Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Arte & Cultura

São Paulo, SP

MAM São Paulo e Sesc promovem diálogo entre seus acervos em exposição inédita

por Kleber Patrício

De 30 de junho a 27 de setembro de 2026, o Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Sesc São Paulo realizam a exposição “Mire Veja: MAM São Paulo visita Sesc Bom Retiro”, no centro da capital. Com curadoria de Valquíria Prates e Mirela Estelles, a mostra nasce do encontro entre os acervos das instituições, reunindo cerca de 50 obras de diferentes […]

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Meio Ambiente & Responsabilidade Social

Ubatuba, SP

Instituto Argonauta auxilia baleia-jubarte emalhada em Ubatuba

por Kleber Patrício

A Equipe de desenredamento de grandes cetáceos do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha foi acionada para atender uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) juvenil avistada emalhada nas proximidades da Ponta Grossa, em Ubatuba. O animal, conhecido como Lena, já havia sido registrado na região no ano passado e voltou a ser avistado neste ano […]

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B3 e Instituto Inhotim lançam rota dedicada à arte brasileira

Brumadinho, MG, por Kleber Patricio

Iniciativa cria percurso de aproximadamente 10 km no Inhotim, conectando o público à produção artística nacional e valorizando o legado da arte brasileira. Foto: Divulgação/Inhotim.

A partir de julho, o aplicativo do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), contará com a Rota Artistas Brasileiros B3, uma iniciativa inédita entre a bolsa do Brasil e o museu que oferece um percurso cultural imersivo ao longo de aproximadamente 10 quilômetros, reunindo obras de artistas nacionais. A ação tem como objetivo valorizar o patrimônio cultural brasileiro e contribuir para a preservação de um legado que reflete a história e a diversidade do país.

A rota reúne 100% das galerias e obras a céu aberto dedicadas à produção artística brasileira, passando pelas três rotas do Inhotim (amarela, laranja e rosa). São mais de 20 galerias e obras de artistas nacionais, entre eles nomes como Hélio Oiticica, Lygia Pape, Cildo Meireles, Adriana Varejão, Dalton Paula, Luana Vitra, Arjan Martins e Rivane Neuenschwander. No aplicativo, o público tem acesso a um percurso que oferece um panorama da arte brasileira contemporânea, destacando diferentes trajetórias, linguagens e expressões que ajudam a construir o patrimônio cultural do país. As rotas também contam com audioguias, ampliando a acessibilidade e proporcionando uma experiência mais inclusiva para os visitantes.

“Na B3, acreditamos que investir em cultura é investir no Brasil. Ao lançar a Rota de Arte Brasileira B3, em parceria com o Instituto Inhotim, contribuímos para fortalecer o patrimônio cultural, ampliar o acesso à arte e garantir que esse legado continue inspirando as próximas gerações”, afirma Janaína Vilella, diretora de Comunicação e Sustentabilidade da B3.

“O Inhotim tem um importante acervo no qual a produção de artistas brasileiros está presente. O roteiro com foco nessas obras, seja em galerias ou visitando obras a céu aberto, é uma oportunidade para o público conhecer artistas de diferentes gerações e poéticas”, comenta Deri Andrade, curador do Instituto Inhotim.

A rota propõe novos olhares sobre o acervo de Inhotim, incentivando o público a aprofundar seu contato com obras que refletem a pluralidade da produção artística brasileira. Ao percorrer esse conjunto de trabalhos, os visitantes têm a oportunidade de acessar diferentes perspectivas sobre a história, a cultura e as múltiplas identidades que compõem o país.

Sobre Instituto Inhotim

Museu de Arte Contemporânea e Jardim Botânico, o Instituto Inhotim nasce da interseção entre arte, natureza e educação. Nos 140 hectares que compreendem a sua área, a pessoa visitante caminha entre milhares de espécies de plantas de diferentes continentes e um acervo artístico composto por esculturas, instalações, fotografias, pinturas e muitos outros formatos artísticos de grandes nomes da arte contemporânea nacional e internacional. Devido à sua extensão e localização – entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado –, o Inhotim possibilita que artistas criem obras de forma singular e inovadora, além de viabilizar a exibição permanente de trabalhos em grande escala. É essa experiência integrada da criação artística, natureza, território, em uma programação sempre viva, que faz do Inhotim um lugar único no mundo. Aberto ao público desde 2006, o Instituto Inhotim já recebeu mais de 4 milhões e 400 mil pessoas e, atualmente, tem ingressos gratuitos em todas as quartas-feiras e no último domingo do mês.

(Fonte: B3)

“Formas Musicais”, a arte da escuta inteligente: desvendando a música sinfônica

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

O maestro Ricardo Rocha. Espaço Leia Brasil apresenta curso “Formas Musicais – Como conhecer e saber ouvir o pensamento musical”. Foto: Daniel Ebendinger.

Ouvir uma orquestra vai muito além de apreciar a beleza dos sons. Compreender os instrumentos, identificar os padrões e estruturas que organizam uma obra de concerto e transformar a experiência de escuta em uma descoberta do pensamento criativo do compositor revelam um novo olhar para quem deseja mergulhar neste universo. Essa é a proposta do curso “Formas Musicais”, ministrado pelo maestro Ricardo Rocha, fundador e diretor musical da Cia. Bachiana, que completa 40 anos de trajetória em 2026. Serão oito aulas, realizadas aos sábados, das 10h às 13h, na Escola de Música Villa-Lobos, com início em 18 de julho.

Formas Musicais investe na formação de novas plateias de todas as idades, voltando-se para os que querem compreender a linguagem da música de concerto em seu próprio discurso. Ele tem como foco a aprendizagem de uma audição musical inteligente não só para leigos e estudantes em geral, mas também para os professores e profissionais da música e outras artes, por meio de uma abordagem inédita no reconhecimento dos principais eventos musicais em meio à sua organização estrutural. “É um método capaz de oferecer um caminho para uma audição inteligente das grandes obras orquestrais em seus principais formatos, como suítes, aberturas, sinfonias, concertos solistas e poemas sinfônicos, formas consagradas que constituem o volume maior do repertório sinfônico da história de nossa música”, ressalta o regente Ricardo Rocha.

A cada aula haverá a análise de cinco das mais importantes e diferentes formas que a história da música produziu. Ao todo, serão 20 famosas obras da história da música, escritas nos séculos 18, 19 e 20 por 14 dos maiores compositores de todos os tempos, como Bach, Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Wagner, Rimsky-Korsakov, Tchaikovsky, Grieg, Dvorák, Mussorgski, Debussy, Ravel, Sibelius, Bartók e Stravinsky. “O resultado desse método, que vem sendo desenvolvido há mais de 30 anos, surpreende pela experiência de uma audição completamente diferente, capaz de abrir novas vias de acesso ao entendimento e à fruição estética de obras-primas de grandes compositores”, destaca o maestro.

Programação das aulas:

Introdução: Breve história da música ocidental e das formas musicais 

Aula I – Suite, fonte para as diversas formas que nasceram depois

– Barroca (século 18): J. S. Bach, Suite n. 2 em si menor, BWV 1067

– Romântica (século 19): Grieg, Suite n.1 de Peer Gynt, opus 46

– Moderna sobre temática barroca (século 20): Stravinsky, Suite Pulcinella 

Aula II – Abertura, que nascida como introdução às Suites, com o tempo ganhou autonomia como peça de concerto

– Clássica (final do século 18): Mozart, abertura de A Flauta Mágica

– Programática (século 19): Wagner, abertura de Os Mestres Cantores

– Concertante (século 19): Rimsky-Korsakov, Abertura Páscoa Russa 

Aula III – Sinfonia Clássica, em 4 movimentos: exemplo de um movimento de cada

– Haydn, Sinfonia n. 39 em sol menor (I. Allegro assai))

– SchubertQuinta Sinfonia, em si bemol maior, D 485 (II. Andante con moto)

– Beethoven, Sinfonia n.8 em fá maior, opus 93 (III. Tempo di Menuetto)

– Mozart, Sinfonia n. 41, Júpiter, a “Zero” de Beethoven (IV, Molto allegro) 

Aula IV – Sinfonia Romântica, em 4 movimentos: apresentação completa e analisada de duas grandes representantes do Romantismo

 Beethoven, Sinfonia n. 3 em mi bemol maior, opus ‘Eroica”

– Tchaikovsky, Sinfonia n. 5, in mi menor op. 64

Aula V – Concerto Solista – um painel comparado da forma sonata

–  Introdução: a forma barroca Concerto Grosso em Bach, Concerto para dois Violinos

– Piano, Classicismo: Beethoven, Concerto n.3 em dó menor, 1º. movimento

– Violoncelo, Romantismo: Dvorák, Concerto n.2 em si menor, 1º. movimento

– Piano, Modernismo: Ravel, Concerto para Piano em sol1º. movimento

Aula VI – Poema Sinfônico 1 – Obras a serem analisadas:

– SibeliusFinlândia

– Debussy, L’après-midi d’um faune

– MussorgskiQuadros de uma Exposição (Ravel)

Aula VI – Poema Sinfônico 2, Encerramento: a análise detalhada e completa de:

– Gustav MahlerDAS LIED VON DER ERDE – “A Canção da Terra” 

Obra-prima e testamento musical do compositor, sobre poemas chineses do século VI, sobre a vida e seu ciclo na juventude, maturidade e despedida.

SERVIÇO:

Curso Formas Musicais

Palestrante: Maestro Ricardo Rocha

Período: sábados, de 18 de julho a 5 de setembro

Horário: 10h às 13h

Local: Escola de Música Villa-Lobos

Endereço: Rua Ramalho Ortigão, nº 9 – Centro – Rio de Janeiro (perto da estação de metrô Carioca)

Informações (Leia Brasil): 21- 98133-7880

Telefone Geral: 21 – 2505-9701

Realização: Espaço Leia Brasil.

(Com Cláudia Tisato/Matéria-Prima Comunicação e Arte)

“Divórcio”, peça sobre violência de gênero, estreia em ano que a Lei Maria da Penha completa 20 anos

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo reúne documentos reais, histórias de mulheres e relatos de homens para refletir e propor diálogo sobre os atravessamentos da violência de gênero nas relações afetivas. Fotos: Marco Ankosqui.

O que aproxima uma mulher da elite paulistana em processo de separação nos anos 1980 de uma migrante nordestina presa a sucessivos relacionamentos abusivos? O que conecta essas histórias às dúvidas, contradições e experiências de mulheres e homens que vivem relacionamentos hoje? São vozes femininas que insistem em existir, apesar do silenciamento.

Essas perguntas atravessam “Divórcio”, espetáculo inédito criado a partir da parceria entre Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra na dramaturgia. Além de assinar a direção da montagem, Raissa divide a cena com Dina Alves, atriz e ativista, em uma temporada que acontece entre 3 e 26 de julho de 2026, no Complexo Cultural Funarte SP, em sessões às sextas e sábados às 20h e, aos domingos, às 18h.

Construída a partir de documentos reais, pesquisa de campo e relatos de vida, a peça articula quatro narrativas que atravessam épocas, classes sociais e perspectivas distintas. Em cena, Maria Helena tenta compreender o fim de um casamento marcado pelo patriarcado. Maria Sansão busca escapar de uma estrutura opressora que parece se repetir a cada novo relacionamento. Outras duas mulheres contemporâneas compartilham inquietações sobre amor, trabalho, maternidade e autonomia. Enquanto isso, dois homens tentam entender seus próprios comportamentos e o lugar que ocupam dentro de uma sociedade ainda marcada pelo machismo. A peça aposta no enfrentamento dessas questões e no diálogo que pode haver na sociedade sobre os efeitos do patriarcado nas relações humanas.

O ponto de partida para a pesquisa e criação da peça foi a descoberta de um conjunto de cartas que documenta um doloroso processo de divórcio em uma família de classe média alta, em São Paulo, capital, na década de 1980. Ao entrar em contato com os documentos, a psicóloga Cecília Galvani descobriu no material um registro histórico das dinâmicas de poder que atravessam as relações de gênero e se perpetuam através de gerações. As cartas desencadearam uma ampla pesquisa sobre expressões do patriarcado e sua ressonância em diferentes classes sociais. A investigação envolve o público e o convida a refletir sobre facetas desta forma de violência social que oprime não apenas mulheres, mas pessoas de todos os gêneros – inclusive os homens.

Pesquisas e entrevistas

Ao longo de mais de dois anos, a equipe realizou entrevistas com advogados, psicanalistas, mulheres acolhidas em centros de referência e homens participantes de grupos reflexivos previstos pela Lei Maria da Penha. Esses programas reúnem autores de violência doméstica encaminhados pela Justiça para atividades de responsabilização e reflexão sobre comportamentos violentos.

A dramaturgia criada por Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra foi construída a partir do encontro entre ficção, pesquisa documental e testemunhos reais de mulheres vítimas de violência. Entre as fontes está a história de Maria Corajosa, baseada em um relato publicado em Histórias de Marias, coletânea organizada pela União de Mulheres durante as ações de mobilização em torno da Lei Maria da Penha. O processo também dialoga com Melhor não contar (2024), de Tatiana Salem Levy, livro que transforma experiências de abuso, silêncio e trauma em narrativa literária. Ao incorporar essas referências, o espetáculo inscreve em cena vozes que atravessam diferentes gerações e contextos, evidenciando a persistência da violência contra as mulheres e as formas de enfrentá-la. “Queríamos retratar a violência de gênero em diferentes épocas e condições sociais, mas também encontrar uma forma de dialogar com os homens e convidá-los a se implicarem nessa discussão”, afirma Raissa Gregori.

Em cena, as atrizes transitam por múltiplos personagens, tempos históricos e registros de atuação. Ambas, Dina e Raissa, conduzem o público por uma estrutura fragmentada que aproxima memória, documento, ficção e testemunho, revelando como determinadas formas de violência se transformam ao longo do tempo sem necessariamente desaparecer.

20 anos da Lei Maria da Penha

A estreia acontece em um momento simbólico. Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos de vigência. Considerada um marco no enfrentamento à violência doméstica no Brasil, a legislação criou mecanismos de proteção às mulheres e ampliou a responsabilização dos agressores. O período também coincide com a implementação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, iniciativa que articula ações entre diferentes esferas do poder público para reduzir os índices de violência letal contra mulheres.

Sem oferecer respostas simples, Divórcio propõe um encontro entre histórias íntimas e questões coletivas, convidando o público a refletir sobre amor, poder, heranças familiares e os modos pelos quais a violência continua a se reproduzir — e a necessidade de ser enfrentada — nas relações contemporâneas.

O projeto de Divórcio foi contemplado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de São Paulo (ProAC).

Sinopse | No início dos anos 1980, diante da recém-aprovada Lei do Divórcio, Maria Helena Silva, uma mulher de classe alta, busca se fazer compreender pelo marido através de cartas, durante um processo de separação. Maria Sansão Silva, mulher de classe baixa, tenta se salvar de uma trama repetitiva em que maridos agressores se sucedem e substituem. Nos dias de hoje, duas amigas conversam online enquanto dão conta de tarefas domésticas, maternais e de trabalho, deflagrando permanências do patriarcado numa vida moderna — enquanto dois amigos, no bar, tentam entender as mulheres e conversam sobre seus próprios aprendizados e sobre o papel deles numa sociedade machista.

Ficha Técnica

Dramaturgia: Alexandre Dal Farra e Raissa Gregori

Atuação: Dina Alves e Raissa Gregori

Direção: Raissa Gregori

Pesquisa: Cecília Galvani e Eleonora Nacif

Cenografia: Valdy Lopes

Iluminação: César Pivetti

Audiovisual: Outras Palavras

Preparação corporal: Lucas Brandão

Desenho de som: Daniel Fonseca

Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação

Produção e realização: Corpo Rastreado

Direção de produção: Marcella Guttmann

Produção executiva: Bento Carolina

Idealização: Cecília Galvani

Siga o Instagram da peça @divorcioapeca.

SERVIÇO:

Divórcio

Data: 3 a 26 de julho de 2026, às sextas e sábados às 20h e, aos domingos, às 18h.

Local: Complexo Cultural Funarte SP – Sala Carlos Miranda – Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo, SP

Ingresso: R$ 50 (inteira) e R$25 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência), vendidos pela Sympla aqui: https://www.sympla.com.br/evento/divorcio-funarte-sp/3467649

Telefone: (11) 95078-3004

Duração: 90 minutos

Classificação: 12 anos.

(Com Daniele Valério /Canal Aberto Comunicação)

MAM São Paulo e Sesc promovem diálogo entre seus acervos em exposição inédita

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. Rodrigo Braga, Comunhão I, 2006. Foto: Rodrigo Braga.

De 30 de junho a 27 de setembro de 2026, o Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Sesc São Paulo realizam a exposição “Mire Veja: MAM São Paulo visita Sesc Bom Retiro”, no centro da capital. Com curadoria de Valquíria Prates e Mirela Estelles, a mostra nasce do encontro entre os acervos das instituições, reunindo cerca de 50 obras de diferentes linguagens, suportes e períodos.

Como visitante, o museu integra obras de sua coleção (de artistas como Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Ceschiatti, Amelia Toledo, Brígida Baltar, Cao Guimarães, Carlos Zilio, Emanoel Araujo, Franz Weissmann, German Lorca, Giuliana Giorgi, Heitor dos Prazeres, Labo & Rafaela Kennedy, Laura Vinci, Lenora de Barros, Lothar Charoux, Paulo Nenflidio, Pedro Motta, Rodrigo Braga, Rosângela Rennó, Sara Ramo, Xadalu Tupã Jekupe e Zimar) ao acervo já presente na unidade, sem alterar a configuração da instituição anfitriã. Obras que já habitam o edifício, entre elas trabalhos de Antonio Henrique Amaral, Artur Barrio, Cássio Vasconcellos, Claudio Tozzi, Cleber Machado, Eduardo Coimbra, Iran do Espírito Santo, Motta & Lima, Nelson Leirner, Paulo Bruscky, Rodrigo Andrade e Rubens Gerchman, passam a integrar a mostra sendo ressignificadas a partir desse novo contexto.

A exposição faz parte do programa MAM em Movimento, iniciativa que promove a circulação de obras do acervo do museu em diálogo com outros espaços e instituições culturais. Ao colocar essas duas coleções em convivência, Mire Veja propõe um diálogo entre diferentes modos de fazer instituição, construir narrativas e estabelecer relações com os públicos. Partindo da seleção de obras das duas instituições e ocupando toda unidade do Sesc Bom Retiro, a curadoria da mostra tem como interesse principal a possibilidade de investigar os modos como a mediação cultural trabalha publicamente seus acervos em ações específicas de curadoria, educação e comunicação de exposições de arte.

MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. Pedro Motta, Treme Terra, 1998 – 2008.

“Todo acervo começa com um gesto de escolha. Escolher guardar é também escolher o que permanece, o que será cuidado, pesquisado, documentado e mostrado ao longo do tempo”, explica Mirela Estelles, que também é coordenadora do MAM Educativo. “Partindo dessa reflexão, a mostra convida as pessoas a pensar sobre o que significa constituir, preservar e tornar público um conjunto de obras, evidenciando os processos, decisões e práticas que sustentam a vida pública da arte”, diz Mirela.

“A exposição convida o público a refletir sobre o que se busca transformar a partir do contato de pessoas com obras de arte em exposições, conversando sobre trabalhos de arte contemporânea e sobre as múltiplas camadas de experiência que podem ocorrer nas exposições”, continua Valquíria Prates. “O que se coloca em exposição são as obras e seus processos de criação, mas também as formas de as mostrar, os dispositivos que as acompanham, os textos, os áudios, os livros, os materiais educativos e os próprios espaços por onde o público circula. Aqui, a obra é entendida como um campo aberto de relações intencionais, continuamente atualizado no encontro com cada visitante que esteja interessado em fazer parte dos processos de mediação de uma mostra de arte”, reflete a curadora, que investiga saberes e práticas colaborativas de mediação cultural em diferentes territórios, instituições e contextos sociais.

A exposição ocupa todo edifício onde parte do Acervo Sesc de Arte é exibido desde a abertura do Sesc Bom Retiro, contemplando também o espaço expositivo e a biblioteca da unidade. Corredores, escadas e áreas de convivência tornam-se parte do percurso, ampliando as possibilidades de encontro com as obras dos dois acervos e convidando o público a perceber a arte para além dos espaços expositivos musealizados.

MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. Lenora de Barros, Não quero nem ver, 2006. Foto: Marcelo Arruda.

Constituído desde os primeiros anos da instituição, o Acervo Sesc de Arte configura-se como uma importante ação institucional no campo das artes visuais, atuando simultaneamente como patrimônio cultural e suporte para ações educativas. Composto por obras de arte moderna, contemporânea e popular, o acervo teve momentos decisivos de formação nas décadas de 1970 e 1980 e segue, até hoje, em constante expansão por meio de aquisições e doações orientadas por critérios estéticos e históricos rigorosos.

Distribuído por todas as unidades do estado de São Paulo, o acervo se destaca por sua presença cotidiana: as obras permanecem em exibição permanente, muitas vezes em espaços de ampla circulação ou ainda em projetos site-specific, especialmente concebidos para os ambientes arquitetônicos das novas unidades. Dessa forma, o Acervo Sesc de Arte promove o encontro direto entre público e obra, integrando arte, arquitetura e território, e ampliando o acesso à produção artística em diálogo com o contexto social local.

“A opção por apresentar seu acervo artístico em espaços de circulação, é um gesto da instituição que visa aproximar a produção visual do cotidiano de seus frequentadores. Dessa forma, o Sesc São Paulo escolheu pela apresentação de sua coleção em locais improváveis – piscinas, ginásios, centrais de atendimento – permitindo que a arte esteja presente para além dos espaços dedicados”, comenta Juliana Braga, gerente de Artes Visuais e Tecnologia do Sesc São Paulo, responsável pela gestão do Acervo Sesc de Artes.

MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. Lothar Charoux, Composição, 1958. doação Glaucia e Peter Cohn, 2005. Foto: Ding Musa.

A pesquisa de mediação cultural a partir de processos de educação e exposições ocupa a biblioteca da unidade, como espaço de exposição, pesquisa e mediação. Reunindo livros, materiais educativos, maquetes táteis e outros recursos desenvolvidos pelo MAM Educativo, esse ambiente expande a noção de acervo, evidenciando os conhecimentos, práticas e experiências que se constroem em torno das obras.

Ao colocar em diálogo obras, instituições, práticas curatoriais e ações educativas, Mire Veja: MAM São Paulo visita Sesc Bom Retiro propõe pensar as transformações dos acervos a partir dos contatos com seus públicos, considerando que cada vez que uma obra é mostrada, uma nova relação se torna possível a partir do que alguém percebe nela. E é nesse movimento contínuo entre guardar e mostrar, entre mirar e ver, que a arte se torna experiência de percepção e posicionamento no mundo.

Sobre as curadoras

Valquíria Prates investiga a mediação cultural das artes visuais e da literatura, com uma trajetória que integra pesquisa, escrita, curadoria e educação em museus, bibliotecas, universidades, escolas e outras instituições culturais. É graduada em Letras e Pedagogia, Mestre em políticas públicas de acessibilidade pela Universidade de São Paulo e Doutora em Artes pela Unesp, onde defendeu a tese Como fazer junto: a arte e a educação na mediação cultural. Seu trabalho articula saberes e práticas colaborativas de mediação em diferentes territórios e contextos sociais.

Mirela Estelles é mediadora cultural que investiga os desdobramentos da narração de histórias na educação em museus e exposições de arte. Estudou comunicação das artes do corpo na PUC-SP e especializou-se em linguagens da arte no Centro Universitário Maria Antônia, onde iniciou as pesquisas e atividades do projeto Histórias para Ver e Ouvir (2011-2026). Com experiência em arte contemporânea, educação, livro e leitura, culturas da infância, patrimônio imaterial e públicos de museus, realiza a curadoria de exposições e de projetos educativos em escolas, livrarias, bibliotecas, museus e outras instituições culturais, com atenção aos aspectos de acessibilidade e diversidade na gestão cultural de equipes multidisciplinares. Atualmente, coordena a área de educação do Museu de Arte Moderna de São Paulo, onde atua desde 2009. Neste museu, fez a curadoria da exposição Elementar: fazer junto (2023); idealizou os projetos Semana das Culturas da Infância (2012-2026), Festival Corpo Palavra (2021-2026) e Histórias no Jardim (2022-2025).

Sobre o MAM São Paulo

Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos. Sua coleção conta com mais de cinco mil obras produzidas pelos mais representativos nomes da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto o acervo quanto as exposições privilegiam o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas. O MAM tem uma ampla grade de atividades que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos por meio de visitas mediadas em libras, audiodescrição das obras e videoguias em Libras. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

O MAM está temporariamente fora de sua sede no Ibirapuera desde agosto de 2024 devido à reforma da marquise, realizada pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, e o retorno do museu ao Parque está previsto para o segundo semestre de 2026. A programação de exposições está sendo apresentada em instituições parceiras. Acompanhe as atividades do MAM através do site (mam.org.br) e pelas redes sociais (@mamsaopaulo).

Sobre o Sesc São Paulo

O Serviço Social do Comércio é uma entidade privada com finalidade pública, criada em 1946 por iniciativa do empresariado do setor de comércio de bens, serviços e turismo, e que tem como missão contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores dessas categorias, seus dependentes e da sociedade em geral.

No estado de São Paulo, o Sesc conta com uma rede de 44 unidades, incluindo centros culturais e esportivos, bem como unidades especializadas. Oferece programações em diversas linguagens artísticas, atividades físico-esportivas e de turismo social, programas de saúde, educação para sustentabilidade, para a diversidade e para acessibilidade, alimentação, programas especiais para crianças, jovens e pessoas idosas, além do Sesc Mesa Brasil – programa institucional de combate à fome e ao desperdício de alimentos.

O Sesc desenvolve, assim, uma ação de educação não formal permanente com o intuito de valorizar as pessoas ao estimular a autonomia, a convivência e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir. Para mais informações, acesse o portal: sescsp.org.br.

SERVIÇO:

Exposição Mire Veja: MAM São Paulo visita Sesc Bom Retiro

Local: Sesc Bom Retiro

Curadoria: Valquíria Prates e Mirela Estelles

Abertura: Dia 30 de junho, 19h.

Período expositivo: 1 de julho a 27 de setembro de 2026.

Terça a sexta, 9h às 20h. Sábado, 10h às 20h.

Domingo e feriado, 10h às 18h.

Espaço Expositivo. Livre.

Endereço: Alameda Nothmann, 185 – Campos Elíseos, São Paulo – SP

Entrada: gratuita.

Mais informações:

MAM São Paulo

instagram.com/mamsaopaulo

facebook.com/mamsaopaulo

youtube.com/@mamsaopaulo

Sesc Bom Retiro

Alameda Nothmann, 185. CEP 01216-000. Campos Elíseos, São Paulo – SP.

Telefone: (11) 3332-3600

Siga o @sescbomretiro nas redes sociais:

Facebook, Instagram: @sescbomretiro.

(Com Flávio Aquistapace/Sesc Bom Retiro)

 

Espetáculo “Saudade”, do grupo Os Geraldos, reinaugura o Teatro Municipal João Caetano, em São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Peça retorna à capital para reabrir as portas desse patrimônio cultural da cidade; a data também marca o lançamento do “Giro Sesc 80 anos nos Teatros Municipais de São Paulo”. Foto: Tatiana Reis.

O grupo campineiro Os Geraldos retorna à capital com seu mais recente espetáculo, “Saudade”, para a reinauguração do Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino), equipamento municipal da cidade de São Paulo. As portas voltam a abrir para o público no sábado, dia 27 de junho de 2026, com sessão às 20h e ingressos gratuitos distribuídos uma hora antes.

Saudade tem direção e concepção de Douglas Novais, texto de Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro e direção musical de Everton Gennari. A montagem narra a história de um vilarejo onde a morte era tratada como brincadeira pelas crianças, até que um acontecimento altera de forma definitiva a maneira como elas compreendem a perda.

Foto: Tatiana Reis.

O espetáculo  cumpriu temporada de cinco semanas entre maio e junho deste ano, no Sesc Santana, atraindo mais de 2 mil espectadores, e agora retorna para um evento duplamente histórico: além de reabrir as portas desse patrimônio cultural da cidade, em cuja modernização foram investidos cerca de R$ 10 milhões, a apresentação também marca o lançamento do “Giro Sesc 80 anos nos Teatros Municipais de São Paulo”.

Inspirada no conto Pinguinho, de Viriato Correia, e em textos de Rubem Alves, a peça articula infância, morte e memória a partir de uma encenação que integra narrativa e canto coletivo. No vilarejo que se constrói em cena, a saudade surge como experiência compartilhada entre atores e público.

Foto: Stephanie Laura.

O espetáculo reúne 13 intérpretes em cena, que executam ao vivo canções tradicionais em português, espanhol, francês, italiano e latim. A música organiza a progressão das cenas e aproxima referências culturais distintas de um imaginário popular.

Criado há 18 anos em Campinas, Os Geraldos desenvolvem pesquisa em teatro popular centrada na relação direta com a plateia. O grupo já circulou por 106 cidades, em 24 estados brasileiros e 10 países.

Giro Sesc 80 anos nos Teatros Municipais de São Paulo

O espetáculo marca o início do “Giro Sesc 80 anos nos Teatros Municipais de São Paulo”, com uma temporada de espetáculos gratuitos em diversos teatros municipais oferecidos por uma parceria entre o Sesc e a Prefeitura. No domingo (28), às 15h, sobe ao palco a peça infantil “Monstro da Porta da Frente”, do coletivo A Digna, que homenageia a sétima arte e discute o direito à cidade, acompanhando a menina Laura na missão de salvar o antigo cinema de rua do seu bairro.

Sobre a revitalização do Teatro João Caetano

Confira os detalhes da reforma na matéria publicada pela Prefeitura de São Paulo no link a seguir: Teatro João Caetano reabre nesta sexta (26) e estreia programação em parceria com Sesc São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa – Prefeitura https://share.google/bHwem7Hrgnumw33wU.

Foto: Bob Sousa.

Sinopse | Em um pequeno vilarejo, a morte, antes motivo de festa e brincadeiras, transforma-se em um encontro íntimo com a fragilidade da vida e a força das memórias. Inspirado livremente no conto “Pinguinho”, de Viriato Correia, o espetáculo “Saudade” celebra a poesia das raízes de um povo, conectando o interior do Brasil a tantos outros cantos.

FICHA TÉCNICA

Direção e concepção de cena, figurino e cenografia: Douglas Novais

Direção musical e preparação vocal: Everton Gennari

Dramaturgia: Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro

Direção de texto: Douglas Novais e Paula Guerreiro

Elenco: Alexandre Cremon, Carolina Delduque, Emme Toniolo, Everton Gennari, Gileade Batista, Guilherme Crivelaro, João Fernandes, Julia Cavalcanti, Paty Palaçon, Paula Guerreiro, Pedro Dias, Roberta Postale e Valéria Aguiar

Iluminação: Caetano Vilela

Visagismo e maquiagem: Douglas Novais e Gileade Batista

Assistência de direção: Julia Cavalcanti

Assistência Dramatúrgica: Emme Toniolo e Tatiana Alves

Coordenação do Ateliê Kairós: Emme Toniolo

Assistência do Ateliê Kairós: Gileade Batista, Guilherme Crivelaro, Vinícius Zaggo, Valéria Aguiar, Agnes Foster, Aline Sivieri e Jennifer Adélia

Fotografia: Stephanie Lauria, Bob Sousa e Guto Muniz

Design gráfico e Ilustrações: Guilherme Crivelaro

Redação do programa: Paula Guerreiro

Operação de luz: Débora Piccin

Coordenação de produção executiva: Paty Palaçon

Produção executiva: Anna Helena Longuinhos

Assistência de produção: João Vitor Paulato, Nicole Mesquita, Lívia Telles

Captação e Projetos: Carolina Delduque, Paula Guerreiro, Lívia Telles, Paty Palaçon

Assistência de Captação e Projetos: Pedro Dias, Anna Helena Longuinhos e Débora Piccin

Coordenação técnica: João Fernandes e Alexandre Cremon

Assistência técnica: Roberta Postale e Pedro Dias

Coordenação de comunicação: Nicole Mesquita

Coordenação de gestão: Tatiana Alves

Coordenação geral: Douglas Novais

Produção: Os Geraldos.

SERVIÇO:

Saudade

Grupo Os Geraldos, na reabertura do Teatro João Caetano

Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo – SP

Quando: sábado (27), a partir das 19h (início do espetáculo às 20h)

Duração: 60 minutos

Recomendação etária indicativa: 14 anos

Ingressos: gratuitos, distribuídos uma hora antes.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)