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Galatea aproxima cinco artistas em exposição que reinventa as formas de olhar para a natureza

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Chico da Silva – Sem título, década de 1950 [1950s]. Foto: Ding Musa.

Há muitas maneiras de imaginar a natureza. Ela pode surgir como paisagem, como fauna e flora reinventadas, como matéria ou como elemento de construção de uma obra. É a partir dessas diferentes possibilidades que o Tropigalpão, espaço cultural independente voltado para a arte contemporânea e projetos multidisciplinares no Rio de Janeiro, recebe “Atravessamentos Naturais”, exposição realizada em colaboração com a Galatea. Com curadoria de Tomás Toledo, a mostra reúne trabalhos de Anísio O. Couto, Chico da Silva, Grauben do Monte Lima, Silia Moan e Ygor Landarin e aproxima artistas de contextos culturais, sociais, geográficos e temporais distintos, criando relações entre suas formas de elaborar o mundo a partir de referenciais da natureza brasileira. A abertura aconteceu em 17 de setembro como parte da programação paralela da ArtRio.

O ponto de partida está nas obras de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima, dois artistas históricos que construíram maneiras singulares de representar a natureza brasileira. Em suas pinturas, animais, plantas e outros elementos da fauna e da flora deixam o registro naturalista para ganhar novas formas, criaturas e paisagens. A natureza, em vez de ser reproduzida, é transformada: torna-se fantástica, imaginada e própria de cada universo artístico.

Silia Moan 1987 Flor de mandacaru cósmica [Cosmic Mandacaru Flower], 2025. Foto: Rafael Salim.

O conceito curatorial de Tomás Toledo explora a operação formal e conceitual da justaposição, colocando em diálogo e fricção a produção de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima em relação aos trabalhos de Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin.

A relação entre os cinco artistas se estabelece pela natureza como tema comum de suas produções, bem como por seu diálogo intergeracional, revelando modos particulares de pensar as artes e seus processos de criação. Ao mesmo tempo, os procedimentos e interesses existentes nas práticas de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima, como a fabulação, a reinvenção, a experimentação cromática e a transformação do mundo natural em linguagem artística, compartilham afinidades com a produção de Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin. Materialidades como madeira, barro, tecido e conchas, entre outras, participam da construção das obras e ampliam as possibilidades de relação com o mundo natural dentro das investigações artísticas.

O que se forma no Tropigalpão, portanto, é uma leitura da representação da natureza articulada entre maneiras singulares de olhar, imaginar e construir artisticamente. De um lado, Chico da Silva e Grauben do Monte Lima transformam fauna, flora e paisagem em universos fantásticos; de outro, Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin exploram outros materiais e procedimentos para elaborar suas próprias relações com esse mesmo campo. É nesse intervalo entre imagens, matérias e tempos que a exposição encontra seus atravessamentos naturais dentro das artes visuais brasileiras.

Programação especial no Tropigalpão 

Na mesma quinta-feira, dia 17, o Tropigalpão inaugurou Meteorium III, de Dominique Gonzalez-Foerster. Apresentado originalmente na Pinacoteca de São Paulo, em 2025, o trabalho era uma estrutura octogonal formada por seções em forma de cunha, cada uma pintada em uma cor e estilo distintos, evocando condições climáticas específicas e diferentes associações emocionais. Agora, a obra ganha a forma de um filme experimental e se inscreve na linhagem de trabalhos da artista que tomam exposições como cenário, como Marquise (2007), No Return (2009) e Otello 1887 (2015).

Grauben do Monte Lima 1889-1972 Sem título [Untitled], 1966 – 64 x 89 cm [25 1/4 x 35 in]. Foto: Rafael Salim.

A programação inclui ainda ONDE, mostra de Umberto Costa Barros concebida pela galeria Marli Matsumoto Arte Contemporânea. Com curadoria de Catherine Bompuis, a exposição reúne documentos fotográficos produzidos pelo próprio artista a partir de intervenções site-specific realizadas desde o final da década de 1960, evidenciando o caráter precursor de sua pesquisa e sua contribuição para ampliar as relações entre arte e arquitetura. O conjunto inclui ainda BUFFER, trabalho de 2023.

O Tropigalpão recebe um recorte da mostra original, que retoma trabalhos criados por Costa Barros durante um dos períodos mais duros da ditadura militar brasileira. Integrante da geração que começou a atuar após a promulgação do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968, o artista está inserido em um contexto de intensa experimentação, ao lado de nomes como Cildo Meireles, Antonio Manuel, Luiz Alphonsus, Thereza Simões e Raimundo Colares.

Sobre a Galatea

Sob o comando dos sócios Antonia Bergamin, Conrado Mesquita e Tomás Toledo, a Galatea conta com dois espaços vizinhos na cidade de São Paulo: a unidade localizada na Rua Oscar Freire, 379 e a nova unidade localizada na Rua Padre João Manuel, 808. A galeria também tem uma sede em Salvador, na Rua Chile, 22, no centro histórico da capital baiana.

A Galatea surge a partir das diferentes e complementares trajetórias e vivências de seus sócios-fundadores: Antonia Bergamin, que foi sócia-diretora de uma galeria de grande porte em São Paulo; Conrado Mesquita, marchand e colecionador especializado em descobrir grandes obras em lugares improváveis; e Tomás Toledo, curador que contribuiu para a histórica renovação institucional do MASP, saindo em 2022 como curador-chefe.

Com foco na arte brasileira moderna e contemporânea, trabalha e comercializa tanto nomes consagrados do cenário artístico nacional quanto novos talentos da arte contemporânea, além de promover o resgate de artistas históricos. Idealizada com o propósito de valorizar as relações que dão vida à arte, a galeria surge no mercado para reinventar e aprofundar as conexões entre artistas, galeristas e colecionadores.

SERVIÇO:

Atravessamentos Naturais

Local: Tropigalpão

Endereço: Rua Benjamin Constant, 118 – Glória, Rio de Janeiro

Abertura oficial: 17 de setembro, das 18h às 21h

Período expositivo: 17 a 27 de setembro de 2026

Horários: Segunda a quinta: 10h às 19h | Sexta: 10h às 18h | Sábado: 11h às 17h

Ingresso: Gratuito

Mais informações: https://www.galatea.art/

Instagram: @galatea.art_ | @tropigalpao_118.

(Com Edgard França/Cor Comunicação)

Gyomō Sushi & Omakase lança experiência de 15 tempos dedicada às pérolas da costa brasileira

Santo André, SP, por Kleber Patricio

Criado pelo chef Wilder Borborema, novo omakase deixa de lado iguarias importadas para colocar pescados e frutos do mar nacionais no centro da experiência. Foto: Divulgação.

A tradição japonesa do omakase ganha um olhar brasileiro em Santo André. O Gyomō Sushi & Omakase lança uma nova experiência gastronômica criada pelo chef Wilder Borborema, com uma proposta que foge do caminho habitual da alta gastronomia japonesa: abrir mão do protagonismo das iguarias importadas para explorar a diversidade de pescados e frutos do mar encontrados na costa brasileira.

Batizado de Omakase Pérolas da Costa Brasileira, o menu terá 15 tempos, passando por sashimis, sushis, pratos quentes e frios e sobremesa. A experiência custará R$ 450 por pessoa e será realizada em datas especiais, sempre às quartas-feiras. A ideia é mostrar que uma experiência sofisticada de cozinha japonesa não precisa depender exclusivamente de ingredientes trazidos de outros países. Wilder pretende aplicar técnicas da culinária japonesa aos produtos nacionais, respeitando disponibilidade, frescor e características de cada pescado.

Para Felipe Vecchi, um dos nomes por trás do Gyomō, a proposta nasce justamente do desejo de valorizar uma riqueza que ainda é pouco explorada em experiências desse formato. “Existe uma percepção de que uma experiência sofisticada de cozinha japonesa precisa necessariamente estar ligada a ingredientes importados. Queremos mostrar justamente o contrário. O Brasil tem uma costa extremamente rica, com pescados e frutos do mar de muita qualidade. O desafio do chef é olhar para esses produtos com técnica, respeito e criatividade e colocá-los no lugar de protagonistas”, afirma.

Do mar brasileiro à bancada do sushiman

A escolha dos ingredientes também permitirá que o menu acompanhe aquilo que a costa oferece de melhor em cada momento. Em vez de uma sequência completamente engessada, a disponibilidade e a qualidade dos pescados poderão influenciar os 15 tempos apresentados aos clientes. Essa lógica se aproxima da própria essência do omakase, expressão japonesa que pode ser entendida como “deixo aos seus cuidados”. É o chef quem conduz a refeição e define o que será servido, permitindo que técnica, criatividade e produto ditem a experiência. “Queremos que o cliente venha disposto a descobrir. O mais interessante do omakase é justamente não saber exatamente o que encontrará em cada etapa. Quando levamos isso para os produtos brasileiros, conseguimos também apresentar ingredientes que muitas vezes não recebem o mesmo prestígio das grandes iguarias internacionais”, explica Felipe.

Até o wasabi será brasileiro

A valorização da produção nacional não ficará restrita aos pescados. Um dos símbolos mais conhecidos da culinária japonesa também ganhará versão cultivada por aqui: o wasabi fresco brasileiro. O Gyomō levará para a experiência o produto de um fornecedor nacional especializado, reforçando a intenção de mostrar ingredientes produzidos no Brasil sob uma perspectiva de alta gastronomia. “Quando decidimos criar um omakase dedicado à costa brasileira, fazia sentido levar essa proposta além dos pescados. Ter um wasabi fresco produzido no Brasil ajuda a contar essa história. Não se trata apenas de substituir o importado, mas de mostrar a qualidade do que já conseguimos produzir aqui”, destaca Felipe.

Experiência começa em setembro

A primeira data aberta ao público será 23 de setembro, seguida por 30 de setembro. O projeto continua durante o mês de outubro, sempre às quartas-feiras, totalizando seis datas. Com lugares limitados, a proposta é manter o caráter intimista do omakase e permitir que cada sequência seja conduzida de perto pelo chef Wilder Borborema. “São 15 tempos para mostrar que temos verdadeiras pérolas na costa brasileira. Queremos que o cliente saia da experiência olhando de outra maneira para os nossos pescados e entendendo que o produto nacional também pode ocupar o centro de um omakase de alto nível”, conclui Felipe Vecchi.

SERVIÇO:

Gyomō Sushi & Omakase | @gyomo.cocina — O Omakase Pérolas da Costa Brasileira, criado pelo chef Wilder Borborema, apresenta uma sequência de 15 tempos, com pescados e frutos do mar da costa brasileira, sashimis, sushis, pratos quentes e frios, sobremesa e wasabi fresco produzido no Brasil. A experiência custa R$ 450 por pessoa. A primeira data aberta ao público será 23 de setembro, seguida por 30 de setembro e novas datas às quartas-feiras de outubro, totalizando seis encontros. O restaurante fica na Rua Santo André, 472, Vila Assunção, Santo André (SP). Funciona às terças, quartas e quintas, das 18h às 22h; às sextas e sábados, das 12h às 15h e das 18h às 22h. Aos domingos e segundas-feiras, não abre. Reservas e informações pelo telefone (11) 94120-4541.

(Com Sarah Carvalho/Gaivota Comunicação)

Após recuperação de obras, Biblioteca Mário de Andrade recebe exposição “Jazz – o livro de artista de Henri Matisse”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Exposição tem produção e concepção do MAB e da Biblioteca Mário de Andrade e correalização da FAAP e da Prefeitura de São Paulo; mostra fica em cartaz de 12 de setembro a 12 de outubro. Fotos: Divulgação.

A Biblioteca Mário de Andrade recebe, de 12 de setembro a 12 de outubro, a exposição “Jazz – o livro de artista de Henri Matisse”, com produção e concepção do MAB e da Biblioteca e correalização da FAAP e da Prefeitura de São Paulo.

A exposição representa não apenas uma oportunidade de conhecer uma das criações mais importantes da trajetória de Matisse, mas também uma celebração da preservação do patrimônio cultural e da devolução dessas obras à população. Oito trabalhos do artista que haviam sido subtraídos foram recuperados e agora voltam a estar acessíveis ao público, em um espaço dedicado à preservação, à pesquisa e à democratização do acesso à cultura. As 20 obras que compõem a coleção estarão em exposição.

“Mais do que recuperar objetos de valor artístico, a abertura da mostra é um momento de celebração da memória, da arte e da importância das instituições públicas na proteção e difusão de seus acervos”, destaca o secretário de Cultura e Economia Criativa, Totó Parente.

A participação do MAB FAAP

A exposição é concebida e produzida pelo MAB FAAP em parceria com a Biblioteca Mário de Andrade. A participação do museu reafirma sua atuação na pesquisa e na divulgação da história da arte, bem como seu compromisso com projetos que aproximam o público de obras e documentos de relevância internacional.

“A participação da FAAP na correalização desta exposição reafirma o compromisso da Fundação com a promoção da arte, da educação e da cultura. Por meio do MAB FAAP, contribuímos para ampliar o acesso do público à obra de Henri Matisse e para fortalecer o diálogo entre instituições culturais”, afirma Pilar Guillon Liotti, membro do Conselho da FAAP.

O curador da exposição e diretor-geral do MAB FAAP, Marcos Moraes, ressalta a importância de Matisse para além da pintura e destaca a relevância de Jazz na história da arte.

“Artista comumente identificado como fundamental na arte moderna, Matisse dispensa qualquer tentativa de apresentá-lo apenas como um pintor de sua época. De início, é preciso ressaltar sua atuação com o desenho, as artes gráficas, a colagem, a escultura, a cenografia e mesmo nas relações com a arquitetura, mas é sobretudo na gravura que essa capacidade magistral de lidar com a cor e a linha se afirma de maneira incontestável”, afirma.

Para o curador, Jazz é um dos mais relevantes livros de artista e álbuns de gravuras do século XX. “Nada mais coerente que o MAB FAAP se associe a essa iniciativa de retomar a possibilidade de o público ter contato direto com as imagens, mas também com os textos que o artista escreveu diretamente a partir de seus cadernos de anotações, produzidos entre 1941 e 1946, celebrando, neste momento, seus 80 anos de existência”, completa.

Jazz – o livro de artista de Henri Matisse

Jazz é um dos trabalhos mais marcantes da produção de Henri Matisse (1869–1954). Publicado em 1947 pelas edições Verve, o livro de artista teve uma tiragem de 250 exemplares numerados e reúne 20 composições desenvolvidas pelo artista a partir de uma técnica que combinava recortes de papéis previamente pintados com guache, formando colagens de cores intensas e formas vibrantes.

O processo criativo de Jazz teve início em um período de grandes limitações físicas para Matisse. Após uma grave intervenção cirúrgica, o artista passou longos períodos em repouso e encontrou nos recortes de papel uma nova possibilidade de expressão. Ao longo de aproximadamente dois anos, experimentou formas e cores até chegar às composições que integrariam o livro.

Matisse chamou esse processo de “desenhar com a tesoura”. A técnica permitiu ao artista explorar de maneira inovadora a relação entre cor, forma, movimento e composição, levando a colagem a um novo patamar dentro de sua produção artística.

O título Jazz também traduz a concepção de Matisse sobre aquelas imagens. Para o artista, a combinação entre as cores deveria produzir uma relação dinâmica, assim como ocorre na música. Em suas reflexões sobre o trabalho, Matisse destacou que não bastava simplesmente colocar cores umas ao lado das outras: era necessário que elas atuassem umas sobre as outras.

Um livro de artista que marcou a história da arte

A publicação de Jazz contou com a parceria do editor Tériade, um dos mais importantes editores de arte do século XX. O projeto buscou preservar, na impressão, a intensidade das cores e a força visual das composições originais de Matisse.

O resultado foi uma obra que articula imagem e texto e que se tornou uma das produções mais conhecidas do artista. As 20 composições revelam a maturidade de sua pesquisa com recortes e demonstram como Matisse transformou uma condição de adversidade em uma nova possibilidade de criação.

SERVIÇO:

Jazz – o livro de artista de Henri Matisse

Período: 12 de setembro a 12 de outubro

Local: Biblioteca Mário de Andrade

Produção e Concepção: MAB + BMA

Correalização: FAAP e Prefeitura de São Paulo

Entrada: gratuita.

(Com Paula Corrêa/Buriti Comunicação)

MASP inaugura passagem subterrânea na Avenida Paulista com pintura imersiva de Beatriz Milhazes

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Passagem subterrânea com pintura imersiva Pietrolina (2026), de Beatriz Milhazes. Foto: Eduardo Ortega.

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura, no dia 11 de setembro, a passagem subterrânea que conecta os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, consolidando o museu como um complexo cultural. A construção subterrânea é a primeira dessa escala em um museu na América Latina e seu espaço é ocupado por uma pintura imersiva inédita concebida pela artista brasileira Beatriz Milhazes.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Amanda Carneiro, curadora, MASP, Milhazes desenvolveu a obra “Pietrolina” especialmente para a passagem subterrânea. O título homenageia Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, casal fundador do MASP, que dá nome aos dois edifícios do museu. Ao todo, o trabalho tem 98 metros, sendo composto por uma pintura de 60 metros lineares paralela a diversos elementos reflexivos posicionados em uma parede de 38 metros, acompanhando o percurso do visitante.

A composição remete ao ritmo e à sucessão de elementos característicos dos desfiles de carnaval, criando diferentes experiências visuais ao longo do trajeto. O trabalho teve início com um desenho e, posteriormente, passou por um estudo cromático que resultou em uma paleta de 33 tintas acrílicas selecionadas com precisão para reproduzir as cores da concepção original. A elaboração do projeto levou mais de dois anos, sendo três meses de trabalho dentro da passagem subterrânea para a realização da pintura imersiva.

Em Pietrolina aparecem elementos característicos da produção de Milhazes, como arabescos, listras, formas orgânicas e florais. O mural também estabelece um diálogo com a obra Avenida Paulista (2020), da artista, doada ao acervo do MASP por ocasião da retrospectiva dedicada a ela no museu. A mostra reuniu mais de 170 obras e foi a maior exposição panorâmica já realizada sobre a trajetória de Milhazes.

“Depois da exposição Beatriz Milhazes: Avenida Paulista, o azul ficou muito marcado na memória do museu, ocupando o piso e as paredes. Essa presença marcante fez com que a cor passasse a ser chamada internamente de ‘Azul Beatriz’. Agora, esse mesmo tom é utilizado no teto e em uma das paredes do túnel. A obra de Beatriz Milhazes ocupa um lugar fundamental na arte brasileira e internacional e receber esse mural no MASP é um presente para o museu e para o país”, afirma a curadora Amanda Carneiro.

Reconhecida internacionalmente como uma das mais relevantes artistas brasileiras contemporâneas, Milhazes possui obras em acervos de importantes museus, como MoMA – Museum of Modern Art, Estados Unidos; Tate Modern, Reino Unido; Centro Georges Pompidou, França; e Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Espanha; além do MASP, Pinacoteca de São Paulo e MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Brasil. Entre seus diversos projetos de destaque, realizou intervenções que dialogam com a arquitetura de espaços como a Ópera de Viena, na Áustria; o restaurante da Tate Modern e a estação de metrô Gloucester Road, em Londres; a Art House Project (Casa A), na ilha de Inujima, Japão; e o Hospital Presbiteriano de Nova York.

Sobre a artista

Beatriz Milhazes (Rio de Janeiro, RJ, 1960) é pintora, gravadora e ilustradora. Com uma produção artística desenvolvida a partir de diferentes técnicas e materiais, seu trabalho é caracterizado pelo uso da cor, de estruturas geométricas, arabescos, florais e motivos ornamentais. A prática de Milhazes compreende uma dimensão coreográfica da pintura que se desdobra em colagem, gravura, tapeçaria e escultura. Participou do Carnegie International (1995); Bienal de Sydney (1998); Bienal de São Paulo (1998, 2004); Bienal de Shangai (2006) e Bienal de Veneza (2003, 2024). No MASP, Beatriz Milhazes realizou duas exposições individuais: Beatriz Milhazes: Avenida Paulista (2020) e Gabinete Beatriz Milhazes (2021).

Passagem subterrânea

Aprimorando a experiência de visita, a passagem subterrânea permite que o público percorra a programação do museu de forma contínua. Com 50 metros de extensão, 5 metros de largura e 2,5 metros de altura, o espaço também amplia as possibilidades de operação do museu ao viabilizar o deslocamento seguro e eficiente de obras de arte, equipamentos e equipes técnicas, em conformidade com padrões internacionais.

Desenvolvida desde 2019, a construção da conexão foi dividida em seis etapas e envolveu estudos técnicos e aprovações de órgãos como o Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Metrô de São Paulo, a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego e a SIURB – Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras. Iniciadas em 2023, as obras incluíram o remanejamento das redes de infraestrutura de concessionárias de água e esgoto, energia e telefonia, escavações e recomposição da calçada, com planejamento para preservar a circulação segura de pedestres na Avenida Paulista durante toda a execução do projeto.

O projeto arquitetônico é liderado pelo escritório METRO Arquitetos Associados, enquanto a implementação é conduzida por Marcelo Ribeiro, diretor financeiro e de operações, MASP, e Miriam Elwing, gerente de projetos e arquitetura, MASP. A Racional foi a empresa contratada para realizar a construção e as obras que envolvem a expansão do museu, e a Tallento, para o gerenciamento da obra. O escritório Levisky Arquitetos | Estratégia Urbana foi responsável pela consultoria estratégica e pelo licenciamento.

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da loja do MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.

Site oficialFacebook | Instagram.

(Fonte: Assessoria de imprensa MASP)

“Churrasco de igreja”: tradição gastronômica atravessa gerações no Sul do Brasil

Blumenau, SC, por Kleber Patricio

Herança da imigração italiana e alemã, o filé duplo, corte símbolo das quermesses paroquiais, segue vivo na mesa catarinense. Fotos: Divulgação.

Nascido das quermesses promovidas por paróquias no Sul do Brasil em meados do século 19, o famoso “churrasco de igreja” surgiu com a chegada de imigrantes italianos e alemães, que trouxeram consigo tradições de fé, festa e culinária que se misturaram ao cotidiano das novas comunidades. Entre elas, uma técnica de conservação de carne originária da Renânia, região do oeste da Alemanha: deixar a peça submersa em um tempero à base de condimentos, ervas aromáticas e especiarias, capaz de garantir suculência ao alimento mesmo no dia seguinte ao preparo.

Essa técnica remete ao sauerbraten, tradicional assado alemão de carne fortemente temperada, usado no país de origem para conservar o alimento antes da existência de refrigeradores — geralmente preparado com vinho tinto, vinagre de maçã, ou a combinação dos dois. Ao chegar ao Vale do Itajaí, em Santa Catarina, a receita foi adaptada pelos imigrantes: o vinho e o vinagre deram lugar ao suco de limão, fruta abundante na região. A forma de preparo também mudou: na Alemanha não era costume grelhar as carnes como se passou a fazer no Sul do Brasil.

Como as famílias imigrantes eram numerosas e o acesso à carne era escasso, o churrasco era reservado para ocasiões especiais — casamentos, aniversários, bodas — e servido principalmente em quermesses, que arrecadavam fundos para obras sociais e expansão das paróquias. Assado nessas ocasiões, o corte acabou batizado de “filé de igreja”, nome que carrega até hoje.

Corte reúne três texturas em uma peça só

Segundo o chef Caio Fontenelle, à frente do Figueira, em Blumenau (SC), o filé duplo é um dos cortes mais característicos da culinária sulista e também um dos mais generosos: “O filé duplo é um corte bovino com osso que reúne, em uma única peça, o contrafilé, o filé mignon e uma parte da fraldinha. O osso da espinha dorsal fica no meio, lembrando uma chuleta larga, e essa combinação resulta em texturas e sabores diferentes em cada fatia, o que faz dele um dos cortes mais apreciados nos churrascos tradicionais do Sul do país”, explica.

O preparo tradicional segue um método simples, mas que exige tempo: a carne é marinada por 24h em suco de limão, cebola em rodelas, sal e água suficiente para mantê-la submersa, e depois assada dos dois lados em brasa forte. Nas festas de igreja, é comum servir o churrasco acompanhado da própria cebola usada na marinada e de pão francês, às vezes também com maionese de batata, pepino em conserva e salada de tomate. “O segredo está na combinação entre o osso, a capa de gordura e a variedade de fibras do corte. Isso garante a suculência mesmo em bifes grossos e no calor vindo direto da brasa”, complementa o chef.

Uma tradição que segue viva

Até hoje, o filé duplo é presença constante em churrascos de igreja, festas comunitárias e mesas de família em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. “O filé duplo é um corte muito apreciado aqui no Sul. Os churrascos de igreja até hoje são muito frequentados por aqui, é um costume forte da população se reunir em festas comunitárias, com grandes mesas, bancos e brincadeiras, num momento de celebração e apreciação gastronômica”, pontua o chef.

Em Blumenau, cidade historicamente marcada pela colonização alemã e italiana, a tradição segue especialmente presente. O Restaurante Figueira, especialista em carnes nobres assadas na parrilla, celebra o aniversário da cidade, que acontece em 2 de setembro, com uma ação especial dedicada ao filé duplo. A ação ocorre na noite desta quarta-feira (02) e em todas as sextas e sábados do mês de setembro, durante o almoço. Nas ocasiões, o corte será servido com acompanhamentos do cardápio da casa, por R$196,00. O horário de funcionamento do Figueira é das 18h30min até 0h. A única exceção é no sábado, quando o restaurante abre apenas às 19h. Nas sextas, sábados e domingos a casa abre também para o almoço, das 11h30min às 14h30min.

(Com Kamile Bernardes/Trevo Comunicação)