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Arte & Cultura

São Paulo, SP

Em junho, Theatro Municipal estreia duas coreografias do Balé da Cidade de São Paulo

por Kleber Patrício

Em junho, o Theatro Municipal estreia duas coreografias do Balé da Cidade de São Paulo: “Coro Umbral”, da coreógrafa colombiana Andrea Peña, e “até que se abra tudo”, da brasileira Michelle Moura. As apresentações acontecem nos dias 20 a 28, na Sala de Espetáculos. Programação do mês reúne diversos eventos, além da estreia do Balé da Cidade […]

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Férias de julho na Europa: o que reservar antes da viagem para evitar filas e ingressos esgotados

Mundo, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação/Civitatis.

Com a aproximação das férias de julho e do verão europeu, brasileiros que planejam viajar para a Europa começam a organizar não apenas passagens e hospedagem, mas também as atrações que pretendem visitar durante a viagem. Em destinos turísticos populares, experiências com vagas limitadas e horários específicos costumam registrar alta demanda durante a temporada.

Segundo a Civitatis, plataforma global de distribuição de passeios e atividades em português, cresce a procura por ingressos comprados antecipadamente, principalmente para visitas guiadas, atrações culturais e experiências que oferecem acesso sem filas.

O que reservar com antecedência em Roma no verão europeu

Museu do Vaticano e Capela Sistina demandam reserva antecipada, especialmente na alta temporada de verão. 

Roma segue entre os destinos mais movimentados da alta temporada europeia. Durante julho, o fluxo intenso de visitantes faz com que atrações ligadas à Roma Antiga e ao Vaticano concentrem filas maiores e horários concorridos ao longo do dia.

Entre as experiências mais reservadas antecipadamente estão a visita guiada pelo Coliseu, Fórum Romano e Monte Palatino, além do tour com primeiro acesso aos Museus Vaticanos e Capela Sistina, bastante procurado por quem deseja visitar o Vaticano logo nas primeiras horas da manhã. O ingresso sem filas para o Panteão de Agripa também aparece entre as opções mais buscadas por turistas brasileiros.

O que reservar antes da viagem para Paris

Museu do Louvre geralmente acumula filas na alta temporada.

Durante julho, Paris registra aumento significativo na procura por museus, atrações históricas e experiências gastronômicas. O Museu do Louvre, por exemplo, costuma reunir longas filas ao longo do verão europeu, especialmente nos horários mais concorridos do dia.

Entre os passeios mais concorridos estão o ingresso do Museu do Louvre sem filas, o cruzeiro pelo Sena com jantar e o ingresso para a Torre Eiffel, principalmente para horários próximos ao pôr do sol.

O que reservar em Lisboa antes da viagem

Torre de Belém é ponto icônico de Lisboa e um dos mais concorridos no verão.

Lisboa mantém forte procura durante o verão europeu, especialmente entre turistas interessados em passeios bate-volta e experiências culturais. As excursões para Sintra, Cabo da Roca e Cascais seguem entre as atividades mais populares para brasileiros que visitam Portugal em julho.

Entre os roteiros mais procurados estão a excursão a Sintra, Palácio da Pena e Quinta da Regaleira, além do tour por Belém e Mosteiro dos Jerónimos. O Oceanário de Lisboa também figura entre as atrações mais visitadas da cidade durante a temporada.

Quais atrações mais concorridas de Barcelona

Sagrada Família, obra mais conhecida de Gaudí, é também a mais disputada durante julho em Barcelona.

Barcelona concentra parte da procura turística do verão europeu nas obras de Antoni Gaudí, que trabalham com capacidade limitada ao longo da alta temporada. A Sagrada Família segue como a atração mais concorrida da cidade, especialmente para visitas guiadas em português e acessos sem filas.

Outras experiências que registram alta demanda durante julho incluem entradas para duas das construções mais conhecidas de Gaudí: ingresso da Casa Batlló e o ingresso da La Pedrera. Já a visita guiada à Sagrada Família em português aparece entre os passeios mais procurados por brasileiros na cidade.

O que costuma ter maior procura em Madrid no mês de julho

Com obras de Goya e Velázquez, o Museu do Prado conta com visita guiada disponível na Civitatis.

Madrid combina turismo cultural, gastronomia e excursões para cidades históricas próximas à capital espanhola. Durante julho, atrações culturais e passeios bate-volta aparecem entre os produtos mais reservados antecipadamente.

Entre as experiências mais buscadas estão a visita guiada pelo Palácio Real e Catedral da Almudena e a visita guiada pelo Museu do Prado. Fora da capital, a excursão a Toledo e Segóvia segue entre os passeios mais procurados por viajantes interessados em história e arquitetura medieval.

Segundo a Civitatis, a procura antecipada por atividades vem crescendo entre turistas brasileiros, especialmente em períodos de alta temporada, quando atrações populares podem operar com disponibilidade reduzida para determinados dias e horários.

Sobre a Civitatis | A Civitatis é a plataforma líder na venda de visitas guiadas, excursões e atividades em português e espanhol ao redor do mundo. Com um catálogo de experiências cuidadosamente selecionadas em mais de 4.200 destinos, a plataforma conecta, todos os meses, mais de 1,2 milhão de viajantes às melhores atividades locais.

Seu modelo se baseia em três pilares: simplicidade, qualidade e excelência no atendimento. Por meio de uma equipe especializada que prioriza autenticidade e confiabilidade, a Civitatis garante uma oferta curada que já soma mais de cinco milhões de avaliações verificadas, com nota média de 9,1/10. Combinando tecnologia própria e curadoria humana especializada, a Civitatis se consolidou como a referência do setor na América Latina e Espanha, cumprindo sua missão de “completar a viagem” de milhões de pessoas ao redor do planeta.

(Com Leonardo Moura/Civitatis)

MASP apresenta percurso sonoro imersivo guiado por Juçara Marçal

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Imagem: Divulgação/MASP.

O MASP – Museu de Arte de São Paulo “Assis Chateaubriand” passou a oferecer ao público uma nova experiência de visitação baseada em narrativas sonoras e áudio geolocalizado. Batizado de “Visita Viva”, o projeto foi desenvolvido em parceria com a Vivo e a Soundthinkers e propõe um percurso imersivo guiado pela voz da cantora e pesquisadora Juçara Marçal.

Distribuídos em diferentes áreas do museu, incluindo o Vão Livre e os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, os conteúdos em áudio são acionados automaticamente conforme o deslocamento do visitante. A ideia é criar uma camada narrativa que dialogue com a arquitetura do MASP, sua história e sua relação com a cidade.

A condução da experiência fica a cargo de Juçara Marçal, artista conhecida pela pesquisa musical e por trabalhos que transitam entre música, performance e artes visuais. Ao longo do percurso, a narração reúne relatos, observações e referências ligadas ao museu e ao espaço urbano ao redor. “Ao colocar a tecnologia a serviço da experiência cultural, oferecemos uma mediação acessível, gratuita e inclusiva, capaz de dialogar tanto com quem já frequenta exposições quanto com novos visitantes”, explica Sabrina Romero, diretora de Marca e Comunicação da Vivo.

Para acessar a experiência, o visitante deve baixar o aplicativo Stalo XR por meio de QR Codes disponíveis no local e utilizar fones de ouvido durante a visita. O sistema utiliza pequenos transmissores bluetooth, chamados beacons, responsáveis por identificar a localização do público e ativar automaticamente cada faixa sonora.

São 7 pontos, sendo três no Vão Livre, permitindo que o público possa começar a experiência antes mesmo de entrar no MASP, dois no Edifício Lina Bo Bardi e dois no Edifício Pietro Maria Bardi.

Segundo os organizadores, esta é a primeira aplicação da tecnologia Stalo XR em audioguias de museus no Brasil. Desenvolvida pela startup Stalo, a plataforma trabalha com experiências em realidade estendida centradas no áudio e na percepção espacial.

(Com Kátia Gonçalves/Fato Relevante)

Em junho, Theatro Municipal estreia duas coreografias do Balé da Cidade de São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Theatro Municipal de São Paulo. Foto: Stig.

Em junho, o Theatro Municipal estreia duas coreografias do Balé da Cidade de São Paulo: “Coro Umbral”, da coreógrafa colombiana Andrea Peña, e “até que se abra tudo”, da brasileira Michelle Moura. As apresentações acontecem nos dias 20 a 28, na Sala de Espetáculos.

Programação do mês reúne diversos eventos, além da estreia do Balé da Cidade de São Paulo, como os concertos “Quarteto convida Quaternaglia”, “Missa Afro Sambas” com Coral Paulistano, “Orquestra Experimental de Repertório apresenta Assad, Ripke e Stravinsky” e “Diálogos: Bologne, Mozart e Haydn com Quarteto de Cordas”. A agenda apresenta ao público encontros inéditos, estreias mundiais, grandes nomes da música clássica e criações contemporâneas, reafirmando a diversidade artística do Theatro Municipal.

Quarteto de Cordas. Foto: Larissa Paz.

O concerto Quarteto convida Quaternaglia abre o mês no dia 11, quinta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório. O Quarteto de Cordas recebe o grupo Quaternaglia, juntos pela primeira vez no palco, apresentando os repertórios próprios, em formações ampliadas para obras e arranjos encomendados a Alexandre Guerra e Sergio Molina. Os ingressos custam R$50, a classificação é livre e a duração é de 60 minutos, sem intervalo.

Em uma celebração ao encontro entre catolicismo, umbanda e os ritmos do Brasil, o Coral Paulistano apresenta Missa Afro Sambas, sob regência de Maíra Ferreira. As apresentações acontecem nos dias 12, sexta-feira, às 20h, e 13, sábado, às 11h, na Sala de Espetáculos, com patrocínio do Scotiabank. Os ingressos custam R$50, a classificação é livre e a duração de 85 minutos, com intervalo.

Coral Paulistano. Foto: Rafael Salvador.

O repertório destaca o sincretismo religioso brasileiro ao reunir a Missa Afro-brasileira de Batuque e Acalanto, de Carlos Alberto Pinto Fonseca, e os Afro-sambas: I. Lamento de Exu, II. Canto de Xangô, III. Canto de Ossanha (1º interlúdio), IV. Tristeza e Solidão, V. Bocoxê, VI. Canto de Ossanha (2º interlúdio) e VII. Canto de Iemanjá, Baden Powell e Vinicius de Moraes, um marco da música brasileira que valoriza as tradições de matrizes africanas.

Com a participação da flautista Morgana Moreno, claronista Alexandre Ribeiro, contrabaixista Sidiel Vieira, violinista Marlo Júlio e os percussionistas Gabi Guedes, Pedro Pita e Xeina Barros. Demais solistas a serem anunciados.

Orquestra Experimental de Repertório. Foto: Rafael Salvador.

No domingo, 14, às 11h, o concerto Orquestra Experimental de Repertório apresenta Assad, Ripke e Stravinsky, sob regência de Wagner Polistchuk e participação da soprano Larissa Lacerda. Além da estreia mundial de Bonecas de Olívia, de Juliana Ripke, encomendada pelo Theatro Municipal, o repertório tem Bonecos de Olinda, de Clarice Assad, e o clássico Petrushka, de Igor Stravinsky. Os ingressos variam de R$13 a R$50, a classificação é livre e a duração de 60 minutos, sem intervalo. Entre os dias 20 e 28, com o Balé da Cidade de São Paulo apresenta duas estreias, Coro Umbral, da coreógrafa colombiana Andrea Peña e até que se abra tudoda brasileira Michelle Moura. As apresentações acontecem nos dias 20, sábado, e 21, domingo, às 17h; 25, quinta-feira, e 26, sexta-feira, às 20h, 27, sábado, e 28, domingo, às 17h, na Sala de Espetáculos. Os ingressos custam de R$13 a R$100, a classificação é de 16 anos e a duração aproximadamente é de 90 minutos, com intervalo.

Coro Umbral tem direção, concepção de Andrea Peña, a coreografia de Andrea Peña, em colaboração com o elenco do Balé da Cidade, e com assistência de coreografia de Rebecca Margolick. A trilha sonora é assinada por Rodolfo Rueda (CIBER1A) e Coppélia LaRoche-Francoeur. A iluminação é de Caetano Vilela, com assistência de Nicolas Marchi, cenografia de Jonas Soares, adereço de cenografia de Victor Ley, costura de cenário de Enrique Casas, figurino de Marina Dalgalarrondo, assistência de figurino de Gabrielle Gobetti e perucaria de Malonna.

Coro Umbral, de Andrea Peña. Foto: Larissa Paz.

Andrea Peña é uma artista multidisciplinar, nascida na Colômbia e radicada em Montreal, que articula coreografia, design e arte instalativa. Fundadora e diretora artística da Andrea Peña & Artists (2014), desenvolve uma prática que investiga interseções entre corpos, materialidades e singularidades em contextos performativos, marcada por sua herança indígena e formação em design industrial e moda. Suas criações constroem ambientes imersivos que exploram vulnerabilidade, resiliência e transformação, promovendo um espaço colaborativo e de pesquisa que reúne dançarinos e designers em obras que rompem estéticas tradicionais, incorporam hibridez e fazem do palco um território de imaginação radical.

Já até que se abra tudo tem direção, concepção e coreografia de Michelle Moura, dramaturgia de Maikon K e assistência de coreografia de Clarissa Rêgo. A trilha sonora e execução ao vivo ficam a cargo de Kaj Duncan. O design de luz é assinado por Mirella Brandi, o figurino por Thales Cristovão e o acompanhamento de luz por Giorgia Tolaini.

até que se abra tudo, de Michelle Moura. Foto: Larissa Paz.

Michelle Moura, bailarina e coreógrafa brasileira radicada em Berlim, começou sua formação em dança na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), continuou no CNDC d’Angers (França) e Das Choreography (Holanda). Em suas coreografias gosta de explorar o grotesco, especialmente por deslocar representações ligadas à ideia de feminino e humano. É assim que, em suas obras, dá espaço a uma performatividade do “estranho”. Um estranhamento que também se faz presente na composição coreográfica: repetições e distorções geram vertigens formais, em que gestos mínimos são testados até o seu limite. O estranho se instaura assim como lugar de contaminações e encontros impuros, zona de interrogação para os sentidos.

No dia 25, quinta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório, o Quarteto de Cordas retorna com Diálogos: Bologne, Mozart e Haydn, trazendo obras que dialogam com a consolidação do quarteto de cordas no período clássico. O repertório inclui composições de Joseph Bologne, Chevalier de Saint-Georges, além de Haydn e Mozart.

Com André Santa Rosa/Assessoria de imprensa Theatro Municipal)

Com mais de 20 mil m² de arte e interatividade, experiência noturna “Brilha Sonhos” chega a São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

A partir do dia 14 de maio, São Paulo recebe “Brilha Sonhos”, uma experiência imersiva ao ar livre que promete transformar o Parque Villa-Lobos em um universo onírico de luz, arte e interatividade.

Com uma proposta visual e sensorial envolvente, Brilha Sonhos convida o público a explorar diferentes cenários que combinam instalações luminosas de grande escala, elementos interativos e performances ao vivo, em um formato pensado para encantar todas as idades. A experiência ocupa mais de 20 mil m² e reúne instalações desenvolvidas por artistas proporcionando uma imersão única no universo da luz e da imaginação.

Uma jornada imersiva entre luz, imaginação e interação

A experiência acontece em um percurso ao ar livre, permitindo que cada visitante explore os ambientes no seu próprio ritmo, com diferentes pontos de interação e contemplação ao longo do caminho.

A jornada começa com um portal monumental iluminado, marcando a entrada para esse novo mundo, e evolui para espaços cada vez mais imersivos — como um corredor de laser que cria a sensação de atravessar feixes de luz, ou um “bosque de luz” formado por centenas de tubos de LED que mudam de cor e intensidade ao longo da experiência.

Ao longo do percurso, o público encontra também instalações interativas, como um conjunto de mais de 200 “piano pads” iluminados que reagem ao movimento com luz e som, criando uma experiência dinâmica e participativa.

Cada ambiente foi desenhado como um universo próprio, com estética e estímulos distintos. Entre os destaques estão cenários que exploram contrastes visuais — desde espaços mais lúdicos e contemplativos, como um jardim iluminado com milhares de pontos de luz que simulam vagalumes, até ambientes mais intensos e imersivos que utilizam luz, som e efeitos visuais para criar atmosferas surpreendentes.

A experiência também inclui esculturas e instalações em grande escala, além de marionetes iluminadas manipuladas por artistas, que interagem com o público e reforçam o caráter artístico e sensorial do percurso.

Desenvolvido para todos os públicos, Brilha Sonhos combina tecnologia, cenografia e interação em um formato acessível, ao ar livre e pensado para famílias, grupos de amigos e casais em busca de experiências noturnas diferenciadas.

Produzido pela Fever, principal plataforma global de descoberta de entretenimento ao vivo, Brilha Sonhos reforça a presença da empresa no Brasil com experiências imersivas de grande escala que conectam criatividade, tecnologia e entretenimento.

Os ingressos já estão disponíveis no app ou no site da Fever.

(Com Camila Florio/Sherlock Communications)

Casa Triângulo abre as portas para primeira individual de Thix na galeria

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Pequenos incêndios em terras onde tentaram nos arrancar tudo, 2026. Óleo sobre tela. 80 X 100 cm. Fotos: Cortesia Casa Triângulo, São Paulo.

A Casa Triângulo apresenta a primeira exposição individual de Thix na galeria: “Quarto de dormir, sala de não estar”, reunindo um conjunto inédito de 40 pinturas, objetos e desdobramentos instalativos. O texto crítico é de Maykson Cardoso.

A mostra é também a primeira em que a artista lança mão da instalação, do ready-made e do escultórico como meios de expressão para além da pintura. Na “sala de não estar” da galeria – não lugar que toda galeria é, pois que nelas ninguém habita, mas está sempre de passagem – Thix rearranja carcaças de móveis: cada uma delas é um fragmento com o qual recompõe uma nova totalidade, criando “teatralmente a atmosfera onírica e perturbadora de um ‘quarto de não dormir’”.

Thix. Faceshopping II, 2026. Óleo sobre tela. 70 X 60 cm.

Esse cenário é o centro nevrálgico da exposição, a partir do qual o público é conduzido à recepção das demais obras – todas elas informada pela inquietante biografia da artista: esse quarto é também aquele onde um menino “encarcerado” sonhava ser essa mulher que hoje se tornou. O vestido rosa, que tanto desejava na infância e lhe era vetado, multiplica-se não só nas pinturas, como nos cabides dependurados.

Tudo nessa exposição é, por isso, uma espécie de autorretrato; não só pelas conhecidas cenas de teor narrativo em que a artista se auto representa, mas também naqueles pequenos quadros camp em que figuram bibelôs inventados como “alegorias de si”. É um mergulho no imaginário da artista, atravessado por processos de transformação, luto e fabulação e articulando referências da pintura acadêmica, do artifício performático e de imaginários queer em composições levadas a explorar a fronteira entre o humano, o monstruoso e o alegórico, abarcando o desconforto de existir. Produzir presença no limiar do desaparecimento.

A exposição também inaugura o interesse da artista pela pintura como território expandido, não apenas enquanto técnica, mas como linguagem capaz de contaminar objetos. Trazendo referências da cultura queer, do barroco, da moda e da iconografia religiosa, Thix articula sedução e estranhamento, elaborando uma mitologia própria construída através da artificialidade assumida e da autoficção.

Em suas esculturas, vê-se algo semelhante: sua história estilhaçada e remontada. Remontada não porque restitui o estilhaçado à forma “original”, mas porque lhe confere uma nova, uma outra configuração. A cartela de unhas postiças agiganta-se e torna-se um móbile semelhante à “cadeia de DNA”; a crinolina de ferro lembra mais uma gaiola do que a peça estruturante da indumentária. Mas nada disso é capaz de deter a mulher livre que recusa fixar sua identidade à biologia e interroga, como em um belo verso de Raquel Alves: “como desligar a cópia do modelo | se o bicho copula | com a jaula?”. 

Thix. Sacro Coração, 2026. Óleo sobre linho. 40 x 20 cm.

Desde o processo de começar a pintar um retrato a partir da grisalha – isto é, a partir da “camada morta” e a posterior “velatura” que confere à sua pintura o contraste do chiaroscuro –, tomando como referência uma pintora de envergadura como Artemisia Gentileschi (1593–1654) ou até mesmo através do mobiliário pesado com que reconstrói seu quarto, Thix atualiza algo da estética barroca.

Marca incontestável do Barroco foi a “transitoriedade expressa no lema ‘memento mori’ – ‘lembra-te de que morrerás’ – que se encontrava sua imagem na vanitas”. No trabalho de Thix, a “transitoriedade”, porém, ganha outro sentido. Se a artista nos lembra da morte – como no quadro em que segura sua cabeça outrora barbada –, é para nos lembrar que pode haver muitas mortes necessárias em uma vida e muitas vidas possíveis após uma morte. Isto é, diferente dos artistas barrocos, que aceitavam melancolicamente a finitude inelutável, Thix aqui nos afirma que é preciso lutar, com unhas e dentes e de peito aberto, pela vida. 

SOBRE A ARTISTA 

Thix (Porto Alegre, 1982) vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua produção transita entre questões de identidade, memória, corpo e fabulação, articulando diferentes linguagens visuais em exposições individuais e coletivas no circuito contemporâneo brasileiro.

Entre suas individuais recentes destacam-se Retificação (2025), no Paço das Artes, em São Paulo, com texto crítico de Bru Novaes, e Réquiem para um nome (2024), na Galeria Silvia Cintra + Box 4, no Rio de Janeiro, com curadoria da Comadre — Gabriela Davies e Maíra Marques — e texto crítico de Thiago Honório.

Participou de exposições coletivas, como Memento MoriQue Seja Casa, O Amor. Ainda Que Amar Desabrigue (2026), no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba; A Coisa Drag (2025/2026), apresentada no Centro Cultural da UFMG e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói; Apocalipse, na Casa França-Brasil; além de Pequenos Formatos e O que te faz olhar pro céu?. Foi indicada ao Prêmio Pipa 2025. 

SERVIÇO:

Exposição Quarto de dormir, sala de não estar – Thix

Texto crítico: Maykson Cardoso

Abertura: 23 de maio – 14h às 18h

Período da exposição: 23 de maio a 04 de julho de 2026

Horário de funcionamento: de terça a sexta das 10h às 19h e sábado das 10h às 17h

Local: Casa Triângulo

Endereço: Rua Estados Unidos 1324, Jardins – São Paulo

Telefone: (11) 3167-5621 | www.casatriangulo.com  info@casatriangulo.com

Entrada gratuita.

(Com Bernadete Druzian/A4&Holofote Comunicação)