Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Contos de Machado de Assis à luz da Psiquiatria e do Direito contemporâneo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Capa.

Em 1869, Machado de Assis publicou o conto “O anjo Rafael”, no qual descreveu com precisão clínica um quadro em que o delírio de um pai é transmitido à filha criada em isolamento absoluto. Oito anos depois, Lasègue e Falret formalizariam na literatura médica aquilo que hoje se conhece como folie à deux, a psicose compartilhada. Esse pioneirismo do maior escritor brasileiro é o fio condutor de “Machado de Assis: a loucura e as leis”, obra organizada e comentada pelo psiquiatra Daniel Martins de Barros, com edição revista, ampliada e atualizada publicada pela Matrix Editora.

A proposta do livro é conduzir o leitor por um percurso interdisciplinar que une Literatura, Psiquiatria e Direito, tendo como fio condutor contos emblemáticos do pai do realismo brasileiro. “A literatura é rica em exemplos de descrições precisas – e por vezes pioneiras – de quadros clínicos”, comenta Barros. Textos como O alienistaO enfermeiro e A causa secreta revelam-se surpreendentemente atuais quando lidos à luz de questões contemporâneas sobre responsabilidade, normalidade, moralidade e poder.

O autor mostra como Machado antecipou debates centrais da psiquiatria moderna e expôs, com ironia e lucidez, os riscos do autoritarismo travestido de ciência. Os doze contos selecionados atravessam temas como crimes passionais, sadismo, burnout em cuidadores, simulação de doenças, jogo patológico e a validade jurídica de testamentos feitos por suicidas. “O interesse deste livro, mais do que reduzir a leitura da obra machadiana a uma superficial compilação de aspectos jurídicos ou médicos, é identificar em seus escritos pontos de convergência entre esses dois saberes, auxiliando-nos nessa já declarada complexa atividade, descobrindo como o talento literário do autor articulou essa interface”, comenta o autor.

Barros mostra que a loucura, na ficção machadiana, nunca é apenas patologia. É categoria social, instrumento de controle e espelho desconfortável da normalidade. Em um momento em que debates sobre saúde mental, imputabilidade penal e direitos de pessoas com transtornos mentais ocupam o centro das discussões jurídicas e políticas brasileiras, Barros oferece um instrumento raro: a ficção como ferramenta de compreensão do que a técnica ainda não consegue nomear.

O psiquiatra revela ainda a relação dos contos com as normas jurídicas, investigando as interações sociais regradas pelo Direito Civil e Público. Dentre os temas, discute a fundamentação legal das internações involuntárias e trata sobre a capacidade civil e a curatela conforme o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Traz também exemplos como a aplicação da atenuante de violenta emoção em homicídios, além de dilemas atuais da Psiquiatria Forense.

A nova edição inclui dois textos inéditos com comentários originais do organizador, e foi atualizada conforme mudanças no Código Civil, que transformaram profundamente o tratamento jurídico da capacidade civil e da interdição no Brasil, e incorpora as classificações mais recentes de transtornos mentais. Machado de Assis: a loucura e as leis é uma obra que dialoga com estudantes, profissionais do direito e da saúde, professores e leitores amantes da literatura clássica.

Ficha técnica

Título: Machado de Assis: a loucura e as leis – Reflexões sobre a natureza humana no encontro entre Literatura, Psiquiatria e Direito

Autoria: Daniel Martins de Barros

Editora: Matrix Editora

ISBN: 978-6556166599

Páginas: 248

Preço: R$ 85,00

Onde encontrar: Matrix EditoraAmazon e livrarias de todo o país.

Sobre o autor

Foto: Divulgação.

Daniel Martins de Barros é médico psiquiatra e professor colaborador do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. Doutor em Ciências e bacharel em Filosofia pela USP, atua em divulgação médica. É autor de obras como Viagem por dentro do cérebro (indicado ao prêmio Jabuti de 2014), O caso da menina sonhadoraLado bom do lado ruimRir é precisoViver é melhor sem ter que ser o melhorTubo de ensaios (semifinalista do prêmio Jabuti Acadêmico) e Sofrimento não é doença. Pela Matrix Editora, publicou os livros-caixinha® Exercícios de Argumentação e Percepção x Realidade. Mantém o canal Daniel Martins de Barros no YouTube, sobre cérebro e comportamento, além de colunas na Band News FM, CNN e revista Galileu.

Redes sociais do autor: Instagram | Youtube | LinkedIn.

Sobre a Matrix Editora

Apostar em novos talentos, formatos e leitores. Essa é a marca da Matrix Editora, desde a sua fundação em 1999. A Matrix é hoje uma das mais respeitadas editoras do país, com mais de 1.100 títulos publicados e oito novos lançamentos todos os meses. A editora se especializou em livros de não-ficção, como biografias e livros-reportagem, além de obras de negócios, motivacionais e livros infantis. Os títulos editados pela Matrix são distribuídos para livrarias de todo o Brasil e também são comercializados no site www.matrixeditora.com.br

(Com Misael Freitas/LC Agência de Comunicação)

Galeria MITS expõe “Quando a Água Aprende a Queimar”, de Lía Matos

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Em busca da Chama (2023), Lía Matos. Fotos: MITS.

A Galeria MITS apresenta a exposição individual “Quando a Água Aprende a Queimar”, de Lía Matos. A mostra marca o momento na pesquisa da artista, que parte de paisagens abstratas para criar espaços e campos energéticos que permitem que o invisível se evidencie lentamente a partir de tensões e sobreposições.

Partindo da pintura, Lía Matos desenvolve um trabalho que se constrói por camadas, apagamentos e reaparições. As obras não se organizam a partir de uma imagem pré-definida, mas de um processo que se desdobra ao longo da execução. Ao escutar histórias de pessoas, conhecidas ou desconhecidas, a artista incorpora essas narrativas em suas pinturas, criando imagens que não pertencem exclusivamente a quem as produz. Seu processo se inicia com um gesto de liberação, como se algo precisasse ser retirado de dentro para então ganhar forma. A partir daí, a tela se transforma em interlocutora.

Cor e gesto estabelecem relações que se transformam continuamente em superfícies densas. O conjunto apresentado envolve o espectador em uma experiência que exige tempo e atenção, pois as obras não se oferecem de imediato, portanto se constroem na permanência do olhar.

Em articulação com o nome da exposição, o fogo aparece como elemento recorrente na produção recente de Lía Matos. A presença do elemento vai além de um símbolo, e atua como força que orienta o processo, que em contrapartida, a água surge como fluxo e deslocamento. A relação entre esses dois elementos organiza o conjunto da exposição, propondo uma reflexão sobre instabilidade, mudança e continuidade.

Lía Matos.

Sobre o convite para Lía expor, Roger Supino conta sobre a importância de jovens artistas que estão transformando o cenário da arte contemporânea. “Existe um compromisso muito claro da galeria em acompanhar artistas em formação, como é o caso da Lía, que apresenta sua primeira individual no Brasil depois de uma trajetória construída em Nova York. Para a MITS, interessa abrir espaço para o que está surgindo agora, com frescor e consistência.”

A exposição abriu ao público no dia 7 de maio e fica até o final de junho na Galeria MITS.

Sobre Lía Matos

Lía Matos é uma artista multimídia brasileira que vive e trabalha em Ridgewood, Nova York. Sua prática atravessa pintura, escultura, instalação e performance, com interesse em processos ligados à memória, espiritualidade e materialidade. É formada em Belas Artes pela School of Visual Arts, em Nova York, e realizou sua primeira exposição individual na cidade em 2024, na ChaShaMa. Seu trabalho já foi apresentado em exposições no Brasil e nos Estados Unidos e integra coleções privadas em diferentes países.

Sobre MITS

Fundada em 2023 por Roger Supino, catalisa artistas emergentes e conecta essas produções de repertório jovem à formação de um novo público colecionador. Com uma abordagem curatorial que dialoga com o tempo presente e um ambiente acolhedor, a MITS promove uma comunicação recheada de repertório artístico, apostando em formação de público e conexões mais horizontais. Além da representação de artistas contemporâneos emergentes, a galeria atua no mercado secundário, desenvolve projetos personalizados para colecionadores, e realiza parcerias com instituições e iniciativas sociais, reafirmando seu compromisso com um ecossistema artístico conectado. Descubra mais em @mits.galeria.

SERVIÇO:

Exposição Quando a Água Aprende a Queimar, de Lia Matos

Até final de junho

Visitação: segunda a sábado, das 10h às 20h

Local: Galeria MITS – Rua Padre João Manuel,740

Entrada gratuita.

(Com Giovanna Morrone/SAL PR)

Coletivo Desvio Padrão apresenta espetáculos acessíveis e ciclo formativo em São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Só se fechar os olhos, Coletivo Desvio Padrão. Fotos: Thamires Mulatinho.

Coletivo Desvio Padrão realiza, entre os dias 9 e 11 de junho, uma programação que integra arte e acessibilidade em diferentes espaços do centro de São Paulo. Com apresentações dos espetáculos Só se fechar os olhosePara além do gesto, além de oficinas e seminários gratuitos, o projeto investiga a audiodescrição e a Língua Brasileira de Sinais como linguagens criativas nas artes da cena. Com atividades no Espaço Parlapatões e no Centro MariaAntonia (USP), a proposta parte de uma investigação sobre tradução intersemiótica, explorando como experiências sensoriais podem ser recriadas a partir de diferentes linguagens, como som, palavra e língua de sinais.

Da audiodescrição à criação

A pesquisa nasce da experiência do coletivo com audiodescrição de espetáculos de dança – técnica que traduz elementos visuais em palavras e permite que pessoas cegas ou com baixa visão construam imagens a partir da escuta.

Mais do que um procedimento descritivo, a audiodescrição envolve escolhas narrativas lexicais e sonoras que influenciam diretamente a forma como o espectador imagina uma cena. É justamente essa dimensão subjetiva e criativa que o projeto explora.

A partir daí, o Coletivo propõe um deslocamento: em vez de descrever uma obra existente, cria uma obra imaginária de dança que se concretiza no ato da narração.

Uma dança que só existe na imaginação

Com concepção de Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta, “Só se fechar os olhos” é um espetáculo que radicaliza a relação entre som e imagem ao propor que a dança não seja vista, mas imaginada.

Em cena, duas performers, caracterizadas como rainhas e vestindo figurinos de grandes proporções, com barras que se estendem por cerca de cinco metros, permanecem paradas e em silêncio. A coreografia não é executada fisicamente. A experiência é conduzida pela narração, que se entrelaça à trilha sonora e a sons concretos. É a partir dessa camada sonora que o público constrói as imagens da dança.

O texto que descreve essa dança foi criado por Edgar Jacques, ator e dramaturgo, cego desde a infância. Sem nunca ter visto com os olhos um espetáculo de dança, ele elabora uma coreografia imaginada, invertendo a lógica tradicional da criação cênica.

Na narrativa, duas rainhas de xadrez descobrem movimentos possíveis para além da norma. Ao fechar os olhos, o espectador é convidado a “ver” essas figuras e participar ativamente da construção da cena.

Criado em 2019, o espetáculo desdobrou-se ao longo dos anos em diferentes formatos, incluindo versões sonora, audiovisual e em Libras, ampliando o próprio conceito de tradução que sustenta o projeto.

A tradução em Libras como obra

Para além do gesto” nasce como uma tradução de “Só se fechar os olhos” para a Língua Brasileira de Sinais, mas rapidamente se transforma em uma obra autônoma.

O ponto de partida é um problema conceitual: como adaptar um espetáculo baseado na escuta para um público que não ouve? A solução encontrada foi preservar a narração como eixo central, deslocando-a para a expressividade da Libras.

Em cena, as atrizes surdas narram a dança em língua de sinais, sem executá-la fisicamente. Assim como na obra original, o movimento não está dado: ele é imaginado pelo espectador, agora a partir da visualidade e da potência expressiva do corpo que sinaliza.

A versão incorpora ainda novos elementos tradutórios que expandem a experiência: o uso da luz cênica e de projeções que complementam a narrativa, a presença de legendas descritivas integradas à cena e a musicalidade visual.

Desenvolvida pelo Coletivo Desvio Padrão, a musicalidade visual é uma técnica que traduz elementos musicais – como ritmo, melodia, harmonia, timbre, intensidade e dinâmica – em expressão corporal, tornando visíveis as sensações provocadas pela composição sonora. Mantendo o universo ficcional das duas rainhas de xadrez, a obra propõe outra via de acesso à experiência e reforça a ideia de que cada linguagem não apenas traduz, mas recria. O resultado é uma obra em constante deslocamento: uma experiência sonora que se torna visual, uma dança que não é dançada, uma tradução que se transforma em criação.

Acessibilidade como linguagem

Além dos espetáculos, o projeto inclui um ciclo formativo que explicita os processos por trás das obras e amplia o debate sobre acessibilidade nas artes.

As atividades abordam temas como a construção de imagens por meio da linguagem, a tradução de musicalidades em gestos e as escolhas envolvidas na audiodescrição. Oficinas práticas e seminários reúnem artistas e pesquisadores para discutir metodologias e experiências no campo.

Os bate-papos após as apresentações também integram a proposta, permitindo ao público acessar os bastidores da criação e refletir sobre os deslocamentos provocados pelas obras.

SERVIÇO:

Isso é dança? | O processo de criação de “Só se fechar os olhos”

Bate-papo com criadores (instigação e mediação: Cintia Alves, ECA/USP)

Data: 9 de junho, terça-feira

Horário: das 19h às 22h

Local: Espaço Parlapatões

Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 158, Consolação, São Paulo/ SP

Ingressos: pague quanto quiser – disponíveis pelo Sympla.

Data: 10 de junho, quarta-feira

Local: USP Centro Maria Antonia

Endereço: Rua Maria Antônia, 294, Vila Buarque, São Paulo/ SP

Entrada livre e gratuita

Horários:

das 10h às 13h

Oficina com Coletivo Desvio Padrão: legenda gráfica – uma proposta animada de representação sonora

Onde: Sala 103

das 14h às 17h

Seminário Audiodescrição nas artes da cena – a escolha dos elementos e ferramentas na busca pela acessibilidade estética

Onde: Salão Nobre

Abertura: Coletivo Desvio Padrão

Mediação: Viviane Sarraf (PPGMUS/USP)

Convidado 1: Vinicius Romanini (PGEHA/USP)

Convidado 2: Lara Souto Santana

Do que não se vê ao que não se escuta: O processo de criação de “Para além do gesto

Bate-papo com artistas, tradutores e performers (instigação e mediação: Fábio de Sá)

Data: 10 de junho, quarta-feira

Horário: das 19h às 22h

Local: Espaço Parlapatões

Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 158, Consolação, São Paulo/SP

Ingressos: pague quanto quiser – disponíveis pelo Sympla.

Data: 11 de junho, quinta-feira

Local: USP Centro Maria Antonia

Endereço: Rua Maria Antônia, 294, Vila Buarque, São Paulo/ SP

Entrada livre e gratuita

Horários:

das 10h às 13h

Seminário Ver o som – corpo tradutor de musicalidades

Abertura: Coletivo Desvio Padrão

Mediação: Fernanda Machado (FFLCH, USP)

Convidado 1: Leandro Vitorino (PPGLin, UESB)

Convidado 2: Guilherme Peluci (ECA, USP)

Onde: Salão Nobre

das 14h às 17h

Oficina com Coletivo Desvio Padrão: musicalidade visual – a construção de uma gramática para a tradução de sons em gestos e expressão corporal

Onde: Sala 103.

Sobre o Coletivo Desvio Padrão

Desvio Padrão é um coletivo formado por artistas, técnicos e produtores que transitam nas pontas da curva normal – pessoas surdas, ouvintes, enxergantes, com deficiência visual e física – atuantes no campo da cultura, a partir da diversidade de corpos e percepções. O grupo desenvolve projetos que articulam criação artística, formação e acessibilidade, propondo novas formas de produzir e fruir experiências culturais.

Sua atuação inclui a realização de cursos, laboratórios e oficinas, ações de formação e sensibilização para equipes, produção de conteúdo artístico digital voltado à pluralidade de públicos e criação de espetáculos comprometidos com a diversidade no palco e na plateia. O coletivo também elabora e implementa planos de acessibilidade para eventos culturais, oferecendo recursos como audiodescrição, interpretação em Libras e outras ferramentas de mediação. www.coletivodesviopadrao.com.br | @desviopadraocoletivo.

(Com Patricia Marrese/Marrese Assessoria)

Alta gastronomia no Deserto do Atacama

Chile, por Kleber Patricio

Sob o comando dos chefs Juan Pablo Mardones e Maureen Jones, hotel UNAI convida os hóspedes a degustações especiais. Fotos: Divulgação.

O Deserto do Atacama é conhecido por suas paisagens que desafiam a imaginação, mas no glamping UNAI Atacama Luxury Tents, a imersão na cultura local atravessa também o paladar. Localizado no místico Ayllu de Solor, o empreendimento eleva a gastronomia ao status de arte, propondo um diálogo íntimo entre as técnicas contemporâneas e a herança dos povos originários. Lá, a cozinha autoral não é apenas uma refeição, mas sim o coração de uma hospitalidade que celebra o deserto em sua forma mais pura e sofisticada.

A jornada sensorial é estruturada em menus degustação de quatro e seis tempos, onde cada prato conta uma história sobre o solo e o clima da região. Em vez de meras receitas, os chefs apresentam capítulos de uma narrativa que exalta tesouros como o pinhão de chañar e o milho (humita). A experiência começa com a frescura das vieiras em preparos vibrantes, evoluindo para o conforto de massas artesanais que abraçam sabores cremosos e tradicionais. No prato principal, o corte nobre de carne encontra a intensidade das uvas chilenas, enquanto o encerramento da jornada mergulha na doçura de frutos típicos e ervas aromáticas, como a muña muña, que limpa o paladar e desperta os sentidos.

A harmonização é um capítulo à parte, desenhada para que os vinhos — todos provenientes dos vales mais renomados do Chile — funcionem como um espelho líquido da paisagem. Cada taça é cuidadosamente selecionada para elevar as notas terrosas e a frescura dos ingredientes, criando uma sinfonia onde o terroir do deserto se faz presente do primeiro ao último brinde. É um convite para habitar o território com respeito, exclusividade e uma conexão profunda com o que a terra oferece.

Oportunidade Exclusiva para Brasileiros

Para aqueles que desejam viver esse despertar de sentidos, o UNAI Atacama lançou uma condição especial para o público brasileiro. Até o dia 15 de setembro de 2026, estadias a partir de três noites contam com 20% de desconto. O benefício contempla todas as modalidades de hospedagem, desde o café da manhã até os programas privativos, permitindo que a jornada pelo Atacama seja moldada ao ritmo de cada viajante.

Sobre o UNAI Atacama

Inaugurado em 2020, o UNAI — termo que na língua quechua significa “início” — é um refúgio de glamping sustentável que redefine o luxo no deserto. Suas tendas de 40 m² e 60 m² são integradas à natureza preservada, oferecendo vistas privilegiadas para o vulcão Licancabur. Movido integralmente por energia solar, o hotel une o conforto de alto padrão ao compromisso com o turismo responsável, oferecendo ainda experiências de bem-estar, yoga e expedições privadas pelos cenários mais icônicos do norte do Chile.

(Com Ana Davini/AD Comunicação & Marketing)

Exposição na Vila Cultural Cora Coralina reúne mais de 100 obras de Siron Franco

Goiânia, GO, por Kleber Patricio

Sem Título, óleo sobre tela, 80×105, Siron Franco, 1977. Fotos: Divulgação/Siron Franco.

Goiânia recebe, até 6 de julho, a exposição “Expressões”, dedicada à obra de Siron Franco. Em cartaz na Vila Cultural Cora Coralina, a mostra reúne mais de 100 trabalhos produzidos entre as décadas de 1960 e 1980 — período decisivo na formação estética e política do artista.

Com forte carga expressionista, as obras evidenciam o olhar crítico de Siron sobre o contexto social brasileiro, traduzindo em imagens o desconforto diante de temas como repressão, desigualdade e violência. O recorte curatorial privilegia trabalhos que dialogam com episódios marcantes da história recente, como a ditadura militar e o acidente com o Acidente com o Césio-137 em Goiânia, cuja abordagem expositiva inclui um ambiente imersivo que remete à cápsula do material radiológico.

Outro destaque é a instalação dedicada ao feminicídio, composta por dezenas de Madonas produzidas pelo artista nos anos 1970 e 1980, em uma reflexão potente sobre violência de gênero e religiosidade. As obras apresentadas pertencem a uma fase em que Siron, ainda jovem, começa a ganhar projeção nacional e internacional.

Madona Nua, óleo sobre madeira, 50×40, Siron Franco, 1976.

A exposição se estrutura a partir da arte como ferramenta de leitura e intervenção no mundo, colocando em diálogo questões universais como fome, desigualdade e resistência cultural. O percurso inclui ainda a instalação Fome, do artista e curador Aguinaldo Coelho.

Idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim destaca a força simbólica do conjunto apresentado. “Siron Franco não pinta apenas quadros — ele realiza verdadeiras biópsias do tecido social brasileiro. Expressões reúne o trauma da ditadura, o luto radioativo do Césio 137, as tensões do sincretismo religioso e a persistência da desigualdade contemporânea”, afirma.

Para o artista, a exposição propõe uma experiência formativa e provocadora. “A ideia é estimular reflexões sobre acontecimentos históricos que ainda reverberam na sociedade. É uma oportunidade de aproximar o público de obras que dialogam com a cultura, a identidade e a história goiana e brasileira”, diz Siron.

Sobre o artista

Santa Luzia, óleo sobre tela, 60×50, Siron Franco, 1983.

Nascido na cidade de Goiás, em 1947, Siron Franco é pintor, escultor, desenhista, gravador, ilustrador e diretor de arte. Ao longo de sua carreira, acumulou importantes reconhecimentos, como o prêmio da I Bienal da Bahia (1968), o destaque no I Salão Global da Primavera (1973) e premiações nas edições XII (1974) e XIII (1975) da Bienal Internacional de São Paulo. Também recebeu os principais prêmios do Salão Nacional de Artes Plásticas, no Rio de Janeiro, consolidando-se como um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea brasileira.

SERVIÇO:

Exposição “Expressões”

Período expositivo: até 6 de julho de 2026

Visitação: segunda a domingo, das 9h às 17h

Local: Vila Cultural Cora Coralina

Endereço: Rua 23 com Rua 3, Setor Central – Goiânia (GO)

Entrada gratuita.

(Com Carolina Amoedo/Cor Comunicação)