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Inspirado em viagem real de bicicleta pelo Brasil, espetáculo “A Viagem do Jiló” estreia temporada no Teatro Cacilda Becker

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo homenageia a diversidade cultural brasileira a partir da história de um palhaço que viaja de bicicleta com seu cachorro de São Paulo até Olinda. Fotos: Herbert Baratella.

Após circular por unidades do Sesc no interior paulista e conquistar crianças e famílias por onde passou, o espetáculo “A Viagem do Jiló” inicia nova temporada no Teatro Cacilda Becker, com sessões gratuitas até 30 de agosto de 2026.  Aos sábados, o público é convidado a participar da oficina “Recriando a Comicidade – Esquetes Clássicas do Circo Teatro para o Público de Hoje”.

Inspirada em uma viagem real de bicicleta realizada pelo artista e palhaço Giba Freitas, a montagem transforma uma experiência vivida nas estradas brasileiras em uma aventura poética, bem-humorada e repleta de referências à cultura nacional.

Em cena, Jiló decide seguir de bicicleta até Olinda, desconfiado da notícia de que o Carnaval deixará de existir. No caminho, encontra o Cachorro Caramelo, que se torna seu companheiro de estrada. Juntos, cruzam diferentes estados brasileiros, encontram personagens inspirados na cultura popular e descobrem que a informação não passava de uma fake news.

A ideia surgiu a partir da experiência vivida por Giba Freitas em uma cicloviagem entre São Paulo e Olinda. Os encontros, as paisagens e os costumes observados ao longo do caminho deram origem à dramaturgia, assinada por Paulo Rogério Lopes, com direção de Fernando Sampaio e música executada ao vivo por Maral. “A Viagem do Jiló nasce de uma experiência que mudou completamente a minha vida. Quando voltei da viagem, percebi que havia uma história muito potente ali. Hoje, o mais bonito é ver como as crianças acreditam na narrativa e embarcam nessa aventura do começo ao fim”, afirma Giba Freitas.

No palco, a cenografia de Andreas Mendes reproduz um grande mapa ilustrado do Brasil, permitindo que o público acompanhe o trajeto dos personagens. Placas inspiradas na sinalização das estradas indicam os estados visitados, enquanto figurinos inspirados em Charles Chaplin, O Gordo e o Magro e nos palhaços dos grandes circos ajudam a compor o universo da narrativa.

Desde a estreia, a montagem consolidou sua relação com o público infantil. “Descobrimos a força da dramaturgia quando vimos as crianças acreditando em tudo o que acontece em cena. Elas viajam junto com Jiló e o Caramelo. Já os adultos costumam se surpreender ao descobrir, no final, que a história foi inspirada em uma viagem que realmente aconteceu”, diz o artista.

Criação

O espetáculo nasceu a partir de uma experiência mambembe de Giba Freitas. Em dezembro de 2022, ele embarcou em uma cicloviagem com a palhaça Formiga (Marisa Silva) para chegar até o Recife a tempo de aproveitar o Carnaval. Depois, os amigos seguiram por mais 150 km até a Paraíba, complementando mais um estado.

Durante o trajeto, o artista começou a refletir sobre como os costumes são importantes para a criação de uma identidade coletiva. E, a partir disso, quis investigar quais seriam as identidades de cada região do Brasil hoje: o que ficou pelo caminho e o que está enraizado em nós?

Giba encontrou figuras clássicas do imaginário brasileiro, como o caipira, as vizinhas, as madames, as famílias tradicionais decadentes e os caboclos. Então, ele buscou a essência de todos esses personagens, considerados até arquétipos, para falar com crianças e adultos sobre a imensidão que é o nosso Brasil.

Assim, os espectadores das mais variadas idades poderão pensar sobre a diversidade cultural brasileira, principalmente em tempos de extrema polarização. “É necessário que o Brasil conheça o Brasil para que aprenda de fato a respeitá-lo”, defende o artista.

Sinopse

Jiló está de bike equipada para seguir rumo a maior festa do Brasil quando se depara com um cachorro caramelo cansado das ruas e precisando de um pouco de energia. De carona na bike, a dupla encontrará muitos desafios, aventuras, riso e diversidade. O trabalho é uma homenagem à identidade plural brasileira, enfatizando a beleza das diferenças e misturando a tradicionalidade do circo e o momento atual, ao tempo em que explora musicalidade e técnicas de manipulação de bonecos, dando vida a personagens inimagináveis.

FICHA TÉCNICA

Direção: Fernando Sampaio

Texto: Paulo Rogério Lopes

Elenco: Giba Freitas e Maral

Assistência de direção: Marisa Silva

Cenário e figurinos: Andreas Mendes

Bonequeiro: Murilo Cesca

Direção musical e trilha sonora ao vivo: Maral

Preparação corporal: Larissa Pretti

Iluminação: Diego Gonçalves Cordeiro

Assistente de Produção: Thauana Garcia

Produção Executiva: Bruna Burkert

Coprodução: Híbrida Arte e Cultura.

SERVIÇO:

A Viagem do Jiló

Temporada: de 15 a 30 de agosto, aos sábados e domingos, às 16h

*Sessão com audiodescrição no dia 29 de agosto

Duração: 50min | Classificação: 7 anos

Oficina Recriando a Comicidade – Esquetes Clássicas do Circo Teatro para o Público de Hoje 

Dias 15, 22 e 29 de agosto, das 10h às 13h

Com Giba Freitas e Maral

Inscrições em https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfcdgVahl6N22Uh4CDi5V5aTKy0uraMrLVApC4BXMiTIl2WVQ/viewform

Bate-papo com Fernando Sampaio

Dia 22 de agosto, após a sessão

Local:Teatro Cacilda Becker – R. Tito, 295, Lapa/ SP

Entrada Gratuita.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Em novo vídeo de bastidor, Brad Pitt apresenta o cachorro Uber, estrela do filme ‘Coração Selvagem’

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação/Paramount Pictures.

O cachorro ator Uber é destaque no novo vídeo de bastidor de “Coração Selvagem”. Protagonista no filme, Brad Pitt destaca como a amizade com seu parceiro de cena, em frente e atrás das câmeras, foi essencial para que a trama de sobrevivência e companheirismo ganhasse vida no longa. Além do featurette, o filme acaba de ganhar novas imagens e um site em que o público pode criar seu pôster personalizado com uma imagem de seu amigo de quatro patas. Com distribuição da Paramount Pictures, “Coração Selvagem” estreia dia 24 de setembro nos cinemas brasileiros.

Com direção de David Ayer, o longa conta como o agente das forças especiais James Belmont (Brad Pitt) e seu cão, Odin (Uber), se vêem perdidos em meio à mata selvagem do Alaska, após um trágico acidente aéreo. Juntos, eles viverão uma luta brutal pela sobrevivência contra a natureza em um thriller de aventura que explora o laço entre o homem e seu melhor amigo enquanto enfrentam o seu maior desafio até ali.

J.K Simmons e Anna Lambe também estão no elenco. Damien Chazelle integra o time de produtores executivos ao lado de Scott Lumpkin, Chris Long, Pete Chiappetta, Anthony Tittanegro, Andrew Lary, Sophie Cassidy,  Zack Conroy e Cameron Alexander. O roteiro também é escrito por Alexander. Além de atuar, Brad Pitt participa também como produtor do longa.

O filme é uma produção da Domain Entertainment, Gulfstream Pictures, Wild Chickens, Temple Hill e Kino World Production.

Coração Selvagem – 24 de setembro nos cinemas

@paramountbrasil

#CoraçãoSelvagem

Assista ao featurette AQUI

Assista ao trailer AQUI

Filme com acessibilidade disponível através do aplicativo GRETA.

(Com Fernando Gomes/Atomicalab)

Em setembro, Theatro Municipal de São Paulo apresenta ópera ‘Don Carlo’, de Verdi, após 21 anos

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Além da ópera de Verdi, Theatro Municipal terá concerto do Quarteto de Cordas, apresentação do Coral Paulistano, Orquestra Experimental de Repertório e mais. Foto: Rafael Salvador.

Em setembro, o Theatro Municipal de São Paulo apresenta uma programação diversa que reúne o grande destaque do mês: “Don Carlo”, de Giuseppe Verdi, uma das mais monumentais óperas do repertório, que retorna ao palco do Municipal após 21 anos em uma nova montagem com direção musical de Roberto Minczuk e encenação de Caetano Vilela. Além de concerto do Quarteto de Cordas, com participação de Silvia Góes e João Camarero, e apresentação do Coral Paulistano.

“Quarteto de Cordas toca Ernesto Nazareth” abre a programação do mês, com concerto no dia 3, quinta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório. Além dos integrantes do Quarteto, os violinistas Betina Stegmann e Nelson Rios, o violista Marcelo Jaffé, e o violoncelista Rafael Cesario, e os artistas convidados a pianista Silvia Goes e o violonista João Camarero. O repertório terá Ameno Resedá, Arrojado, Atlântico, Brejeiro, Confidências, ⁠Famoso, Tenebroso e Turbilhão de beijos, de Ernesto Nazareth, e estreia de Suíte para Nazareth de Silvia GoesOs ingressos custam R$50, a classificação é livre e a duração de 60 minutossem intervalo.

A camerata da Orquestra Experimental de Repertório, sob regência de Leonardo Labrada, apresenta o Encerramento do Festival de Trompas, no dia 04, sexta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório. Com participação dos solistas Mark Almond e Felipe Freitas Santos da Silva. No repertório terá Abertura da ópera O Franco Atirador, de Carl Maria Von Weber, Concerto para trompa em Dó menor, Op. 8, de Franz Strauss, e Concerto para trompa, No 1 em Mi bemol Maior, Op. 11, de Richard Strauss. Os ingressos custam R$35, a classificação é livre e a duração de 50 minutos, sem intervalo.

No dia 17, quinta-feira, às 20h, o Quarteto de Cordas da Cidade se apresenta novamente na série Diálogos. Nesta edição, o programa será Diálogos: Montgomery, Mozart e Haydn, colocando em perspectiva diferentes momentos da história do quarteto de cordas, da linguagem contemporânea da premiada compositora norte-americana Jessie Montgomery aos clássicos de Haydn e Mozart. Os ingressos custam R$50, a classificação é livre e a duração de 60 minutos, sem intervalo.

No dia 24, quinta-feira, às 20h, acontece o concerto Luz e Sombra, do Coral Paulistano, sob regência de Maíra Ferreira e Isabela Siscari, na Sala do Conservatório. O repertório percorre diferentes épocas da música vocal, da polifonia renascentista às criações apresenta uma imersão sonora pela riqueza, exuberância e refinamento da música vocal italiana dos séculos XVI e XVII, como Exaudi Domine a 16 vozes, Giovanni Gabrieli; Ridon’ hor per le piagge, Maddalena Casulana, Water Night, Eric Whitacre; Agua Nocturna, de Silvia Berg; O dolorosa gioia, de Carlo Gesualdo; Sound Patterns, de Pauline Oliveros, entre outras. Os ingressos custam R$50, a classificação é livre e a duração de 60 minutos, sem intervalo.

Após 21 anos, Don Carlo, uma das obras-primas de Giuseppe Verdi, retorna ao palco do Theatro Municipal de São Paulo em nova montagem. A grand opéra em cinco atos, baseada na peça de Friedrich Schiller, será apresentada entre os dias 18 e 26 de setembro. Com cerca de quatro horas e meia de duração, a ópera aborda temas como amor, poder, religião, liberdade e conflitos familiares em uma narrativa marcada por intensa dramaticidade.

A montagem reúne a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal, além de um elenco de destaque internacional. A direção cênica e a iluminação são assinadas por Caetano Vilela, reconhecido por seu trabalho em óperas e espetáculos musicais e premiado por sua contribuição à iluminação cênica, Ronaldo Zero como assistente de direção. Com cenografia de Duda Arruk e figurinos de Fabio Namatame, além de Roberto Minczuk na direção musical, Hernán Sánchez Arteaga na regência do Coro Lírico Municipal.

As apresentações acontecem nos dias 18, 19, 20, 22, 23, 25 e 26, às 19h durante a semana, e às 17h aos sábados e domingos. Os ingressos custam de R$47 a R$290, a classificação é de 12 anos e a duração de 270 minutos, 4 horas e 30 minutos, com dois intervalos.

Nos dias 18, 20, 23, 26, o elenco será composto por Atalla Ayan como Don Carlo, Ailyn Pérez como Elisabetta di Valois, Luiz-Ottavio Faria como Filippo II, Ana Lucia Benedetti como Eboli, Paulo Szot como Marquês de Posa, Soloman Howard como O grande Inquisidor, Savio Sperandio como O Frade, Isabella Luchi como Tebaldo e Raquel Paulin como A Voz do Céu.

Já nos dias 19, 22 e 25, Matheus Pompeu interpreta Don Carlo, Ludmilla Bauerfeldt interpreta Elisabetta de Valois, Savio Sperandio interpreta Filippo II, Juliana Taino interpreta Eboli, Michel de Souza interpreta Marquês de Posa, Valeriano Lanchas como O grande Inquisidor, Sérgio Righini interpreta O Frade, Nubia Eunice interpreta Tebaldo, e Lívia Berrêdo interpreta A Voz do Céu. E em todas as datas, Eduardo Goes interpreta Conde e Carlos Eduardo Santos interpreta Arauto.

Sobre o Complexo Theatro Municipal de São Paulo

O Theatro Municipal de São Paulo é um equipamento da Prefeitura da Cidade de São Paulo ligado à Secretaria Municipal de Cultura e à Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

O edifício do Theatro Municipal de São Paulo, assinado pelo escritório Ramos de Azevedo em colaboração com os italianos Claudio Rossi e Domiziano Rossi, foi inaugurado em 12 de setembro de 1911. Trata-se de um edifício histórico, patrimônio tombado, intrinsecamente ligado ao aperfeiçoamento da música, da dança e da ópera no Brasil. O Theatro Municipal de São Paulo abrange um importante patrimônio arquitetônico, corpos artísticos permanentes e é vocacionado à ópera, à música sinfônica orquestral e coral, à dança contemporânea e aberto a múltiplas linguagens conectadas com o mundo atual (teatro, cinema, literatura, música contemporânea, moda, música popular, outras linguagens do corpo, dentre outras).

Oferece diversidade de programação e busca atrair um público variado. Além do edifício do Theatro, o Complexo Theatro Municipal também conta com o edifício da Praça das Artes, concebido para ser sede dos Corpos Artísticos e da Escola de Dança e da Escola Municipal de Música de São Paulo.

Sua concepção teve como premissa desenhar uma área que abraçasse o antigo prédio tombado do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e que constituísse um edifício moderno e uma praça aberta ao público que circula na área.

Inaugurado em dezembro de 2012 em uma área de 29 mil m², o projeto vencedor dos prêmios APCA e ICON AWARDS é resultado da parceria do arquiteto Marcos Cartum (Núcleo de Projetos de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura) com o escritório paulistano Brasil Arquitetura, de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz.

Quem apoia institucionalmente os projetos, via Lei de Incentivo à Cultura: Bradesco, CAIXA Vida e Previdência, Elevadores Atlas Schindler, Mobilize, igc Partners, Scotiabank, CAIXA Seguridade. Pessoas físicas também fortalecem nossas atividades através de doações incentivadas.

Sobre o Instituto Baccarelli

Com 30 anos de trajetória, o Instituto Baccarelli é hoje uma das principais organizações sociais sem fins lucrativos do Brasil, promovendo educação, cultura e inclusão social. Com sede em Heliópolis, atende gratuitamente cerca de 1.650 alunos por ano, utilizando a música como ferramenta de transformação de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. A instituição também é responsável pela gestão do Theatro Municipal de São Paulo e, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, administra 12 unidades dos CEUs e as atividades do Programa Escola Aberta em 10 EMEFs, ampliando o acesso à cultura e ao ensino em 23 territórios periféricos da cidade.

A educação musical de excelência é o principal pilar do Baccarelli, oferecendo desenvolvimento pessoal e reais oportunidades de profissionalização. Entre os destaques da organização estão a construção do Teatro Baccarelli, a primeira sala de concertos em território de favela no mundo, a Orquestra Sinfônica Heliópolis, sob direção artística do renomado maestro Isaac Karabtchevsky, e o Coral Jovem Heliópolis, todos reconhecidos nacional e internacionalmente.

Para mais informações, acesse baccarelli.org.br

Instagram: Link

Instagram Theatro: Link.

(Com André Santa Rosa/Assessoria de imprensa do Theatro Municipal)

“Berimbau Grooves”: da tradição oral da capoeira à música contemporânea

Campinas, SP, por Kleber Patricio

Primeiro trabalho solo da artista Clara Rodriguez chega às plataformas digitais em 13 de agosto com releituras de cantigas populares da Capoeira Angola, aproximando ancestralidade brasileira e sonoridades contemporâneas. Fotos: Divulgação.

A tradição oral é uma das principais responsáveis por manter viva a história da capoeira. Durante gerações, mestres e mestras transmitiram cantigas, ensinamentos e memórias por meio da música, preservando um patrimônio cultural que resistiu ao tempo sem depender da escrita. É justamente desse legado que nasce “Berimbau Grooves”, primeiro trabalho solo da sanfoneira, cantora, atriz, pesquisadora e arte-educadora Clara Rodriguez. O projeto estreou no dia 13 de agosto, com o lançamento do single “Pau Pra Fazer Canoa” nas plataformas digitais, e ganha uma versão audiovisual no dia 19 de agosto, quando a artista apresenta a live session do projeto no YouTube.

Mais do que revisitar cantigas populares, Clara propõe uma continuidade para essa história. Em Berimbau Grooves, o berimbau dialoga com baixo, teclado, guitarra, percussão e vozes para criar arranjos contemporâneos que preservam a essência ritual dessas canções enquanto ampliam suas possibilidades sonoras. O resultado é uma música profundamente brasileira, dançante e aberta ao diálogo com diferentes culturas, reafirmando que tradição não é sinônimo de permanência, mas de movimento.

A proposta nasceu da trajetória da artista, que reúne pesquisa, prática e criação em um mesmo percurso. Formada em Música pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Clara é pesquisadora da afinação do berimbau e Trenela de Capoeira Angola, experiências que alimentam uma produção artística comprometida com a valorização das culturas populares brasileiras. “Essas músicas chegaram até nós porque alguém escolheu cantá-las, ensiná-las e mantê-las vivas. Berimbau Grooves nasce desse desejo de honrar essa trajetória, preservando sua essência enquanto abre espaço para novas possibilidades sonoras. A tradição continua existindo justamente porque ela se transforma”, afirma.

Essa ideia também orienta a estética do projeto. Em vez de transportar a capoeira para um ambiente contemporâneo, Clara permite que ela revele sua vocação natural para o diálogo. Os grooves, harmonias, improvisações e texturas musicais não substituem a tradição, mas criam novas camadas para que essas cantigas continuem encontrando ouvintes, corpos e territórios. A primeira live session de Berimbau Grooves materializa essa proposta. Registrada em formato audiovisual com oito artistas em cena, a produção transforma o lançamento em uma experiência coletiva na qual música, performance, movimento e memória se encontram. O espectador não acompanha apenas uma apresentação, mas é convidado a entrar em uma roda onde passado e presente compartilham o mesmo compasso.

O trabalho também presta homenagem aos mestres, mestras e compositores que mantiveram vivas essas canções ao longo das gerações. “Muitas delas chegaram aos dias de hoje sem o devido registro de autoria, consequência de uma tradição construída pela oralidade. Por isso, sempre que possível, o projeto buscará identificar e creditar seus autores, reconhecendo aqueles que fizeram da memória um instrumento de resistência e preservação cultural”, reforça Clara.

Ao lançar Berimbau Grooves, Clara Rodriguez propõe uma reflexão que ultrapassa a música. Se a tradição oral permitiu que essas cantigas atravessassem séculos, talvez o maior gesto de preservação seja permitir que elas continuem encontrando novas vozes.

Sobre Clara Rodriguez

Clara Rodriguez é sanfoneira, cantora, atriz, pesquisadora, arte-educadora e Trenela de Capoeira Angola. Formada em Música pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolve pesquisas sobre a afinação do berimbau e dedica sua trajetória à valorização das culturas populares brasileiras. Sua produção artística conecta tradição oral, improvisação, performance e sonoridades contemporâneas, criando experiências que aproximam ancestralidade e inovação. Em seu primeiro trabalho solo, Berimbau Grooves, transforma cantigas populares da capoeira em paisagens sonoras atuais, reafirmando a música como um território vivo de memória, criação e encontro entre diferentes tempos.

SERVIÇO:

Lançamento do single “Pau Pra Fazer Canoa”

Data: 13 de agosto de 2026

Local: Spotify e demais plataformas de streaming

Lançamento da Live Session “Berimbau Grooves”

Data: 19 de agosto de 2026

Local: Canal oficial de Clara Rodriguez no YouTube.

(Com Carolina Cerqueira/Fábrica de Histórias)

MACS apresenta exposição do artista visual Marcelino Melo

Sorocaba, SP, por Kleber Patricio

Obra Raimundo Jacó, 2026, da série Etnogênese, de Marcelino Melo, Performance + fotografia em papel Hahnemühle, 100 x 100 cm.

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS) abre ao público, em 15 de agosto, “Etnogênese – O que é, e o que pode ser”, exposição individual de Marcelino Melo com curadoria de Emicida, Luiza Testa e Patrícia Borges. A mostra apresenta a nova série do artista, concebida como continuidade de Quebradinha, conjunto de esculturas pelo qual se tornou conhecido ao reproduzir construções das periferias brasileiras. Agora, Marcelino desloca o foco da arquitetura para as pessoas que constroem e habitam esses espaços. A visitação segue até 15 de novembro de 2026.

Conhecido pelas esculturas em miniatura que reproduzem a arquitetura das quebradas, o que lhe rendeu o apelido, Marcelino expande nesta série a pesquisa da construção para a figura humana que a habita. O barro e o tijolo, materiais que sustentam toda a obra do artista, permanecem como base: o tijolo funciona como elemento visual e conceitual, tecnologia derivada do barro que, segundo o artista, atravessa desde mitologias sobre a criação humana até o cotidiano das quebradas.

Entre as obras da série estão “Èmí, o sopro da vida”, baseada no mito iorubá da criação humana, e a instalação “O que é, e o que pode ser”, composta por 64 peças. O título parte do conceito antropológico de etnogênese, usado para designar o aparecimento de uma identidade étnica ou o modo como um grupo passa a se reconhecer e a ser reconhecido como distinto. Melo aproxima o termo da experiência periférica e toma o ser favelado e sua relação com o lugar como ponto de partida. A mudança não abandona a Quebradinha: observa quem existe dentro dela e as formas pelas quais essas identidades são construídas.

Obra Raimundo Jacó, 2026, da série Etnogênese, de Marcelino Melo, Performance + fotografia em papel Hahnemühle, 100 x 100 cm.

Luiza Testa situa a série menos no nascimento de uma população do que no reconhecimento político de quem já estava ali. Para a curadora, a exposição “trata mais do reconhecimento, e não necessariamente do surgimento, de um ser-político periférico que já existe há muito tempo”. A leitura acompanha a mudança de escala no trabalho de Melo: das miniaturas de casas, vielas e estruturas urbanas para figuras que deixam de aparecer apenas como habitantes implícitos dessas construções.

“É impossível ser moderno sem transformar a realidade”, afirma Emicida ao analisar o trabalho de Marcelino Melo. Ao aproximar a pesquisa do artista com a arquitetura brasileira, identifica na escala um recurso para tornar visível o que a cidade costuma ignorar. Em sua leitura, as construções de Oscar Niemeyer e os barracos das periferias respondem, por caminhos distintos, às condições concretas da vida no país.

Marcelino Melo, também chamado de Nenê ou Quebradinha, nasceu em 1994 em Carneiros, no sertão de Alagoas, e vive na zona sul de São Paulo. É artista visual, fotógrafo aéreo e arte-educador. Ficou conhecido pela série Quebradinha (2019), esculturas em miniatura que reproduzem a arquitetura das periferias brasileiras, hoje presente em acervos como Instituto Moreira Salles, Museu das Favelas e Fazenda Vista Verde. Em 2024 apresentou Etnogênese – O que é, e o que pode ser, sua primeira individual, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Foi indicado ao Prêmio PIPA em 2025.

SERVIÇO:

Etnogênese – O que é, e o que pode ser 

Marcelino Melo

Curadoria: Emicida, Luiza Testa e Patrícia Borges

Pré-abertura para convidados: 14 de agosto, das 18h às 22h

Abertura: 15 de agosto de 2026

Visitação: até 15 de novembro de 2026

Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS

Endereço: Av. Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro, Sorocaba

Horário: terça a sexta, das 10h às 17h | sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h

Realização: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS e Ministério da Cultura

Apoio: Dan Galeria, Fazenda Vista Verde e Secretaria de Cultura de Sorocaba

Patrocínio: Lei Rouanet, Laranjinha Itaú, Itaú e White Martins.

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)