R$3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$17,00 a primeira hora e R$4,00 por hora adicional.

Transporte Público: Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m).

Sesc Belenzinho nas redes: Facebook | Instagram | YouTube: @sescbelenzinho.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

“Mãe de menino” discute os impasses da masculinidade contemporânea

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Capa.

A partir de estudos, entrevistas com adolescentes e de sua experiência como mãe de três meninos, a jornalista Ruth Whippman escreveu “Mãe de menino”, livro publicado pela Editora Planeta que investiga os dilemas de educar garotos em um mundo transformado pelas novas discussões sobre gênero. A obra parte de uma pergunta central e provocadora: o que significa, para uma feminista, colocar mais um homem no mundo em meio à chamada “era da masculinidade impossível”?

Ao analisar os impactos do #MeToo, Whippman observa um contraste marcante: enquanto meninas são incentivadas a expandir seus comportamentos e identidades, meninos permanecem presos a roteiros rígidos de masculinidade. Esse engessamento, segundo a autora, ajuda a explicar fenômenos contemporâneos como a solidão masculina, o crescimento de movimentos misóginos e os efeitos de uma socialização que pouco prepara os garotos para lidar com vulnerabilidade, cuidado e empatia.

Combinando memórias pessoais, análise cultural e jornalismo investigativo, Mãe de menino aborda temas como saúde mental, educação, tecnologia, sexo, consentimento, pornografia e cultura do cancelamento. Ao longo do livro, Whippman revisita suas próprias certezas sobre privilégio masculino e expõe os pontos cegos de uma sociedade que cobra mudanças dos homens, mas oferece poucas alternativas viáveis aos modelos de masculinidade tóxica e rígida.

Sensível, afiado e frequentemente bem-humorado, o livro dialoga diretamente com debates atuais sobre violência de gênero, feminicídio, suicídio e outras consequências de padrões masculinos nocivos amplamente retratados nos noticiários. Mãe de menino também se destaca como leitura relevante para pautas de parenting, especialmente sobre adolescência e tecnologia, ao propor uma reflexão urgente: como oferecer aos meninos uma narrativa mais saudável, generosa e libertadora sobre quem eles são — e quem podem se tornar?

FICHA TÉCNICA

Título: Mãe de menino

Autora: Ruth Whippman

Tradução: Andresa Vidal

ISBN: 9788542240603

384 páginas

R$ 79,90

Editora Planeta

SOBRE A AUTORA

Ruth Whippman é autora e jornalista británica radicada nos Estados Unidos. Ex-diretora e produtora de documentários da BBC, teve ensaios, críticas culturais e reportagens publicados em veículos como The New York Times, Time Magazine, The Guardian e Huffpost. Seu primeiro livro, The Pursuit of Happiness, foi eleito um dos Melhores Livros do Ano pelo New York Post, além de ter sido destaque na seleção de editores do The New York Times, leitura obrigatória do Daily Mail e leitura de verão recomendada pelo The Sunday Times. Ruth mora na Califórnia com o marido e os três filhos.

SOBRE A EDITORA

Fundado há 70 anos em Barcelona, o Grupo Planeta é um dos maiores conglomerados editoriais do mundo, além de uma das maiores corporações de comunicação e educação do cenário global. A Editora Planeta, criada em 2003, é o braço brasileiro do Grupo Planeta. Com mais de 1.500 livros publicados, a Planeta Brasil conta com nove selos editoriais, que abrangem o melhor dos gêneros de ficção e não ficção: Planeta, Crítica, Tusquets, Paidós, Planeta Minotauro, Planeta Estratégia, Outro Planeta, Academia e Essência.

(Com Nathalia Bottino/Editora Planeta)

Expografia arquitetônica aproxima artistas concretos e contemporâneos na DAN Galeria Interior

Votorantim, SP, por Kleber Patricio

Dionísio Del Santo – Retícula Vibratória Variação, 1973 – Serigrafia, 49 x 70 cm.

“O espaço e o lugar”, nova exposição da DAN Galeria Interior, foi aberta no dia 9 de maio, sábado, com curadoria de Fábio Magalhães e expografia do Fernando Poles Arquitetos. A mostra reúne 75 obras e propõe uma leitura sobre a maneira como o espaço se transforma em lugar quando passa pelo corpo e pela memória. A cadeira, presente em diferentes trabalhos, conduz essa investigação: objeto cotidiano, medida humana, ponto de repouso, marca de intimidade e, também, abertura para uma dimensão mais ampla, ligada ao tempo e ao espaço. A partir desse eixo, Fábio Magalhães aproxima obras de Adolfo Estrada, Almir Mavignier, Dionísio Del Santo, Ferreira Gullar, Gonçalo Ivo, José Roberto Aguilar, José Spaniol, Sergio Fingerman e Valentino Fialdini. O percurso articula pinturas, objetos, obras geométricas e abstratas em torno de uma pergunta central: como uma situação privada pode conter uma ideia de mundo?

O núcleo que envolve Ferreira Gullar introduz essa questão de forma direta. Em Poemas Espaciais, conjunto de nove peças em pintura sobre madeira, a obra se constrói na relação entre estrutura e leitura no tempo. Cada peça propõe uma situação que articula superfície, gesto e percepção. O espaço se desdobra em duração. É a partir desse campo que a presença da cadeira ganha densidade. Na obra de José Roberto Aguilar, a cadeira de Van Gogh aparece deslocada dentro da pintura. A referência passa pelas duas telas realizadas em 1888: sua própria cadeira, com o cachimbo, e a cadeira de Gauguin, com livros e um castiçal aceso, analisadas por Georges Bataille no ensaio “A mutilação sacrificial e a orelha cortada de Van Gogh”. Nessas duas imagens, o pintor estabelece uma diferença entre modos de presença: uma ligada ao cotidiano, outra à espera e a uma dimensão mais simbólica. Ao serem retomadas por Aguilar, essas imagens entram em outro regime. A cadeira permanece como ponto de ancoragem, enquanto o espaço pictórico se expande ao redor, aproximando o objeto de uma escala cósmica.

José Roberto Aguilar – Cadeira de Van Gogh transportada para o Multiverso n. 7, 2026 – Acrílica e esmalte sobre tela, 209 x 419 cm.

De acordo com o curador, essa passagem entre o íntimo e o ilimitado acompanha uma ideia antiga: o desejo humano de alcançar o que excede a própria condição. Na Epopeia de Gilgamesh, essa busca pela permanência atravessa a experiência do tempo. Aqui, ela se vincula ao espaço — ao modo como o corpo se situa e projeta sentido. Espaço, tempo e lugar se articulam. “Uma coisa está dentro da outra”, observa Fábio Magalhães. A partir daí, as obras se articulam em torno dessa continuidade. O maior conjunto da exposição é de Dionísio Del Santo, com cerca de 30 obras, em diálogo com trabalhos de Almir Mavignier, nos quais a imagem se organiza como uma constelação, em que repetição e variação produzem uma expansão contínua do campo visual. Em Gonçalo Ivo, a cor sustenta a pintura. Sergio Fingerman trabalha com uma imagem em instabilidade constante. José Spaniol desloca a cadeira para o campo simbólico, alterando sua percepção como objeto cotidiano e inserindo-a em uma dimensão de movimento. Adolfo Estrada e Valentino Fialdini aproximam a geometria de uma condição aberta, sem fechamento definitivo. A continuidade entre interior e exterior atravessa esse conjunto.

A expografia assinada pelo Fernando Poles Arquitetos entra nesse mesmo campo. O escritório foi convidado a desenvolver uma leitura arquitetônica que participa da definição do conjunto. Um túnel atravessa o espaço da galeria e conecta dois momentos da mostra. A travessia altera a percepção, estabelece um ritmo e reorganiza a relação entre corpo e obra. A arquitetura reforça a passagem entre escalas que sustenta a exposição.

SERVIÇO:

O espaço e o lugar

Artistas: Adolfo Estrada, Almir Mavignier, Dionísio Del Santo, Ferreira Gullar, Gonçalo Ivo, José Roberto Aguilar, José Spaniol, Sergio Fingerman, Valentino Fialdini

Curadoria: Fábio Magalhães

Expografia: Fernando Poles Arquitetos.

Abertura: 9 de maio de 2026, sábado, das 10h30 às 15h

Período expositivo: até 10 de outubro de 2026

Visitação: segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 10h às 13h

DAN Galeria Interior

Endereço: Av. Ireno da Silva Venâncio, 199, Galpão 20 – Protestantes, Votorantim, SP

Fundada em 1972, em São Paulo, por Gláucia e Peter Cohn, a DAN Galeria consolidou ao longo de cinco décadas uma atuação contínua na articulação entre arte moderna e contemporânea. Seu programa se desenvolve a partir de um eixo claro: a investigação das linguagens construtivas, com atenção particular às heranças do concretismo e do neoconcretismo, e seus desdobramentos nas práticas atuais.

Em Votorantim, a DAN Interior, conduzida por Cristina Dalanhesi, integra essa atuação como sede voltada a exposições, acervo e circulação artística. O espaço acolhe obras de grandes dimensões, ativa parte do acervo da galeria e amplia o contato entre artistas, colecionadores, instituições e público fora do eixo das capitais.

(Fonte: Agência Catu)