Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Outback chega a Indaiatuba em 4 de maio com unidade no Polo Shopping

Indaiatuba, SP, por Kleber Patricio

Restaurante traz novo conceito arquitetônico da rede, com R$ 6 milhões em investimentos e 86 empregos gerados. Fotos: Divulgação.

Com investimento de R$ 6 milhões e geração de 86 empregos diretos, o Outback Steakhouse, restaurante de temática australiana conhecido por seus cortes de carne especiais e aperitivos icônicos, abre ao público no dia 4 de maio sua primeira unidade em Indaiatuba (SP). Instalado na entrada principal do Polo Shopping — que celebra 15 anos de história —, o restaurante atende a uma antiga demanda dos moradores e se torna o décimo Outback na região de Campinas.

Consolidando a trajetória iniciada em 2000 com a abertura em Campinas da primeira unidade no interior paulista, o novo restaurante representa mais um avanço da expansão do Outback nessa região, que recebe sua sexta inauguração em um período de menos de cinco anos. Desde agosto de 2021, foram inauguradas as operações de Limeira, dos shoppings Campinas e Parque das Bandeiras (Campinas), Santa Bárbara D´Oeste, Mogi Guaçu e, agora, Indaiatuba.

O Outback do Polo Shopping conta com 216 lugares e 450 metros quadrados de área e traz o novo conceito arquitetônico da rede, mais contemporâneo e descontraído, pensado para proporcionar ainda mais conforto e imersão na temática australiana. “A inauguração em Indaiatuba é uma grande conquista, pois nos aproxima ainda mais de uma população que há muitos anos apresenta essa demanda e reforça nossa aposta de longo prazo em um mercado de grande importância para o Outback, no qual desenvolvemos um vínculo muito forte com a comunidade”, afirma Thayse Maia, sócia regional da rede. “Cuidaremos de todos os detalhes para oferecer aos clientes os sabores e momentos especiais que traduzem o Outback”, complementa Renato Lorenzatti Machado, sócio proprietário do restaurante.

A novidade também é comemorada pela administração do Polo Shopping. “É uma grande satisfação receber o Outback, que chega para diversificar nossa oferta gastronômica e fortalecer o nosso compromisso em atender cada vez melhor as demandas dos consumidores locais”, destaca a gerente de marketing, Andréa Fernandes. 

SERVIÇO:

Outback Steakhouse Polo Shopping, Indaiatuba

Endereço: Alameda Filtros Mann, 670 – Jardim Tropical, Indaiatuba (SP)

Inauguração: 4 de maio, segunda-feira, às 11h30.

Horários: de segunda a sábado das 11h30 às 23h; domingos e feriados, das 11h30 às 22h

www.outback.com.br /  https://www.poloshoppingindaiatuba.com.br.

(Com Rosana Spinelli/Macchina Comunicação)

MASP apresenta mostra panorâmica de Damián Ortega com instalações suspensas e monumentais

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Damián Ortega – Cosmic Thing [Coisa cósmica], 2002 – Fusca Volkswagen 1989 desmontado e C-print [Disassembled 1989 Volkswagen Beetle and Chromogenic Development Print], 673 × 701 × 752 cm / Imagem [Image]: 32,5 × 48,5 cm The Museum of Contemporary Art, Los Angeles, compra com fundos provenientes de [purchase with funds provided by] Eugenio López e [and] Jumex Fund for Contemporary Latin American Art. Foto [Photo] © Helene Toresdotter/Malmö konsthall.

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 15 de maio a 13 de setembro, Damián Ortega: matéria e energia, primeira exposição panorâmica do artista na América do Sul. Com 35 obras, a mostra leva o visitante para um universo onde a gravidade parece suspensa e objetos são desmontados e ressignificados. Um dos nomes centrais da arte contemporânea de sua geração, Damián Ortega (Cidade do México, México, 1967) propõe ao público reexaminar nosso cotidiano e os objetos que nos cercam para refletir sobre questões diversas, como trabalho, consumo, tempo e linguagem.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador independente; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP, a exposição reúne mais de três décadas de produção do artista, articulando fotografia, vídeo, escultura e instalação. A mostra também será apresentada no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile, de 12 de novembro de 2026 a 28 de março de 2027.

O artista conta que concebe a escultura como uma relação entre força, resistência, equilíbrio e gravidade, aproximando-se da engenharia de modo lúdico. “Ortega desenvolve uma linguagem escultórica irreverente a partir de objetos cotidianos. Em sua obra, a ideia de energia é ampla, referindo-se tanto a noções de trabalho quanto a processos físicos de transformação da matéria. Ele equaciona abordagens da sociedade e investigações sobre tempo e espaço, movendo-se entre escalas micro e macro, entre o átomo e o cosmos”, afirma Yudi Rafael.

Damián Ortega – Alma Mater, 2008 – Tijolo, argila, rochas de tezontle vermelha e preta e pedras-pomes suspensos com fio de nylon com aço [Brick, clay, red and black tezontle stones, and pumice suspended with steel-nylon wire], 235 × 230 × 230 cm – Coleção [Collection of] Fernanda Feitosa e Heitor Martins, São Paulo. Foto [Photo] Gerardo Landa Rojano.

Inédita no Brasil, a obra Cosmic Thing [Coisa cósmica], 2002, consiste em um fusca completamente desmontado, suspenso como um diagrama espacial em que todas as peças parecem flutuar. Mais do que revelar o interior do veículo, Ortega evidencia um objeto industrial que já foi o automóvel mais popular no Brasil e no México, assim como um símbolo da industrialização na América Latina. Essa nova apresentação convida o público a refletir sobre diferentes camadas de sentido — afetivas, históricas e econômicas— que o automóvel carrega: promessas de modernização, expectativas de ascensão social, mas também obsolescência e questões latentes nas grandes metrópoles da região.

Já em Controller of the Universe [Controlador do universo], 2007, serrotes, pás, marretas e machados tornam-se elementos de uma explosão que parece ter sido congelada no tempo. A instalação feita de ferramentas é uma releitura do mural El hombre controlador del universo [O homem controlador do universo], 1934, de Diego Rivera (Guanajuato, México, 1886—1957 Cidade do México, México). Com um trabalhador no centro operando uma máquina, a obra de Rivera celebra o desenvolvimento tecnológico e a indústria. Ao utilizar ferramentas desgastadas que se projetam para o espaço, Ortega retoma esse imaginário questionando o tom heroico e épico da obra de Rivera.

Ortega também aproxima a arte da arquitetura moderna e vernacular. Observa pilhas de tijolos acumuladas em frente às casas, à espera de futuras ampliações, e as transforma em esculturas que revelam uma energia em estado de latência: um projeto que ainda não se realizou, mas que existe como potencial. A escultura Monster [Monstro], 2019, é uma das figuras formadas por restos de materiais de construção, como estrutura metálica, pedaços de azulejos, tijolos de barro e peças de concreto. Ao lidar com esses materiais, tão presentes em cidades latino-americanas, o artista chama atenção para modos de construir que emergem de forma espontânea nas grandes cidades.

Damián Ortega – Controller of the Universe [Controlador do universo], 2007 – Ferramentas encontradas e arame [Found tools and wire], 285 × 405 × 455 cm.

Expoente da cena artística mexicana da década de 1990, Ortega faz parte de uma geração que procurou renovar a linguagem da arte por meio de iniciativas coletivas que contribuíram para a transformação de seu meio artístico local. A partir de diálogos com a história da arte e com a experiência social latino-americana, o artista desenvolve uma linguagem escultórica e conceitual capaz de reposicionar histórias regionais em uma narrativa internacional, identificando-se com temas como globalização e circulação de mercadorias.

Damián Ortega: matéria e energia integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Santiago Yahuarcani, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Colectivo Acciones de Arte, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.

SOBRE O ARTISTA

Damián Ortega (Cidade do México, 1967) iniciou a sua carreira como cartunista político em jornais como o La Jornada, desenvolvendo um olhar satírico e crítico que ainda atravessa a sua produção escultórica. Em 2006, fundou a Alias, editora dedicada a traduzir e publicar textos fundamentais de artistas contemporâneos (incluindo nomes brasileiros como Hélio Oiticica e Lygia Clark), democratizando o acesso ao conhecimento artístico para leitores de língua espanhola. Ortega participou de bienais e exposições em instituições como Bienal de Veneza (Itália), Centre Pompidou (França), Guggenheim Bilbao (Espanha), Kunsthalle Basel (Suíça), Museo Jumex (México), Museum of Contemporary Art de Los Angeles (Estados Unidos) e White Cube (Inglaterra), além de ter seus trabalhos em importantes coleções privadas e públicas.

ACESSIBILIDADE

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.

CATÁLOGO

Será publicado um catálogo bilíngue, em português e inglês, reunindo imagens e textos sobre a obra do artista. O livro tem organização editorial de Adriano Pedrosa e Yudi Rafael e conta com textos de Damián Ortega, Graciela Speranza, Rodrigo Moura, Roselin Rodríguez Espinosa, Tiago Mesquita e Yudi Rafael. O livro apresenta uma visão panorâmica da trajetória de Ortega, abordando sua relação com a cena artística mexicana, com o Brasil e com a história da arte latino-americana.

LOJA MASP

Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais de Damián Ortega: matéria e energia, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.

REALIZAÇÃO

Damián Ortega: matéria e energia é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e PROAC-ICMS, e tem patrocínio master da Vivo. O ano de Histórias Latino-americanas no MASP conta com patrocínio do Nubank.

SERVIÇO:

Damián Ortega: matéria e energia

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador convidado; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP.

15/5 — 13/9/2026

Edifício Lina Bo Bardi, 1º e 2º subsolo

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da loja do MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Fonte: Assessoria de imprensa MASP)

Orbivagante Núcleo de Teatro encena peça “LoKona”, livremente inspirada na obra “Elogio da Loucura”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Foto: Maggin Torres.

Inspirado no livro “Elogio da Loucura”, escrito pelo humanista holandês Erasmo de Rotterdam, em 1508, o Orbivagante Núcleo de Teatro entra em nova temporada com o espetáculo “LoKona” de 2 a 24 de maio de 2026 às 21h aos sábados e às 19h aos domingos no Teatro Manás Laboratório.

A peça atualiza as questões presentes no texto original do século XVI. “Rotterdam buscou apontar (para corrigir) os vícios e as malversações da sociedade de sua época. Para isso, evocou a figura divina da Loucura, já que ela observa o mundo de um ponto de vista original e pode falar com total liberdade sobre qualquer assunto”, conta o dramaturgo Eduardo Akiyama.

Na trama de LoKona, essa figura, tão presente no imaginário comum, participa de um talk-show, abordando temas contemporâneos como as tecnologias e a sociedade de aparências.

Sobre a encenação

“Criamos um apresentador com características de um psicólogo tresloucado que, de repente, chama ao palco LouLou Divine, uma artista performática. Quer dizer, tiramos da personagem o peso da divindade e a colocamos como uma representante das artes”, acrescenta o encenador Dino Bernardi. Em cena estão Karina Giannecchini, Fernando Aveiro e Fábio Evangelista, que executa a música ao vivo.

O grupo reflete como lucidez e loucura se interpenetram, não sendo manifestações exatamente antagônicas. Para isso, discutem o mundo acelerado do 5G e suas múltiplas conexões, que nos uniram e, ao mesmo tempo, nos atomizaram – sem perder de vista o homem atemporal, em sua pretensa racionalidade. “É como se ficássemos presos à interação pelas telas, perdendo a capacidade de nos relacionarmos e de sentirmos empatia”, explica Aveiro.

LoKona configura-se como uma farsa – ou seja, o público pode esperar situações exageradas e muito humor. “A Loucura entra em cena imponente, com um tom quase de superioridade. Mas, com o passar do tempo, ela vai revelando suas múltiplas facetas, fazendo com que as pessoas se identifiquem com ela”, comenta Karina.

A ideia da companhia foi montar um texto com humor – e a sagacidade do original de Rotterdam – que flertasse com a cultura pop. “Abordamos o fenômeno da loucura como necessário para que o sujeito não reprima sua subjetividade e possa canalizá-la para a criação no cotidiano”, completa Aveiro.

Simultaneamente, o clima farsesco extrapola a interpretação. O cenário é excêntrico, misturando elementos de talk-show com pitadas de programa de auditório. A trilha sonora utiliza a técnica de soundpainting, mickeymousing e transita livremente entre referências de músicas clássicas, populares e vulgares. O figurino se apropria de elementos diversos entre os anos 1970, 1980 e dias atuais. “Dizemos que LoKona é uma espécie de ritual para provocar um alívio na alma”, conclui Bernardi.

Ficha Técnica

Concepção e direção: Dino Bernardi

Texto original: Erasmo de Rotterdam

Dramaturgia: Eduardo Akiyama e Dino Bernardi

Atuação: Karina Giannecchini e Fernando Aveiro

Criação musical e execução: Fábio Evangelista

Desenho de luz: Michel Mika Masson

Cenário, figurinos e visagismo: Dino Bernardi

Confecção de adereços: Eudóxio Beato

Costuras: Antonia Azevedo

Fotografia de divulgação: Maggin Torres

Design Gráfico: Cinthia Vendruscolo

Produção: Karina Giannecchini e Fernando Aveiro

Realização: Núcleo Orbivagante

Sinopse

O espetáculo exerce a função de comunicólogo da Loucura, personagem protagonista. Convidada a participar de um talk-show, a Loucura, encarnada numa mulher, expressa o desejo em confluir linguagens e levantar discussões sobre tecnologia, velocidade no acesso de informações e dinamismo da vida moderna.

SERVIÇO:

Lokona

Data: 02 a 24 de maio de 2026, aos sábados às 21h e aos domingos às 19h

Local: Teatro Manás Laboratório – R. Treze de Maio, 222 – Bela Vista – São Paulo, SP

Ingresso: 80 inteira / 40 meia (via Sympla)

Duração: 60 minutos

Classificação: 16 anos.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Cientistas cobram apoio do governo para fomento a métodos que substituam testes em animais no Brasil

Brasília, DF, por Kleber Patricio

Europa e EUA já têm data marcada para eliminar completamente a prática em animais, enquanto a recém-publicada Estratégia Nacional de Ciência Tecnologia Inovação 2024-2034 aponta de maneira tímida e sem detalhar as abordagens que evitaria crueldade animal. Foto: Divulgação.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação reincluiu referências a métodos que substituem o uso de animais em pesquisas para testes de segurança ou no desenvolvimento de novos produtos na versão final da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2024–2034. A seção havia sido removida de versões anteriores do documento, o que gerou reação de cientistas e organizações da sociedade civil.

A ENCTI define as prioridades da política científica brasileira para a próxima década. Na nova versão, as Metodologias de Abordagem Inovadora (NAMs) aparecem como parte das estratégias nas áreas de saúde e biotecnologia como alternativas para substituir o uso de animais em pesquisas. Métodos sem uso de animais, como o uso de células humanas em laboratório, modelos computacionais e ferramentas baseadas em inteligência artificial que simulam respostas biológicas, já estão em uso. “Além de ser um passo importante, a reinclusão das metodologias de abordagem inovadora na estratégia nacional alinha o Brasil às práticas científicas internacionais”, afirma a bióloga Silvya Stuchi, ex-coordenadora da Rede Nacional de Métodos Alternativos (Renama). “Essas metodologias aumentam a precisão dos resultados e representam uma evolução necessária para a pesquisa em saúde”, acrescenta.

A mudança ocorre após a pressão de pesquisadores e organizações de proteção animal, como a Humane World for Animals (HWA), que reuniu assinaturas de mais de 60 cientistas em um apelo ao governo federal pedindo a inclusão das NAMs na nova estratégia.

Para Antoniana Ottoni, Especialista Sênior em Assuntos Federais da HWA, a reinclusão representa um avanço, mas ainda são necessárias medidas adicionais para garantir a integração da ciência sem uso de animais nos laboratórios de todo o Brasil. “Ficamos satisfeitos em ver que o Ministério reintroduziu o tema na estratégia. No entanto, é essencial que os planos de ação para novas pesquisas sejam orientados por esses princípios, com apoio governamental proporcional à sua relevância”, diz, enfatizando que o financiamento na transição para as NAMs é fundamental, pois facilita a migração dos grupos de pesquisa para essas práticas.

Segundo Antoniana, a mera inclusão no texto da ENCTI, pode ter impacto limitado sem um detalhamento de um plano específico que oriente como as NAMs devem ser desenvolvidas, validadas, implementadas e adotadas no país. “Nossa mobilização continuará”, diz.

Na avaliação da Professora Marize Valadares, Professora titular de Toxicologia na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás, essa transição já está em curso na pesquisa científica brasileira, especialmente no campo da cultura celular. “A inclusão de novas metodologias na Estratégia 2024–2034 reconhece que o país está avançando rumo a resultados mais precisos no desenvolvimento de medicamentos e produtos.”

Fatos:

– Mudanças recentes na legislação brasileira: a Lei 15.183, sancionada em 2025, proibiu o uso de animais em testes para cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes, mas não alterou as regras para produtos farmacêuticos.

– Tendência global:

Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) anunciou recentemente um plano para substituir testes e pesquisas em animais por métodos mais eficazes.

No Reino Unido, foi publicada em novembro do ano passado uma estratégia para acelerar a substituição dos testes em animais, com planos de encerrar essa prática em avaliações de irritação da pele e dos olhos, bem como testes de sensibilização cutânea para novos tratamentos até dezembro de 2026. O país também pretende reduzir, até 2030, estudos farmacocinéticos (utilizados para monitorar como um medicamento se comporta no organismo ao longo do tempo) em cães e primatas não humanos.

– A União Europeia está preparando um roteiro para eliminar gradualmente os testes em animais em avaliações de segurança química, com publicação prevista para as próximas semanas.

Sobre a Humane World for Animals — A Humane World for Animals atua globalmente para substituir experimentos cruéis e ultrapassados com animais por métodos inovadores que não utilizam animais. Nossas equipes na Austrália, Brasil, Canadá, União Europeia, Índia, África do Sul, Coreia do Sul, Estados Unidos e outras economias-chave trabalham para transformar leis, regulações e práticas científicas, com o objetivo de encerrar testes e pesquisas em animais e promover o desenvolvimento, aceitação e uso de métodos avançados sem uso de animais. Lideramos a Animal-Free Safety Assessment Collaboration, bem como a Biomedical Research for the 21st Century Collaboration, parcerias multissetoriais e multinacionais que promovem a ciência sem uso de animais como padrão de excelência.

Saiba mais em: humaneworld.org.

(Com Adriana Silva/ Agência Pauta Social)

Quais são as consequências de escolhas guiadas pela ambição?

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Arquivo Pessoal.

A tradicional família Canavarro sustenta os negócios na máfia paulistana enquanto carrega uma herança sobrenatural que não pode ser recusada. A origem desse legado remonta ao México, quando o patriarca entra em contato com a entidade Xolotl após roubar um apito ligado a rituais antigos do país. Desde então, o horror passa a fazer parte da história desse círculo familiar, atravessando gerações e definindo para sempre o destino de seus descendentes.

Essa é a narrativa apresentada no livro “Canil dos condenados”, escrito por Vinicius Tetsuko C. Sato sob o pseudônimo de TetsuUcorvo. A narrativa sombria acompanha os irmãos Severino e Álvaro, criados perante a regra de coragem e lealdade imposta pelo pai e conduzidos, ainda na infância, a um ritual que define o próximo portador da relíquia. Contra a expectativa do irmão mais velho, é Severino quem é escolhido e esse momento estabelece a ruptura entre os dois: de um lado, o peso de carregar o poder; do outro, o primogênito encara a frustração de ter sido deixado de lado.

Ele entendeu o que era ser um Canavarro. Entendeu de onde vinha o frio que queimava e soube, com uma clareza dolorosa, que sua vida e o mundo que conhecia jamais seriam os mesmos.

(Canil dos condenados, p. 34)

Capa.

Anos depois, já adulto, Severino assume a liderança da família ao lado de seus cães fiéis, mas perde a conexão com a relíquia após um confronto em um galpão, quando falha diante da presença do Corvo, uma entidade malévola que se manifesta como uma figura humanoide. A partir desse episódio, ele se afasta do próprio papel e passa a viver sob o peso do medo, da estagnação e da submissão. Ao mesmo tempo, Álvaro, marcado por não ter sido escolhido, conduz uma traição ao firmar acordo com esta mesma entidade. Em troca de eliminar antagonistas e assumir o controle dos negócios, ele revela segredos da família, colocando toda a linhagem em risco e reforçando elementos como rivalidade entre irmãos, herança de sangue e pacto com forças malignas que cobram um preço alto demais.

Ao longo dessa jornada, a ideia de coragem e lealdade ensinada pelo pai perde o sentido, dando lugar a decisões guiadas por temor, ambição e desejo de controle, até que aquilo que deveria proteger a família passa a aprisioná-los. Canil dos condenados aponta que o medo, quando não encontra limites, não destrói apenas corpos: ele apaga sonhos, corrói relações, destrói laços fraternos, silencia vozes e afasta cada indivíduo de quem é, rompendo também a fé em si mesmo.

TetsuUcorvo propõe aos leitores uma reflexão sobre a estagnação diante de tomadas de decisões importantes, o peso da responsabilidade emocional, da ganância e das consequências dos próprios atos, mostrando que o poder herdado sem preparo não protege, mas sim, rompe vínculos e expõe as fragilidades humanas. A obra é a indicação perfeita para quem busca da tensão urbana de Peaky Blinders, os pactos perigosos de Supernatural e o horror fantástico de O labirinto do fauno – tudo isso sob um olhar único do horror folclórico nipo-brasileiro.

Ficha técnica:

Título: Canil dos Condenados

Autor: TetsuUcorvo (Vinicius Tetsuko)

ISBN/ASIN: 978-65-01-91224-0 (Físico) / 978-65-01-67532-9 (E-book)

Gênero: thriller, horror, suspense/mistério

Número de páginas: 100

Preço: R$ 4,99 (e-Book)

Onde encontrar: Amazon

Sobre o autor | TetsuUcorvo é o pseudônimo do autor afro-nipo-brasileiro Vinicius Tetsuko C. Sato. Nascido em Osasco e radicado em São Paulo, sua escrita une misticismo urbano, suspense psicológico e simbolismo em narrativas de forte impacto emocional. Inspirado pela mitologia afro-brasileira, pelas tradições indígenas e pelo folclore japonês, o autor constrói histórias que abordam temas como pertencimento, identidade, exclusão e conflitos internos, sempre através de personagens intensos e marcados por dilemas humanos profundos. Formado em Design Gráfico, o autor também incorpora um olhar estético apurado à construção de seus universos narrativos.

Redes sociais: Instagram – @tetsuucorvo.escritor.

(Com Dielin da Silva/LC Agência de Comunicação)