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Manguezais ganham destaque como ‘carbono azul’ na costa amazônica

Belém, PA, por Kleber Patricio

Novos dados reforçam o papel indispensável dos manguezais amazônicos na mitigação das mudanças climáticas e compõem livro científico lançado mundialmente. Foto: Divulgação/Projeto Mangues da Amazônia.

A Amazônia brasileira detém a maior faixa contínua de manguezais do planeta, com mais de 8 mil km de extensão. Esse gigantesco patrimônio natural, em geral ainda bem conservado, guarda um elemento-chave para a mitigação da mudança climática, em conexão com a biodiversidade: o “carbono azul” – aquele armazenado globalmente nos oceanos e ecossistemas costeiros, e que ganha maior evidência no litoral amazônico pela dimensão de seus estoques. Na região, segundo estimativas científicas, os manguezais podem apresentar estoques de carbono por área até três vezes maiores do que os das florestas de terra firme.

Devido a dinâmicas como o fluxo das marés na costa amazônica, as áreas de mangue apresentam características únicas que mobilizam novos estudos científicos, buscando entender e dimensionar seu potencial como sumidouro de carbono e os riscos de emissões em caso de desmatamento. “Contribuímos para políticas públicas que visam ampliar a conservação e a recuperação dessas áreas estratégicas, por meio da recomposição de estoques e da resiliência climática”, afirma Marcus Fernandes, coordenador do Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) do Instituto de Estudos Costeiros (IECOS), da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Bragança (PA), e coordenador do projeto Mangues da Amazônia.

Realizada desde 2021 pelo LAMA, Instituto Sarambuí e Instituto Peabiru, a iniciativa tem como objetivo promover a conservação e uso sustentável dos recursos naturais por meio de ações de caráter ambiental, educativo, social, econômico e científico junto às comunidades de Reservas Extrativistas Marinhas (RESEX Mar) do Pará. O Mangues da Amazônia conta, desde 2021, com o patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, beneficiando, direta e indiretamente, cerca de 15 mil pessoas nos municípios paraenses de Tracuateua, Bragança, Augusto Corrêa e Viseu.

“As pesquisas demonstram a importância de salvaguardar um dos mais valiosos sumidouros de carbono do planeta, diante dos desafios climáticos globais”, enfatiza Fernandes.

Novos dados sobre estoque e emissão de carbono

O trabalho científico abrange duas frentes de pesquisa: o conhecimento do estoque de carbono acima e abaixo da superfície do solo, bem como das emissões em áreas reflorestadas, degradadas e naturais, de forma comparativa. Ao entender essa dinâmica em diferentes cenários de conservação, o projeto contribui para avaliar com maior precisão os efeitos dos impactos antrópicos, permitindo ações preventivas baseadas na ciência. Em paralelo, ajuda a compreender como e em que medida o processo de reflorestamento de áreas degradadas consegue recuperar esse ecossistema.

“Chegamos a dados mais seguros para a tomada de decisões, inclusive como suporte ao desenvolvimento de oportunidades de créditos de carbono em áreas de manguezais na Amazônia, com potencial de geração de renda pelos serviços ecossistêmicos”, reforça Fernandes. Ele completa: “…a valorização do capital natural é uma estratégia para a manutenção dessas áreas bastante conservadas, diferentemente do processo histórico de degradação verificado nos manguezais de outras regiões do País”.

De acordo com Mayara Vieira Rabelo, pesquisadora do LAMA e integrante do Mangues da Amazônia, o conhecimento sobre o carbono azul motiva uma maior sensibilização ambiental das comunidades para a proteção desse ecossistema, seja como segurança alimentar ou regulação climática. “Quando degradamos o manguezal pelo corte de vegetação, a emissão de carbono é alta”, ressalta a bióloga. Para realizar coletas de campo e desenvolver as pesquisas, o projeto realiza expedições a cada dois meses nas RESEX Mar de Tracuateua, de Caeté-Taperaçu, de Araí-Peroba e de Gurupi-Piriá, no Pará.

Os dados indicam que manguezais degradados, com corte recente de árvores na região, liberam cerca de cinco vezes mais carbono para a atmosfera do que as áreas conservadas. Esse volume emitido representa cerca de 20% do que está armazenado nas árvores e no solo – estoque originalmente de cerca de 141 toneladas de carbono por hectare nos manguezais conservados da Amazônia. Nas áreas reflorestadas pelo projeto, a emissão corresponde a 4% desse estoque.

Livro reúne resultados como referência global

Os resultados até agora obtidos pelas pesquisas, essenciais para estratégias de gestão, educação e conservação, compõem o livro “Amazonian Mangrove Blue Carbon Dynamics”, lançado mundialmente pela Springer Nature.

Editada pelos cientistas Marcus E. B. Fernandes, Pedro W. M. e Souza-Filho e Christophe Proisy, a obra revela o papel crucial dos manguezais amazônicos no enfrentamento global às mudanças climáticas. Apresenta uma análise aprofundada dos processos de sequestro, armazenamento e emissão de carbono, com estimativas mais precisas desses estoques, combinando medições de campo e tecnologias avançadas aplicadas na região.

Trata-se de uma das maiores áreas úmidas florestadas do planeta. Além dos dados inéditos, a publicação conecta ciência e política sob uma perspectiva holística, oferecendo insights práticos para conservacionistas, cientistas e tomadores de decisão.

Sobre o Projeto Mangues da Amazônia

O Mangues da Amazônia é um projeto socioambiental com foco na recuperação e conservação de manguezais, que atua com reflorestamento, educação ambiental e ações socioculturais, sendo desenvolvido em quatro Reservas Extrativistas Marinhas do estado do Pará. O projeto é realizado desde 2021 pelo Instituto Peabiru, Instituto Sarambuí e Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Sobre o Instituto Sarambuí

O Sarambuí nasceu em 2015 a partir da iniciativa de pesquisadores e doutorandos que, atuando junto a comunidades da costa amazônica, identificaram a necessidade de captar recursos e fortalecer projetos locais. Inicialmente com ações da Associação Sarambuí e foco na melhoria de estruturas dos laboratórios, o trabalho foi crescendo de forma colaborativa até dar origem ao projeto Mangues da Amazônia, consolidando uma trajetória marcada pela integração entre ciência, comunidade e conservação ambiental. No ano de 2025, o Sarambuí passou a ser Instituto com sua estruturação ainda mais voltada para apoio à pesquisa, produção e inovação.

Sobre o Instituto Peabiru

O Instituto Peabiru é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) brasileira, fundada em 1998, que tem por missão facilitar processos de fortalecimento da organização social e da valorização da sociobiodiversidade. Com sede em Belém, atua nacionalmente, especialmente no bioma Amazônia, com ênfase no Marajó, Nordeste Paraense e na Região Metropolitana de Belém (PA). É uma das organizações realizadoras do projeto Mangues da Amazônia.

(Com Hedylaine Boscolo/Arco W)

Edney Silvestre discute mistérios e obsessões de seu novo romance “O último Van Gogh” na série Encontro com os escritores

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

A série Encontro com os escritores” recebe no dia 23 de junho, terça-feira, às 19h, o premiado jornalista e escritor Edney Silvestre para um debate sobre o processo de criação de seu mais recente romance, “O último Van Gogh” (Globo Livros). Promovido pela Universidade do Livro (da Fundação Editora da Unesp), pela Assessoria de Comunicação e Imprensa da Reitoria da Unesp e pela Biblioteca Mário de Andrade, o evento gratuito acontece no Auditório da Biblioteca Mário de Andrade, no centro da capital paulista, com mediação do jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto.

Lançado no final de 2025, O último Van Gogh entrelaça com precisão cirúrgica a Europa do final do século XIX e o Rio de Janeiro contemporâneo. A narrativa conecta as últimas e atormentadas semanas de Vincent van Gogh em Auvers-sur-Oise ao destino de Igor Brown, um jovem que sobrevive como garoto de programa na capital fluminense sob a fachada de intérprete de Libras. O estopim da trama é o roubo de uma tela perdida do pintor holandês, supostamente destruída na Segunda Guerra Mundial e mantida em um apartamento de luxo no Leblon, arrastando os personagens para uma rede de conspirações, crimes silenciosos e mercado de arte de elite.

Silvestre, consagrado com os prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura por seu romance de estreia, Se eu fechar os olhos agora, traz para a mesa de debate sua bagagem como correspondente internacional de grandes marcos históricos mundiais. No diálogo com Manuel da Costa Pinto e com o público, o autor analisará as técnicas de pesquisa documental necessárias para reconstruir cenários históricos, a estruturação de thrillers psicológicos e a transição estilística entre a urgência das redações jornalísticas e a densidade da prosa de ficção.

SERVIÇO:

Encontro com os escritores recebe Edney Silvestre

Data: 23 de junho (terça-feira)

Horário: 19h às 21h

Local: Auditório da Biblioteca Mário de Andrade

Endereço: Rua da Consolação, 94 – República, São Paulo (SP) (próximo ao Metrô Anhangabaú)

Entrada: Gratuita

Inscrições: aqui

Mais informações sobre a Universidade do Livro estão disponíveis no site oficial

(Com Diego Moura/Pluricom Comunicação Integrada®)

Espetáculo infantil “À Procura de João” faz novas apresentações no Teatro Paulo Eiró

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Montagem da Cia das Histórias que não se Contam transforma uma história real em delicada aventura entre dois irmãos. Fotos: Massashi Saito.

O espetáculo infantil “À Procura de João”, da Cia das Histórias que não se Contam, faz nova temporada no Teatro Paulo Eiró entre os dias 13 e 28 de junho – também haverá sessões extras ao longo das semanas (veja a programação completa abaixo) e os ingressos são gratuitos. Com dramaturgia de Paula Autran e direção assinada por ela em parceria com Fabio Brandi Torres, a montagem transforma uma história real em uma delicada aventura sobre alteridade, vínculo familiar e imaginação.

Em cena, Camila dos Anjos, Marcos Gomes e Rafael De Bona — com revezamento de Bianca Lopresti — conduzem o público por uma viagem fantástica protagonizada pelos irmãos João e Carol. Na dramaturgia criada por Paula Autran, João é um menino que após uma doença repentina deixa de se comunicar, mas encontra na irmã uma forma secreta e sensível de conexão. Juntos, os dois embarcam numa jornada imaginária em busca de outros personagens chamados João, como João do Pé de Feijão, João Grilo e João Pestana. “A cumplicidade se torna mais importante do que qualquer coisa”, diz a dramaturga e diretora Paula.

Inspirado em um caso real, À Procura de João fala sobre permanência do afeto, escuta e cumplicidade entre irmãos, apostando na fantasia como ferramenta de transformação da realidade. “Nos interessa mais a relação entre essas personagens e como a imaginação pode criar pontes de afeto”, comenta o diretor Fabio Brandi Torres.

A encenação transforma a cama do protagonista em navio, avião, carro de corrida e outros meios de transporte. O cenário colorido de Julio Dojcsar, os figurinos vibrantes de Anne Cerutti e as cenas de sombra criadas com uma grande cortina de voal ajudam a construir o universo mágico da peça.

Outro destaque é a trilha sonora original executada ao vivo pelos atores-músicos, que tocam ukulele, violão e instrumentos de percussão, ampliando o caráter poético da narrativa. O trabalho corporal, desenvolvido por Monika Bernardes, traduz emoções e crises do personagem por meio de movimentos coreográficos.

A montagem integra o projeto contemplado pela 21ª edição do Prêmio Zé Renato de Teatro, da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo.

Sinopse

Inspirado em uma história real, À Procura de João acompanha João e sua irmã Carol, que descobrem uma forma secreta e mágica de se comunicar quando estão sozinhos no quarto dele. Intrigados por esse mistério, os dois embarcam numa viagem imaginária pelo universo das histórias para encontrar outros personagens chamados João — como João do Pé de Feijão, João e Maria, João Grilo e João Pestana. Em meio a aventuras e encontros fantásticos, os irmãos percebem que a força que os une e a imaginação compartilhada são capazes de transformar a realidade e abrir caminhos para novas descobertas.

Ficha técnica

Texto: Paula Autran

Direção: Fabio Brandi Torres e Paula Autran

Elenco: Camila dos Anjos, Marcos Gomes e Rafael De Bona

Stand-ins: Bianca Lopresti

Cenário: Julio Dojcsar

Figurino: Anne Cerutti

Direção musical e música original: Sérvulo Augusto

Iluminação: Lucas Gonçalves

Coreografia: Monika Bernardes

Produção geral: Stella Tobar e Fernando Maffia.

SERVIÇO:

À Procura de João | Cia das Histórias que não se Contam

Datas: dias 13, 14, 20, 21, 27 e 28 de junho de 2026.

Horários: sábados e domingos às 16h

Local: Teatro Paulo Eiró – Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro, São Paulo, SP

Sessões extras: 19 e 26 de junho de 2026, sexta, às 14h30 | 24 de junho de 2026, quarta, às 10h30 e 14h30.

Ingressos: gratuitos

Classificação: a partir de 6 anos

Duração: 60 minutos

Acessibilidade: teatro acessível para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Galeria Bublitz apresenta retrospectiva de 40 anos de arte de Tina Felice

Porto Alegre, RS, por Kleber Patricio

As meninas. Foto: Reprodução.

A arte de Tina Felice faz parte do imaginário, das memórias, das ruas e da história da capital gaúcha. Suas “Meninas” são uma marca-registrada. Ao completar 40 anos de arte, Tina mostra um pouco do tudo que já produziu, com esculturas impressionantes, as tradicionais “Meninas” e suas criações em arte abstrata, inéditas para o público gaúcho. A exposição “Tina Felice: 40 anos de arte” tem vernissage no sábado, 30 de maio, das 11 às 13 horas, na Galeria Bublitz. A mostra fica no local até o dia 30 de junho, com entrada franca.

“Essa exposição não é só uma homenagem a uma grande artista gaúcha, mas também uma oportunidade de o público conhecer outras faces de Tina Felice e admirar sua produção”, destaca o marchand Nicholas Bublitz. “Também vamos fazer uma homenagem ao Carlos Alberto Pippi da Motta, que faleceu recentemente. Ele foi o padrinho que nos aproximou e tornou essa exposição possível”, revela.

A seleção de obras em exposição na galeria é formada por trabalhos escolhidos pela própria artista e que fazem parte do seu acervo. Formada em Direito, Tina fez da arte sua profissão. Aprendeu com os grandes mestres da arte do Rio Grande do Sul, como Vasco Prado e Xico Stockinger, além de Cláudio Martins Costa, seu professor no Atelier Livre. Sua trajetória artística começou em 1986 e foi marcada pela superação, em função da talidomida, e pelas adaptações que fez ao longo da carreira. Em vez de pincéis, o rolo de pintura e o cabo de vassoura viraram suas ferramentas de trabalho. Mas a deficiência não a limitou. Ao contrário. Tina é conhecida por esculturas gigantescas que ocupam espaços públicos, como a obra “Túnel do Túnel”, localizada junto ao Túnel da Conceção, e o “Monumento aos 100 anos da Escola de Engenharia da UFRGS”.

Vítima de talidomida, a artista faz adaptações com cabos de vassoura e rolos para produzir suas obras. Foto: Acervo Pessoal.

As famosas “Meninas” nasceram há 25 anos e marcam o ingresso de Tina na pintura, quando resolveu enfrentar uma tela em branco pela primeira vez. Os rostos alongados, com olhos expressivos e boca pequena reproduzem características físicas da própria artista. “Mas não são um autorretrato”, avisa Tina. Tais como Monalisa, as “Meninas” de Tina Felice conversam com quem as vê e suscitam múltiplas interpretações. “Tem gente que acha que elas são tristes, mas são pensativas, às vezes até debochadas e seguem se transformando”, conta a arista.

Além das pinturas mais marcantes e das esculturas, Tina apresenta suas criações em arte abstrata ainda inéditas no Brasil. São obras que carregam também a identidade da artista com formas orgânicas e diferentes cores e que foram exibidas apenas em uma mostra em Londres, até o momento.

Exposição “Tina Felice: 40 anos de arte”

Local: Bublitz Galeria de Arte

Endereço: Av. Neusa Goulart Brizola, 143

Vernissage: sábado, 30 de maio, das 11h às 13h.

Visitação da exposição: segundas às sextas, das 10h às 18h, e sábados, das 10h às 13h

Período da exposição: até 30 de junho.

Entrada Franca.

(Com Tatiana Csordas/Circula Moda)

“Quando o sonho encontra o azul” reúne fotografias inéditas de Daniela Dib no MIS

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Mostra apresenta cerca de 15 fotografias inéditas produzidas entre 2021 e 2026 e marcadas por atmosferas íntimas, jogos de luz e sombra, reflexos e paisagens suspensas no tempo, construindo uma narrativa visual entre sonho e realidade.

A artista e fotógrafa Daniela Dib apresenta no Museu da Imagem e do Som a exposição “Quando o sonho encontra o azul”, em cartaz entre os dias 23 de junho e 3 de agosto. Com direção artística de Marcelo Greco, a mostra apresenta cerca de 15 fotografias inéditas, produzidas entre 2021 e 2026, marcadas por atmosferas íntimas, jogos de luz e sombra, reflexos e paisagens suspensas no tempo, construindo uma narrativa visual entre sonho e realidade.

A exposição, que integra o programa Nova Fotografia 2026 do MIS, nasce do fascínio de Dib pela cor azul – não apenas como elemento visual, mas como estado emocional e simbólico. Inspirada em estudos linguísticos que apontam para a ausência da palavra “azul” em diversas civilizações antigas, a artista parte da ideia de que céu e mar eram percebidos como territórios vastos e mutáveis, ainda não nomeados pela linguagem. O azul surge, assim, como uma presença silenciosa e indefinível.

Nas fotografias, essa cor aparece menos como representação e mais como atmosfera. Entre sombras, reflexos e gestos sutis, a artista constrói imagens que transitam entre delicadeza e tensão, intimidade e vazio, contemplação e vertigem. “As fotos apresentadas na exposição representam muito do meu universo interior. Uma busca silenciosa, um olhar através de uma fresta, habitando uma dimensão entre o caos e a magia da vida cotidiana – um delicado equilíbrio entre as pulsões de vida e morte”, afirma a artista.

A mostra propõe ao público uma experiência contemplativa em contraponto à velocidade do mundo contemporâneo. A montagem reforça essa sensação: a forma com que as obras serão fixadas, darão a impressão de estarem flutuando, um leve som de água, complementa a imersão, concebida pela artista.

Nascida em Porto Alegre, Daniela Dib estudou Desenho Industrial na ULBRA. Após uma longa trajetória no universo da moda, passou a dedicar-se integralmente à fotografia autoral a partir de 2018, quando iniciou seus estudos no MAM São Paulo.

Em 2020, foi premiada pelo edital “Arte como Respiro”, do Itaú Cultural, projeto que deu origem ao livro “Aqueles Dias”, publicado em 2021 pela Editora Origem e finalista do Primeiro Prêmio Lovely House na categoria Fotolivro. Publicou também, de forma independente, dois livros: “Caminho de volta” (2019) e o zine “Paisagens Internas” (2022).

Seu trabalho integrou exposições e publicações nacionais e internacionais, entre elas “Eye Mama Project” (Reino Unido, 2023), “The Annihilation of Space and Time” (Japão, 2023) e “Neptune Journal” (França, 2024).

“Ser selecionada por uma instituição do tamanho e importância do MIS é uma imensa honra. É uma mistura de felicidade, insegurança e orgulho. Ver que meu olhar atravessa outros olhares e emociona as pessoas é algo muito especial”, afirma a artista.

Sobre o Nova Fotografia | O projeto anual do MIS seleciona, por meio de convocatória aberta ao público, seis novos fotógrafos para uma exposição individual no Museu. A seleção fica a cargo do Núcleo de Programação, com supervisão e coordenação da curadoria geral do MIS. São selecionadas séries fotográficas inéditas, de profissionais que se destacam por sua originalidade técnica e estética. Após o período em exposição, as séries escolhidas passam a integrar o acervo do MIS.

SERVIÇO:

Quando o sonho encontra o azul

Entrada gratuita

Abertura: 23 de junho, terça-feira, às 19h

Período de visitação: de 23 de junho a 3 de agosto

Local: Museu da Imagem e do Som | Av. Europa, 158 – Jardim Europa – São Paulo/SP

Horário de funcionamento: terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h

@mis_sp | @danidibphoto | mis-sp.org.br.

(Com Patricia Marrese/Marrese Assessoria)