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Quando o álcool vira uma forma de viver: romance questiona os limites entre escolha, fuga e dependência

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Foto: Banco de Imagens.

Há escolhas que parecem incompreensíveis para quem olha de fora. Abandonar uma vida estruturada, afastar-se das obrigações, romper com a rotina e escolher permanecer nas ruas pode parecer apenas uma sequência de perdas. Mas o que acontece quando, para quem vive essa experiência, esse caminho passa a fazer sentido? É a partir dessa tensão que “Na Rua”, romance de Maurílio de Sousa Jr., constrói a trajetória de Alcebíades, personagem que rompe com a vida convencional e estabelece uma relação cada vez mais profunda com o álcool e com a vida nas ruas. Em sua segunda edição, a obra volta a provocar uma discussão sobre liberdade, escolha, dependência, identidade e os limites entre abandonar um caminho e já não conseguir retornar a ele.

A própria apresentação da obra a define como algo que vai além de um relato sobre alcoolismo, ao tratar a trajetória de Alcebíades como uma espécie de “filosofia marginal” e uma renúncia consciente à normalidade. A história acompanha o personagem, já há anos vivendo nas ruas, enquanto ele narra sua trajetória a um companheiro de calçada.

Quando permanecer também é uma escolha

Alcebíades não é construído apenas como alguém que perdeu o controle da própria vida. O personagem faz escolhas. E, em determinado momento, escolhe permanecer no caminho que encontrou.

Para Maurílio, o álcool passa a cumprir uma função dentro dessa decisão: permite ao personagem viver de uma determinada maneira e escapar das exigências impostas pela vida convencional. “Ele prefere o caminho da loucura, não um outro caminho. Na vida, a gente pode fazer vários caminhos, e ele escolhe estar sempre louco porque ali tudo se resolve. Você não é obrigado a batalhar para sobreviver porque o álcool resolve tudo”, explica o autor.

A afirmação desloca a discussão do julgamento sobre o comportamento do personagem para uma pergunta mais incômoda: o que uma pessoa está escolhendo quando escolhe permanecer em uma determinada forma de existência?

No universo de Alcebíades, o álcool não aparece apenas como elemento de degradação. Ele também funciona como uma espécie de mecanismo que permite ao personagem sustentar a vida que escolheu. A bebida não elimina os problemas, mas altera a maneira como ele se relaciona com eles.

É justamente essa contradição que interessa ao romance.

A realidade também pode ser difícil de enfrentar

A relação do personagem com a sobriedade acrescenta outra camada à discussão.

Segundo Maurílio, sua experiência com pessoas que passaram por períodos prolongados de consumo de álcool também o levou a observar o que acontece quando a bebida deixa de cumprir a função que ocupava naquele cotidiano. “Quando elas ficam sóbrias, como eu vi, para elas é terrível, porque vem toda a realidade de uma forma brutal”, relata.

No romance, essa percepção ajuda a questionar uma ideia aparentemente simples: a de que bastaria abandonar o álcool para que a pessoa pudesse retornar à vida anterior.

Para Alcebíades, porém, não existe necessariamente uma volta simples ao ponto de partida.

Quanto mais longe, mais difícil voltar

A trajetória do personagem também é marcada pelo acúmulo de rupturas.

Uma escolha leva a outra. A permanência nas ruas modifica sua relação com trabalho, rotina, obrigações e responsabilidades. Aos poucos, o personagem se distancia das regras que organizavam sua vida anterior e constrói outras formas de existência.

É nesse processo que a fronteira entre escolha e aprisionamento começa a ficar menos evidente.

“Chega uma hora em que a pessoa ultrapassou tantas fronteiras que não é mais possível voltar ao mundo como a gente conhece, de obrigações, rotinas, de desafios”, afirma Maurílio.

A questão é central para a trajetória do personagem porque o retorno não depende apenas de querer voltar. Depois de atravessar sucessivas fronteiras, ele já não é a mesma pessoa que deixou aquela vida para trás.

O que a sociedade chama de escolha?

A trajetória de Alcebíades também provoca uma reflexão sobre a maneira como a sociedade interpreta comportamentos que fogem do padrão.

Existe uma tendência de observar alguém que vive nas ruas ou enfrenta uma relação problemática com o álcool a partir de uma posição externa, buscando rapidamente uma explicação ou uma solução. O romance, porém, propõe permanecer mais tempo dentro da experiência do personagem.

O que parece irracional para quem observa pode ter uma lógica para quem vive aquela realidade.

Essa perspectiva não significa transformar as escolhas de Alcebíades em modelo ou negar as consequências de suas decisões. A literatura faz outro movimento: tenta compreender como uma sequência de escolhas pode construir uma realidade própria, até que aquilo que antes parecia uma possibilidade passe a ser a única forma de vida que o personagem reconhece como possível.

É nessa zona de conflito que “Na Rua” encontra sua principal questão: somos livres para escolher nossos caminhos quando as escolhas anteriores já transformaram profundamente as possibilidades que temos diante de nós?

A rua como ruptura, não apenas como cenário

Na narrativa, a rua não funciona apenas como espaço físico. Ela representa uma ruptura com um modelo de vida baseado em trabalho, rotina, obrigações e expectativas sociais.

Alcebíades encontra nesse universo uma espécie de liberdade que não existia na vida anterior, ao mesmo tempo em que essa liberdade cobra um preço.

A contradição atravessa o personagem: quanto mais ele se liberta das regras que organizavam sua existência, mais distante fica das condições necessárias para retornar a elas.

É justamente por isso que o romance evita uma divisão simples entre vítima e culpado, liberdade e prisão, escolha e consequência.

Uma segunda edição para uma discussão que permanece

Capa do livro. Foto: Editora Essencial.

Publicado originalmente em 2022 e agora em segunda edição, “Na Rua” mantém como eixo a trajetória de Alcebíades e sua relação com o álcool, a rua e a própria identidade.

Para Maurílio, a literatura permite abordar essas questões sem reduzi-las a explicações prontas. Em vez de oferecer uma resposta sobre porque alguém escolhe determinado caminho, o romance acompanha o personagem enquanto ele constrói esse caminho e enfrenta as consequências de permanecer nele.

Com formação em Sociologia, o autor utiliza a ficção para observar relações humanas e comportamentos que frequentemente são analisados apenas de fora. A trajetória de Alcebíades, nesse sentido, funciona como uma provocação ao leitor: até onde vai nossa liberdade de escolher uma vida diferente e em que momento nossas próprias escolhas passam a limitar as possibilidades futuras?

Sobre o autor | Maurílio de Sousa Jr. é escritor e mestre em Sociologia. Em Na Rua, constrói a trajetória de Alcebíades, personagem que rompe com a vida convencional e passa a viver nas ruas, estabelecendo uma relação complexa com o álcool, a liberdade e a própria identidade.

SERVIÇO:

Livro Na Rua

Autor: Maurílio de Sousa Jr.

Edição: segunda edição

Editora: Editora Essencial

Formato: livro físico

Onde encontrar: o livro está disponível para compra diretamente no site da Editora Essencial.

Comprar “Na Rua” na Editora Essencial.

(Com Vivian Roberta Borges Batizelli Koqui/Agência 2205wv)

Cia Tu Mateixa estreia espetáculo de marionetes de fio “Das Duas, Uma”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Companhia convida público para conhecer o universo de uma senhora chamada Ermelinda que, a partir de sua cozinha caipira, revisita seu passado como artista circense. Foto: Ricardo Avellar.

No dia 11 de outubro de 2026 (domingo), a Cia Tu Mateixa (@ciatumateixa) iniciou uma temporada de apresentações com uma mostra de processo do espetáculo de marionetes de fio “Das Duas, Uma”. A primeira apresentação acontecerá às 16h, no Complexo Cultural Funarte. Depois, o espetáculo participa do Festival Solos, no dia 15 de outubro, às 20h, no SESC Avenida Paulista, com ingressos a partir de R$ 15,00.

A estreia oficial de “Das Duas, Uma” acontece no dia 24 de outubro, às 11h, no Festival Solos, no Galpão dos Bonecos, na Vila Romana. E no dia 26 de outubro, às 14h, no Centro de Memória do Circo, na Galeria Olido, no Centro.

Com marionetes de fios confeccionadas por Júlia Barnabé e orientação cênica de Rhena de Faria, o espetáculo conta a história de Ermelinda, uma senhora que, na juventude, foi artista circense e dividia o picadeiro com sua irmã gêmea, Ermínia, que hoje já não está entre nós.

Ambientada em uma cozinha caipira, a peça apresenta Ermelinda revisitando lembranças do antigo circo onde as irmãs encantavam o público com números de trapézio, mágica e equilíbrio no arame. Entre a delicadeza das recordações e a força da imaginação, o espetáculo convida o público a percorrer as fronteiras entre memória e presença, celebrando os vínculos que persistem mesmo diante da ausência.

Nos últimos anos, a Cia Tu Mateixa tem direcionado parte de sua pesquisa ao público da terceira idade, investigando, por meio do Teatro de Bonecos, as conexões entre as duas extremidades da vida: a infância e a velhice. A dramaturgia de “Das Duas, Uma” nasceu de uma coleção de relatos de pessoas idosas de Núcleos de Convivência do Idoso sobre suas memórias de circo.

Inspiradas nas artistas circenses que hoje são mulheres idosas, Ermelinda e Ermínia homenageiam aquelas que conquistaram espaços de autonomia e reconhecimento, deixando como legado às gerações seguintes a possibilidade de ocupar o picadeiro com a liberdade que elas mesmas ajudaram a conquistar.

A trilha sonora original foi composta por Danielle Siqueira e Danilo Rodrigues, e transita por gêneros como o chorinho, a moda de viola e o baião. Em cena, Ermelinda escuta um antigo rádio, e são as canções que a conduzem em suas viagens pela memória. A trilha inclui ainda a canção “Memória de Coisa Boa”, de Lula Fidalgo, que dialoga com seus temas centrais: a memória, a passagem do tempo e os laços que permanecem vivos.

Sobre a Cia Tu Mateixa

Fundada em 2014 pela marionetista, atriz e palhaça Júlia Barnabé, a Cia Tu Mateixa tem uma trajetória marcada pelo encontro entre marionetes, teatro físico, circo e humor. Com cenografia e bonecos confeccionados artesanalmente pela própria artista, que também assina a dramaturgia das criações, a cia já levou seus espetáculos a mais de 40 festivais no Brasil e no exterior, passando por países da América Latina, Europa, Ásia e África. A Cia. acumula reconhecimentos como o prêmio de “The Best Charming Show”, recebido por “Laia e o Voo da Imaginação” no Petruska World Puppet Festival, (Rússia), além de participações em importantes festivais internacionais como o Awaji Art Circus (Japão), o International Konya Theater Festival (Turquia), e o Chuncheon Puppet Festival (Coreia do Sul).

O espetáculo foi criado com apoio da 10ª Edição do Programa de Fomento ao Circo da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e do edital Fomento CULTSP PNAB Nº 34/2024 Produção e Apresentação De Número Circense. Informações: www.instagram.com/ciatumateixa.

SERVIÇO:

Espetáculo “Das Duas, Uma”

O espetáculo conta a história de Ermelinda, uma senhora que, na juventude, foi artista circense e dividia o picadeiro com sua irmã gêmea, Ermínia, que hoje já não está entre nós. Ambientada em uma cozinha caipira, a peça apresenta Ermelinda à beira do fogão a lenha, revisitando lembranças que atravessam o tempo. À medida que suas memórias ganham vida, a casa se transforma no antigo circo onde as irmãs encantavam o público com números de trapézio, mágica e equilíbrio no arame. Entre a delicadeza das recordações e a força da imaginação, o espetáculo convida o público a percorrer as fronteiras entre memória e presença, celebrando os vínculos que persistem mesmo diante da ausência.

Duração: 60 minutos. Classificação Livre. Grátis

11 de outubro de 2026 – Abertura de processo de “Das Duas, Uma” –  Às 16h – Complexo Cultural Funarte – Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo – SP

15 de outubro de 2026 – participação no Festival Solos @festival.solos – Às 20h – SESC Avenida PaulistaAvenida Paulista, 119 – Bela Vista, São Paulo – SP. Link para os ingressos: https://www.sescsp.org.br/programacao/cabare-dos-solos/

24 de outubro de 2026 – Estreia de “Das Duas, Uma” – Festival Solos @festival.solos – Às 11h – Galpão dos Bonecos @galpaodosbonecos – Rua Coriolano, 622 – Vila Romana, São Paulo – SP

26 de outubro de 2026 – Cabaré dos Solos – Às 14h – Centro de Memória do Circo – Galeria Olido – Avenida São João, 473 – Centro, São Paulo – SP.

Ficha Técnica – Concepção, atuação, confecção e animação de marionetes: Júlia Barnabé. Orientação Cênica: Rhena de Faria. Dramaturgia: Júlia Barnabé e Rhena de Faria. Cenografia: Júlia Barnabé com a colaboração de Guilherme Rossi, Otavio Fantinato e Valentin Flamini. Trilha Sonora: Danielle Siqueira e Danilo Rodrigues. Música “Memória de Coisa Boa”: Lula Fidalgo. Figurino: Elisa Rossin. Figurinos das marionetes: Júlia Barnabé com a colaboração de Laura Rodrigues e Mariluce Costa. Design gráfico e ilustrações: Otavio Fantinato. Fotografia e vídeo: Ricardo Avellar. Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini. Impressões em 3D: Tiago Barnabé. Produção: Cia Tu Mateixa Marionetes.

(Com Luciana Gandelini Assessoria de Imprensa)

Mês das Crianças no Vão Livre do MASP tem Viradinha Cultural e tributo a David Bowie

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Atividades de teatro e circo. Foto: Pedro Morales.

A agenda de outubro do Vão Livre do MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand tem oficinas, espetáculo de teatro e música para celebrar o Dia das Crianças. As atividades infantis integram a Viradinha Cultural, evento organizado pela Prefeitura de São Paulo que ocorre em 17 e 18 de outubro. A programação gratuita do mês também conta com o show de Maria Beraldo cantando David Bowie pelo projeto Música no Vão e com a performance do artista guatemalteco Edgar Calel, em cartaz na Sala de Vídeo a partir de 30 de outubro.

Abrindo a agenda, no dia 2 de outubro, das 18h às 22h, a DJ Lisa Bueno transforma o Vão Livre em pista de dança para as crianças, com repertório repleto de clássicos para as famílias dançarem e brincarem juntas. Já no sábado, 3 de outubro, das 10h às 12h, o coletivo Pirambô convida o público para atividades interativas que misturam circo, parkour, teatro e brincadeiras tradicionais.

Foto: Agnis Freitas.

Além da programação especial para o mês das crianças, o Vão Livre mantém sua agenda cultural. No dia 10, o projeto Música no Vão apresenta o show de Maria Beraldo em homenagem a David Bowie, marcando os dez anos da morte do artista. Acompanhada por Fábio Sá, no baixo, e Filipe Coimbra, na guitarra, a cantora apresenta versões repaginadas de grandes sucessos do astro britânico.

Encerrando o mês, no dia 31 de outubro, o artista guatemalteco Edgar Calel apresenta a performance inédita At Nu jukukempe Bik’in [Trago você arrastando comigo]. Na ação, o artista utiliza movimentos e oferendas para estabelecer um diálogo com o público sobre ancestralidade, vida em comunidade, conexão com a natureza e gratidão.

Confira a programação completa do vão livre:

2 de outubro | sexta-feira 

18h às 22h

DJ Lisa Bueno

Uma discotecagem pensada para o público infantil, reunindo clássicos das músicas para crianças de todas as idades e sucessos do pop atual. A DJ Lisa Bueno convida crianças e famílias a dançar, brincar e compartilhar momentos de alegria por meio da música.

3 de outubro | sábado 

10h às 12h

Pirambô

Com estruturas feitas de bambu, o projeto Pirambô convida o público para uma experiência lúdica e de movimento. A dinâmica da brincadeira mistura elementos de circo, parkour, yoga, teatro e jogos tradicionais.

4 de outubro | domingo

Em razão das eleições, não haverá programação.

9 de outubro | sexta-feira 

18h às 22h

DJ Lih Lima

Discotecagem que reúne memórias afetivas e diferentes gerações, com destaque para canções infantis dos anos 1980 e 1990. Uma seleção musical que convida à escuta, à nostalgia, ao encontro e à dança. Lih Lima é DJ, produtora e criadora das festas “Caramuro”, “Djaniras” e “Quatro elementos da Inclusão”.

10 de outubro | sábado 

10h às 12h

Brincar e ancestralidade, com Oguês Educação

Com uma proposta educativa, os jogos Gira Samba e Bem-Viver utilizam atividades lúdicas para ensinar crianças, jovens e familiares sobre as lutas coletivas e a valorização das heranças ancestrais.
16h

Música no Vão: Maria Beraldo canta David Bowie

No dia em que se marca os dez anos da morte de David Bowie, a cantora e instrumentista Maria Beraldo apresenta um show inédito dedicado ao repertório do artista britânico. Acompanhada por Fábio Sá (baixo) e Filipe Coimbra (guitarra), a artista (voz e guitarra) propõe uma releitura autoral e contemporânea das canções de Bowie, afastando-se do formato tradicional de cover. A apresentação conta com interpretação em Libras.

11 de outubro | domingo

10h às 11h

Yoga, com Karina Grecu

A aula será conduzida por Karina Grecu, dedicada ao yoga desde 1997 e professora sênior certificada pelo Ramamani Iyengar Memorial Yoga Institute, na Índia. Durante o encontro, ela ensina posturas e técnicas de respiração, abordando a modalidade como prática, filosofia, ciência e arte. Para participar, é necessário levar o próprio tapete de yoga.

16 de outubro | sexta-feira 

18h às 22h

DJ Rata

A discotecagem destaca o forró, o samba e outros ritmos brasileiros em um formato pensado para a escuta e para a dança.

17 de outubro | sábado

Viradinha

15h às 17h

Pirambô

Convite para a movimentação lúdica por meio de estruturas de bambu e elementos de circo, parkour, yoga e jogos tradicionais.

19h às 20h30

Curta no Vão: Replikka, com Heloisa Passos e Oswaldo Santana

Exibição do curta-metragem documental de Piratá Waurá e Heloisa Passos, que articula tecnologia e saberes indígenas em uma jornada sobre memória, identidade, perda e renascimento. A partir da experiência do povo Wauja, do Xingu, o filme aborda a resistência e a ancestralidade como formas de preservação da história. Após a exibição, haverá um bate-papo com os realizadores Heloisa Passos e Oswaldo Santana.

18 de outubro | domingo

10h às 11h

Yoga, com Karina Grecu

Aula semanal de yoga, aberta, gratuita e inclusiva, com Karina Grecu. É necessário levar tapete de yoga.

23 de outubro | sexta-feira

18h às 19h30

Slam do corpo

Criado em 2014, o Slam do Corpo é a primeira batalha de poesia do Brasil a integrar pessoas surdas e ouvintes. Com coordenação de Léo Castilho e Érika Mota, o evento traz duplas de poetas que criam e se apresentam simultaneamente em Libras e português. A dinâmica é conduzida por dois apresentadores (um surdo e um ouvinte) e conta com interpretação em libras, DJ e júri.

19h30 às 22h

DJ Amanda Mittz

DJ, cantora e produtora musical apresenta um set com releituras de músicas brasileiras produzidas por ela, transitando entre house, synth pop e drum and bass, além de versões dançantes de suas próprias composições. A atividade integra sua pesquisa sobre acessibilidade e diferentes formas de experimentar a música.

24 de outubro | sábado 

10h às 12h

Pirambô

Espaço de experimentações e interações a partir de uma metodologia aliada ao conceito de fluxo e elementos de circo, parkour, yoga, teatro e jogos tradicionais.

15h às 16h

O gato malhado e a andorinha sinhá, com Cia Novelo

Inspirado na fábula de Jorge Amado, o espetáculo conta a história de amor proibido entre o Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, que desafiam as regras dos animais do parque ao se apaixonarem. A montagem combina elementos do circo e músicas originais executadas ao vivo. Com interpretação em Libras.

25 de outubro | domingo

Em razão das eleições, não haverá programação.

30 de outubro | sexta-feira

18h às 19h

KOMBINI na Casa María Lionza

O projeto KOMBINI, formado por Juper (Juliana Perdigão) e DJ Shima (Duda Tsuda), apresenta um repertório autoral de música eletrônica focado nas pistas de dança. A performance une sopros processados, sintetizadores e batidas ao vivo, explorando ritmos do Sul Global, improvisações e composições contemporâneas.

19h às 22h

DJ Gabi da Oxe

DJ, produtora e pesquisadora musical, com sets dedicados à música brasileira e à baianidade. Sua pesquisa transita entre o popular e o contemporâneo.

31 de outubro | sábado

10h às 12h

Pirambô

Convite para a movimentação lúdica em estruturas de bambu.

16h

At Nu jukukempe Bik’in [Trago você arrastando comigo], com Edgar Calel

A performance do artista guatemalteco propõe uma reflexão sobre a vida em comunidade e as heranças do passado. Por meio de gestos e oferendas, a apresentação inédita busca conectar o público com a ancestralidade em uma experiência de presença, conexão com a natureza e agradecimento coletivo.

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Site oficial

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(Com Matheus Clemente/MASP)

Núcleo Ás de Paus leva “Encontro de Gigantes” ao Sesc Pompeia em curta temporada

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cia Ás de Paus em cenas de Encontro de Gigantes. Fotos: Valéria Félix.

Duas figuras excêntricas chegam para assistir a um esperado encontro de gigantes. O problema é que ninguém aparece. Enquanto esperam, começam a discutir se gigantes realmente existem e como podemos saber que alguma coisa existe. É a partir desse jogo entre humor, imaginação e questionamentos filosóficos que se desenvolve “Encontro de Gigantes”, espetáculo do Núcleo Ás de Paus, de Londrina (PR), que faz uma curta temporada no Sesc Pompeia nos dias 10, 11 e 12 de outubro de 2026.

A montagem será apresentada na Área de Convivência, com duas sessões no sábado (10), às 17h e às 20h, e uma sessão no domingo (11) e outra na segunda-feira (12), às 17h. As apresentações são gratuitas e têm classificação livre.

Concepção da montagem

A peça coloca em cena duas figuras cômicas, interpretadas por Camila Feoli e Thunay Tartari, que chegam ao espaço como se fossem parte do público e passam a ocupar a cena. Entre brincadeiras e provocações, elas tentam entender o que define um gigante e onde começa a imaginação. A partir dessas perguntas, o espetáculo constrói um jogo entre o que se vê, o que se imagina e aquilo que o teatro é capaz de transformar diante do público.

A busca por esse gigante ganha uma dimensão concreta com a presença de uma terceira figura, interpretada por Rogério Francisco Costa, que surge sobre pernas de pau. A partir do encontro entre os três personagens, a montagem brinca com a ideia de tamanho e com a própria definição de gigante, aproximando o universo das pernas de pau de uma experiência comum a diferentes idades: a descoberta de que crescer também significa aprender a olhar o mundo de outras maneiras.

Pernas de pau como metáfora do amadurecimento

“Encontro de Gigantes celebra a origem milenar das pernas de pau e faz uma metáfora com o processo de crescer. Como a gente vai, infelizmente, perdendo o encantamento pela vida quando passa da infância para a fase adulta”, explica Camila Feoli, que assina o texto do espetáculo. A dramaturga também destaca que a montagem foi criada para dialogar com diferentes idades: “A gente nunca quis escrever um espetáculo só para criança, mas um espetáculo que servisse para criança, para adulto, para todo mundo.”

A relação entre a perna de pau e o trabalho teatral está no centro da pesquisa do Núcleo Ás de Paus. O grupo surgiu em Londrina a partir de uma oficina realizada por Rogério Francisco Costa, em 2006, cujo objetivo era investigar a perna de pau não apenas como técnica circense, mas como elemento de criação cênica. Desde então, o coletivo desenvolveu espetáculos em que o objeto aparece associado a personagens, dramaturgia, música, cenografia e figurino. Ao longo da trajetória, o grupo também desenvolveu um modo de criação compartilhado, sem a figura de um diretor ou diretora fixa, em que os próprios integrantes participam de diferentes frentes do processo artístico.

Equipe criativa

Em Encontro de Gigantes, essa pesquisa se relaciona diretamente à dramaturgia. A perna de pau deixa de ser apenas um recurso para ampliar a altura dos artistas e passa a funcionar como uma extensão do corpo e como elemento simbólico. No final do espetáculo, as personagens sobem nas pernas de pau, retomando a ideia de reaprender a andar e de enfrentar o desequilíbrio associado ao processo de crescimento.

A criação também reúne elementos recorrentes no trabalho do grupo, como música executada ao vivo, personagens cômicos, cenografia e figurinos integrados à construção do universo visual. As canções originais, compostas por Thunay Tartari, participam da condução da narrativa e da experiência sensível do público.

A dramaturgia de Camila Feoli nasceu de uma pesquisa sobre a história das pernas de pau. Ao buscar referências históricas, a artista encontrou poucos registros escritos sobre o uso desse objeto, apesar de sua presença em diferentes culturas e contextos ao longo do tempo. A pesquisa também se voltou para a figura dos gigantes nos contos e para a recorrente associação desses personagens com ameaça e perigo. Encontro de Gigantes desloca essa imagem para o campo do encantamento e da possibilidade de ampliar a maneira de olhar o mundo.

Histórico

O espetáculo estreou em 2019 e já passou por cerca de 50 cidades de seis estados brasileiros, somando mais de 150 apresentações. Em 2023, recebeu quatro prêmios no Troféu Gralha Azul, principal premiação do teatro paranaense: Melhor Espetáculo para Crianças, Melhor Dramaturgia para Camila Feoli, Melhor Direção de Espetáculo para Crianças para Camila Feoli, Rogério Francisco Costa e Thunay Tartari, e Melhor Atriz de Espetáculo para Crianças para Camila Feoli.

A temporada no Sesc Pompeia marca a primeira vez que o Núcleo Ás de Paus realiza uma temporada em São Paulo. Embora o grupo tenha passado pela cidade em apresentações e festivais ao longo de sua trajetória, a circulação sempre aconteceu de maneira pontual. A vinda com Encontro de Gigantes abre a possibilidade de apresentar o trabalho do coletivo de forma mais próxima ao público e ao circuito teatral paulista.

Em 18 anos de trajetória, o Núcleo Ás de Paus realizou cerca de 550 apresentações em mais de 150 cidades de 21 estados brasileiros, com público estimado em 180 mil pessoas. O coletivo mantém uma organização colaborativa e divide entre seus integrantes diferentes frentes da criação, como dramaturgia, direção, música, cenografia e figurino.

Ficha Técnica

Direção: Núcleo Ás de Paus

Texto: Camila Feoli

Direção Musical: Thunay Tartari

Elenco: Camila Feoli, Rogério Francisco Costa e Thunay Tartari

Cenografia: Rogério Francisco Costa

Figurino: Alex Lima

Costureiras: Bianca Baggio e Maria Higa

Operador de som: Luís Sandrim

Arte Gráfica: Studio Lasca

Produção: Ibirá das Artes.

SERVIÇO:

Encontro de Gigantes – Núcleo Ás de Paus

Sesc Pompeia – Área de Convivência – Rua Clélia, 93 – Pompeia, São Paulo, SP

Dia 10 de outubro, sábado, às 17h e às 20h

Dias 11 e 12 de outubro, domingo e segunda-feira, às 17h

Grátis

Classificação: livre | Duração: 1h10.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Nova exposição do MIS explora a vivência coletiva no Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas, culturais e populares do Brasil

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Imagem da série “Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”, do fotógrafo Fabricio Augusto.

No dia 06 de outubro, às 19h, o MIS – Museu da Imagem e do Som inaugura a quinta exposição do Nova Fotografia 2026 com a série “Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”, do fotógrafo Fabricio Augusto. O ensaio propõe uma imersão fotográfica documental na vivência coletiva do maior festejo religioso do país, onde a fé, a tradição e a cultura popular se entrelaçam. O projeto investiga o rito como expressão simbólica e espaço de construção identitária — a devoção à Nossa Senhora de Nazaré, que remonta ao século 18 em Belém, transformando-se em palco de memória, pertencimento e metamorfose social.

Sem se limitar ao registro da fé, o ensaio amplia o foco para as engrenagens humanas que sustentam o Círio: a manutenção da festa em coletividade, os gestos de cuidado que circulam pela multidão — como a água que refresca, hidrata e mantém vivos os corpos em trânsito — e o papel central dos pagadores de promessa, que performam a devoção com intensidade física e emocional. Entre o sagrado e o profano, entre a corda que arrasta multidões e as vielas onde a promessa encontra seu território, o trabalho revela como a força do rito reside também na solidariedade, na organização espontânea e nas práticas comunitárias que fazem o Círio acontecer todos os anos.

Imagem da série “Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”, do fotógrafo Fabricio Augusto.

Nessa intersecção entre fé, corpo e resistência, a série convida o espectador a refletir sobre a cultura popular como extensão viva do Brasil — uma manifestação multifacetada que, ao mesmo tempo em que celebra a devoção, expõe o país em toda a sua complexidade, sensibilidade e potência coletiva.

Para Fabrício, ocupar o MIS com essa exposição amplia uma trajetória de uma década dedicada à fotografia. “Existe uma distância geográfica entre Ferraz de Vasconcelos e Belém, mas ela não muda a existência de uma conexão muito forte na maneira como a cultura, a fé e a vida coletiva atravessam esses territórios. Chegar ao MIS com esse trabalho é também levar comigo o lugar de onde eu vim e tudo o que ele representa na minha formação”, afirma.

O projeto nasceu de uma experiência de intercâmbio cultural que levou Fabricio a Belém do Pará para pesquisar e fotografar o Círio de Nazaré. Em 2025, o artista foi convidado pelo Mídia Ninja e pela Casa Amazônia para cobrir o festejo e a experiência deu origem ao ensaio que agora chega ao MIS.

Imagem da série “Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”, do fotógrafo Fabricio Augusto.

A exposição parte da fotografia documental para observar o Círio para além da representação da fé. O ensaio acompanha os pagadores de promessas, a multidão que percorre as ruas, os gestos de cuidado, a distribuição de água, a organização coletiva e as práticas de solidariedade que surgem durante o percurso.

As vinte fotografias aproximam o visitante dessas experiências por meio de planos fechados, luz e sombra, texturas e cenas amplas. Contrapondo sagrado e profano, a exposição alterna imagens associadas à profissão de fé e à interação dos corpos, criando um contraste visual que atravessa todo o trabalho. A intenção é aproximar fotografia documental e arte contemporânea e tensionar a distância entre quem observa e quem participa.

O resultado é um registro do Círio como catarse coletiva. A devoção a Nossa Senhora de Nazaré é entrelaçada a questões de memória, pertencimento, identidade e transformação social. O trabalho observa os corpos em movimento e os vínculos que são formados nas ruas, onde a fé convive com manifestações culturais e práticas populares.

Sobre o fotógrafo 

Fabricio Augusto é fotógrafo, produtor multimídia e documentarista, nascido e residente em Ferraz de Vasconcelos, na periferia da Grande São Paulo. Sua prática pensa cinema e fotografia como extensões de um mesmo olhar, investigando o corpo, o pertencimento e a cultura popular brasileira. É estudante de produção multimídia e antropologia, com extensão universitária em memória e território pela USP. Em 2024, completou dez anos de carreira com a exposição Trajetos e trajetórias: uma década de fotografia. Seus trabalhos já circularam pelo Brasil, passando pelo Museu das Favelas, o MIS Araraquara, o Centro Cultural Octo Marques e o Museu de Arte do Espírito Santo, e internacionalmente, em Toronto, no Canadá. Em 2026, foi finalista do Prêmio Transatlântico de Fotografia, consolidando uma trajetória dedicada à investigação da imagem, dos corpos e dos territórios que compõem a identidade brasileira.

Sobre o Nova Fotografia

O projeto anual do MIS seleciona, por meio de convocatória aberta ao público, novos fotógrafos para uma exposição individual no museu. A seleção fica a cargo do Núcleo de Programação, com supervisão e coordenação da curadoria geral do MIS. São selecionadas séries fotográficas inéditas, de profissionais que se destacam por sua originalidade técnica e estética. Após o período em exposição, as séries escolhidas passam a integrar o acervo do MIS.

SERVIÇO:

Nova Fotografia 2026 – Exposição “Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”

Abertura: 06 de outubro, às 19h

Período expositivo: de 06 de outubro a 15 de novembro de 2026

Local: Sala Nova Fotografia

Ingresso: gratuito

Classificação: livre.

A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e MIS, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac. O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Pirelli, Alcaçuz, Telium, Kaspersky e Play Audiovisual.

O projeto Nova Fotografia tem apoio da Canson, Imagens de Papel e Busca Vida.

(Com Diego Andrade de Santana/MIS São Paulo)