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Pesquisa internacional resgata concertos de sociedade musical criada por Maurice Ravel e que marcou época na Europa no início do século 20

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Os nove fundadores da Sociedade Musical Independente em foto de junho de 1910. Foto: Wikicommons.

Idealizada no início do século 20 pelo francês Maurice Ravel (1875–1937) e um marco importante dos movimentos de renovação da música contemporânea, a Société Musicale Indépendante (Sociedade Musical Independente, ou SMI) ganhou o mais completo dossiê já feito sobre os seus 26 anos de existência. O trabalho é resultado de uma longa investigação liderada por pesquisadores franceses em parceria com a brasileira Danieli Verônica Longo Benedetti, pianista, professora e pesquisadora do Instituto de Artes da Unesp.

Do espetáculo inaugural em 20 de abril de 1910 até a apresentação derradeira em 3 de maio de 1935, a documentação dos 172 concertos organizados pelos “independentes” da França está disponível ao público em geral, contribuindo para o entendimento do processo histórico de renovação pelo qual passava a música erudita francesa e europeia no começo do século passado. O material está disponível na plataforma Dezède, rede de pesquisa de arquivamento digital sobre a produção de espetáculos na França, fundada por professores das universidades de Rouen Normandia, Toulouse Jean Jaurès e Paul-Valéry Montpellier.

O dossiê, de 421 páginas no total, começou a ser elaborado em março de 2022 e foi lançado oficialmente em 18 de junho passado. Os editores científicos são o pesquisador francês Manuel Cornejo, fundador e presidente da Associação Amigos de Maurice Ravel, e a docente da Unesp. O professor Yannick Simon, da Universidade Toulouse Jean Jaurés, também colaborou com o processo de construção do trabalho, agora apresentado como referência sobre a Sociedade Musical Independente. Até então, o livro “L’avant-garde musicale et ses sociétés à Paris de 1871 a 1939”, lançado em 1997 pelo pesquisador canadense Michel Duchesneau, era a principal fonte sobre a sociedade de concertos criada por Maurice Ravel e outros oito músicos.

Em 1910, um grupo de nove compositores assina o manifesto de fundação da SMI como reação à conduta pouco receptiva a novas tendências musicais por parte da Société Nationale de Musique (Sociedade Nacional de Música, ou SNM). O órgão, subvencionado pelo governo francês, foi criado sob um enraizado espírito nacionalista instalado na França nas décadas posteriores à Guerra Franco-Prussiana (1870–71). Nesse sentido, enquanto a sociedade nacional, que existu de 1871 até 1998, apoiava basicamente o mesmo grupo de compositores franceses, os “independentes” franceses se associavam para divulgar a música contemporânea sem distinção de escola ou nacionalidade.

O manifesto do comitê fundador da SMI é um dos documentos digitalizados para o dossiê na Dezède, junto com correspondências trocadas pelos membros do comitê da sociedade, a produção da imprensa especializada da época e os programas das salas de concerto, que estavam espalhados por arquivos da França, Áustria, Espanha, Estados Unidos e Itália.

A Sociedade Musical Independente abriu espaço a musicistas e um grande número de obras em um contexto histórico de “virada de página” do romantismo. A partir de 1921, a presença cada vez mais significativa de compositores estrangeiros agregados ao grupo levaria a criação de um comitê estrangeiro da SMI, com nomes como o húngaro Béla Bartók, o espanhol Manuel de Falla, o austríaco Arnold Schönberg, o italiano Alfredo Casella, o romeno George Enescu e o russo Igor Stravinsky, figura central do modernismo musical. “A Sociedade Musical Independente era aberta e curiosa a toda novidade da música contemporânea, independentemente se a nacionalidade era francesa ou não. Por isso também a participação do (brasileiro Heitor) Villa-Lobos e de compositores de outras nacionalidades”, afirma a professora Danieli Longo Benedetti.

Algumas segmentações especiais integram o dossiê, como uma voltada às mulheres compositoras de obras exibidas nos concertos da Sociedade Musical Independente e outra destinada aos brasileiros que participaram de alguma forma dos concertos organizados pela sociedade, esta última realizada por influência da professora da Unesp. A pesquisa em torno dos brasileiros destacou oito pessoas: os compositores Heitor Villa-Lobos, Oswaldo Guerra e Luciano Gallet; e as intérpretes Elsie Houston, Lucília Villa-Lobos, Julieta de Menezes, Yecla de Menezes e Magdalena Tagliaferro. “Foi uma pesquisa feita com fontes primárias e buscamos esgotar as possibilidades de levantamento sobre a programação em análise, valorizando todo tipo de pequena informação existente, colocando algumas notas sobre quem estava presente no dia do concerto e a forma como a imprensa, geral ou segmentada, noticiava (os espetáculos)”, afirma a professora, que estuda as sociedades musicais francesas há duas décadas.

Foi no contexto de afirmação dos ‘independentes’ franceses como sociedade de concertos que Maurice Ravel, um dos líderes do movimento, compôs o “Bolero”, obra feita em 1928 para a bailarina russa Ida Rubinstein e que se tornou uma das músicas eruditas ocidentais mais tocadas no século passado, além de um grande estudo de instrumentação de orquestra. “Quando Ravel escreveu o Bolero, o tonalismo – quando uma composição é escrita em torno de uma tonalidade – já não era mais uma referência (próprio de movimentos artísticos e estéticos de séculos anteriores). No caso do Bolero, Ravel compôs um tema simples e o repetiu, explorando os diferentes timbres de uma orquestra: flauta, fagote, oboé…”, resume a professora Danieli Longo Benedetti. Leia a reportagem completa no Jornal da Unesp.

(Fonte: Assessoria de imprensa Unesp)

Ana Leal estreia mostra inédita “Chão de Histórias” no MIS

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Encontro 8, 2024, Ana Leal. Foto: Guilherme Pucci.

A artista visual Ana Leal apresenta no Museu da Imagem e do Som (MIS) a exposição “Chão de Histórias”, com abertura em 11 de agosto e visitação até 20 de setembro. A mostra – que integra o Programa Nova Fotografia do MIS – marca sua primeira exposição individual em uma instituição museológica brasileira, reunindo um conjunto majoritariamente inédito de obras e apresentando, pela primeira vez, o projeto Chão de Histórias” em sua forma integral.

Concebida especificamente para o espaço do MIS, a exposição reúne 21 obras entre fotografias, colagens, videoprojeção e intervenção espacial. Organizada como um percurso expositivo, apresenta as séries “Dobra do Tempo”, “Encontro” e “Álbum de Família”, além da videoprojeção “Aquilo que fica” e da intervenção textual “O Chão também tem pele“. A concepção artística e expográfica é de Ana Leal, desenvolvida em diálogo com a artista Sylvia Sanchez, responsável pelo acompanhamento artístico da pesquisa, com texto crítico de Éder Chiodetto.

Resultado de uma investigação iniciada em 2022, Chão de Histórias nasceu da primeira viagem da artista ao sertão pernambucano, região de origem de sua família paterna. A partir desse encontro com o território, Ana Leal desenvolveu uma pesquisa sobre memória, paisagem e ancestralidade que amplia a linguagem fotográfica por meio da colagem, do vídeo, da renda renascença, da argila e de arquivos familiares.

Encontro 5, 2024, Ana Leal. Foto: Guilherme Pucci.

“Receber a notícia de que Chão de Histórias havia sido selecionado para o Programa Nova Fotografia foi motivo de alegria e uma enorme honra. Acompanho o programa há muitos anos e sempre admirei a qualidade dos artistas e das pesquisas apresentadas pelo MIS. Depois de diferentes candidaturas ao programa e de uma primeira submissão de Chão de Histórias, ainda em uma etapa inicial de desenvolvimento, poder apresentar agora a versão integral dessa pesquisa no MIS tem um significado muito especial. Vejo essa seleção como o reconhecimento de um percurso construído com estudo, experimentação, amadurecimento e continuidade. Sinto-me profundamente honrada por integrar o Programa Nova Fotografia do MIS e por compartilhar esse projeto com o público”, afirma Ana Leal.

Sobre a artista

Ana Leal (Recife, 1969) é artista visual radicada em São Paulo. Sua produção parte da fotografia e se expande para colagem, vídeo, objetos, instalação e processos híbridos, investigando memória, território, ancestralidade e impermanência. Nos últimos anos, seu trabalho vem conquistando reconhecimento nacional e internacional, com participações em exposições e festivais como a mostra dos Sony World Photography Awards na Somerset House (Londres), BBA Gallery (Berlim), Rencontres d’Arles, Fundação Iberê, Galeria Vermelho e Galeria Lica Pedrosa. Sua produção também foi publicada por Lenscratch, PhotoVogue, L’Œil de la Photographie e Musée Magazine.

Sobre o Nova Fotografia

O projeto anual do MIS seleciona, por meio de convocatória aberta ao público, novos fotógrafos para uma exposição individual no Museu. A seleção fica a cargo do Núcleo de Programação, com supervisão e coordenação da curadoria geral do MIS. São selecionadas séries fotográficas inéditas, de profissionais que se destacam por sua originalidade técnica e estética. Após o período em exposição, as séries escolhidas passam a integrar o acervo do MIS.

Sobre o MIS

Inaugurado em 1970 e vinculado à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, o Museu da Imagem e do Som (MIS) é um dos centros culturais mais dinâmicos da cidade. Seu acervo reúne mais de 200 mil itens entre fotografias, filmes, vídeos, cartazes e registros sonoros, e sua programação inclui exposições, cursos e eventos de cinema, música, fotografia e artes visuais para todos os públicos.

SERVIÇO:

Chão de Histórias

Entrada gratuita

Abertura: 11 de agosto, terça-feira, das 19h às 22h

Período de visitação: de 11 de agosto a 20 de setembro de 2026

Local: Museu da Imagem e do Som | Av. Europa, nº 158, Jardim Europa, São Paulo/SP

Horário de funcionamento: terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h. @mis_sp | @ana_leal_art | www.analeal.art

(Com Patricia Marrese/Marrese Assessoria)

João Bosco lança parte 1 do álbum “Amigos Novos e Antigos” em celebração aos seus 80 anos

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Com mais de 50 anos de carreira, João Bosco reúne grandes nomes da música para celebrar uma das obras mais inventivas da canção brasileira. Foto: Leo Aversa.

Desde o primeiro acorde do seu violão, a música de João Bosco não envelhece: apenas ganha novos amigos e parceiros dispostos a celebrar a sua grandeza. Ao completar 80 anos em 2026, o cantor, compositor e violonista mineiro não festeja apenas um novo ciclo de vida. Ele reúne artistas de diferentes gerações para comemorar mais de cinco décadas de uma trajetória que expandiu os limites da canção brasileira e produziu um repertório que segue vivo, surpreendente e absolutamente contemporâneo.

Essa celebração ganha forma em “Amigos Novos e Antigos”, com lançamento em duas etapas ao longo de 2026, acompanhado de uma nova turnê. A parte 1 do álbum, com seis faixas, chega às plataformas digitais dia 31 de julho. No dia 25 de setembro, sai o álbum completo com 17 faixas. Inspirado na composição criada ao lado de Aldir Blanc, o projeto faz do próprio título uma declaração de princípios: celebrar a música como encontro, amizade e permanência. É um disco de reinvenções, recordações e muitos abraços apertados. Um álbum que olha para trás sem pretensões, com alegria e reverência, e que encara o momento atual com disposição, frescor e entusiasmo. “Chegar aos 80 cercado de pessoas que fizeram parte da minha história e de artistas que continuam levando essa música pra frente é um presente. Este disco nasceu da vontade de agradecer. Cada canção é uma conversa, um abraço, um reencontro”, resume João.

Muito mais do que revisitar sucessos, o álbum percorre diferentes territórios de uma obra que nunca coube em rótulos. Estão ali o samba de construção sofisticada, a crônica urbana, a herança afro-brasileira, a liberdade do jazz, a poesia, a delicadeza e o humor. Um repertório que revela não apenas o compositor de clássicos eternizados pelo público, mas o permanente pesquisador de ritmos, harmonias e narrativas que fez de cada canção um universo próprio.

Na parte 1 do álbum, João recebe Zeca Pagodinho para um dueto em “Siri Recheado e o Cacete”, lançada originalmente no álbum “Bandalhismo” (1980). Já Mart’nália acompanha o cantor no clássico “Kid Cavaquinho”. Tiago Iorc, por sua vez, comparece em “Perfeição”, de João Bosco e do filho Francisco. César Camargo Mariano dá o toque de teclados em “Casa de Marimbondo”, enquanto Hamilton de Holanda vem de bandolim em “Nação”.

Capa de “Amigos Novos e Antigos – parte 1”, de João Bosco. Foto: Victor Correa.

Ao longo das faixas, João reencontra personagens fundamentais de sua caminhada e convida novos parceiros para dar continuidade a essa conversa musical que atravessa gerações. Cada encontro carrega um significado particular. Há parceiros de vida, intérpretes históricos, herdeiros musicais e artistas que encontraram na obra de João Bosco uma fonte permanente de inspiração. O disco transforma essas relações em música, fazendo com que cada participação soe menos como uma participação especial e mais como uma visita entre velhos amigos.

Em muitos desses encontros, a presença de Aldir Blanc (1946–2020) continua a ecoar, como a poesia que nunca deixou de habitar a música de João Bosco. Parceiro em centenas de canções, cúmplice artístico e amigo inseparável, Aldir continua ocupando um lugar central neste projeto. Sua poesia percorre o álbum como uma presença afetiva constante, lembrando que algumas parcerias seguem compondo mesmo depois do silêncio.

Outra memória incontornável é a de Elis Regina. Foi em sua voz que muitas dessas canções ganharam o país e passaram a integrar definitivamente a memória afetiva brasileira. Rever esse repertório é também homenagear a intérprete que ajudou a transformar João Bosco em um dos maiores compositores de sua geração.

A escolha das músicas também traduz esse espírito. Em vez de funcionar como uma coletânea de grandes sucessos, “Amigos Novos e Antigos” propõe um percurso por diferentes momentos da carreira, reunindo canções emblemáticas e outras que revelam facetas menos conhecidas de um compositor cuja inquietação sempre caminhou lado a lado com sua popularidade. Em novos arranjos, elas aparecem iluminadas por outras vozes, novas leituras e diferentes gerações de músicos. “Essas músicas nunca foram minhas apenas. Desde que nasceram, passaram a pertencer às pessoas. Agora voltam diferentes, carregando as histórias de quem as cantou, ouviu, gravou e viveu com elas. Acho bonito ver uma canção continuar mudando sem perder sua essência”, diz João.

Acompanhando o lançamento do álbum, a turnê comemorativa levará ao palco essa atmosfera de encontro. João tem shows agendados em Belo Horizonte (6 de agosto), Maceió (12 de setembro), Rio de Janeiro (2 de outubro), São Paulo (9 de outubro), Porto Alegre (15 de outubro) e Curitiba (16 de outubro). Mais do que uma retrospectiva, os espetáculos serão uma celebração do presente de um artista que continua criando, reinventando o próprio repertório e emocionando plateias no Brasil e no exterior.

Aos 80 anos, João Bosco reafirma aquilo que sempre distinguiu sua obra: a capacidade de transformar virtuosismo em emoção, sofisticação em proximidade e amizade em música. “Amigos Novos e Antigos” não é apenas um tributo a uma carreira extraordinária. É a prova de que algumas canções continuam encontrando novos caminhos porque nasceram para permanecer. 

Amigos Novos e Antigos – João Bosco 80 Anos

Concepção: João Bosco & Julia Bosco

Direção Artística: Julia Bosco

Direção de Produção/Coordenação de Projeto/Produção Executiva: Marilene Gondim & Julia Bosco

Arranjos e Produção Musical: João Bosco & Rafael Rocha

Arranjos para metais e cordas: Rafael Rocha

Gravadora Som Livre 

Amigos Novos e Antigos – Parte 1

1 – Siri Recheado e o Cacete (João Bosco/Aldir Blanc) – João Bosco feat Zeca Pagodinho

2 – Kid Cavaquinho (João Bosco/Aldir Blanc) – João Bosco feat. Mart’nália

3 – Boca de Sapo (João Bosco/Aldir Blanc) – João Bosco

4 – Perfeição (João Bosco/Francisco Bosco) – João Bosco feat. Tiago Iorc

5 – Casa de Marimbondo (João Bosco/Aldir Blanc) – João Bosco feat. César Camargo Mariano

6 – Nação (João Bosco/Aldir Blanc/Paulo Emílio) – João Bosco feat. Hamilton de Holanda.

(Com Pedro Franco/Lupa Comunicação)

Editora FGV lança livro ‘Famílias empresárias brasileiras’

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Em “Famílias empresárias brasileiras: memórias e reflexões”, Levindo O. C. Santos examina os desafios enfrentados por famílias empresárias na construção, preservação e transformação de seus legados ao longo do tempo. A obra, publicada pela Editora FGV, parte da compreensão de que família e trabalho estão entre as forças mais determinantes da vida humana. Quando essas duas dimensões se encontram em um mesmo projeto empresarial, ampliam sua potência, mas também sua complexidade. Nas famílias empresárias, vínculos afetivos, memória, pertencimento, patrimônio, poder e decisões estratégicas convivem em uma mesma realidade.

Processos de sucessão, profissionalização, governança, inovação, gestão patrimonial e entrada de investidores não mobilizam apenas questões técnicas. Envolvem também confiança, autoridade, identidade, responsabilidade e a capacidade de cada geração compreender o seu próprio tempo.
Combinando reflexão conceitual, pesquisa acadêmica e casos brasileiros, o livro se afasta da ideia de fórmulas prontas ou modelos universais. As histórias apresentadas revelam como cada família constrói suas respostas a partir de sua trajetória, de suas relações, de seus impasses e do momento que vive.

Mais do que oferecer soluções fechadas, a obra amplia a percepção sobre o território singular das famílias empresárias e convida o leitor a reconhecer, nas experiências de outros, elementos que possam iluminar suas próprias conversas, escolhas e responsabilidades.

Para marcar o lançamento desta obra, o autor estará presente na Rio Innovation Week com a “Palestra Fio do Tempo”, dia 7 de agosto, às 14h30, seguido de autógrafos no Armazém Kobra, às 17h; em São Paulo, noite de autógrafos na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, às 19h do dia 5 de agosto e, em Belo Horizonte, um encontro especial no Hotel Radisson Blu, às 19h, no dia 13 de agosto.

Famílias empresárias brasileiras: memórias e reflexões

Levindo O. C. Santos

Editora FGV.

(Com Marcia Gomes/Insightnet)

Tudo que inventei aconteceu: Flávia Junqueira apresenta nova série produzida em Nova York

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Em cartaz a partir de 8 de agosto na Zipper Galeria, individual reúne ensaio produzido em espaços públicos nova-iorquinos e expõe, pela primeira vez, os bastidores por trás da criação do universo lúdico em suas fotografias.

Depois de quase duas décadas transformando teatros, museus, palácios e outros espaços históricos em cenários para suas fotografias, Flávia Junqueira voltou seu olhar para a imprevisibilidade da cena urbana de Nova York. O resultado é “Tudo que inventei aconteceu”, exposição que abre em 8 de agosto na Zipper Galeria, em São Paulo. A mostra apresenta um conjunto inédito de fotografias produzido durante uma temporada no início deste ano, em que balões, cavalinhos de carrossel e outros elementos recorrentes na obra da artista ocupam ruas, pontes, parques e estações de metrô de alguns dos endereços mais emblemáticos da metrópole.

Realizado em parceria inédita entre a Zipper Galeria, no Brasil, e a Unix Gallery, em Nova York, o projeto foi desenvolvido majoritariamente em espaços públicos e exigiu uma dinâmica de produção diferente da habitual. Os materiais acompanharam toda a viagem, os balões eram inflados no próprio local e muitas fotografias foram feitas antes do amanhecer, quando as ruas ainda estavam vazias. A luz, o clima e o movimento da cidade passaram a fazer parte da construção de cada imagem.

Essa mudança aparece também nas próprias fotografias. Pela primeira vez, tripés, cilindros de gás hélio e outros recursos técnicos permanecem visíveis em algumas imagens. Em vez de esconder esses elementos, Flávia os incorpora ao trabalho e revela parte do processo de criação sem desfazer o encantamento que caracteriza sua produção.

Referências a Alice no País das Maravilhas atravessam discretamente a série e reaparecem ao longo das fotografias. O título da mostra sugere que aquilo que parecia existir apenas na imaginação ganha forma diante da câmera, retomando temas recorrentes na obra da artista, como a infância, a memória e a encenação.

As imagens percorrem diferentes paisagens de Nova York. Na Brooklyn Bridge e na vista da Manhattan Bridge a partir do DUMBO, os balões dividem espaço com alguns dos cartões-postais mais conhecidos da cidade. No Bryant Park, um díptico registra o mesmo carrossel durante o dia e à noite, sem qualquer intervenção. Já na estação Chambers Street, uma das mais antigas, um cavalo de carrossel ocupa a plataforma do metrô. No Freeman Alley, os balões encontram os grafites que transformaram o beco em um dos endereços mais conhecidos da arte urbana nova-iorquina.

A série sucede projetos recentes que ampliaram a presença do trabalho de Flávia Junqueira em diferentes espaços, como a instalação de milhares de balões criada para o aniversário de 116 anos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a instalação imersiva Rêverie, apresentada na Zipper Galeria, e Sala Ali, espaço permanente concebido para a Casa Bradesco, em São Paulo. Suas obras integram coleções como MAM São Paulo, MIS São Paulo, Museu do Itamaraty e World Bank.

Com texto crítico de Gisela Gueiros, a mostra apresenta um momento de inflexão na trajetória de Flávia Junqueira. Ao levar sua fotografia para as ruas de Nova York e incorporar ao processo aquilo que normalmente permanecia fora de quadro, a artista amplia as possibilidades de um trabalho reconhecido por construir cenas cuidadosamente elaboradas.

Sobre a artista 

Flávia Junqueira (São Paulo, Brasil, 1985) vive e trabalha em São Paulo. Bacharel em Artes Plásticas e pós-graduada em Fotografia pela Fundação Armando Álvares Penteado, seu nome é evidenciado pela participação em projetos e exposições de destaque, tais como “Culture and Conflict: IZOLYATSIA in Exile”, no Palais de Tokyo (Paris, 2014), “The World Bank Art Program”, no Kaunas Photo Festival (2010), “Tomorrow I will be born again”, na Cité des Arts (2011), e “Subjetivo Feminino: una Mirada Latino Americana”, do projeto Photo España, no Instituto Cervantes São Paulo (2009), além de “Projeto para finais felizes”, na Temporada de Projetos do Paço das Artes (São Paulo, 2013), agraciado com o Prêmio Energias na Arte do Instituto Tomie Ohtake em 2009. Outras contribuições notáveis incluem “Gorlovka”, no Programa Itinerâncias “Nova Fotografia” (2015), e “Tentativas e Apostas – Notas de um Processo”, na Red Bull House of Art, Residência Artística São Paulo (2010).

Nos últimos anos, realizou uma série de exposições individuais e instalações imersivas que expandem essa pesquisa, com destaque para “Flávia Junqueira no Baile”, na Sala Ali, Casa Bradesco (São Paulo, 2025), a instalação imersiva no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (2025), “Alegoría”, na Sorondo Projects em parceria com a Reiners Contemporary (Barcelona, 2025), “Extasia”, no Centro Cultural FIESP (São Paulo, 2024), o projeto ao ar livre da Banca Galeria no Parque Ibirapuera (São Paulo, 2024), “The Absurd and the Grace”, na Gilman Contemporary (Sun Valley, Idaho, Estados Unidos, 2024), “Symphony of Illusions”, na Galeria Voss (Düsseldorf, 2023), “Revoada #3”, no Pátio Higienópolis (São Paulo, 2022), e as mostras “Revoada”, no Farol Santander Porto Alegre e no Farol Santander São Paulo (2021). Também integra esse percurso “Party Cloud”, na Izolyatsia (Donetsk, Ucrânia, 2012). Na Zipper Galeria, onde já realizou cinco exposições individuais, destacam-se “Rêverie” (São Paulo, 2024), “Igrejas barrocas e cavalinhos de pau” (São Paulo, 2021), “O Absurdo e a Graça” (2019) e “Quando os monstros envelhecem” (2016), que aprofundam sua investigação sobre a memória e a teatralidade do encantamento no espaço expositivo.

SERVIÇO:

Flávia Junqueira | Tudo que inventei aconteceu

Texto crítico:  Gisela Gueiros

Local: Zipper Galeria – R. Estados Unidos, 1494 – Jardim America, São Paulo

Abertura: 8 de agosto

Período expositivo: 8 de agosto a 19 de setembro de 2026

Entrada: Gratuita

Informações:  www.zippergaleria.com.br | @zippergaleria.

(Com Edgard França Cor Comunicação)