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Da Itália a Campinas: exposição resgata o Brasil poético de Sé Corsari

Campinas, SP, por Kleber Patricio

Hípica, em celebração aos seus 78 anos, recebe mostra e livro virtual com 130 obras que revelam o olhar sensível do pintor ítalo-brasileiro sobre o cotidiano brasileiro. Fotos: Divulgação.

A história por trás das telas é sempre instigante, como mostra a exposição “Sé Corsari faz o Mediterrâneo desaguar no Atlântico”, que chega a Campinas esta semana. Em 1949, a vida do jovem artista italiano mudou, quando aos 25 anos de idade cruzou oceanos seguindo o espírito aventureiro e a curiosidade em conhecer as paragens brasileiras. Encantou-se tanto com o País que fez daqui sua segunda pátria e trouxe para suas telas a cultura, o povo, a natureza e as paisagens locais. Cerca de 130 quadros de Sé Corsari (pseudônimo de Sergio Corrias, 1924–2004), chegam à exposição no espaço Senzala da Sociedade Hípica de Campinas na próxima semana, onde permanecem entre 5 e 15 de novembro. O evento faz parte das celebrações do aniversário de 78 anos da Hípica.

A curadora Ligia Testa explica que o artista “interpretou a brasilidade em suas pinturas por meio de uma relação sensível, afetiva e poética com o povo brasileiro, sobretudo da região nordeste”. Apesar de a exposição ocorrer na Sociedade Hípica; porém, não associados também poderão prestigiar o vernissage, a partir de inscrição, com quantidade limitada. As inscrições serão feitas por meio do WhatsApp (19) 99792-7221 e por ordem de chegada da manifestação de interesse. A festa de abertura terá a participação especial do DJ Luiz “Thunderbird” Fernando Duarte, também conhecido como Thunder, que é músico, apresentador e ex-VJ da MTV Brasil.

Outra opção para conhecer parte das obras de Sé Corsari é acessar o catálogo-livro trilíngue (português, italiano e inglês) que documenta a exposição, agrupando as pinturas por afinidades temáticas com comentários da curadora. A publicação foi idealizada pelo filho do artista, Fabio Corrias, e sua esposa Adriana. Eles comentam que a ideia nasceu “do desejo de preservar sua história, celebrar sua trajetória e fazer com que sua arte continue encontrando novos olhares. Porque um artista permanece vivo quando sua obra continua a tocar as pessoas”. O livro-catálogo tem uma versão virtual, que pode ser acessada gratuitamente no link https://indd.adobe.com/view/28ab5f14-381f-49e0-9bae-818cdda50cb4.

Um pintor ítalo-brasileiro

Sergio Corrias revelou sua índole criativa já na adolescência, ao gerar seu próprio nome artístico: Sé Corsari.  Do prenome Sergio, conservou apenas as duas primeiras letras, Se, que virou Sé. Do sobrenome Corrias, manteve as três primeiras — Cor (que tem tudo a ver com pintura) — e alterou a ordem das quatro restantes transformando rias em sari.  Surgiu, assim, o nome Corsari, foneticamente elegante e lembra a palavra corsário, que remete à ousadia, aventuras, liberdade.

As paisagens italianas foram o tema da primeira fase de sua produção pictórica. Nascido em 1924 em Bracciano, pequena cidade medieval localizada em colinas próximas de Roma, e viveu em diferentes regiões da Itália. Emigrou para o Brasil em 1949, onde permaneceu por 11 anos. Depois retornou para a Itália, onde morou e trabalhou em Milão e Pádua com a esposa Lilyan e o único filho, Fabio. Em 1975, retornou ao Brasil, mas fazia viagens frequentes à Itália, onde morreu em 2004 deixando um legado de mais de 500 obras e premiações em diversos países.

Por temperamento e formação, Sé Corsari optou pela figuração em sua pintura, revelando uma sensibilidade voltada para a tradição humanística da pintura comprometida com a observação, a percepção, o desenho, a composição e o domínio técnico. Para a curadora Ligia Testa, “Corsari não reproduzia passivamente em suas telas o que via. Ele produzia uma nova imagem mediante passagens da referência pelos filtros de seu olhar, de sua sensibilidade, memória e experiência. Durante o processo criativo, formas eram simplificadas, cores acentuadas ou esmaecidas, proporções e posições ligeiramente alteradas, elementos reorganizados. E esta forma de pintar permaneceu com o artista durante toda sua vida”.

SERVIÇO:

Exposição: “Sé Corsari faz o Mediterrâneo desaguar no Atlântico”

Quando: Vernissage dia 4/11, às 19 horas, com convites

Mostra aberta de 5 a 15 de novembro (para associados)

Onde: Espaço Cultural Senzala | Sociedade Hípica Campinas

Informações e convites para o vernissage pelo Whatsapp (19) 99792 7221 (somente mensagem).

(Com Luciana Almeida/Confraria da Informação)

‘A Christmas Carol’ retorna a São Paulo em superprodução com Fernando Caruso e 70 artistas em cena

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Sob direção geral e coreografias de Fernanda Chamma, clássico natalino de Charles Dickens ganha montagem inédita com duas apresentações especiais nos dias 24 e 25 de novembro no Teatro Liberdade; em dezembro, espetáculo segue para uma temporada no Hopi Hari. Fotos: Divulgação.

Um dos maiores clássicos da literatura mundial e símbolo das celebrações natalinas, “A Christmas Carol” retorna aos palcos brasileiros em 2026 em uma superprodução que promete emocionar espectadores de todas as idades. Com direção geral e coreografias de Fernanda Chamma, a montagem apresenta uma nova concepção artística, reunindo 70 cantores e atores em uma experiência que integra teatro, música, dança e recursos visuais.

O espetáculo terá duas apresentações especiais em São Paulo, nos dias 24 e 25 de novembro, às 20h30, no Teatro Liberdade. Em dezembro, a produção segue para o Hopi Hari, onde ganhará uma temporada especialmente concebida para o universo do parque.

As duas versões terão formatos inéditos, desenvolvidos para explorar as possibilidades cênicas de cada espaço, mantendo a essência da história e ampliando sua dimensão artística e visual.

A grande novidade desta temporada é a presença de Fernando Caruso, que assume o papel de Ebenezer Scrooge, um dos personagens mais emblemáticos da literatura universal. Conhecido por sua versatilidade e trajetória no teatro, cinema e televisão, o ator dará vida ao homem avarento que, ao receber a visita de três espíritos na noite de Natal, embarca em uma profunda jornada de transformação.

Um clássico que atravessa gerações e conquista o mundo

Publicado em 1843 pelo escritor inglês Charles Dickens, A Christmas Carol, conhecido no Brasil como Um Conto de Natal, tornou-se uma das histórias mais populares e representadas da cultura ocidental.

Ambientada na Londres vitoriana, a obra ultrapassou as páginas da literatura e ganhou inúmeras adaptações para o teatro, cinema, televisão e grandes produções musicais.

Ao longo de quase dois séculos, a história de Ebenezer Scrooge conquistou plateias de diferentes países, transformando-se em uma verdadeira tradição natalina, especialmente em cidades como Londres e Nova York, onde montagens da obra integram a programação cultural de fim de ano.

Sua permanência no imaginário coletivo está diretamente ligada à universalidade de sua mensagem: a importância da generosidade, do amor, da solidariedade e da possibilidade de transformação humana.

A força da obra permanece tão atual que o cinema prepara para novembro de 2026 uma nova adaptação, Ebenezer: A Christmas Carol, estrelada por Johnny Depp. O lançamento reforça a relevância e a capacidade de renovação dessa história, que continua despertando o interesse de diferentes gerações.

Fernanda Chamma e sua trajetória com A Christmas Carol

A relação da diretora e coreógrafa Fernanda Chamma com A Christmas Carol é construída ao longo de vários anos de pesquisa, criação e remontagens do espetáculo.

Com uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada às artes cênicas, Fernanda assina a direção de importantes produções de teatro musical e desenvolve uma linguagem artística marcada pela integração entre interpretação, canto, dança e grandes composições coreográficas.

Desde 2019, a diretora vem conduzindo diferentes temporadas e remontagens de A Christmas Carol, aprofundando sua leitura sobre o universo de Charles Dickens e desenvolvendo novas possibilidades de encenação.

As temporadas anteriores, incluindo as apresentações de 2022 e 2023, contribuíram para consolidar o espetáculo como uma das produções natalinas de destaque em sua trajetória artística.

Em 2026, Fernanda apresenta uma nova concepção, ampliando a dimensão do elenco, a movimentação cênica e a força visual do espetáculo.

Com 70 artistas, a produção aposta em grandes números musicais, cenas coletivas, coreografias e uma atmosfera inspirada na Londres do século XIX. A proposta é transportar o público para um universo de ruas antigas, personagens vitorianos, celebrações natalinas e encontros emocionantes, criando uma experiência teatral envolvente.

Uma superprodução em dois formatos inéditos

A temporada de 2026 foi concebida para apresentar A Christmas Carol em dois ambientes distintos.

No Teatro Liberdade, em São Paulo, o público poderá acompanhar uma montagem que valoriza a narrativa teatral, os grandes números musicais e a presença de um elenco numeroso, com uma concepção visual inspirada na atmosfera da Inglaterra vitoriana.

Já no Hopi Hari, a produção será adaptada para uma experiência especial dentro do parque, explorando a grandiosidade dos espaços e o potencial de entretenimento de uma montagem natalina de grande escala.

A direção artística pretende preservar a emoção e a mensagem original da obra, ao mesmo tempo em que apresenta novas soluções cênicas para cada ambiente.

O resultado será uma produção que combina tradição e contemporaneidade, com linguagem acessível às famílias e aos espectadores de diferentes gerações.

Música, dança e emoção em uma celebração do Natal

A montagem reúne números musicais inspirados no repertório natalino internacional, com clássicos como O Holy Night, Joy to the World, Jingle Bells e Carol of the Bells.

A música, aliada às coreografias e à interpretação dos artistas, conduz o público por uma história que alterna momentos de humor, fantasia, emoção e reflexão.

Mais do que uma celebração natalina, A Christmas Carol propõe um encontro com valores humanos essenciais.

A trajetória de Scrooge relembra que nunca é tarde para transformar atitudes, reconhecer afetos e descobrir novas formas de viver.

Sinopse

Na Londres do século XIX, Ebenezer Scrooge é um homem rico, solitário e extremamente avarento, que despreza o Natal e qualquer demonstração de generosidade.

Seu cotidiano é marcado pela frieza com que trata as pessoas, inclusive seu dedicado funcionário Bob Cratchit, um homem simples que encontra na família e no amor pelos filhos sua maior riqueza.

Na véspera de Natal, Scrooge recebe uma visita inesperada: o fantasma de Jacob Marley, seu antigo sócio, que o alerta sobre as consequências de uma vida dedicada exclusivamente ao dinheiro.

Marley anuncia a chegada de três espíritos — o Natal Passado, o Natal Presente e o Natal Futuro — que conduzirão Scrooge por uma viagem extraordinária através de suas lembranças, de sua realidade e de um futuro que ainda poderá ser transformado.

Entre encontros surpreendentes, lembranças emocionantes e revelações, Scrooge descobrirá que a verdadeira riqueza está nas relações humanas e que o espírito do Natal pode transformar até mesmo o mais endurecido dos corações.

Uma história sobre esperança, generosidade e recomeços, contada por meio da música, da dança e da magia do teatro.

Elenco

Fernando Caruso — Ebenezer Scrooge

Demais integrantes do elenco serão anunciados em breve.

Ficha Técnica

Direção geral e coreografias: Fernanda Chamma

Figurinos: Fernanda Chamma

Direção musical: Sandro Sabbas

Vídeos-cenários: Richard Luiz

Realização e produção: Lab Cultural e Fernanda Chamma.

SERVIÇO:

A Christmas Carol — Temporada 2026

SÃO PAULO — TEATRO LIBERDADE

Datas: 24 e 25 de novembro de 2026

Horário: 20h30

Endereço: Rua São Joaquim, 129 — Liberdade, São Paulo

Abertura da casa: uma hora antes do espetáculo

Classificação indicativa: livre

Duração: 60 minutos

Ingressos online: https://bileto.sympla.com.br/event/128864/d/422762

BILHETERIA FÍSICA

Teatro Liberdade (Rua São Joaquim, 129 — Liberdade, São Paulo)

Terça a sábado – de 13h às 19h

Domingos e Feriados (apenas em dias de espetáculos de 13h até o início da apresentação)

Obs.: Em dias de espetáculos, a bilheteria permanece aberta até o início da apresentação

TEMPORADA ESPECIAL — HOPI HARI

Início de Dezembro/2026. Mais informações em breve.

(Com Valentina Dewers/Agência Taga)

Fernanda Leme apresenta exposição no Centro Cultural Candido Mendes

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Muvuca. Fotos: Divulgação.

No dia 5 de novembro será inaugurada a exposição “Quando aparecer um rio, atravesse-o”, da artista carioca Fernanda Leme, no Centro Cultural Candido Mendes (Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida), em Ipanema, no Rio de Janeiro. Com curadoria de Denise Araripe, serão apresentadas cerca de 70 obras, que abordam temas como a finitude e a efemeridade das imagens no mundo contemporâneo. A exposição incluirá trabalhos inéditos e obras que serão completadas com a participação do público.

“A exposição propõe uma reflexão sobre a finitude e sobre como a consciência de nossa impermanência pode nos levar a repensar a própria vida. É através das imagens, da pintura e das operações que realiza sobre elas que Fernanda pensa. Cortar, fragmentar, deslocar e reconstruir não são apenas procedimentos formais, mas maneiras de elaborar uma experiência e produzir novos sentidos para aquilo que vive”, afirma a curadora Denise Araripe.

A artista apresentará nesta mostra uma pesquisa inédita, que começou a desenvolver este ano especialmente para a exposição, na qual recorta suas próprias pinturas em tiras horizontais de tamanhos variados e as remonta, desconstruindo as imagens originais e transformando-as em composições abstratas, que ganham novos sentidos. “Recorto a imagem em tiras de diferentes espessuras e as colo de maneira desencontrada em cima de um poster de madeira. Uso a própria obra pictórica e a transformo em outra obra. Uso então o que já existe para construir um outro, que reconstruo com outras técnicas e materiais”, conta a artista, que iniciou esse processo após ler textos de Nicolas Bourriaud sobre o conceito de pós-produção, que envolve a apropriação e a reconfiguração de materiais e imagens preexistentes, e estudos de Rosalind Krauss e Yve-Alain Bois sobre a teoria do informe, que questiona as noções tradicionais de forma.

Cabeça.

Nesses novos trabalhos, apesar de a imagem se tornar abstrata, alguns elementos figurativos permanecem. “Nesse conjunto aparecem também os barcos, trazendo para a exposição uma ideia de deslocamento e travessia”, conta a curadora. Em seus trabalhos, Fernanda Leme discute temas da contemporaneidade, como a sociedade líquida e a fugacidade das imagens. Muitas vezes, recorre ao autorretrato e aborda o protagonismo feminino, articulando sua experiência pessoal a questões coletivas. “Essa nova série tem tudo a ver com esse ser contemporâneo, com a rapidez do mundo atual. O trabalho está todo recortado, tem um movimento, uma rapidez e a imagem não se forma”, afirma a artista.

Fernanda Leme começou a desconfigurar as imagens de forma sutil nos trabalhos da série “Estilhaços”, iniciada no ano passado, que também farão parte desta exposição. Nessas obras, a artista introduz camadas gráficas, como se fossem um espelho estilhaçado, sobre os retratos. O figurativo ainda aparece com clareza, mas a imagem começa a ser desconstruída através das tramas. “Rostos e figuras são atravessados por uma malha geométrica, como se a imagem estivesse estilhaçada. A figura permanece, mas sua unidade é colocada em questão”, observa a curadora.

A exposição também terá 60 obras da série “Cabeças”, produzidas desde 2014. Em formato 30X40cm, elas fazem uma analogia com as fotos 3X4, em que a artista retrata seu próprio rosto em diversas fases da vida. “É um working in progress, que não termina nunca, vou sempre acrescentando mais rostos”, conta. Para esta exposição, ao invés de novos rostos, a artista incluirá quatro espelhos, do tamanho das pinturas, para que o público veja o próprio rosto refletivo, como uma selfie, discutindo também a efemeridade da imagem. “Discuto a sociedade líquida, a rapidez com que tudo acontece. As milhares de selfies que são feitas, na maioria das vezes, são jogadas fora, nem chegam a serem impressas.  A questão do espelho tem a ver com isso. A pessoa se olha e imediatamente sua imagem já sumiu”, diz a artista. 

Europa.

Em tratamento contra um câncer de mama, após ter perdido o pai, a mãe e o irmão para a doença, a artista olha para vida de forma positiva e suas pinturas, alegres e coloridas, refletem isso. O título da exposição, “Quando aparecer um rio, atravesse-o”, tem a ver com esse pensamento. “O rio surge como aquilo que interrompe o caminho, mas também como aquilo que precisa ser atravessado para que o percurso continue. A finitude não aparece apenas como limite, mas como consciência capaz de transformar nossa relação com o tempo e com a vida. Atravessar, aqui, não significa permanecer intacto, mas aceitar a transformação como parte do caminho”, afirma Denise Araripe.

Durante a fase mais intensa do tratamento, quando perdeu os cabelos, a artista criou a série ‘Morfemas’, na qual utiliza os próprios fios para compor desenhos geométricos, como pequenos signos. Essas peças completam a exposição e dialogam com as demais séries por meio das tramas. Para Fernanda Leme, elas deram início à pesquisa que posteriormente se desdobraria nas tramas gráficas e, consequentemente, nos recortes.

Sobre a artista

Fernanda Leme. Foto: Cristina Granato.

Fernanda Leme vive e trabalha no Rio de Janeiro, onde nasceu. Arquiteta e artista visual, no ano de 2009 ingressa na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e faz parte também da Escola Sem Sítio e do grupo de estudos Arte e Filosofia com Paulo Sérgio Duarte. É pos-graduanda em “Arte e Filosofia” pela PUC-Rio. Em 2013, participa da exposição itinerante Mais Pintura!, do Salão Abre-Alas, em 2017, na galeria A Gentil Carioca. Desde então participa de várias mostras em espaços culturais no Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza e Minas Gerais, como Casa França-Brasil, Centro de Arte Hélio Oiticica, E.C.C.O. Espaço cultural, Parque Lage-EAV e Galeria Sem Título. Faz sua 1ª individual, “Em que espelho ficou perdida a minha face”, em 2019, no Instituto Europeu de Design (IED), no Rio de Janeiro. Em 2022 participa do Salão Verão, na galeria Oásis, e da exposição Tu que me deste o teu cuidado, no Sesc Copacabana, além da exposição AHRUYNADA, no espaço Triplex. Em 2023, participa das exposições Bodas de Linho e Corações a Desmedida, no espaço Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro. Em 2024, realiza a individual “Monstros”, com curadoria de Alexandre Sá, na Z42 Arte. 

Sobre a curadora

Denise Araripe (Rio de Janeiro, 1960) é artista visual, curadora e mentora de artistas. Sua produção transita entre pintura, desenho, escultura e instalação, investigando questões relacionadas à memória, à originalidade, aos direitos autorais, à identidade e à construção de narrativas. Com trajetória iniciada na década de 1990, realizou exposições no Brasil e no exterior, com obras presentes em coleções públicas e privadas, entre elas a Coleção Gilberto Chateaubriand, vinculada ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Atualmente, é curadora das galerias Maria de Lourdes Mendes de Almeida e Pequena Galeria, da Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro. Desde 2012, desenvolve também um trabalho de mentoria e acompanhamento de projetos artísticos, articulando prática, pensamento crítico e reflexão sobre a arte contemporânea.

SERVIÇO:

Fernanda Leme – Quando aparecer um rio, atravesse-o

Abertura: 5 de novembro de 2026, às 17h

Exposição: até 28 de novembro de 2026

Curadoria: Denise Araripe

Centro Cultural Candido Mendes – Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida

Endereço: Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema – RJ

(21) 2267.7295

De segunda a sexta-feira, das 13h às 19h. Sábados, das 13h às 17h.

Entrada gratuita.

(Com Beatriz Caillaux/Midiarte Comunicação)

“A chave do labirinto” leva o mito do Minotauro para um canavial brasileiro

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo infantil escrito e protagonizado por Regina França estreia no Sesc Vila Mariana; montagem transforma a lenda grega em uma aventura sobre imaginação, memória e a possibilidade de olhar o outro de outro jeito. Fotos: Tiago Silva.

Um menino se perde em meio a um canavial e acredita ter entrado em um labirinto. Para encontrar a saída, ele parte em busca do Minotauro, mas sua aventura toma um rumo diferente daquele contado pelo mito grego: em vez de querer derrotar a criatura, Teseu quer descobrir por que ela é considerada má. É a partir dessa premissa que “A Chave do Labirinto”, espetáculo escrito e protagonizado pela atriz Regina França em cartaz no Sesc Vila Mariana e fica em temporada até 12 de dezembro.

A montagem parte da história clássica de Teseu e do Minotauro para construir uma narrativa ambientada em um universo rural brasileiro. O canavial, inspirado nas lembranças de infância e adolescência de Regina França em uma fazenda da família, transforma-se em um labirinto onde referências da mitologia grega se misturam às memórias e personagens desse cotidiano.

Nesse percurso, o menino encontra Ariadne, o deus Pã, Sócrates e a Pitonisa. São figuras que pertencem ao imaginário da mitologia, mas que, na peça, aparecem filtradas pela memória de uma criança: o sábio Sócrates ganha a voz de um homem que levava o menino para andar a cavalo; a Pitonisa se aproxima da figura de uma benzedeira conhecida na fazenda. A fantasia nasce, assim, do encontro entre aquilo que o menino conhece e aquilo que imagina.

O Minotauro também ganha outra história. Preso no labirinto e afastado do mar, ele é visto pelo menino não como um monstro a ser destruído, mas como alguém que precisa ser compreendido. Com a ajuda de um giz mágico recebido de Ariadne, Teseu desenha asas para a criatura e a leva para conhecer o mar. A aventura coloca no centro da narrativa a imaginação como possibilidade de transformar uma história conhecida e também a maneira como uma criança pode elaborar aquilo que não entende.

A encenação segue essa ideia de invenção. Desde o início do processo, o diretor Paulo Rogério Lopes propôs que o espetáculo tivesse a aparência de um grande livro que se abre diante do público, como um livro pop-up. Dele surgem o menino, o cavalo, o Pã e os demais personagens, construídos em papel e manipulados em cena por Duda e Claudemir. Regina França conduz a narrativa e dá voz aos personagens, enquanto os dois manipuladores movimentam as figuras que saem desse livro cênico.

“Ele era muito curioso e gostava de desafios fantásticos, enigmas, jogos e… Labirintos. Encantado com aventuras fantásticas, logo se apaixonou pelas histórias da mitologia grega, e vivia discutindo com todo mundo, porque tinha a mania de querer mudar tudo, e não poderia ser diferente com o mito do Minotauro.” – Trecho da dramaturgia de A Chave do Labirinto.

A construção visual também é feita de maneira artesanal. O cenário e os adereços são assinados por Paulo Rogério Lopes e Juliana Vieira, que também cria a luz. O figurino é de Cláudia Shapira, e Regina França participa diretamente da criação visual, pintando os figurinos, tênis, boné e parte dos adereços. A trilha sonora é de Bruno Serrone, parceiro do projeto desde sua primeira experiência, realizada em formato on-line.

Atriz com mais de 40 espetáculos no currículo, Regina França tem uma trajetória ligada a importantes nomes do teatro brasileiro. Há mais de duas décadas trabalha com Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas no Teatro Promíscuo e também integrou montagens dirigidas por encenadores como Gabriel Villela. A Chave do Labirinto marca sua estreia na criação de um espetáculo voltado ao público infantil.

A história também chegou ao livro homônimo, primeiro livro infantil escrito por Regina França, com ilustrações de Bel Galvanese. Na publicação, o universo do canavial e da mitologia grega ganha novas formas, mantendo a aventura de Teseu e sua busca pelo Minotauro.

A chave do labirinto propõe às crianças uma aventura em que o caminho para sair do labirinto não passa necessariamente pela luta contra o monstro, mas pela tentativa de entender quem está do outro lado.

Ficha Técnica

Texto: Regina França

Direção geral e adaptação: Paulo Rogério Lopes

Elenco: Regina França, Claudemir Santana, Julia Oliveira Tavares e Dudda Pecego

Assistência de direção: Juliana Augusta Vieira

Cenografia: Paulo Rogerio Lopes e Juliana Augusta Vieira

Adereços: Renata Sandoval, Juliana Augusta Vieira, Paulo Rogério Lopes e Regina França

Figurinista: Cláudia Schapira

Pintura de Figurinos: Regina França

Direção de Movimento: Débora Veneziani

Direção Musical: Bruno Serroni

Iluminação: Juliana Augusta Vieira

Visagismo: Louise Helene

Produção Geral: Corpo Rastreado

Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação

Idealização: Regina França.

SERVIÇO:

A Chave do Labirinto

Duração: 50min | Recomendação: livre

De 1º de novembro a 13 de dezembro de 2026, domingos, às 16h30

Sesc Vila Mariana – Auditório

Ingressos: RS40,00 (inteira)|R$20,00 (meia-entrada) |R$12,00 (Credencial Plena)

Ingressos a partir de 20/10 através do portal sescsp.org.br ou do aplicativo Credencial Sesc SP e nas bilheterias das unidades Sesc SP

Audiodescrição: 29 de novembro | Libras: 29 de novembro e 06 de dezembro

Sesc Vila Mariana

Rua Pelotas, 141, Vila Mariana

Metrô Ana Rosa

Estacionamento: 125 vagas – R$10,00 a primeira hora + R$4,00 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$20,00 a primeira hora + R$5,00 a hora adicional (outros).

Paraciclo: 16 vagas – gratuito (obs.: é necessário a utilização de travas de seguranças).

Informações: (11) 5080-3000

Em 2027

10 a 30 de janeiro

Sesc Santo Amaro – R. Amador Bueno, 505 – Santo Amaro, São Paulo – SP.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Companhias aéreas rejeitam inicialmente quase 6 em cada 10 pedidos de indenização elegíveis, aponta estudo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Taxa internacional de rejeição sobe seis pontos percentuais em relação a 2024; pedidos sem resposta representam 31% das rejeições indevidas. Foto: Csaba Nagy/Pixabay.

Um estudo internacional da AirHelp, líder global em assistência a passageiros aéreos, mostra um aumento na proporção de pedidos de indenização elegíveis por atrasos e cancelamentos de voos inicialmente rejeitados pelas companhias aéreas. Entre os pedidos rejeitados indevidamente pelas empresas, a taxa subiu de 52% em 2024 para 58% em 2025. Os dados abrangem diversos mercados, incluindo o Brasil.
A falta de resposta é o motivo mais comum entre as rejeições consideradas indevidas: em 31% desses casos, as companhias aéreas simplesmente ignoram o pedido. Alegações sem comprovação de condições meteorológicas adversas representam outros 25%. Juntas, essas duas situações correspondem a 56% das rejeições indevidas analisadas.

O estudo examinou pedidos de indenização elegíveis processados pela AirHelp em 2025, com base nas respostas iniciais das companhias aéreas. A análise abrange regulamentações da União Europeia, do Reino Unido, do Brasil, da Turquia e da Arábia Saudita, além de outros instrumentos jurídicos, incluindo a Convenção de Montreal. Como a AirHelp continua a dar andamento aos pedidos inicialmente rejeitados sem justificativa, alguns deles podem ser posteriormente aceitos após a apresentação de provas adicionais.

De acordo com as regras aplicáveis a cada caso, as companhias aéreas podem ser dispensadas do pagamento de indenização se demonstrarem circunstâncias que as isentem de responsabilidade. O estudo identifica casos em que os pedidos são ignorados, rejeitados sem explicação ou negados com base em alegações não sustentadas por provas. “Na prática, uma resposta negativa — ou a ausência de resposta — pode desencorajar os passageiros a buscar seus direitos e tornar o processo mais burocrático e complexo. O aumento de 52% para 58% em apenas um ano ilustra a dimensão do problema e as dificuldades que os consumidores enfrentam para obter a indenização a que têm direito”, afirma Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp no Brasil. “É inaceitável que quase um terço das rejeições indevidas envolva pedidos simplesmente ignorados pelas companhias aéreas. Quando uma empresa alega circunstâncias que a isentariam de responsabilidade, deve apresentar provas que sustentem essa justificativa”, acrescenta.

Na análise da AirHelp, uma rejeição indevida é a recusa inicial de um pedido considerado elegível para indenização. Em 2025, apenas 42% dos pedidos elegíveis foram aceitos na primeira resposta, em comparação com 48% em 2024. Uma rejeição inicial não significa necessariamente que o pedido será negado em definitivo.

Além dos pedidos sem resposta e das alegações não comprovadas de mau tempo, as companhias aéreas atribuem atrasos e cancelamentos a restrições do controle de tráfego aéreo sem apresentar provas (11% das rejeições indevidas). Em outros 10% dos casos, os pedidos são negados sem qualquer explicação. Juntos, os quatro principais motivos representam 77% das rejeições indevidas.

Principais motivos de rejeição em 2025

A participação no total de rejeições indevidas identificadas pela AirHelp é: 1 – Ignorado pela companhia aérea (31%) – Nenhuma resposta é enviada e o pedido é totalmente ignorado; 2 – Condições meteorológicas (25%) – Alega chuva intensa, tempestades, vento, gelo ou baixa visibilidade, mas não há registro de condições meteorológicas adversas na rota; 3 – Restrições do controle de tráfego aéreo (11%) – Atribui o atraso ou cancelamento ao controle de tráfego aéreo sem apresentar provas; 4 – Sem justificativa (10%) – Responde ao pedido, mas não informa o motivo da rejeição; 5 – Termos e condições (3%) – Recusa o pagamento com base em seus próprios termos e condições. É a lei e não as regras da companhia aérea que determina o direito à indenização; 6 – Problemas técnicos (3%) – Alega uma falha técnica que, na maioria dos casos, decorre de problemas evitáveis ou de decisões operacionais. Esse não é um motivo válido segundo quase todas as regulamentações aplicáveis; 7 – Problemas operacionais no aeroporto (3%) – Alega um problema no aeroporto fora de seu controle, mas não apresenta provas, enquanto outros voos operaram no horário; 8 – Ocorrência em voo anterior (2%) – Alega que o atraso decorreu de um voo anterior, sem provas e apesar de haver tempo ou meios para recompor a programação, como o acionamento de tripulação reserva; 9 – Atraso insuficiente – (2%) – Alega que o atraso não foi suficiente para gerar direito à indenização, embora os dados indiquem o contrário; e 10 – Outros (10%) – Inclui greves, problemas aeroportuários e ameaças à segurança. Alguns podem ser motivos legítimos, mas a companhia aérea não demonstra que se aplicavam ao voo.

Compensação ao passageiro
Para solicitar compensação, os passageiros precisam atender a algumas condições. Primeiro, é necessário verificar se o atraso ou cancelamento realmente causou transtornos, estresse ou prejuízos financeiros.

Situações como perder uma consulta médica importante, cancelamento de contrato, perda de emprego ou ausência em um evento pessoal relevante podem gerar pedidos de indenização contra a companhia aérea.

Caso o passageiro tenha sofrido os chamados “danos morais” e consiga comprová-los, há grandes chances de receber compensação financeira de até R$ 10 mil por pessoa.

As chances de receber indenização aumentam quando a companhia aérea é diretamente responsável pelo problema — por exemplo, em casos de falha técnica ou falta de tripulação.

A compensação deve ser abrangente, incluindo reparação por danos psicológicos. Mesmo quando o problema é causado por condições climáticas extremas ou outras situações de força maior fora do controle da companhia aérea, os passageiros continuam tendo direito à assistência adequada e informações claras. “O sistema de direitos dos passageiros aéreos no Brasil é orientado ao consumidor e oferece forte proteção aos viajantes, especificando claramente a assistência que as companhias aéreas devem prestar em caso de interrupções. No entanto, os critérios usados na análise de pedidos de compensação podem exigir interpretação caso a caso e ser desafiadores para quem não possui conhecimento especializado. Entre os principais motivos pelos quais passageiros brasileiros deixam de reivindicar seus direitos estão a falta de conhecimento sobre como fazer a solicitação e o baixo nível de conscientização sobre seus direitos”, afirma Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp no Brasil.

Leis que protegem os passageiros no Brasil

Os passageiros que viajam no Brasil são protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor e pelas normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que constituem os principais marcos legais sobre direitos dos passageiros.

Essas regras definem claramente as responsabilidades das companhias aéreas sempre que ocorrem problemas nos voos.

A legislação brasileira cobre voos domésticos, voos internacionais que partem ou chegam a aeroportos brasileiros e também voos com conexões em território nacional.

Os passageiros são protegidos pela legislação brasileira desde que os voos atendam aos seguintes quatro critérios:

– O voo partiu ou chegou a um aeroporto brasileiro

– O voo foi cancelado com pouco aviso, atrasou mais de duas horas ou sofreu overbooking

– O passageiro não recebeu assistência adequada da companhia aérea

– O incidente ocorreu nos últimos cinco anos.

Para mais informações, visite o site da AirHelp: www.airhelp.com.br.

Sobre a AirHelp | A AirHelp é uma empresa de tecnologia voltada ao setor de viagens que auxilia passageiros em casos de interrupções de voos. Desde 2013, já ajudou aproximadamente 3 milhões de passageiros a receber compensações por atrasos ou cancelamentos. Atualmente, mais de 12 milhões de passageiros utilizam o AirHelp+, e milhões de outros já foram beneficiados pelas informações gratuitas disponíveis no site da empresa. A AirHelp também investe em um futuro mais sustentável, comprometendo-se a plantar uma árvore a cada 100 interrupções de voos. Até o momento, 198.489 árvores já foram plantadas. Ao defender os direitos dos passageiros, a empresa cuida das pessoas e, consequentemente, do planeta. A principal referência mundial em compensação aérea.

(Com Gabriel Lima/ConteúdoInk Comunicação)