Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Sorri Campinas leva protagonismo de artistas com deficiência ao Teatro Iguatemi com espetáculo gratuito “Do Mito ao Real”

Campinas, SP, por Kleber Patricio

Viabilizado pela Lei Rouanet, projeto “Sorri em Cena” promove inclusão social por meio da arte e desafia o capacitismo em apresentação única no dia 28 de setembro. Fotos: Lisa Blattner.

No dia 28 de setembro de 2026, às 20h, o Teatro Oficina do Estudante Iguatemi será palco de uma emocionante lição de inclusão e potência artística. A Sorri Campinas, em parceria com a Villa 7 Produções Culturais e com apoio da Fundação FEAC, apresenta o espetáculo “Do Mito ao Real”, primeira grande produção aberta ao público do projeto Sorri em Cena. Realizado via Lei Rouanet pelo Ministério da Cultura, o evento tem entrada gratuita e os ingressos já podem ser reservados, exclusivamente pelo WhatsApp (19) 99537-3326.

Mais do que uma apresentação artística, o espetáculo consolida o trabalho contínuo da Sorri Campinas na utilização da arte como ferramenta de transformação social e garantia de direitos. No palco, artistas com deficiência atendidos pela instituição rompem barreiras visíveis e invisíveis, ocupando o papel de verdadeiros protagonistas de suas próprias narrativas.

Inspirado no “Mito da Caverna”, de Platão, o espetáculo mescla teatro e dança para provocar uma reflexão profunda sobre como a sociedade enxerga a pessoa com deficiência. A encenação traça um paralelo direto entre as sombras da alegoria platônica e os preconceitos reais que ainda aprisionam esse público em lugares de invisibilidade, superproteção e limitação.

Por meio da força cênica, da expressividade corporal e da dança, os artistas da Sorri Campinas transformam o palco em um território de dignidade e autonomia. A obra funciona como um manifesto poético, convidando o público e as famílias a saírem da “caverna do capacitismo” para construir uma realidade baseada no respeito, na equidade e na valorização da diversidade humana.

O espetáculo é o ponto alto das oficinas promovidas pelo Sorri em Cena, iniciativa idealizada pela Villa 7 e realizada em parceria com a Sorri Campinas. O projeto oferece formação em teatro, dança, canto e coral para crianças, jovens e adultos, focando na democratização do acesso à cultura, na elevação da autoestima e no empoderamento dos participantes.

Com texto e direção de Milton Mariano e coreografia de Ester Piza, “Do Mito ao Real” é a materialização técnica e artística do compromisso da Sorri Campinas de construir uma sociedade mais acolhedora, onde a deficiência não limite o potencial de expressão de nenhum indivíduo.

SERVIÇO:

Espetáculo “Do Mito ao Real” – Projeto Sorri em Cena

Data: 28 de setembro de 2026 (segunda-feira)

Horário: 20h

Local: Teatro Oficina do Estudante Iguatemi (Shopping Iguatemi Campinas – Rua Iguatemi, 777, Vila Brandina)

Ingressos: Gratuitos (vagas limitadas)

Reservas: Exclusivamente pelo WhatsApp (19) 99537-3326

Ficha Técnica: Milton Mariano (Texto e Direção) | Ester Piza (Coreografia)

Sobre a Sorri Campinas | A Sorri Campinas é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) que atua há anos no desenvolvimento de potencialidades, na promoção da autonomia e na inclusão social e profissional de pessoas com deficiência. Por meio de projetos intersetoriais que unem assistência, cultura e cidadania, a instituição é referência regional na construção de um mundo mais acessível e plural.

(Com Ricardo Ditchun)

Belém recebe pela terceira vez a itinerância da Bienal de São Paulo

Belém, PA, por Kleber Patricio

 

Registro de obras de Mao Ishikawa na 36ª Bienal de São Paulo. Foto: Natt Fejfar.

A Fundação Bienal de São Paulo e o Museu de Arte de Belém (MABE) apresentam a etapa na capital paraense do programa de mostras itinerantes da 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, com abertura em 25 de setembro e visitação até 29 de novembro de 2026. É a terceira vez que Belém integra o programa, que estreou na cidade em 2022, com a 34ª edição, no Solar da Beira e no Mercado Ver-o-Peso. Em 2024, a 35ª Bienal já ocupou o Palácio Antônio Lemos, sede do MABE, para onde volta este ano. A exposição é assinada pela Vale.

A seleção tem curadoria de Anna Roberta Goetz e cocuradoria Leonardo Matsuhei, integrantes da equipe conceitual da 36ª Bienal, e reúne obras de Aline BaianaErnest ColeForensic Architecture/ForensisHamedine KaneLeila AlaouiMao IshikawaMing SmithSérgio SoarezThania Petersen Wolfgang Tillmans.

Registro de obra de Wolfgang Tillmans na 36ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan.

A mostra conta com obras como Ouro negro é a gente (2025), trabalho audiovisual de Aline Baiana que toma o petróleo como fio condutor de uma investigação sobre as noções de trabalho, pertencimento e memória. Hamedine Kane, com Les Ressources – Le Ventre de l’Atlantique (2025), ocupa dois grandes núcleos da exposição com instalações de madeira e objetos que mapeiam o Atlântico como rota de circulação, de mercadorias, corpos e histórias acumuladas. A mostra ainda traz trabalhos de fotógrafos de trajetórias excepcionais e menor circulação no Brasil, como Ming Smith, primeira mulher a ter obras adquiridas pelo acervo do MoMA. Ela apresenta ampliações de fotografias analógicas da cena cultural negra norte-americana entre os anos 1970 e 1990, imagens que transitam entre documentação e experimentação visual.

“A exposição da Itinerância de Belém responde à história sociopolítica da cidade e às formas como ela continua a moldar suas realidades ecológicas, políticas, sociais e espirituais. A água e o ritmo são o fio condutor da exposição. Porta de entrada para a bacia amazônica, Belém foi historicamente constituída pelo acesso que a água oferece, a territórios e recursos, a pessoas e culturas, por meio de histórias de expansão colonial, escravização e extração que reverberam até o presente. Mas a água é também condutora e transmissora: de ritmo, memória e conhecimento”, afirma Anna Roberta Goetz, curadora da exposição.

Registro de obra de Thania Petersen na 36ª Bienal de São Paulo. Foto: Natt Fejfar.

Para Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, o programa de mostras itinerantes nasce da convicção de que a Bienal não termina quando o Pavilhão fecha as portas. “Levar recortes da mostra principal ao maior número possível de pessoas, em diferentes regiões do país, é parte do que entendemos como nossa responsabilidade institucional para a democratização do acesso à arte”, afirma.

“Trazer a 36ª Bienal de São Paulo para o MABE é uma forma de aproximar a arte contemporânea do público de Belém e reafirmar que o acesso à cultura deve estar ao alcance de todos. Nesse momento de retomada do museu, receber a Bienal também fortalece o MABE como um espaço aberto à cidade, ao diálogo e a novas experiências”, afirma Michell Durans, secretário de Cultura do Município de Belém.

A itinerância da 36ª Bienal vem percorrendo o Brasil e o exterior ao longo de 2026, com recortes da exposição principal já apresentados em Goiânia, Rio de Janeiro, Curitiba, Santos, Brasília, Santiago (Chile), Fortaleza, Recife, São José do Rio Preto e Salvador, além das aberturas por vir em Berlim (Alemanha), Belo Horizonte, Vitória e Cidade do México.

Registro de obra de Hamedine Kane na 36ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan.

Realizadas de forma programática desde 2011, as itinerâncias tornaram-se uma extensão fundamental da Bienal de São Paulo, permitindo que obras e debates apresentados no Pavilhão Ciccillo Matarazzo se reconfigurem em diálogo com contextos locais diversos, ativando novas leituras e relações com públicos fora do eixo expositivo principal. A 36ª Bienal, realizada entre setembro de 2025 e janeiro de 2026 em São Paulo, reuniu 784.399 visitantes no Pavilhão Ciccillo Matarazzo.
Além da circulação das obras, o programa de mostras itinerantes se estrutura a partir de um eixo educativo transversal, com formações voltadas às equipes locais, encontros online e presenciais, acompanhamento pedagógico e ações para diferentes públicos, como visitas mediadas, palestras, laboratórios para professores e atividades educativas para estudantes.

Sobre a 36ª Bienal de São Paulo

Com conceito criado pelo curador geral Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, em parceria com os cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza, a cocuradora at large Keyna Eleison e a consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus, além dos cocuradores adjuntos André Pitol e Leonardo Matsuhei, a 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática se inspira no poema “Da calma e do silêncio”, da escritora Conceição Evaristo, e tem como um de seus principais fundamentos a escuta ativa da humanidade em constante deslocamento, encontro e negociação.
A Fundação Bienal de São Paulo agradece seu parceiro estratégico Itaú e seus patrocinadores master Petrobras, Bloomberg, Bradesco, Citi, Vale e Vivo. Este projeto é realizado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura.

Sobre o Museu de Arte de Belém (MABE)

Registro de obra de Ernest Cole na 36ª Bienal de São Paulo. Foto: Natt Fejfar.

Instituído em 1991, o Museu de Arte de Belém (MABE) é um museu público municipal sediado no Palácio Antônio Lemos, no centro histórico da capital paraense. Vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, o MABE possui um acervo com mais de 2 mil obras, entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, fotografias, mobiliário, objetos de interior e cerâmicas, reunindo produções de artistas locais, nacionais e estrangeiros dos séculos XIX, XX e XXI. O museu desenvolve ações de preservação, pesquisa, documentação, exposições e educação, com foco na valorização e difusão das artes visuais e do patrimônio cultural.

Sobre a Fundação Bienal de São Paulo

Fundada em 1962, a Fundação Bienal de São Paulo é uma instituição privada sem fins lucrativos e vinculações político-partidárias ou religiosas, cujas ações visam democratizar o acesso à cultura e estimular o interesse pela criação artística. A Fundação realiza a cada dois anos a Bienal de São Paulo, a maior exposição do hemisfério Sul, criada em 1951, e suas mostras itinerantes por diversas cidades do Brasil e do exterior. A instituição é também guardiã de dois patrimônios artísticos e culturais da América Latina: um arquivo histórico de arte moderna e contemporânea referência na América Latina (Arquivo Histórico Wanda Svevo), e o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, sede da Fundação, projetado por Oscar Niemeyer e tombado pelo Patrimônio Histórico. Também é responsabilidade da Fundação Bienal de São Paulo a tarefa de idealizar e produzir as representações brasileiras nas Bienais de Veneza de arte e arquitetura, prerrogativa que lhe foi conferida há décadas pelo Governo Federal em reconhecimento à excelência de suas contribuições à cultura do Brasil.

SERVIÇO:

36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática

Itinerância Belém

Curadoria: Anna Roberta Goetz

Co curadoria: Leonardo Matsuhei

Arquitetura: Gisele de Paula

Museu de Arte de Belém (MABE)

Visitação: 25 set – 29 nov 2026

Ter – sex, 9h – 16h30 | sáb – dom, 9h – 13h

Entrada gratuita

Palácio Antonio Lemos

Praça D. Pedro II, S/N – Cidade Velha, Pará – CEP 66020-240.

(Com Mariana Oliveira/Index)

Galatea aproxima cinco artistas em exposição que reinventa as formas de olhar para a natureza

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Chico da Silva – Sem título, década de 1950 [1950s]. Foto: Ding Musa.

Há muitas maneiras de imaginar a natureza. Ela pode surgir como paisagem, como fauna e flora reinventadas, como matéria ou como elemento de construção de uma obra. É a partir dessas diferentes possibilidades que o Tropigalpão, espaço cultural independente voltado para a arte contemporânea e projetos multidisciplinares no Rio de Janeiro, recebe “Atravessamentos Naturais”, exposição realizada em colaboração com a Galatea. Com curadoria de Tomás Toledo, a mostra reúne trabalhos de Anísio O. Couto, Chico da Silva, Grauben do Monte Lima, Silia Moan e Ygor Landarin e aproxima artistas de contextos culturais, sociais, geográficos e temporais distintos, criando relações entre suas formas de elaborar o mundo a partir de referenciais da natureza brasileira. A abertura aconteceu em 17 de setembro como parte da programação paralela da ArtRio.

O ponto de partida está nas obras de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima, dois artistas históricos que construíram maneiras singulares de representar a natureza brasileira. Em suas pinturas, animais, plantas e outros elementos da fauna e da flora deixam o registro naturalista para ganhar novas formas, criaturas e paisagens. A natureza, em vez de ser reproduzida, é transformada: torna-se fantástica, imaginada e própria de cada universo artístico.

Silia Moan 1987 Flor de mandacaru cósmica [Cosmic Mandacaru Flower], 2025. Foto: Rafael Salim.

O conceito curatorial de Tomás Toledo explora a operação formal e conceitual da justaposição, colocando em diálogo e fricção a produção de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima em relação aos trabalhos de Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin.

A relação entre os cinco artistas se estabelece pela natureza como tema comum de suas produções, bem como por seu diálogo intergeracional, revelando modos particulares de pensar as artes e seus processos de criação. Ao mesmo tempo, os procedimentos e interesses existentes nas práticas de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima, como a fabulação, a reinvenção, a experimentação cromática e a transformação do mundo natural em linguagem artística, compartilham afinidades com a produção de Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin. Materialidades como madeira, barro, tecido e conchas, entre outras, participam da construção das obras e ampliam as possibilidades de relação com o mundo natural dentro das investigações artísticas.

O que se forma no Tropigalpão, portanto, é uma leitura da representação da natureza articulada entre maneiras singulares de olhar, imaginar e construir artisticamente. De um lado, Chico da Silva e Grauben do Monte Lima transformam fauna, flora e paisagem em universos fantásticos; de outro, Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin exploram outros materiais e procedimentos para elaborar suas próprias relações com esse mesmo campo. É nesse intervalo entre imagens, matérias e tempos que a exposição encontra seus atravessamentos naturais dentro das artes visuais brasileiras.

Programação especial no Tropigalpão 

Na mesma quinta-feira, dia 17, o Tropigalpão inaugurou Meteorium III, de Dominique Gonzalez-Foerster. Apresentado originalmente na Pinacoteca de São Paulo, em 2025, o trabalho era uma estrutura octogonal formada por seções em forma de cunha, cada uma pintada em uma cor e estilo distintos, evocando condições climáticas específicas e diferentes associações emocionais. Agora, a obra ganha a forma de um filme experimental e se inscreve na linhagem de trabalhos da artista que tomam exposições como cenário, como Marquise (2007), No Return (2009) e Otello 1887 (2015).

Grauben do Monte Lima 1889-1972 Sem título [Untitled], 1966 – 64 x 89 cm [25 1/4 x 35 in]. Foto: Rafael Salim.

A programação inclui ainda ONDE, mostra de Umberto Costa Barros concebida pela galeria Marli Matsumoto Arte Contemporânea. Com curadoria de Catherine Bompuis, a exposição reúne documentos fotográficos produzidos pelo próprio artista a partir de intervenções site-specific realizadas desde o final da década de 1960, evidenciando o caráter precursor de sua pesquisa e sua contribuição para ampliar as relações entre arte e arquitetura. O conjunto inclui ainda BUFFER, trabalho de 2023.

O Tropigalpão recebe um recorte da mostra original, que retoma trabalhos criados por Costa Barros durante um dos períodos mais duros da ditadura militar brasileira. Integrante da geração que começou a atuar após a promulgação do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968, o artista está inserido em um contexto de intensa experimentação, ao lado de nomes como Cildo Meireles, Antonio Manuel, Luiz Alphonsus, Thereza Simões e Raimundo Colares.

Sobre a Galatea

Sob o comando dos sócios Antonia Bergamin, Conrado Mesquita e Tomás Toledo, a Galatea conta com dois espaços vizinhos na cidade de São Paulo: a unidade localizada na Rua Oscar Freire, 379 e a nova unidade localizada na Rua Padre João Manuel, 808. A galeria também tem uma sede em Salvador, na Rua Chile, 22, no centro histórico da capital baiana.

A Galatea surge a partir das diferentes e complementares trajetórias e vivências de seus sócios-fundadores: Antonia Bergamin, que foi sócia-diretora de uma galeria de grande porte em São Paulo; Conrado Mesquita, marchand e colecionador especializado em descobrir grandes obras em lugares improváveis; e Tomás Toledo, curador que contribuiu para a histórica renovação institucional do MASP, saindo em 2022 como curador-chefe.

Com foco na arte brasileira moderna e contemporânea, trabalha e comercializa tanto nomes consagrados do cenário artístico nacional quanto novos talentos da arte contemporânea, além de promover o resgate de artistas históricos. Idealizada com o propósito de valorizar as relações que dão vida à arte, a galeria surge no mercado para reinventar e aprofundar as conexões entre artistas, galeristas e colecionadores.

SERVIÇO:

Atravessamentos Naturais

Local: Tropigalpão

Endereço: Rua Benjamin Constant, 118 – Glória, Rio de Janeiro

Abertura oficial: 17 de setembro, das 18h às 21h

Período expositivo: 17 a 27 de setembro de 2026

Horários: Segunda a quinta: 10h às 19h | Sexta: 10h às 18h | Sábado: 11h às 17h

Ingresso: Gratuito

Mais informações: https://www.galatea.art/

Instagram: @galatea.art_ | @tropigalpao_118.

(Com Edgard França/Cor Comunicação)

Gyomō Sushi & Omakase lança experiência de 15 tempos dedicada às pérolas da costa brasileira

Santo André, SP, por Kleber Patricio

Criado pelo chef Wilder Borborema, novo omakase deixa de lado iguarias importadas para colocar pescados e frutos do mar nacionais no centro da experiência. Foto: Divulgação.

A tradição japonesa do omakase ganha um olhar brasileiro em Santo André. O Gyomō Sushi & Omakase lança uma nova experiência gastronômica criada pelo chef Wilder Borborema, com uma proposta que foge do caminho habitual da alta gastronomia japonesa: abrir mão do protagonismo das iguarias importadas para explorar a diversidade de pescados e frutos do mar encontrados na costa brasileira.

Batizado de Omakase Pérolas da Costa Brasileira, o menu terá 15 tempos, passando por sashimis, sushis, pratos quentes e frios e sobremesa. A experiência custará R$ 450 por pessoa e será realizada em datas especiais, sempre às quartas-feiras. A ideia é mostrar que uma experiência sofisticada de cozinha japonesa não precisa depender exclusivamente de ingredientes trazidos de outros países. Wilder pretende aplicar técnicas da culinária japonesa aos produtos nacionais, respeitando disponibilidade, frescor e características de cada pescado.

Para Felipe Vecchi, um dos nomes por trás do Gyomō, a proposta nasce justamente do desejo de valorizar uma riqueza que ainda é pouco explorada em experiências desse formato. “Existe uma percepção de que uma experiência sofisticada de cozinha japonesa precisa necessariamente estar ligada a ingredientes importados. Queremos mostrar justamente o contrário. O Brasil tem uma costa extremamente rica, com pescados e frutos do mar de muita qualidade. O desafio do chef é olhar para esses produtos com técnica, respeito e criatividade e colocá-los no lugar de protagonistas”, afirma.

Do mar brasileiro à bancada do sushiman

A escolha dos ingredientes também permitirá que o menu acompanhe aquilo que a costa oferece de melhor em cada momento. Em vez de uma sequência completamente engessada, a disponibilidade e a qualidade dos pescados poderão influenciar os 15 tempos apresentados aos clientes. Essa lógica se aproxima da própria essência do omakase, expressão japonesa que pode ser entendida como “deixo aos seus cuidados”. É o chef quem conduz a refeição e define o que será servido, permitindo que técnica, criatividade e produto ditem a experiência. “Queremos que o cliente venha disposto a descobrir. O mais interessante do omakase é justamente não saber exatamente o que encontrará em cada etapa. Quando levamos isso para os produtos brasileiros, conseguimos também apresentar ingredientes que muitas vezes não recebem o mesmo prestígio das grandes iguarias internacionais”, explica Felipe.

Até o wasabi será brasileiro

A valorização da produção nacional não ficará restrita aos pescados. Um dos símbolos mais conhecidos da culinária japonesa também ganhará versão cultivada por aqui: o wasabi fresco brasileiro. O Gyomō levará para a experiência o produto de um fornecedor nacional especializado, reforçando a intenção de mostrar ingredientes produzidos no Brasil sob uma perspectiva de alta gastronomia. “Quando decidimos criar um omakase dedicado à costa brasileira, fazia sentido levar essa proposta além dos pescados. Ter um wasabi fresco produzido no Brasil ajuda a contar essa história. Não se trata apenas de substituir o importado, mas de mostrar a qualidade do que já conseguimos produzir aqui”, destaca Felipe.

Experiência começa em setembro

A primeira data aberta ao público será 23 de setembro, seguida por 30 de setembro. O projeto continua durante o mês de outubro, sempre às quartas-feiras, totalizando seis datas. Com lugares limitados, a proposta é manter o caráter intimista do omakase e permitir que cada sequência seja conduzida de perto pelo chef Wilder Borborema. “São 15 tempos para mostrar que temos verdadeiras pérolas na costa brasileira. Queremos que o cliente saia da experiência olhando de outra maneira para os nossos pescados e entendendo que o produto nacional também pode ocupar o centro de um omakase de alto nível”, conclui Felipe Vecchi.

SERVIÇO:

Gyomō Sushi & Omakase | @gyomo.cocina — O Omakase Pérolas da Costa Brasileira, criado pelo chef Wilder Borborema, apresenta uma sequência de 15 tempos, com pescados e frutos do mar da costa brasileira, sashimis, sushis, pratos quentes e frios, sobremesa e wasabi fresco produzido no Brasil. A experiência custa R$ 450 por pessoa. A primeira data aberta ao público será 23 de setembro, seguida por 30 de setembro e novas datas às quartas-feiras de outubro, totalizando seis encontros. O restaurante fica na Rua Santo André, 472, Vila Assunção, Santo André (SP). Funciona às terças, quartas e quintas, das 18h às 22h; às sextas e sábados, das 12h às 15h e das 18h às 22h. Aos domingos e segundas-feiras, não abre. Reservas e informações pelo telefone (11) 94120-4541.

(Com Sarah Carvalho/Gaivota Comunicação)

Após recuperação de obras, Biblioteca Mário de Andrade recebe exposição “Jazz – o livro de artista de Henri Matisse”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Exposição tem produção e concepção do MAB e da Biblioteca Mário de Andrade e correalização da FAAP e da Prefeitura de São Paulo; mostra fica em cartaz de 12 de setembro a 12 de outubro. Fotos: Divulgação.

A Biblioteca Mário de Andrade recebe, de 12 de setembro a 12 de outubro, a exposição “Jazz – o livro de artista de Henri Matisse”, com produção e concepção do MAB e da Biblioteca e correalização da FAAP e da Prefeitura de São Paulo.

A exposição representa não apenas uma oportunidade de conhecer uma das criações mais importantes da trajetória de Matisse, mas também uma celebração da preservação do patrimônio cultural e da devolução dessas obras à população. Oito trabalhos do artista que haviam sido subtraídos foram recuperados e agora voltam a estar acessíveis ao público, em um espaço dedicado à preservação, à pesquisa e à democratização do acesso à cultura. As 20 obras que compõem a coleção estarão em exposição.

“Mais do que recuperar objetos de valor artístico, a abertura da mostra é um momento de celebração da memória, da arte e da importância das instituições públicas na proteção e difusão de seus acervos”, destaca o secretário de Cultura e Economia Criativa, Totó Parente.

A participação do MAB FAAP

A exposição é concebida e produzida pelo MAB FAAP em parceria com a Biblioteca Mário de Andrade. A participação do museu reafirma sua atuação na pesquisa e na divulgação da história da arte, bem como seu compromisso com projetos que aproximam o público de obras e documentos de relevância internacional.

“A participação da FAAP na correalização desta exposição reafirma o compromisso da Fundação com a promoção da arte, da educação e da cultura. Por meio do MAB FAAP, contribuímos para ampliar o acesso do público à obra de Henri Matisse e para fortalecer o diálogo entre instituições culturais”, afirma Pilar Guillon Liotti, membro do Conselho da FAAP.

O curador da exposição e diretor-geral do MAB FAAP, Marcos Moraes, ressalta a importância de Matisse para além da pintura e destaca a relevância de Jazz na história da arte.

“Artista comumente identificado como fundamental na arte moderna, Matisse dispensa qualquer tentativa de apresentá-lo apenas como um pintor de sua época. De início, é preciso ressaltar sua atuação com o desenho, as artes gráficas, a colagem, a escultura, a cenografia e mesmo nas relações com a arquitetura, mas é sobretudo na gravura que essa capacidade magistral de lidar com a cor e a linha se afirma de maneira incontestável”, afirma.

Para o curador, Jazz é um dos mais relevantes livros de artista e álbuns de gravuras do século XX. “Nada mais coerente que o MAB FAAP se associe a essa iniciativa de retomar a possibilidade de o público ter contato direto com as imagens, mas também com os textos que o artista escreveu diretamente a partir de seus cadernos de anotações, produzidos entre 1941 e 1946, celebrando, neste momento, seus 80 anos de existência”, completa.

Jazz – o livro de artista de Henri Matisse

Jazz é um dos trabalhos mais marcantes da produção de Henri Matisse (1869–1954). Publicado em 1947 pelas edições Verve, o livro de artista teve uma tiragem de 250 exemplares numerados e reúne 20 composições desenvolvidas pelo artista a partir de uma técnica que combinava recortes de papéis previamente pintados com guache, formando colagens de cores intensas e formas vibrantes.

O processo criativo de Jazz teve início em um período de grandes limitações físicas para Matisse. Após uma grave intervenção cirúrgica, o artista passou longos períodos em repouso e encontrou nos recortes de papel uma nova possibilidade de expressão. Ao longo de aproximadamente dois anos, experimentou formas e cores até chegar às composições que integrariam o livro.

Matisse chamou esse processo de “desenhar com a tesoura”. A técnica permitiu ao artista explorar de maneira inovadora a relação entre cor, forma, movimento e composição, levando a colagem a um novo patamar dentro de sua produção artística.

O título Jazz também traduz a concepção de Matisse sobre aquelas imagens. Para o artista, a combinação entre as cores deveria produzir uma relação dinâmica, assim como ocorre na música. Em suas reflexões sobre o trabalho, Matisse destacou que não bastava simplesmente colocar cores umas ao lado das outras: era necessário que elas atuassem umas sobre as outras.

Um livro de artista que marcou a história da arte

A publicação de Jazz contou com a parceria do editor Tériade, um dos mais importantes editores de arte do século XX. O projeto buscou preservar, na impressão, a intensidade das cores e a força visual das composições originais de Matisse.

O resultado foi uma obra que articula imagem e texto e que se tornou uma das produções mais conhecidas do artista. As 20 composições revelam a maturidade de sua pesquisa com recortes e demonstram como Matisse transformou uma condição de adversidade em uma nova possibilidade de criação.

SERVIÇO:

Jazz – o livro de artista de Henri Matisse

Período: 12 de setembro a 12 de outubro

Local: Biblioteca Mário de Andrade

Produção e Concepção: MAB + BMA

Correalização: FAAP e Prefeitura de São Paulo

Entrada: gratuita.

(Com Paula Corrêa/Buriti Comunicação)