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Explorador brasileiro refaz jornada de Charles Darwin pela Patagônia e transforma expedição em livro

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Capa “Encontrando Darwin”.

Quase dois séculos depois de Charles Darwin atravessar a Patagônia a bordo do HMS Beagle, o explorador e escritor brasileiro Marcio Pimenta percorreu sozinho 11 mil quilômetros pela Argentina e pelo Chile seguindo os rastros deixados pelo naturalista. Financiada pela National Geographic Society, a expedição deu origem a “Encontrando Darwin – Uma expedição pelos confins do mundo”.

Lançado em maio de 2026 pela editora SolislunaEncontrando Darwin passou a circular pelo país e ganhou espaço na imprensa, com reportagens e entrevistas em veículos como Folha de S.PauloVejaPublishNews, Forbes e Rádio UFMG Educativa. A repercussão chamou atenção não apenas para a dimensão da expedição, mas para a investigação que atravessa o livro: o que acontece quando permanecemos tempo suficiente em um território para permitir que ele modifique nossa maneira de enxergar o mundo?

Darwin oferece uma chave para essa investigação. A imagem que atravessou gerações é a do naturalista já consagrado, de barba branca, associado às Ilhas Galápagos e à teoria da evolução. O personagem encontrado por Pimenta é bastante diferente. Quando chegou à América do Sul a bordo do Beagle, Darwin tinha pouco mais de 20 anos, carregava dúvidas, convicções que seriam posteriormente abandonadas e uma extraordinária disposição para observar.

Antes das Galápagos, foram os fósseis encontrados na Argentina, as formações geológicas dos Andes, as paisagens da Patagônia, os animais, plantas e habitantes da América do Sul que começaram a confrontá-lo com perguntas para as quais as explicações existentes já não pareciam suficientes. É esse processo, mais do que a busca pelo Darwin consagrado, que interessa a Pimenta.

“Eu não queria encontrar o homem que já conhecia as respostas. Queria compreender o jovem que estava aprendendo a fazer as perguntas. Darwin atravessou aqueles territórios e saiu deles diferente. Essa transformação acabou se tornando uma das questões centrais da minha própria viagem.”

Uma viagem contemporânea através de diferentes tempos

Encontrando Darwin combina literatura de viagem, história da ciência e observação contemporânea. A narrativa acompanha simultaneamente duas jornadas separadas por quase dois séculos. De um lado, Darwin percorre a América do Sul entre 1832 e 1835 e registra aquilo que encontra em seus cadernos. Do outro, Pimenta atravessa alguns desses mesmos territórios em 2023 e pergunta o que mudou — e o que permanece.

A comparação conduz o livro para além da história da ciência. Povos como Yámana, Selk’nam, Kawésqar e Tehuelche aparecem não como personagens periféricos da passagem europeia pela região, mas como parte fundamental da história desses territórios. Geologia, colonização, ciência, memória e transformação ambiental passam a coexistir na mesma paisagem. A Patagônia deixa, assim, de funcionar apenas como cenário e se torna parte do argumento do livro.

“Quando viajamos rapidamente, um lugar tende a permanecer como paisagem. Quando diminuímos o ritmo e começamos a observar, percebemos que estamos atravessando diferentes camadas de tempo ao mesmo tempo. Há aquilo que vemos, aquilo que aconteceu antes de nós e aquilo que nossa própria presença naquele lugar começa a modificar.”

A experiência também transforma o próprio autor. Solidão, incerteza, decisões tomadas longe de qualquer apoio e os limites físicos e emocionais de uma longa expedição aparecem na narrativa sem a construção heroica tradicionalmente associada à exploração. Para Pimenta, essa mudança de perspectiva é também uma maneira de reconsiderar o significado contemporâneo de explorar. “A exploração não precisa ser uma história de conquista. O mundo está amplamente cartografado, mas isso não significa que esteja inteiramente compreendido. Ainda existem perguntas novas a fazer sobre lugares conhecidos.”

Um livro sobre Darwin e nossa maneira de observar o mundo

Ao seguir os rastros de um dos personagens mais conhecidos da história da ciência, Encontrando Darwin acaba encontrando um Darwin menos familiar: jovem, contraditório, curioso e ainda em formação. É justamente essa condição que aproxima as duas jornadas.

Darwin não atravessou a América do Sul apenas acumulando informações. A experiência modificou progressivamente sua interpretação do mundo. Quase duzentos anos depois, Pimenta retorna a alguns desses lugares para investigar uma questão semelhante: até que ponto aquilo que observamos depende da maneira como aprendemos a olhar? O resultado é uma narrativa sobre viagem, ciência e território, mas também sobre dúvida e transformação. Porque algumas viagens não oferecem respostas, elas ensinam a formular perguntas melhores.

Sobre o autor

Marcio Pimenta é National Geographic Explorer, autor e membro do The Explorers Club. Há mais de uma década realiza expedições e projetos de campo dedicados a investigar como territórios moldam pessoas, culturas e sociedades. Formado em Economia, com trajetória acadêmica em Relações Internacionais e Estudos Americanos, deixou a academia em 2013 e passou a desenvolver projetos de exploração, documentação e narrativa em zonas de guerra, desertos, geleiras e regiões remotas.

Seu trabalho já foi publicado por veículos como National Geographic, The New York Times, The Wall Street Journal e Rolling Stone. Entre seus projetos estão trabalhos sobre as mulheres yazidis no Iraque após o Estado Islâmico, as relações entre sociedades e mudanças ambientais na América do Sul e o documentário Hoy’ri, realizado no Deserto do Atacama e selecionado para festivais internacionais. Em 2023, realizou com apoio da National Geographic Society a expedição que deu origem a Encontrando Darwin – Uma expedição pelos confins do mundo, seu primeiro livro literário, publicado pela Editora Solisluna.

Instagram: @marpimenta | LinkedIn | Site.

Serviço:

Livro “Encontrando Darwin – Uma expedição pelos confins do mundo”

Autor: Marcio Pimenta

Editora: Solisluna

Disponível para compra através do link.

(Com Marcelo Boero/Aspas e Vírgulas)

Instituto Tomie Ohtake apresenta “Sheila Hicks: O que que é isso?”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Sheila Hicks, Allegro, 2026, Caxemira, lã e linho, 120 x 130 cm. Fotos: Tatiana Mito.

Ministério da CulturaBradesco e Instituto Tomie Ohtake apresentam “Sheila Hicks – O que que é isso?”, exposição dedicada à artista norte-americana Sheila Hicks (Nebraska, Estados Unidos, 1934), uma das principais referências internacionais na expansão das práticas têxteis na arte contemporânea. Com curadoria de Ana Roman, Luis Pérez-Oramas e Paulo Miyada, a mostra ocupa duas salas do Instituto entre 28 de agosto e 25 de outubro de 2026, reunindo um amplo conjunto de obras produzidas ao longo de mais de seis décadas, entre trabalhos históricos, obras recentes e uma instalação inédita concebida especialmente para a exposição. Sheila Hicks – O que que é isso? acontece paralelamente à exposição Contrarregra, dedicada à artista Tatiana Blass, cuja produção parte da pintura e se expande para diferentes linguagens, investigando as relações entre matéria, espaço, luz e tempo.

Desenvolvida em estreito diálogo com Hicks, a mostra acompanha sua pesquisa sobre o fio como matéria, estrutura e forma de pensamento, em uma prática que atravessa fronteiras entre pintura, escultura, design e artes têxteis. São cerca de 30 obras produzidas nas últimas seis décadas, entre pequenas tecelagens, relevos, esculturas e instalações de escala arquitetônica. O conjunto inclui ainda fotografias realizadas pela artista e pelo fotógrafo chileno Sergio Larrain durante viagens pela América Latina, no final dos anos 1950, e um núcleo de têxteis andinos, referências fundamentais para a formação e o desenvolvimento da prática da artista.

Sheila Hicks, Recife, 2025, Algodão, linho e fibra sintética, 80 cm (diâmetro).

O título O que que é isso? toma emprestada uma pergunta feita pelo então professor Josef Albers à jovem estudante Sheila Hicks durante sua formação na Yale University, nos Estados Unidos. Ao encontrar a aluna experimentando um tear improvisado, Albers perguntou: Was ist das, girl? (“O que que é isso, garota?”). A indagação tornou-se ponto de partida para uma investigação que, desde então, acompanha toda a trajetória da artista. Para além de nomear a exposição, a pergunta sintetiza uma prática baseada na experimentação, na curiosidade pelos modos de fazer e na recusa em submeter sua produção a definições rígidas.

Ao lado de trabalhos de grandes dimensões, como The Soft Side of my Nature e a grande instalação Aprentizaje de la Victoria, a exposição apresenta também alguns exemplares dos Minimes, pequenas tecelagens que a artista vem realizando desde o início de sua trajetória. Os primeiros surgiram de teares improvisados com chassis de pintura e serviram como campo de experimentação com materiais, cores e técnicas observadas em têxteis pré-incaicos. Os mesmos procedimentos de atenção à cor, à textura, à densidade e à organização dos fios reaparecem nas obras monumentais, nas quais a multiplicação de elementos transforma linhas individuais em volumes que se relacionam diretamente com o corpo e a arquitetura.

Entre os trabalhos apresentados estão também as Lianes, série desenvolvida por Hicks desde os anos 1960, formadas por longos cordões de fibras suspensos no espaço. As obras assumem diferentes configurações de acordo com o local em que são instaladas. Nelas, o fio deixa de estar submetido à trama para ganhar espessura, peso e extensão, estabelecendo relações com a gravidade, a arquitetura e o deslocamento do corpo pelo espaço.

Sheila Hicks, Perfuração II, 2023, Tela sobre moldura de madeira com tufos de fibra sintética, 50 x 50 cm.

A relação de Hicks com as tradições têxteis das Américas aparece ainda em um conjunto de peças andinas, cedidas temporariamente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) por meio do Comodato MASP Landmann. O interesse da artista por esses objetos começou durante sua formação em Yale e ganhou outra dimensão a partir de 1957, quando percorreu países da América do Sul, visitando coleções arqueológicas, sítios históricos e contextos nos quais práticas de tecelagem permaneciam vivas. Produzidas em diferentes épocas e regiões dos Andes, as peças evidenciam a diversidade de técnicas, materiais, escalas e funções que Hicks encontrou nessa produção, e que se tornaria uma referência contínua em sua pesquisa.

Simultaneamente à exposição no Instituto Tomie Ohtake, a Nara Roesler São Paulo apresenta, a partir de 29 de agosto, a exposição Autobiografia de um fio, com curadoria de Luis Pérez-Oramas, diretor artístico da Nara Roesler. Foram selecionados mais de vinte trabalhos recentes e inéditos de Sheila Hicks, produzidos desde 2017, que percorrem as diferentes tipologias de sua produção. A relação entre Pérez-Oramas e Hicks se iniciou quando o curador a convidou para participar da 30ª Bienal de São Paulo, em 2012, primeira apresentação dos trabalhos da artista no Brasil. Juntas, as duas mostras oferecem ao público dimensões distintas e complementares da obra de Sheila Hicks, e serão acompanhadas por uma publicação conjunta do Instituto Tomie Ohtake e da Nara Roesler Books.

A exposição Sheila Hicks – O que que é isso? é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e do Instituto Tomie Ohtake. A mostra é apresentada pelo Bradesco e conta com os apoios da BMA Advogados na cota Bronze e da Nara Roesler.

SERVIÇO:

Sheila Hicks – O que que é isso?

28 de agosto a 25 de outubro de 2026

De terça a domingo, das 11h às 19h [última entrada até 18h]

Entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros – SP

Metrô mais próximo: Estação Faria Lima/Linha 4 – Amarela

Telefone: (11) 2245-1900

Site: institutotomieohtake.org.br

Facebook: facebook.com/inst.tomie.ohtake

Instagram: @institutotomieohtake

Youtube: https://www.youtube.com/@tomieohtake

Loja: www.lojatomie.org.br.

(Com Martim Pelisson/Instituto Tomie Ohtake)

Exposição celebra obra de Guido Totoli inspirada em São Francisco de Assis

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Instituto Italiano de Cultura de São Paulo inaugura, no dia 17 de setembro, a exposição Guido Totoli e São Francisco – Terra, Transformação, Espírito, dedicada à obra do artista italiano Guido Totoli. A mostra encerra o ciclo de iniciativas promovidas pelo Instituto em homenagem aos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, celebrado na Itália ao longo de 2026. Com curadoria de Claudia Totoli, filha do artista e responsável por seu acervo, a exposição reúne esculturas, cerâmicas, pinturas e desenhos inspirados na figura de São Francisco de Assis. Desde a infância, Totoli encontrou no santo uma referência espiritual e artística, desenvolvendo ao longo de sua trajetória uma produção marcada pela simplicidade das formas, pela valorização dos materiais e pela relação entre o ser humano, a natureza e a transcendência.

A mostra dialoga diretamente com os valores associados à mensagem franciscana, como a paz, a partilha, o respeito por todas as formas de vida e o cuidado com a Terra. Em suas obras, Totoli apresenta um São Francisco profundamente humano, capaz de estabelecer uma relação de empatia com todas as criaturas, aproximando tradição, espiritualidade e reflexão contemporânea.

A exposição também faz parte de um projeto do Instituto Italiano de Cultura voltado à valorização de artistas italianos que contribuíram para a formação da arte moderna e contemporânea no Brasil.

Nascido na região do Cilento, na Itália, Guido Totoli construiu no Brasil uma carreira reconhecida pela constante pesquisa de materiais e linguagens, transitando entre pintura, escultura, cerâmica e desenho. Em 2025, recebeu do governo italiano a condecoração Cavaliere dell’Ordine della Stella d’Italia, uma das mais importantes honrarias concedidas a cidadãos que fortalecem as relações entre a Itália e outros países por meio de sua atuação profissional e cultural.

Ao reunir diferentes momentos da produção de Guido Totoli dedicados a São Francisco de Assis, a exposição convida o público a refletir sobre a atualidade da mensagem franciscana e sobre o papel da arte como espaço de diálogo entre memória, espiritualidade e transformação.

Sobre o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo

O Instituto Italiano de Cultura de São Paulo é um órgão oficial do Governo Italiano. Foi fundado em 1950 e se dedica a promover a cultura e a língua italiana, além de enriquecer o panorama cultural em sua área de ação com iniciativas voltadas à cooperação ítalo-brasileira neste setor. Localizado em um histórico casarão no bairro de Higienópolis, o Instituto promove concertos, exposições, sessões de cinema, palestras e encontros, e possui uma biblioteca com mais de 23 mil títulos, a maioria em língua italiana, disponíveis para o público. O Instituto é também fonte de informações sobre o país, cursos de língua italiana ministrados na Itália e bolsas de estudo outorgadas pelo Governo Italiano.

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SERVIÇO:

Exposição Guido Totoli e São Francisco – Terra, Transformação, Espírito

Período: 18 de setembro a 7 de novembro

Local: Instituto Italiano de Cultura de São Paulo – Av. Higienópolis, 436 – Higienópolis, São Paulo, SP

Visitação: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 10h30 às 12h30 e de 13h30 às 17h30.

Entrada gratuita.

(Com Clara Dias Assessoria)

De Foz do Iguaçu a Cuba: a viagem de moto que terminou em brigas, malária e repatriação

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

15 anos após atravessar a perigosa selva de Darién, Ary Neto relembra no livro panes mecânicas, altitudes extremas, riscos, doenças e conflitos. Fotos: Divulgação/LC Books.

O que acontece quando três universitários sem condições financeiras decidem atravessar a América Latina de moto para chegar a Cuba? Após 15 anos da viagem que o levou de Foz do Iguaçu, no Paraná, até a terra natal de Fidel Castro, Ary Neto resgata a expedição que se tornou uma aventura completamente diferente da imaginada antes da partida. No livro “Expresso Havana (LC Books), o autor revisita essa jornada marcada por panes mecânicas, altitudes extremas, doenças, conflitos e decisões que colocaram à prova os limites físicos e emocionais.

Ary e mais dois amigos da faculdade cruzaram oito países a bordo de duas Suzuki Intruder 125 cilindradas, motocicletas simples e projetadas para fazer entregas que foram batizadas de Formiga e Pantera. O objetivo era chegar ao 8º Congresso Internacional de Educação Superior, realizado na capital cubana, mas o caminho reservava desafios muito maiores do que os três previam. Entre o calor do Chaco argentino, o ar rarefeito da Cordilheira dos Andes e as limitações de motos projetadas para trajetos urbanos, a viagem acumulou quebras, improvisos e episódios que frequentemente colocavam em dúvida não apenas a continuidade da expedição, mas também a amizade entre os estudantes.

Um dos momentos mais marcantes da narrativa acontece na região de Darién, entre a Colômbia e o Panamá, onde a Rodovia Pan-Americana é interrompida pela floresta tropical e a travessia só pode ser feita pelo céu ou pela água. Sem dinheiro para alternativas mais seguras e determinados a seguir adiante, os aventureiros decidem enfrentar a travessia por terra. O terreno intransitável, a falta de suprimentos e a exaustão física acabam forçando o abandono das motocicletas no meio da mata. É durante esse percurso que o autor contrai malária, doença que só seria diagnosticada semanas depois, já no Brasil, após sucessivas crises de febre alta.

Os obstáculos da jornada não se restringiram à estrada. Após mais de dois meses, o desgaste da convivência alimentou desavenças, divergências sobre rotas e decisões que acabaram abalando o companheirismo do trio. Quando finalmente chegam ao destino almejado, os problemas acumulados durante a travessia atingem o limite e tornam impossível o retorno por conta própria. O fim dessa jornada envolveu rompimentos e intervenção da Embaixada do Brasil em Havana para que os universitários retornassem ao país de origem por meio de um processo de repatriação.

Em Expresso Havana, Ary Neto constrói um enredo que se afasta do heroísmo tradicional das histórias de viagem. Por meio de mapas desenhados na abertura de cada capítulo, o autor ajuda o leitor a se situar geograficamente no percurso entre Brasil, Argentina, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Panamá e Cuba. Em vez de celebrar conquistas, a obra registra erros, fracassos, encontros inesperados e os gestos de solidariedade que permitiram que a expedição continuasse.

Ficha técnica

Título: Expresso Havana

Autor: Ary Neto

Editora: LC Books

ISBN: 978-65-84222-57-1

Páginas: 180

Preço: R$ 59,90 (físico) | R$ 34,90 (e-book) | R$ 44,90 (audiolivro)

Onde encontrar: Amazon | Mercado Livre.

Sobre o autor | Ary Neto é escritor e criador do canal Partiu Universidade, dedicado à divulgação das Ciências Humanas, que reúne mais de 1,6 milhão de inscritos no YouTube. Graduado em Lazer e Turismo pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisou literatura marginal e cultura periférica, com estudos sobre obras de Ferréz e Paulo Lins. Estreou na literatura como coautor de Se liga nessa história do Brasil (Outro Planeta, 2019). Em Expresso Havana, seu primeiro livro solo, transforma em narrativa a viagem de motocicleta que realizou com dois amigos entre Foz do Iguaçu e Cuba, em uma jornada que atravessou oito países da América Latina.

Redes sociais: Instagram: @aryneto_ | YouTube: Expresso Havana | Site: Expresso Havana.

(Com Dielin da Silva/LC Agência de Comunicação)

Dangriga e Hopkins: tradição garífuna, selva e mar em Belize Entre ritmos ancestrais dos tambores garífunas, tradições vivas e praias tranquilas, descubra uma expressão singular do sul de Belize

Belize, por Kleber Patricio

Entre ritmos ancestrais dos tambores garífunas, tradições vivas e praias tranquilas, descubra uma expressão singular do sul de Belize. Fotos: Divulgação/Belize Tourism Board.

Localizado na ensolarada costa sudeste de Belize, o distrito de Stann Creek preserva um dos patrimônios culturais mais vibrantes e autênticos do país. É nessa região que a cultura ganha um significado profundo por meio de duas de suas comunidades mais emblemáticas: Dangriga e Hopkins. Ambas representam o orgulho, a história e a alegria da herança garífuna, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, proporcionando aos viajantes uma imersão acolhedora e genuína nas tradições caribenhas que moldam a identidade belizenha há gerações.

Conhecida carinhosamente como “Griga”, Dangriga é considerada a capital cultural do país. A cidade é cheia de energia, marcada pela arte, pela história e pelo contagiante ritmo da Punta, enquanto o som dos tambores ecoa às margens do rio, dando as boas-vindas a quem deseja compreender as raízes da região. A poucos quilômetros ao sul, a charmosa vila costeira de Hopkins complementa essa experiência com uma atmosfera mais tranquila e ligada ao mar. Conhecida por estar entre as comunidades mais amigáveis de Belize, Hopkins combina praias de areia dourada cercadas por coqueiros com um estilo de vida simples e hospitaleiro, onde tudo pode ser explorado de bicicleta.

Dangriga e Hopkins formam a combinação perfeita entre imersão cultural e ecoturismo de aventura. Estrategicamente posicionadas entre a imponente selva das Montanhas Maias e o cristalino Mar do Caribe, essas duas joias costeiras não apenas convidam os visitantes a saborear a gastronomia tradicional e conhecer a arte nativa, como também funcionam como porta de entrada para algumas das melhores reservas naturais, trilhas tropicais e recifes do sul de Belize.

Principais atrativos de Dangriga

O Museu Garífuna Gulisi oferece uma fascinante viagem pela história, língua e costumes dessa comunidade reconhecida como Patrimônio Imaterial pela UNESCO. Também merece destaque a Sabal’s Cassava Food Products, empresa familiar onde os visitantes podem conhecer o processo tradicional de transformação da mandioca em ereba (pão de mandioca), um alimento fundamental da gastronomia garífuna. Galerias de arte locais, como a Pen Cayetano Studio Gallery, oferecem outra perspectiva sobre o patrimônio cultural da comunidade.

 

 

Participe de uma aula de percussão garífuna para aprender os ritmos tradicionais da Punta, acompanhe o animado desfile e as danças do Garifuna Settlement Day, celebrado todos os anos em 19 de novembro, sinta a energia da dança Wanaragua (Jankunu) durante a anual Habinahan Wanaragua Competition, realizada em dezembro, e caminhe pelas margens do rio North Stann Creek.

Onde se hospedar

Dangriga oferece uma variedade de hospedagens autênticas e funcionais,

desde um tradicional hotel à beira-mar com vista para os cayes até pequenas pousadas familiares, ideais para vivenciar a hospitalidade local.

Como chegar

A cidade está localizada a apenas duas horas de carro de Belize City, pela cênica Hummingbird Highway. Também conta com o Dangriga Airstrip, que recebe voos diários de 20 minutos partindo da capital, operados pela Maya Island Air e Tropic Air.

Hopkins: tradição garífuna com clima de praia

Hopkins.

Hopkins é uma acolhedora comunidade litorânea que preserva o charme descontraído de uma vila pesqueira e é conhecida por estar entre as comunidades mais amigáveis e culturalmente ricas de todo Belize.

Participe de uma noite de tambores à beira-mar (drumming circle), faça aulas de culinária local para aprender a preparar o autêntico hudut (sopa de peixe com purê de banana-da-terra verde, leite de coco e pimenta habanero) e faça passeios de um dia ao Santuário de Vida Selvagem Cockscomb Basin, nas proximidades, para fazer trilhas em busca de rastros de onças-pintadas ou praticar tubing pelos rios.

Onde se hospedar

A vila oferece desde sofisticados resorts boutique premiados até charmosas pousadas e cabanas à beira-mar.

Como chegar

Hopkins fica a cerca de 30 minutos de carro ao sul de Dangriga. O acesso pode ser feito facilmente pela estrada, a partir da saída da Thomas Vincent Ramos Highway, ou por meio de um traslado terrestre de aproximadamente 40 minutos a partir da pista de pouso de Dangriga.

A viagem rumo a Belize tem como opção para os brasileiros convenientes conexões com a Copa Airlines, via Cidade do Panamá, principal hub da companhia. Já para quem parte dos Estados Unidos, o destino conta com uma ampla malha aérea, com voos diretos operados por companhias como American Airlines (via Miami e Dallas), United Airlines (Houston), Delta Air Lines (Atlanta) e Alaska Airlines (Los Angeles), entre outras. Conectividade que facilita o acesso ao sul de Belize, tornando a imersão na cultura garifuna e nas paisagens naturais da região ainda mais acessível para viajantes de diferentes mercados. Para mais informações sobre o destino, visite o site: https://www.travelbelize.org/br/.

(Com Carol Maia/Agência em Foco)