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A história do maior São João do mundo

Campina Grande, PB, por Kleber Patricio

Campina Grande transforma cultura junina em fenômeno que atrai milhões de visitantes e movimenta mais de R$ 600 milhões. Foto: Divulgação/Civitatis.

Durante pouco mais de um mês, Campina Grande, no interior da Paraíba, recebe um público equivalente a sete vezes sua população. O motivo é o maior São João do Mundo, festa que transformou a cidade em uma das principais referências do turismo cultural brasileiro e que, somente na edição de 2025, atraiu mais de 3,2 milhões de visitantes.

Em 2026, a 43ª edição do evento acontece entre os dias 3 de junho e 5 de julho, com 33 dias de programação ininterrupta no Parque do Povo. Para quem deseja viver a experiência sem se preocupar com deslocamento e logística, a Civitatis, maior plataforma de atividades e passeios em português do mundo, oferece um tour saindo de João Pessoa direto para o coração da celebração.

Tour do São João em Campina Grande é uma das apostas da empresa para o período junino. Com saída da capital paraibana, a experiência combina transporte, acompanhamento de guia especializado e tempo livre para explorar a festa por conta própria. “O São João de Campina Grande é um dos eventos mais emocionantes que o Brasil tem a oferecer, e é exatamente esse tipo de experiência autêntica que a Civitatis quer democratizar”, afirma Alexandre Oliveira, country manager da Civitatis Brasil.

Ônibus temático, matuto e forró pé de serra: como é o passeio para São João de Campina Grande?

No passeio para o São João de Campina Grande da plataforma da Civitatis, a experiência começa antes mesmo de chegar ao Parque do Povo. O grupo é recebido no hotel em João Pessoa e segue por uma hora e meia até Campina Grande a bordo de um ônibus temático, uma prévia da festa. Dentro do veículo, um guia caracterizado como o matuto (o personagem típico e querido do São João nordestino) vai animando o grupo com histórias, causos e curiosidades sobre a cultura junina da Paraíba.

No trajeto, os participantes são presenteados com uma degustação das cachaças premiadas da Paraíba, além de refrigerante e quitutes tradicionais como pipoca e canjica. Ao fundo, o forró pé de serra, aquele feito à base de sanfona, zabumba e triângulo, vai esquentando o clima antes mesmo de desembarcar.

No Parque do Povo, os viajantes têm cinco horas livres para mergulhar na festa como quiserem: shows no palco principal, festival de quadrilhas juninas, barracas com comidas e bebidas típicas, espaços temáticos e a energia contagiante de uma multidão que veio de todos os cantos do país para celebrar.

A festa em números: por que o São João de Campina Grande é o maior do mundo?

O título não é apenas uma estratégia de marketing. Em 2025, o São João de Campina Grande recebeu mais de 3,2 milhões de visitantes. Já em 2024, o evento movimentou R$ 673 milhões na economia local, segundo dados da Secretaria da Fazenda da Paraíba (Sefaz).

O Parque do Povo soma 42 mil metros quadrados transformados numa cidade cenográfica, com recriações da arquitetura histórica de Campina Grande, teto de bandeirinhas coloridas e ilhas de forró espalhadas pelo espaço.

Para 2026, a programação faz jus ao tamanho da festa. A abertura contará com o projeto “Dominguinho”, fenômeno nacional que conquistou o público em 2025 e reúne João Gomes, Mestrinho e Jota Pê. Ao longo dos 33 dias de celebração, nomes como Roberto Carlos, Marisa Monte, Wesley Safadão, Henrique e Juliano, Elba Ramalho e Pablo também passarão pelos palcos do evento, em uma mistura de forró, sertanejo, MPB e música popular que atrai visitantes de diferentes regiões do Brasil e perfis de público.

“Junho é o mês mais brasileiro do ano, e o Nordeste é o coração dessa brasilidade. Com este tour, a Civitatis não está vendendo apenas um passeio de ônibus: está entregando um pedaço da identidade cultural do país”, afirma Alexandre Oliveira, country manager da Civitatis Brasil.

João Pessoa como base: a lógica de quem planeja bem a viagem junina

João Pessoa, capital da Paraíba, é o ponto de partida natural para quem quer combinar praias com cultura nordestina em junho. A cidade fica a menos de duas horas de Campina Grande e concentra boa oferta hoteleira, o que torna o tour da Civitatis uma solução direta para quem está hospedado na capital e não quer lidar com aluguel de carro, estradas desconhecidas ou a logística de estacionar nos arredores do Parque do Povo durante a festa.

O passeio inclui retirada no hotel, guia em português durante todo o percurso, transfer de volta e as degustações a bordo. Quem desejar esticar a viagem pode ainda aproveitar para fazer passeios nas belas praias da Paraíba, como na excursão a Igarassu e Itamaracá, ou fazer um tour no agreste paraibano, na cidade histórica de Areia.

Ficha técnica

Passeio: Tour do São João em Campina Grande

Partida: João Pessoa

Duração: 8 horas

Idioma: Português

Preço: A partir de R$ 324 por pessoa

Cancelamento: Gratuito

Incluso: Transfer de ida e volta, guia em português, degustações (cachaça, refrigerante, pipoca e canjica)

Reservas: link.

(Fonte: Civitatis)

Artista indígena Kuenan Mayu consolida trajetória artística e participa de mostra em Nova York

Nova York, NY, por Kleber Patricio

Mostra reúne práticas ancestrais enraizadas nas tradições vivas dos povos Yanomami, Tikuna, Tariana e Tukano. Fotos: Divulgação.

A Galeria David Nolan apresenta “Riverlines”, uma exposição com obras de três gerações de artistas indígenas amazônicos: Chico da SilvaJoseca Yanomami e Kuenan Mayu. A mostra reúne práticas ancestrais enraizadas nas tradições vivas dos povos Yanomami, Tikuna, Tariana e Tukano. Por meio da pintura, do desenho e do tecido de casca de árvore, essas obras examinam como o conhecimento transita entre linhagens e territórios, e como a prática cerimonial é reinventada em formas contemporâneas. As obras revelam continuidade, transformação e inovação: a interpretação da cosmologia por uma geração mais velha, a negociação da tradição com a modernidade por uma geração intermediária e as experiências de uma geração mais jovem em intercâmbio intercultural e intergênero.

Riverlines torna visíveis genealogias artísticas há muito negligenciadas nas narrativas globais da arte moderna e contemporânea e posiciona essas obras dentro do discurso atual sobre clima, extrativismo e direitos indígenas. A Amazônia, com seus pintores visionários e cosmologias relacionais, não pode mais permanecer à margem. Embora as pinturas sejam belas, sua beleza é política. Elas oferecem maneiras de ver que recusam a separação entre arte e vida e insistem na integridade como prática estética e ética. A exposição apresenta dezesseis pinturas de 1964 sobre papel montado em madeira de Chico da Silva ao lado de obras emblemáticas das décadas de 1970 e início de 1980 que mapeiam geografias e cosmologias ribeirinhas. Inclui também um ciclo de pinturas de Joseca Yanomami que incorporam as visões da terra-floresta do povo Yanomami; e vinte pinturas de Kuenan Mayu, que utiliza pigmentos naturais amazônicos sobre tela sagrada tururi para criar obras que variam de gestos ancestrais íntimos a cosmologias alucinatórias.

A mais jovem dos três e um dos destaques da mostra é Kuenan Mayu (n. 2003) uma artista Magüta (Tikuna), Tariana e Tukano, nascida em Feijoal, às margens do rio Solimões, na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. Ela pinta em casca de tururi com pigmentos extraídos da floresta ao redor. Seus seres são híbridos — parte humanos, parte árvore, parte peixe, parte espírito — que habitam um mundo organizado não pela separação, mas pela possibilidade de se tornarem outros. Sua obra expande a cosmologia Magüta, cuja história de origem começa com dois seres espirituais, Ngutapa e Mapana, que semearam o universo com plantas. Incapaz de gerar filhos, Mapana foi amarrada pelo enfurecido Ngutapa a uma árvore na floresta, onde sofreu até que um encantado — um ser encantado em forma de pássaro — lhe ofereceu uma colmeia como instrumento de vingança. Ela a atirou em Ngutapa; as abelhas picaram seus joelhos, que incharam e finalmente estouraram, libertando dois filhos, Y’pi e Yo’i.

Mais tarde, Yo’i pescou no sagrado Rio Eware e, um corpo de cada vez, desenhou um povo inteiro — os Magüta: “o povo pescado das águas”. Cada figura emergiu como membro do clã dos “seres com penas” ou do clã dos “seres com cabelo”. O Rio Eware tornou-se o lar dos encantados: presenças porosas e metamórficas, resistentes à taxonomia fixa e centrais para o universo visual de Kuenan Mayu. O corpo em sua obra é um conduto entre reinos; a casca da árvore tururi é onde essa passagem se materializa. No ritual Magüta, a casca interna da árvore é preparada, costurada em uma vestimenta que cobre todo o corpo e pintada com urucum, jenipapo e pacová, de modo que o usuário passe a incorporar um encantado específico por meio do canto e da dança. A prática de Mayu opera sob a mesma lógica — destacando a liminaridade, o momento do devir, em detrimento da estabilidade de uma forma completa.

Um dos artistas mais influentes e amplamente exibidos do Brasil, Francisco da Silva (1910–1985), conhecido como Chico, cresceu no estado do Acre, na floresta amazônica. Ele se relacionava com a pintura como uma forma de construção de mundos, sua linguagem visual consistindo em formas animais híbridas, olhos hipnóticos, linhas serpentinas e garras alongadas, extraídas das mitologias e tradições orais do Norte do Brasil. A peça central da exposição é Serpente da Serra Luminosa, uma das dezessete pinturas criadas para a Bienal de Veneza de 1966: ricamente texturizada, multidimensional, surreal e imersiva, ela expressa plenamente os ecossistemas visuais do artista. A obra de Chico convida à comparação com pintores do século XX que entendiam a superfície como um espaço de invenção cosmológica: as constelações biomórficas de Joan Miró, os campos pictográficos de Paul Klee, a abstração espiritual de Hilma af Klint. O que torna a obra de Chico singular é que sua prática emergiu da cosmologia indígena, em oposição ao esoterismo europeu. Como ele mesmo observou: “O desenho é o que a mão dá e a cor é o que os detalhes pedem… pintar é autonomia” — não uma afirmação formalista, mas ontológica. A pintura está viva porque o mundo que ela contém está vivo.

Joseca Yanomami (n. 1971) é de uma comunidade às margens do rio Lobo d’Almada (Uxiu), um afluente do alto rio Catrimani, em Roraima. Filho de um xamã — um “grande homem” (pata thë) —, ele passou a vida atento aos cânticos dos xamãs Yanomami, que, por meio da dança e do canto, “trazem à luz” e “fazem dançar” as imagens (utupë) de seres e lugares desde o princípio dos tempos. Num gesto semelhante, Joseca representa suas próprias imagens oníricas dos universos que compõem o “mundo-floresta-terra” (urihi) Yanomami, que não é apenas uma coleção de árvores, mas um multiverso complexo no qual humanos e espíritos (xapiri thë pë), visíveis apenas aos xamãs, coexistem. Como Joseca descreve: “Não desenho sem um motivo. Inspiro-me nas palavras que ouço dos xamãs, aqueles que têm os cânticos mais belos, aqueles que realmente sabem como fazer com que as palavras dos espíritos xapiri pë sejam ouvidas. Quando realizam suas sessões, escuto seus cânticos e registro todas essas palavras em minha mente, com as quais depois sonho e transformo em desenhos.” Trabalhando em um estilo figurativo-realista, ele torna visível o conhecimento e a beleza de uma forma ancestral de pensar e viver que é implacavelmente destruída pela voracidade econômica e pela ignorância.

Riverlines foi desenvolvida em diálogo colaborativo com Joseca Yanomami, Kuenan Mayu e membros de suas comunidades. A galeria trabalhou em estreita colaboração com os artistas para garantir uma apresentação culturalmente apropriada, enquadramento contextual e programação pública, incluindo palestras com os artistas e conversas com o curador. A exposição tem curadoria de Simon Watson, curador independente, consultor de arte e especialista em eventos culturais, com atuação entre Nova York e São Paulo.

Declaração do Curador

“Em uma manhã de meados de abril de 2022, na área de exposições privadas da Galeria MaPa, em São Paulo, deparei-me com uma pintura em tons de dourado, vermelho e azul de uma serpente aquática contorcida, de Chico da Silva. Ao ser questionado, o galerista Marcelo Pallotta relatou a trajetória dramática do artista: uma juventude dedicada à pintura de rua, decorando cabanas de pescadores; um período intermediário celebrado como o primeiro artista indígena a ter seu trabalho exposto na Bienal de Veneza; duas décadas de exposições internacionais; mas, após sua morte em 1985, foi praticamente esquecido por décadas. Fiquei impressionado com a vivacidade da pintura: ali estava uma visão poderosa da natureza e da vitalidade do planeta. Refleti sobre aquela obra extraordinária e sobre a vida notável e complexa de Chico o dia todo. Seis horas após nosso primeiro encontro, voltei à MaPa e perguntei se eles me ajudariam a organizar uma exposição individual de seu trabalho em um museu. Sete meses depois, em novembro de 2022, Chico da Silva: Conexão Sagrada, Visão Global, uma pintura de 93 anos. A exposição, inaugurada no Museu de Arte Sacra de São Paulo, marca a primeira grande exposição individual do artista em duas décadas.

Meu fascínio pela obra de Chico da Silva me levou a uma profunda imersão e à curadoria de três exposições individuais de sua arte. Ao longo desse processo, interagi com uma ampla gama de artistas indígenas; esse envolvimento culminou nesta exposição Riverlines.

Riverlines começou como uma conversa sobre linhagem — como técnicas, cosmologias e compromissos viajam através do tempo e são reconfigurados por cada geração. Chico da Silva, Joseca Yanomami e Kuenan Mayu trazem vozes distintas da Amazônia; vistos aqui em diálogo, eles apresentam ao público nova-iorquino a relevância global de suas visões da natureza. A exposição busca honrar os laços intergeracionais ao mesmo tempo que concede plena autonomia às práticas contemporâneas que não são artefatos de museu nem mera ilustração. As obras que apresentamos são voltadas para o futuro e profundamente ancoradas no lugar, no cuidado e na resistência.” — Simon Watson

Sobre a Galeria David Nolan

Fotos: Divulgação.

Fundada em 1987, a Galeria David Nolan é uma galeria de arte moderna e contemporânea sediada em Nova Iorque, reconhecida pela sua programação eclética. Localizada a meio quarteirão do Metropolitan Museum of Art, em Manhattan, a Galeria David Nolan apresenta artistas internacionais, tanto emergentes como consagrados, que trabalham com uma gama espetacular de meios. A missão da galeria é contribuir para a narrativa da história da arte através de um diálogo dinâmico e em constante evolução entre o legado e a visão contemporânea.

Sobre a LUZ_AIR

A LUZ_AIR é uma residência artística personalizada que opera em Lisboa, São Paulo e Nova Iorque. A convite do fundador e curador Simon Watson, os artistas recebem acompanhamento prático do international liaison Xavier Auza e de profissionais da arte. O programa, centrado no artista e orientado para resultados, enfatiza o desenvolvimento de ateliê e estratégias práticas para o lançamento internacional de seus trabalhos.

Os participantes se envolvem em diálogos socráticos com colegas, críticos, curadores e colecionadores, apresentando seus trabalhos por meio de exposições, vídeos e catálogos online. Watson contribui com décadas de experiência em ensino e quatro décadas de atuação no desenvolvimento de artistas, além de curar cerca de uma dúzia de exposições anualmente. O programa foi lançado em São Paulo em novembro de 2019.

(Com Alisson Schafascheck/Vicente Negrão Assessoria)

Sinfônica Jovem apresenta concerto em homenagem ao esporte como instrumento de transformação social

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro. Foto: Daniel Ebendinger.

O som de uma das mais destacadas orquestras jovens do país dará o tom de uma noite histórica para o esporte e para a cultura brasileira. No próximo dia 23 de junho, Dia Nacional do Esporte, a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro (Orquestra Residente da PUC- Rio) sobe ao palco do Theatro Municipal para um concerto especial em homenagem às mulheres que abriram caminhos no futebol nacional. Com regência de Cláudio Cruz, repertório vibrante e performances de alto nível técnico, a apresentação celebra a força transformadora do esporte, a excelência artística da juventude brasileira e marca a contagem regressiva de um ano para a Copa do Mundo Feminina de 2027.

A Ação Social da Música do Brasil promove uma noite muito especial, e com o apoio da No More Brasil, EBC, CBF e Unesco, a programação terá início com a exibição de um vídeo reunindo atletas de destaque em defesa do combate ao feminicídio e da liberdade de escolha das mulheres. Na sequência, serão homenageadas as pioneiras do futebol feminino brasileiro, reconhecidas por sua contribuição para a abertura de caminhos e a conquista de direitos no esporte.

Embalada por obras de grande apelo popular e músicas marcantes, uma celebração que une arte, memória, inclusão e o protagonismo das mulheres no esporte, a celebração se estenderá ao Cristo Redentor, que receberá uma iluminação especial no mesmo dia 23, em uma ação simbólica que marcará a contagem regressiva para a Copa do Mundo Feminina de 2027, reforçando a importância do protagonismo feminino dentro e fora dos campos.

Formada por jovens músicos de comunidades do Rio de Janeiro, a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro se consolidou como um dos mais reconhecidos conjuntos jovens do país, reconhecida pelo alto nível técnico, energia contagiante e maturidade artística de suas interpretações. Sob a regência de Cláudio Cruz, o público poderá apreciar um repertório cuidadosamente selecionado para emocionar e aproximar diferentes gerações, reunindo obras consagradas de compositores como Tchaikovsky e Strauss, clássicos da música brasileira, além de temas que marcaram a memória afetiva dos brasileiros, como Carruagens de Fogo e o inesquecível Tema da Vitória dedicado a Ayrton Senna. Com performances vibrantes, sonoridade refinada e grande comunicação com a plateia, a orquestra transforma cada apresentação em uma experiência de celebração, alegria e confraternização.  Um concerto pensado para encantar o grande público, com melodias que atravessam o tempo e fazem com que muitos saiam do teatro com a memória afetiva em dia, cantando, emocionados e renovados. “Eu faço uma analogia: a maior semelhança que os músicos têm com o esporte é que ambas as profissões demandam muito do indivíduo, são caminhos paralelos! Assim como o atleta precisa se dedicar anos a fio para se transformar em um campeão, um músico também necessita de muito estudo, concentração, técnica para virar um grande músico desde cedo. Todos precisam atravessar muitos obstáculos. E esta noite é uma prova de que a dedicação faz parte dos dois ramos de atuação”, ressalta Fiorella Solares, diretora da orquestra.

Sobre a OSJRJ

A Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro (OSJRJ), fruto do programa Ação Social pela Música do Brasil (ASMB). É composta por 55 jovens de grande talento e dedicação com idades entre 18 e 28 anos e, em sua grande maioria, residentes em áreas de vulnerabilidade no Rio de Janeiro.

A Osjrj foi criada em 2014 e tem realizado apresentações no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na Cidade das Artes, na Sala Cecília Meireles, Sala da Filarmônica de Minas Gerais e na PUC-Rio, com importantes convidados, executando amplo repertório em suas já tradicionais temporadas anuais. Alguns dos jovens talentosos que compõem o grupo já se apresentaram em concertos na Alemanha, França, Itália, Holanda, Suíça e nos Estados Unidos.

A participação desses jovens na Orquestra é fundamental para seu desenvolvimento tanto profissional quanto pessoal. Neste processo de aprendizagem, eles adquirem maior disciplina, concentração, capacidade de trabalho em equipe, respeito e paixão pela arte, afastando-os, consequentemente, de atividades nocivas muito próximas de suas residências. Ao reunir e integrar adolescentes e jovens de diversas comunidades em um ambiente de prática orquestral, observa-se a música como um eficiente dispositivo de reestruturação emocional, inserção social e de crescimento pessoal. Como resultado, muitos deles ganham autoestima e confiança para enfrentar os desafios da vida adulta, abrindo oportunidades para exercer atividades remuneradas.

Com o objetivo de aperfeiçoar a prática orquestral e conduzir os jovens músicos à universidade e à profissionalização, a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro proporciona a inclusão social, a democratização do acesso à música clássica e a cidadania.

Sobre Cláudio Cruz

Foto: Divulgação.

O maestro Cláudio Cruz é Doutor em Música, Diretor Musical e Maestro Titular da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo (Ojesp) e primeiro violino do Quarteto Carlos Gomes. Estudou violino com seus pais, destacando que seu pai foi um famoso Luthier no Brasil, e, posteriormente, com professores renomados como Erich Lenninger e Maria Vichnia. Participou de masterclasses com Kenneth Goldsmith, Chaim Taub e Joseph Gingold.

Estudou teoria, harmonia, contraponto e regência com o Prof. Dr. George Olivier Toni. Estreou como solista aos 13 anos, tocando um concerto de Johann Sebastian Bach. Tocou com diversas orquestras brasileiras e internacionais, incluindo a Kammerorchester Berlin. Foi membro de vários quartetos, incluindo o Quarteto da Cidade de São Paulo e o Quarteto Osesp.

Na carreira como maestro, Cláudio Cruz foi diretor musical da Orquestra de Câmara Villa-Lobos e da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. Foi regente da Orquestra de Câmara da Osesp e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Já regeu diversas orquestras brasileiras e internacionais, incluindo a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e a Royal Northern Sinfonia. Venceu diversos concursos no Brasil e internacionalmente. Recebeu prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e o Grammy Latino. Foi premiado pela Revista Diapason (França) e pela Iberian and Latin Music Society of London. Gravou mais de 50 discos, incluindo concertos de Tchaikovsky e Max Bruch. Editou partituras de obras de compositores brasileiros, incluindo Flausino Vale e Alberto Nepomuceno.

Como professor e diretor, ministrou aulas de violino e música de câmara em diversas instituições, incluindo a Escola Municipal de Música de São Paulo e a Faculdade Santa Marcelina. Foi diretor pedagógico do Festival Internacional de Campos do Jordão.

Sobre Fiorella Solares

Foto: Daniel Ebendinger.

Nascida na Guatemala e naturalizada brasileira, é violoncelista profissional com sólida trajetória na música clássica. Atuou em importantes orquestras, como a Orquestra Sinfônica Brasileira e a Petrobras Sinfônica, tendo se aposentado recentemente da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Há 27 anos, ao lado de seu marido, o maestro David Machado, fundou a instituição Ação Social pela Música do Brasil, consolidando uma carreira de mais de três décadas dedicada à cultura e à educação. Seu trabalho destaca-se pela implementação de núcleos de ensino de música clássica em comunidades de baixa renda, promovendo transformação social por meio da arte. No estado do Rio de Janeiro, o projeto está presente em 20 comunidades e, após alcançar resultados expressivos, expandiu-se para João Pessoa (PB), Ji-Paraná (RO) e Campo Grande (MS). Ao longo de sua trajetória, mais de 16 mil alunos já foram atendidos, e atualmente cerca de 4.800 crianças e adolescentes são beneficiados em quatro estados brasileiros.

Em 2014, Fiorella fundou a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro, hoje reconhecida como um dos mais relevantes conjuntos sinfônicos jovens da cidade. Em reconhecimento ao seu trabalho cultural e socioeducativo, recebeu importantes homenagens: em 2014, o título de Cidadã Honorária do Rio de Janeiro; em 2016, foi condecorada pela Câmara Municipal de São Paulo pelos serviços prestados à cultura; e, em 2018, foi agraciada na Premiação Person of the year, realizada pela Câmara de Comércio Brasil–Estados Unidos de Nova Iorque, pelo seu destaque em empreendedorismo social em nosso país.

Repertório do concerto:

VANGELIS

Carruagens de Fogo

CARLOS GOMES

Abertura O Guarani

PIOTR ILITCH TCHAIKOVSKY (1840–1893)

Valsa das flores, 6’

O Lago dos Cisnes, Op.20a nº2: Valsa

JOHANN STRAUSS (1825–1899)

O Danúbio Azul, Op.314 – 9’

EDUARDO SOUTO NETO

Tema da vitória – dedicado a Ayrton Senna

GONZAGUINHA

O que é O que é.

SERVIÇO:

Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro (Orquestra Residente da PUC-Rio) apresenta uma homenagem ao esporte como instrumento de transformação social

Regência: Cláudio Cruz

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Endereço: Praça Floriano s/n, Centro – RJ

Data: 23/6/2026 (terça-feira)

Horário: 19h

Duração: 80 minutos

Classificação: Livre

Ingressos (preços populares):

Plateia e Balcão Nobre: R$40 (inteira) e R$20 (meia-entrada)

Balcão Superior Central e Lateral: R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada)

Galeria Central e Lateral: R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada)

Classificação: Livre

Na bilheteria do Theatro ou através do link https://feverup.com/m/609752.

(Com Cláudia Tisato/Matéria-Prima Comunicação e Arte)

Manguezais ganham destaque como ‘carbono azul’ na costa amazônica

Belém, PA, por Kleber Patricio

Novos dados reforçam o papel indispensável dos manguezais amazônicos na mitigação das mudanças climáticas e compõem livro científico lançado mundialmente. Foto: Divulgação/Projeto Mangues da Amazônia.

A Amazônia brasileira detém a maior faixa contínua de manguezais do planeta, com mais de 8 mil km de extensão. Esse gigantesco patrimônio natural, em geral ainda bem conservado, guarda um elemento-chave para a mitigação da mudança climática, em conexão com a biodiversidade: o “carbono azul” – aquele armazenado globalmente nos oceanos e ecossistemas costeiros, e que ganha maior evidência no litoral amazônico pela dimensão de seus estoques. Na região, segundo estimativas científicas, os manguezais podem apresentar estoques de carbono por área até três vezes maiores do que os das florestas de terra firme.

Devido a dinâmicas como o fluxo das marés na costa amazônica, as áreas de mangue apresentam características únicas que mobilizam novos estudos científicos, buscando entender e dimensionar seu potencial como sumidouro de carbono e os riscos de emissões em caso de desmatamento. “Contribuímos para políticas públicas que visam ampliar a conservação e a recuperação dessas áreas estratégicas, por meio da recomposição de estoques e da resiliência climática”, afirma Marcus Fernandes, coordenador do Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) do Instituto de Estudos Costeiros (IECOS), da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Bragança (PA), e coordenador do projeto Mangues da Amazônia.

Realizada desde 2021 pelo LAMA, Instituto Sarambuí e Instituto Peabiru, a iniciativa tem como objetivo promover a conservação e uso sustentável dos recursos naturais por meio de ações de caráter ambiental, educativo, social, econômico e científico junto às comunidades de Reservas Extrativistas Marinhas (RESEX Mar) do Pará. O Mangues da Amazônia conta, desde 2021, com o patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, beneficiando, direta e indiretamente, cerca de 15 mil pessoas nos municípios paraenses de Tracuateua, Bragança, Augusto Corrêa e Viseu.

“As pesquisas demonstram a importância de salvaguardar um dos mais valiosos sumidouros de carbono do planeta, diante dos desafios climáticos globais”, enfatiza Fernandes.

Novos dados sobre estoque e emissão de carbono

O trabalho científico abrange duas frentes de pesquisa: o conhecimento do estoque de carbono acima e abaixo da superfície do solo, bem como das emissões em áreas reflorestadas, degradadas e naturais, de forma comparativa. Ao entender essa dinâmica em diferentes cenários de conservação, o projeto contribui para avaliar com maior precisão os efeitos dos impactos antrópicos, permitindo ações preventivas baseadas na ciência. Em paralelo, ajuda a compreender como e em que medida o processo de reflorestamento de áreas degradadas consegue recuperar esse ecossistema.

“Chegamos a dados mais seguros para a tomada de decisões, inclusive como suporte ao desenvolvimento de oportunidades de créditos de carbono em áreas de manguezais na Amazônia, com potencial de geração de renda pelos serviços ecossistêmicos”, reforça Fernandes. Ele completa: “…a valorização do capital natural é uma estratégia para a manutenção dessas áreas bastante conservadas, diferentemente do processo histórico de degradação verificado nos manguezais de outras regiões do País”.

De acordo com Mayara Vieira Rabelo, pesquisadora do LAMA e integrante do Mangues da Amazônia, o conhecimento sobre o carbono azul motiva uma maior sensibilização ambiental das comunidades para a proteção desse ecossistema, seja como segurança alimentar ou regulação climática. “Quando degradamos o manguezal pelo corte de vegetação, a emissão de carbono é alta”, ressalta a bióloga. Para realizar coletas de campo e desenvolver as pesquisas, o projeto realiza expedições a cada dois meses nas RESEX Mar de Tracuateua, de Caeté-Taperaçu, de Araí-Peroba e de Gurupi-Piriá, no Pará.

Os dados indicam que manguezais degradados, com corte recente de árvores na região, liberam cerca de cinco vezes mais carbono para a atmosfera do que as áreas conservadas. Esse volume emitido representa cerca de 20% do que está armazenado nas árvores e no solo – estoque originalmente de cerca de 141 toneladas de carbono por hectare nos manguezais conservados da Amazônia. Nas áreas reflorestadas pelo projeto, a emissão corresponde a 4% desse estoque.

Livro reúne resultados como referência global

Os resultados até agora obtidos pelas pesquisas, essenciais para estratégias de gestão, educação e conservação, compõem o livro “Amazonian Mangrove Blue Carbon Dynamics”, lançado mundialmente pela Springer Nature.

Editada pelos cientistas Marcus E. B. Fernandes, Pedro W. M. e Souza-Filho e Christophe Proisy, a obra revela o papel crucial dos manguezais amazônicos no enfrentamento global às mudanças climáticas. Apresenta uma análise aprofundada dos processos de sequestro, armazenamento e emissão de carbono, com estimativas mais precisas desses estoques, combinando medições de campo e tecnologias avançadas aplicadas na região.

Trata-se de uma das maiores áreas úmidas florestadas do planeta. Além dos dados inéditos, a publicação conecta ciência e política sob uma perspectiva holística, oferecendo insights práticos para conservacionistas, cientistas e tomadores de decisão.

Sobre o Projeto Mangues da Amazônia

O Mangues da Amazônia é um projeto socioambiental com foco na recuperação e conservação de manguezais, que atua com reflorestamento, educação ambiental e ações socioculturais, sendo desenvolvido em quatro Reservas Extrativistas Marinhas do estado do Pará. O projeto é realizado desde 2021 pelo Instituto Peabiru, Instituto Sarambuí e Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Sobre o Instituto Sarambuí

O Sarambuí nasceu em 2015 a partir da iniciativa de pesquisadores e doutorandos que, atuando junto a comunidades da costa amazônica, identificaram a necessidade de captar recursos e fortalecer projetos locais. Inicialmente com ações da Associação Sarambuí e foco na melhoria de estruturas dos laboratórios, o trabalho foi crescendo de forma colaborativa até dar origem ao projeto Mangues da Amazônia, consolidando uma trajetória marcada pela integração entre ciência, comunidade e conservação ambiental. No ano de 2025, o Sarambuí passou a ser Instituto com sua estruturação ainda mais voltada para apoio à pesquisa, produção e inovação.

Sobre o Instituto Peabiru

O Instituto Peabiru é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) brasileira, fundada em 1998, que tem por missão facilitar processos de fortalecimento da organização social e da valorização da sociobiodiversidade. Com sede em Belém, atua nacionalmente, especialmente no bioma Amazônia, com ênfase no Marajó, Nordeste Paraense e na Região Metropolitana de Belém (PA). É uma das organizações realizadoras do projeto Mangues da Amazônia.

(Com Hedylaine Boscolo/Arco W)

Edney Silvestre discute mistérios e obsessões de seu novo romance “O último Van Gogh” na série Encontro com os escritores

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

A série Encontro com os escritores” recebe no dia 23 de junho, terça-feira, às 19h, o premiado jornalista e escritor Edney Silvestre para um debate sobre o processo de criação de seu mais recente romance, “O último Van Gogh” (Globo Livros). Promovido pela Universidade do Livro (da Fundação Editora da Unesp), pela Assessoria de Comunicação e Imprensa da Reitoria da Unesp e pela Biblioteca Mário de Andrade, o evento gratuito acontece no Auditório da Biblioteca Mário de Andrade, no centro da capital paulista, com mediação do jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto.

Lançado no final de 2025, O último Van Gogh entrelaça com precisão cirúrgica a Europa do final do século XIX e o Rio de Janeiro contemporâneo. A narrativa conecta as últimas e atormentadas semanas de Vincent van Gogh em Auvers-sur-Oise ao destino de Igor Brown, um jovem que sobrevive como garoto de programa na capital fluminense sob a fachada de intérprete de Libras. O estopim da trama é o roubo de uma tela perdida do pintor holandês, supostamente destruída na Segunda Guerra Mundial e mantida em um apartamento de luxo no Leblon, arrastando os personagens para uma rede de conspirações, crimes silenciosos e mercado de arte de elite.

Silvestre, consagrado com os prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura por seu romance de estreia, Se eu fechar os olhos agora, traz para a mesa de debate sua bagagem como correspondente internacional de grandes marcos históricos mundiais. No diálogo com Manuel da Costa Pinto e com o público, o autor analisará as técnicas de pesquisa documental necessárias para reconstruir cenários históricos, a estruturação de thrillers psicológicos e a transição estilística entre a urgência das redações jornalísticas e a densidade da prosa de ficção.

SERVIÇO:

Encontro com os escritores recebe Edney Silvestre

Data: 23 de junho (terça-feira)

Horário: 19h às 21h

Local: Auditório da Biblioteca Mário de Andrade

Endereço: Rua da Consolação, 94 – República, São Paulo (SP) (próximo ao Metrô Anhangabaú)

Entrada: Gratuita

Inscrições: aqui

Mais informações sobre a Universidade do Livro estão disponíveis no site oficial

(Com Diego Moura/Pluricom Comunicação Integrada®)