
Obra de Paulo Penna na mostra “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”. Fotos: Divulgação.
A exposição “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”, com curadoria de Luiz Armando Bagolin, abre no dia 18 de julho de 2026 (sábado), das 15h às 19h, no Museu Lasar Segall, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. Com entrada gratuita, segue em cartaz até 19 de outubro de 2026.
Reunindo gravuras de doze artistas visuais — Amália Barrio, Cláudio Caropreso, Comtrario Pereira, Francisco Maringelli, Paulo Penna, PF Cozinha da Gravura (Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella), Pedro Pessoa, Rafael Kenji, Raphael Giannini, Ulysses Bôscolo e Zizi Baptista —, a mostra celebra o fazer gráfico em seu campo expandido, que vai da gravura em metal e da xilogravura à monotipia e ao desenho.
No centro da exposição está o ateliê de gravura como espaço coletivo de trabalho: o lugar onde a imagem não nasce pronta, mas se constrói por etapas, é reimpressa e se transforma a cada passagem pela matriz. Os doze artistas partilham essa prática comum — muitos deles formados ou atuantes em ateliês de gravura de São Paulo — e trazem para a sala um recorte dessa produção feita a muitas mãos.

Obra de Cláudio Caropreso na mostra.
A escolha do Museu Lasar Segall tem sentido preciso. A casa que foi residência e ateliê do pintor abriga, há décadas, um ateliê coletivo de gravura em plena atividade. Expor ali é aproximar as obras do próprio lugar em que muitas delas foram pensadas e impressas, e lembrar que o museu, antes e além de sala de exposição, é também um espaço de fazer. “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu não é um percurso que proponho: o primeiro trajeto é o que a casa vê quando se vira para dentro; o segundo, o que estas obras já fazem quando entram no acervo. E há um terceiro, que dispensa a sala: do lado de fora, a gráfica se cola ao muro, exposta ao tempo e a quem passa”, afirma o curador Luiz Armando Bagolin.
SOBRE OS ARTISTAS
Amália Barrio é artista visual, formada pela Universidade Estadual de Campinas. Sua pesquisa parte da relação entre fotografia e gravura, investigando a imagem fotográfica como linguagem gráfica. A paisagem natural constitui o principal eixo de seu trabalho, desenvolvida por meio de processos de impressão e experimentações com transparências, sobreposições, formas e cor. Seu interesse está na construção de imagens que transitam entre diferentes técnicas e suportes, explorando as possibilidades gráficas.
Cláudio Caropreso nasceu em 1975, em São José dos Campos, onde vive e trabalha. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Vale do Paraíba. Pós-Graduado em Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas pela Universidade de Brasília. Como artista, desenvolve pesquisa com procedimentos ligados à gravura em relevo colorida e a processos criativos.
Comtrario Pereira nasceu em 1993, em São Caetano do Sul. Desenvolve, desde 2018, uma pesquisa em torno da matéria (principalmente tinta de parede e seu próprio sangue, por ele mesmo retirado) para dar corpo à sua investigação central: a violência institucional. Esgarçando e expandindo o termo, centralizado em agentes ou instituições do Estado que causam sofrimento físico, psicológico, moral e/ou patrimonial, aprofunda seu olhar nas instituições sociais que estabelecemos enquanto sociedade: trabalho, amigos, família, relacionamentos e com nós mesmos.

Obra de Comtrario Pereira na mostra.
Francisco Maringelli nasceu em São Paulo, onde vive e trabalha e onde atua como artista gravador, pintor e professor. Formação: Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP, 1979-1984) e Artes Plásticas (ECA-USP, 1984-1990), com frequência dos ateliês do Museu Lasar Segall (1980–81). Mostras individuais: “Os estigmas da palma da mão, as crateras no meio da rua e o rombo do coração” (Atelier Piratininga, São Paulo, 2025); “Maringelli: Percurso Gráfico” (Caixa Cultural Sé, SP, 2012); “Um Pouco do Retrato de Todos Nós” (Oficina Cultural Oswald de Andrade, SP, 2012). Mostras coletivas: “Fabulações Matriciais” (Espaço Cultural Sesc, Rio/Flamengo, RJ); “Gravura na Ponta da Faca” (Hemeroteca da Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo, 2016); além de participações na Galeria Gravura Brasileira, na Graphias-Casa da Gravura, na Galeria Mezanino e nas Mostras da Gravura Cidade de Curitiba, de 1986 a 2000. Recebeu a Bolsa Vitae de Artes Visuais / Grandes Formatos na Gravura em Relevo (1995), com projeto exposto no CCSP.
Paulo Penna nasceu em 1970, em São Paulo, onde vive e trabalha. Doutor em artes visuais pela USP, fez estudos de pós-graduação na Byam Shaw School of Arts, em Londres, e pós-doutorado na Universidade do Quebec em Montreal e na USP, na área de artes visuais. É proprietário, com Adalgisa Campos, da Casateliê, espaço independente de produção, ensino e venda de arte em São Paulo. Tem seu trabalho regularmente exposto no Brasil e no exterior, com destaque para as individuais “Corpo, mapeamentos” (Galeria Gravura Brasileira), “Desenho, fluxo, imagem” (Oficinas Culturais Oswald de Andrade) e “Figuren aus Brasilien” (Galerie Wildeshausen, Alemanha). Participa regularmente de coletivas, entre elas “Gravura Extrema — Europalia Brasil” (Le Centre de la Gravure et de l’Image Imprimée, La Louvière, Bélgica) e “Do Cordel à Galeria” (MASP). É professor dos cursos de Artes Visuais da FAAP e do Centro Universitário Belas Artes e coordena o Ateliê de Gravura do Museu Lasar Segall.

Obra de Amalia Barrio na mostra.
PF Cozinha da Gravura (2024, São Paulo) é um coletivo formado por Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella. Desenvolvem em conjunto trabalhos de gravura como extensão das reflexões que pesquisam individualmente e como forma de estreitar o diálogo sobre o fazer gráfico. Os trabalhos do coletivo participaram de projetos como a 6ª edição do PQF (Portões Que Falam), bienal de arte urbana que ocupa quatro quarteirões de Santo André, além de ações educativas na exposição “O Paisagismo Modernista na Produção Artística de Lasar Segall”.
Pedro Pessoa nasceu em 1986, em São Paulo, onde vive e trabalha. Interessa-se pelas coisas da natureza e nunca parou de desenhar. De 2004 a 2008, frequenta o curso de design gráfico do Senac, onde desenvolve trabalhos em ilustração, animação e quadrinhos. Passou a frequentar e a movimentar o ateliê de gravura, onde encontra um ambiente de desenvolvimento pessoal e artístico, e o professor Ernesto Bonato, que o incentiva na busca pelo desenho de observação e pelo corte das goivas na madeira. Em 2007, passa a ser residente no Atelier Piratininga, desenvolvendo com mais afinco uma obra gráfica em xilogravura e gravura em metal. Estuda e trabalha nos ateliês do Museu Lasar Segall e do Instituto Tomie Ohtake. É artista membro do Atelier Piratininga desde 2011, onde coordena as atividades educativas e promove exposições, oficinas, cursos e palestras.
Rafael Kenji nasceu em São Paulo, em 1987, onde vive e trabalha. Artista visual, é mestrando em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e bacharel em Design pelo Centro Universitário Senac (2010). Desde 2010, dedica sua pesquisa artística principalmente às linguagens do desenho e da gravura. Em sua obra está sempre presente a observação do tempo, dos movimentos cíclicos, de vida, morte e recomeço, e o interesse pela transformação da matéria. Em sua pesquisa recente, “Corpos desenhados pela água”, esses elementos são permeados por aspectos da história social e pela relação entre natureza e cultura. Realizou mostras no Brasil e no exterior — Espanha, França, Itália, Peru, Argentina, China, Bulgária e EUA.

Obra de PF Cozinha da Gravura na mostra.
Raphael Giannini nasceu em São Paulo, onde vive e trabalha. Formado em 2009 pelo Centro Universitário Belas Artes no curso de Artes Visuais, onde teve aulas de gravura com Augusto Sampaio, Katia Salvany e Paulo Penna. Concluiu uma pós-graduação em educação pela mesma instituição em 2010. Desde então, dedica-se à arte-educação, atuando em diversas instituições culturais. Em 2014, chega ao Atelier Piratininga, onde retoma a produção com aulas de Ulysses Bôscolo e Julia Goeldi. Desenvolve pesquisa sobre gravuras de pequeno formato, com matrizes cujo lado maior não ultrapassa 10 cm.
Ulysses Bôscolo de Paula nasceu em 1977, em São Paulo, onde vive e trabalha. Formou-se em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Mestre em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP sob orientação do Prof. Dr. Luiz Claudio Mubarac. Atualmente desenvolve seu projeto de doutorado na Unicamp sob orientação de Luise Weiss. Sua produção abrange gravuras, pinturas, objetos, fotografias, vídeos, colagens, esculturas e ilustrações de livros, com destaque para a ilustração de “Os Irmãos Karamázov”, de Dostoiévski (Ed. 34, 2008). Recebeu prêmios de residência artística na 15ª Biennale Internationale de la Gravure de Sarcelles e na Cité Internationale des Arts, em Paris, pelo programa de intercâmbio da FAAP. Em 2017, foi indicado ao Prêmio PIPA e, em 2020, ao Programa Itaú Cultural.
Zizi Baptista (Ana Elisa Dias Baptista) é artista visual e gravadora, formada em Licenciatura Plena – FAAP e mestre em Peritagem e Precificação de Obras de Arte pela Faculdade Santa Úrsula. Com trajetória de mais de três décadas dedicadas às artes visuais, desenvolve um trabalho reconhecido pela excelência técnica na gravura e pela pesquisa poética de sua produção. Participou de importantes exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, com mostras em países como Estados Unidos, México, Itália, Portugal, Alemanha, França e Holanda. Recebeu diversos prêmios em salões de arte contemporânea e possui obras em acervos públicos e institucionais, entre eles o Museu de Arte Contemporânea de Campinas, a Casa do Olhar, a Prefeitura de Guarulhos e o HCor. Sua produção transita entre a gravura, o desenho e projetos ligados às artes cênicas, consolidando uma atuação marcada pelo diálogo entre técnica, memória e experimentação.
SERVIÇO:
Mostra “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”
Curadoria: Luiz Armando Bagolin
Artistas visuais: Amália Barrio, Cláudio Caropreso, Comtrario Pereira, Francisco Maringelli, Paulo Penna, PF Cozinha da Gravura (Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella), Pedro Pessoa, Rafael Kenji, Raphael Giannini, Ulysses Bôscolo e Zizi Baptista
Período: 22 de julho a 19 de outubro de 2026
Visitação: quarta a segunda, das 11h às 19h
Entrada: gratuita e livre
Local: Museu Lasar Segall
Rua Berta, 111, Vila Mariana, São Paulo/SP 04120-040
Tel: (11) 2159-0400
E-mail: info@mls.gov.br
Site: www.mls.gov.br
Redes sociais:
Museu Lasar Segall @museu_lasar_segall
Luiz Armando Bagolin @labagolin
Amália Barrio @amaliabarrio
Cláudio Caropreso @caropresoxilogravura
Comtrario Pereira @comtrario
Francisco Maringelli @franciscomaringelli
Paulo Penna @paulocpenna1970
PF Cozinha da Gravura (Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella) @pf.cozinhadagravura
Pedro Pessoa @pedro_pessoa1
Rafael Kenji @kenji.rafa
Raphael Giannini @raphael_com_ph_
Ulysses Bôscolo @ulyssesbo
Zizi Baptista @zizibaptista.
(Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

Obra de Paulo Penna na mostra “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”.