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Agosto Indígena do Sesc São Paulo destaca protagonismo tecnológico dos povos originários

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

De 6 a 16 de agosto, cerca de 120 atividades – diversas delas, gratuitas – em mais de 30 unidades no estado convidam o público a conhecer os múltiplos significados do conceito de tecnologia para os povos indígenas. Foto: Divulgação.

Entre os dias 6 e 16 de agosto, diversas unidades do Sesc em todo o estado de São Paulo realizam ações voltadas ao Agosto Indígena, com o tema “Tecnologias Indígenas”. A iniciativa tem como objetivo criar espaços de visibilidade para as práticas e conhecimentos de diversas etnias, propondo reflexões sobre o conceito de tecnologia que engloba tanto o universo digital quanto os métodos tradicionais e contemporâneos de manejo, subsistência, arte e ativismo político.

O projeto baseia-se nos saberes-fazeres dos mais de 300 povos originários do território hoje conhecido como Brasil. É o caso de diversos conhecimentos ancestrais, como aqueles conectados aos sistemas agrícolas tradicionais, que fazem das roças indígenas verdadeiros repositórios de biodiversidade – cultivadas com técnicas atualmente difundidas pelo termo “agrofloresta”. Além disso, as ações demonstram o mapeamento e o uso de ferramentas contemporâneas, como o audiovisual e as redes sociais, em iniciativas de valorização cultural e na defesa territorial dessas comunidades.

A programação inclui atividades como exibições de cinema, bate-papos, shows, oficinas e vivências esportivas, com ações gratuitas e para diversas faixas etárias.
A abertura acontece no Sesc Pompeia, no dia 6 de agosto, quinta-feira, às 19h, com o encontro Tecnologias de Resistência. A programação conta com intervenções artísticas e bate-papo. Estarão presentes Alberto Alvares, Eunice Kerexu Yxapyry, Geni Núñez, Lilly Baniwa, Paulinho Fluxus_, Sioduhi e Suraras do Tapajós para visibilizar e debater as mais diversas tecnologias acionadas pelos povos indígenas no Brasil.

Entre as atrações, haverá o desfile de Sioduhi Waíkhun, estilista e diretor criativo de moda, integrante do povo Waíkahna (Piratapuya). Suas criações têm como fio condutor a ancestralidade, o design e a inovação, desenvolvendo coleções pautadas na responsabilidade socioambiental, que valorizam tecnologias originárias e fortalecem a economia criativa da Amazônia.

No Sesc Interlagos, no dia 7 de agosto, o público poderá acompanhar o bate-papo Tecnologias Indígenas do Cuidado, com Lyryca e Txai Suruí. A mediação será de Jessica Jera, articulando conversas sobre saberes ancestrais a partir do documentário Kunhã Karai.

Inspirada no livro que a nomeia, escrito pela liderança indígena Ailton Krenak, a peça Ideias para Adiar o Fim do Mundo será apresentada no Sesc Santo André (7/8), Sesc Campo Limpo (8/8) e Sesc 24 de Maio (9/8).

No Sesc 14 Bis, no dia 12 de agosto, ocorre o lançamento do livro O Feitiço do Fio: A Busca Pelo Manto Tupinambá, num encontro com a autora Glicéria Tupinambá e mediação de Rita Carelli, abordando o processo de repatriamento dos mantos tupinambás.

O documentário Yvy Pyte: Coração da Terra, dirigido por Alberto Alvares e José Cury, será exibido no Sesc Pompeia (7/8), e ganha sessões de bate-papo, em sequência, com os cineastas no Sesc Santo André (8/8), Sesc Piracicaba (9/8) e Sesc Franca (11/8).

A cantora, compositora e ativista Clara Potiguara apresenta o espetáculo Akajubaté, celebrando a cultura do povo Potiguara com toré, coco de roda e sonoridades contemporâneas em apresentações no Sesc Jundiaí (8/8), Sesc Ribeirão Preto (9/8) e Sesc Belenzinho (13/8).

A pluralidade de ações também permitirá ao público imersão nos saberes, metodologias e memórias de diferentes territórios. A artista e educadora Liça Pataxoop apresenta a metodologia de ensino do povo Pataxoop no bate-papo Tehêy: Metodologia de Ensino da Aldeia Muã Mimatxi, no Sesc São Carlos (11/8), na oficina Conhecendo Tehêys, no Sesc Ribeirão Preto (12/8), e no curso O Tehêy de Dona Liça Pataxoop: Pescaria de Conhecimentos, no Centro de Pesquisa e Formação (15/8).

Em diálogo com a memória urbana e territorial paulista, o historiador e liderança Casé Angatu conduz a palestra O Caminho do Peabiru: Memória Central Marcando as Indígenas Identidades Paulistas, no Sesc Sorocaba (12/8), a vivência e caminhada Îe’engara Guatá Toré: Pinheiros é Terra Indígena e Ribeirinha, pelo Sesc Pinheiros (15/8), e a aula aberta Indígenas Identidades Paulistas, no Sesc Avenida Paulista (16/8).

A força e o protagonismo feminino indígena também ganham espaço na roda de conversa Kunhangue Nhemboaty: Encontro de Mulheres Guarani e Partilha de Narrativas, que reúne mulheres Guarani de diferentes regiões no Sesc Pinheiros (7/8) e no Sesc Sorocaba (8/8).

O atleta Lavozier Marubo compartilha sua trajetória e ensina os fundamentos da modalidade na Apresentação Esportiva e Aula Aberta de Luta Greco-Romana no Sesc Campo Limpo (8/8) e no Sesc Ribeirão Preto (9/8). Já a atleta arqueira Graziela Santos (Yaci), do povo Karapãna, conduz a Apresentação Esportiva e Aula Aberta de Tiro com Arco, articulando a prática com a tradição indígena, no Sesc Ribeirão Preto (8/8) e no Sesc Campo Limpo (9/8).

Confira alguns destaques das unidades do Sesc da edição do Agosto Indígena:

Desfile Mulheres Indígenas em Ação (Sesc Consolação)

Intervenção de expressão corporal na Área de Convivência focada na afirmação, no protagonismo e na atualização estética de lideranças originárias de diferentes territórios indígenas.

Dia 16/8, domingo, às 15h.

Culinária Guarani: Saberes e Tradições Indígenas (Sesc Pinheiros)

Curso prático ministrado pela liderança Jerá Guarani sobre o preparo de pratos tradicionais como o mbeju e o jopara, conectando técnicas de alimentação e preservação do território.

Dias 11, 18 e 25/8, terças-feiras, às 19h.

Exibição do filme A Queda do Céu (Sesc Guarulhos e Sesc Consolação)

Sessão cinematográfica do documentário dirigido por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, baseado na cosmologia Yanomami e na obra do xamã Davi Kopenawa com o antropólogo Bruce Albert.

Dia 12/8, quarta-feira, às 19h30 no Sesc Guarulhos. Dia 27/8, quinta-feira, às 19h no Sesc Consolação.

Amazônia Viva em Realidade Virtual (Sesc Franca)

Experiência imersiva em tecnologia 360° conduzida pela liderança Raquel Tupinambá, transportando o público ao Rio Tapajós para vivenciar a floresta sob a perspectiva originária.

Dias 15 e 16/8, sábado e domingo, às 13h.

Aulas Abertas de Tiro com Arco (Sesc Campo Limpo e Sesc Ribeirão Preto)

Demonstração esportiva e vivência prática guiadas por Graziela Santos (Yaci), atleta do povo Karapãna e integrante da seleção brasileira da modalidade.

Dia 8/8 no Sesc Ribeirão Preto e dia 9/8 no Sesc Campo Limpo.

Acesso à programação 

As atividades são majoritariamente gratuitas. A participação varia de acordo com o formato da atividade e o local de realização na unidade. Para verificar a programação completa, acesse: sescsp.org.br/agosto-indigena.

(Com Romeu Marinho Ubeda/Sesc SP)

MACS recebe estreia brasileira do projeto Gravitas, de Túlio Pinto e Eduardo Rezende

Sorocaba, SP, por Kleber Patricio

Túlio Pinto & Eduardo Rezende, Gravitas – Ato I #03, 2025, Impressão fine art com pigmento mineral sobre papel Canson Infinity Somerset Enhanced, 180 x 135 cm. Fotos: Eduardo Rezende.

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS) recebe, a partir de 15 de agosto de 2026, a exposição “Gravitas”, com curadoria de Patrícia Borges. A data de abertura coincide com o aniversário de fundação de Sorocaba, em 15 de agosto de 1654. A mostra corresponde ao Ato I do projeto do artista Túlio Pinto em colaboração com o fotógrafo Eduardo Rezende, apresentado previamente com dois conjuntos de obras na Piero Atchugarry Gallery, em Miami, Estados Unidos.

Gravitas marca a primeira vez em que Túlio Pinto introduz o corpo humano em seu vocabulário. O artista trabalha há anos com escultura e instalação a partir de investigações sobre peso, equilíbrio e resistência dos materiais, usando concreto, ferro e vidro. Para este projeto, ele convidou Eduardo Rezende, fotógrafo que se relaciona com o universo da moda, área em que o corpo costuma ser fotografado de forma idealizada. Para Gravitas, o corpo se transforma em estrutura escultórica em diálogo com pedras brutas. Aqui o esforço físico, a deformação e a tensão entre corpo e peso constroem um novo sistema de relações. O conjunto fotográfico inverte a lógica tradicional da escultura, em que o artista talha ou modela uma matéria inerte.

Nas fotografias de Rezende, pedras brutas funcionam como elemento ativo, imprimindo seu peso sobre modelos de diferentes tipos físicos, escolhidos para a série. Mãos, braços e torsos reagem ao contato direto com a pedra e as mãos aparecem como ponto de transferência entre os dois materiais. As fotografias são em preto e branco, de grande formato e com alto contraste.

Túlio Pinto & Eduardo Rezende, Gravitas – Ato I #16, 2025, Impressão fine art com pigmento mineral sobre papel Canson Infinity Somerset Enhanced, 180 x 135 cm.

Na entrada do MACS, duas pedras ficam disponíveis para o público. Os visitantes podem tocar, levantar e sentir o peso desses elementos, o que estende para o espaço expositivo a experiência física registrada nas imagens. Uma agenda de atividades educativas liderada por Sadao Mori acompanha o período da exposição.

O título do projeto parte do termo latino gravitas, que remete simultaneamente ao peso físico e a um sentido de rigor. Túlio Pinto ocupa posição de referência na escultura contemporânea brasileira. Realizou exposições individuais no Brasil e no exterior; entre elas, Cerrado Cultural, em Brasília, Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, Millan, em São Paulo, Bienal de Vancouver (2014, Canadá), o Phoenix Institute of Contemporary Art (2015, Estados Unidos), Fondamenta Sant’Apollonia, em Veneza e a Piero Atchugarry Gallery. Recebeu prêmios como o 65º Salão Paranaense e o Prêmio Energisa Artes Visuais e tem obras em coleções institucionais, como as do Museu Marta Herford, na Alemanha, da Fundación Pablo Atchugarry, no Uruguai, e do Museu Oscar Niemeyer, no Brasil, além de coleções privadas.

Túlio Pinto & Eduardo Rezende, Gravitas – Ato I #17, 2025, Impressão fine art com pigmento mineral sobre papel Canson Infinity Somerset Enhanced, 135 × 180 cm.

Eduardo Rezende é fotógrafo com atuação no Brasil e no exterior. Sua produção aborda arquitetura, paisagem e espaços em transformação. Expôs individualmente na Piero Atchugarry Gallery, em Miami e em Torino, na Art Basel Miami, na Casa Gabriel, em São Paulo, e na Pair Gallery, entre outros espaços. Participou de mostras coletivas como o Art Factory Project, em Miami, e a Mostra Flávio de Carvalho Desveste, no MuBE e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Participou de residências artísticas e assinou editoriais para publicações como Vogue, Harper’s Bazaar, L’Officiel e Elle.

Patrícia Borges é curadora e consultora de arte. Atua há mais de 16 anos nos mercados nacional e internacional. Formou-se em Administração de Empresas e Economia pela Universidade de Ribeirão Preto e cursou Business na New York University Stern School. É mestre em Art as a Financial Asset pela New York University e em Art Institutions Management pela ESE, em Florença, na Itália, concluído em 2024. Desenvolve projetos curatoriais de grande escala na interseção entre arte, patrimônio, investimento e sustentabilidade.

“A abertura da exposição acontece em 15 de agosto, data que marca o aniversário de 372 anos de fundação de Sorocaba. A escolha do dia reforça o compromisso do MACS com a agenda cultural da cidade.” — Carol Paiffer, presidente do MACS.

SERVIÇO:

Gravitas | Túlio Pinto e Eduardo Rezende

Curadoria: Patrícia Borges

Pré-abertura para convidados: 14 de agosto, das 18h às 22h

Abertura: 15 de agosto de 2026

Visitação: até 15 de novembro de 2026

Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS

Endereço: Av. Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro, Sorocaba

Horário: Terça a sexta, das 10h às 17h | Sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h

Realização: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS

Apoio: Secretaria de Cultura de Sorocaba, Dan Galeria, Ágere, Applix, Nucleo TCM

Patrocínio: Laranjinha Itaú, Itaú, White Martins, Ministério da Cultura, Lei Rouanet

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)

Tetê Espíndola apresenta show “Da Raiz ao Contemporâneo” no Sesc Bom Retiro

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Tetê Espíndola apresenta o show “Da Raiz ao Contemporâneo” no teatro do Sesc Bom Retiro dia 7 de agosto, sexta, às 20h. Com mais de 45 anos de carreira, a compositora, cantora e instrumentista, que tem na voz um instrumento natural em seu elemento poético, transita pela música pantaneira, percorrendo desde guarânias e polcas, gêneros difundidos na fronteira do Mato Grosso com o Paraguai, até composições contemporâneas que ressaltam sua fase ligada à vanguarda musical paulista, em colaboração com artistas como Arrigo Barnabé e Carlos Rennó. No repertório estão canções de seus conterrâneos, caso de Paulo Simões (“Trem do Pantanal”), Almir Sater e Renato Texeira, além de destaques de sua carreira, como “Galopeira” e “Seriema”.

Hoje com mais de vinte álbuns lançados, Tetê Espíndola lançou seu primeiro solo, “Tetê e o Lírio Selvagem”, em 1978. O disco foi sucedido por títulos como “Pássaros na Garganta”, de 1982, registro emblemático de sua trajetória que traz no nome do trabalho a imagem desde sempre associada ao seu canto. Três anos depois, em 1985, Tetê Espíndola venceu o Festival dos Festivais na rede Globo com “Escrito nas Estrelas”. Seu lançamento mais recente, “Tetê 70”, de maio de 2025, traz o registro de sua apresentação no Sesc Piracicaba em junho de 2024, acompanhada de 60 músicos da Orquestra Sinfônica de Piracicaba sob regência do maestro Jamil Maluf.

SERVIÇO:

Tetê Espíndola | Show Da Raiz ao Contemporâneo

Dia 7/8. Sexta, 20h.

Local: Teatro (291 lugares). 10 anos

Ingressos: R$ 18,00 (Credencial Plena), R$ 30,00 (Meia) e R$ 60,00 (Inteiro).

Venda de ingressos disponível pelo APP Credencial Sesc SP, no site sescsp.org.br/bomretiro, ou nas bilheterias.

Estacionamento do Sesc Bom Retiro – (vagas limitadas): O estacionamento do Sesc oferece espaço para pessoas com deficiência, além de bicicletário. A capacidade do estacionamento é limitada. Os valores são cobrados igualmente para carros e motos. Entrada: Alameda Cleveland, 529.

Valores: R$ 10 a primeira hora e R$ 4 por hora adicional (Credencial Plena). R$ 20 a primeira hora e R$ 5 por hora adicional (Outros). Valores para o público de espetáculos: R$ 14 (Credencial Plena) e R$ 25 (Outros). Horários: Terça a sexta: 9h às 20h. Sábado: 10h às 20h. Domingo: 10h às 18h. IMPORTANTE: Em dias de evento à noite no teatro, o estacionamento funciona até o término da apresentação.

Transporte gratuito: O Sesc Bom Retiro oferece transporte gratuito circular partindo da Estação da Luz. O embarque e desembarque ocorrem na saída CPTM/José Paulino/Praça da Luz.

Consulte os horários disponíveis de acordo com a programação no link.

Sesc Bom Retiro

Alameda Nothmann, 185. CEP 01216-000

Campos Elíseos, São Paulo – SP. Telefone: (11) 3332-3600

Siga o @sescbomretiro nas redes sociais: Facebook, Instagram / sescbomretiro.

(Com Flávio Aquistapace/Assessoria de imprensa Sesc Bom Retiro)

Adaptada por Fernando Meirelles, saga de super-herói brasileiro transforma São Paulo na protagonista da história

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

Enquanto Hollywood segue dominando o imaginário do universo de super-heróis, uma saga brasileira tem chamado a atenção por fazer justamente o caminho inverso: trocar Gotham e Metrópolis pelo centro de São Paulo. Criada pelo escritor, quadrinista e roteirista Pedro Ivo, a trilogia “O Cidadão Incomum” apresenta Caliel, um herói cuja trajetória é atravessada por desigualdade, violência, identidade e pertencimento, tendo a capital paulista como parte essencial da narrativa.

A série literária está em fase de adaptação para o cinema pela O2 Filmes e conta com a participação de Fernando Meirelles (Cidade de Deus) na produção. Para o cineasta, a brasilidade é justamente o diferencial da obra. “Tinha alguma coisa na kriptonita ou em Gotham City que não me deixavam embarcar totalmente, mas a brasilidade de Cidadão Incomum muda tudo. Eu conheço aquele ator ferrado sobrevoando a Av. Paulista. É outra experiência.” Já o produtor executivo Gustavo Gontijo resume a proposta da saga como “Onde Watchmen encontra Cidade de Deus.”

O terceiro volume, O Cidadão Incomum 3 – Experiência de Quase Morte, encerra a trilogia de origem do personagem. Ambientada em uma São Paulo sufocada por uma onda de calor e marcada por mortes misteriosas, a história combina suspense investigativo, ficção científica, horror psicológico e crítica social para discutir temas como masculinidade, desigualdade, poder e memória. Ao longo da saga, pontos icônicos da cidade, como o Edifício Copan e a Avenida Paulista, deixam de ser apenas cenários e passam a integrar a construção do universo do herói. Ao longo da série, o autor constrói um universo em que o centro da capital, a periferia e os conflitos sociais substituem as tradicionais metrópoles norte-americanas como cenário do heroísmo.

Onde encontrar o livro: Amazon e principais livrarias do Brasil.

Sobre o autor | Pedro Ivo é escritor, quadrinista e roteirista, criador da série literária Cidadão Incomum, universo de livros e quadrinhos que está em adaptação para o cinema pela O2 Filmes. Suas histórias combinam ficção científica, crítica social e elementos sobrenaturais para abordar temas como identidade, desigualdade e ética no Brasil contemporâneo. Também é coautor de Entre Mundos, obra de terror e sci-fi ambientada na periferia de São Paulo, cujos direitos de adaptação foram adquiridos pela Intro Pictures. Além da literatura e dos quadrinhos, desenvolve projetos narrativos que conectam audiovisual, games e novas tecnologias.

Redes sociais:

Instagram: @pedroivob_

LinkedIn: Pedro Ivo Barbosa

Site: Pedro Ivo.

(Com Gabriela Cuerba/LC Agência de Comunicação)

Theatro Municipal de São Paulo recebe premiado compositor chinês Tan Dun

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Tan Dun. Foto: Feng Hai.

Nos dias 7 e 8 de agosto, a Orquestra Sinfônica Municipal apresenta “O Mundo de Tan Dun”, concerto que marca a presença do renomado compositor e maestro Tan Dun, responsável pela regência das apresentações e pela interpretação de um programa dedicado à sua própria obra. Reconhecido internacionalmente por unir tradição e inovação, o artista divide o palco com a percussionista Lin Zhe, em um encontro que promete proporcionar ao público uma experiência sonora singular. As apresentações contam com Patrocínio Mobilize. Os ingressos variam de R$13 a R$100, a classificação é livre e a duração do concerto é de 100 minutos com intervalo.

O programa reúne três obras emblemáticas da produção de Tan Dun: “Passacaglia: O Segredo do Vento e dos Pássaros”, “Water Concerto – Concerto para Percussão e Orquestra” e “Sinfonia das Cores”, peças que sintetizam a linguagem do compositor ao integrar influências da música de concerto ocidental, da filosofia oriental e de sonoridades inspiradas na natureza.

A abertura do concerto acontece com Passacaglia: O Segredo do Vento e dos Pássaros, obra inspirada na antiga tradição chinesa de observar e interpretar os sons da natureza. Nela, Tan Dun estabelece um diálogo entre a orquestra e gravações de cantos de pássaros provenientes de diferentes regiões do mundo, criando uma reflexão sobre a relação entre humanidade, meio ambiente e memória sonora. Estruturada sobre a forma barroca da passacaglia, a composição combina procedimentos da tradição europeia com elementos da cultura oriental e evidencia o interesse do compositor pela preservação do patrimônio sonoro da natureza.

Na sequência, Water Concerto para Percussão e Orquestra coloca a água no centro da experiência musical. Escrita em 1998, a obra integra a série de composições em que Tan Dun transforma materiais naturais em instrumentos de concerto. Bacias, recipientes e diferentes volumes de água produzem uma ampla variedade de timbres, gestos e texturas, ampliando as possibilidades da percussão tradicional. Mais do que um efeito cênico, o uso da água está ligado à concepção estética do compositor, que entende os elementos da natureza como fontes de expressão musical e espiritual.

Foto: Nana Watanabe.

Encerrando o programa, Sinfonia das Cores apresenta uma escrita orquestral marcada pelo contraste entre densidade sonora e delicadeza tímbrica. A obra explora as cores instrumentais da orquestra como equivalentes sonoros de uma paleta visual, revelando a habilidade de Tan Dun em construir paisagens musicais de grande riqueza sensorial. Ao longo da peça, referências à ópera chinesa, ao ritual, ao minimalismo e à tradição sinfônica ocidental convivem em uma linguagem profundamente pessoal.

Considerado um dos mais influentes compositores vivos, Tan Dun nasceu na província de Hunan, na China, e radicou-se nos Estados Unidos na década de 1980, onde consolidou uma carreira de projeção internacional. Sua produção artística é reconhecida pela capacidade de aproximar diferentes culturas, tradições e linguagens musicais, criando obras que dialogam com a música clássica, o teatro, a ópera, o cinema e as artes visuais.

Vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora Original por O Tigre e o Dragão (2001), Tan Dun também recebeu um Grammy, além de importantes distinções como o Grawemeyer Award for Music Composition e o Prêmio Shostakovich. Suas obras integram o repertório das principais orquestras do mundo e frequentemente abordam temas ligados à natureza, à memória cultural e ao encontro entre Oriente e Ocidente, características que fizeram de sua produção uma das mais inovadoras da música dos séculos XX e XXI.

Ao lado de Tan Dun estará a percussionista Lin Zhe, reconhecida por sua atuação na música contemporânea e pela interpretação de repertórios que exploram novas possibilidades sonoras e performáticas. Especialista na execução de obras para percussão expandida, a musicista é colaboradora frequente do compositor e desempenha papel central na interpretação de peças que utilizam instrumentos e materiais não convencionais.

O Mundo de Tan Dun representa uma oportunidade rara para o público brasileiro assistir ao próprio compositor conduzindo suas criações, revelando as intenções interpretativas e a riqueza estética de um repertório que desafia fronteiras entre Oriente e Ocidente, tradição e vanguarda.

SERVIÇO:

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL 

Tan Dun, regência

Lin Zhe, percussão

07/08, sexta-feira, às 20h (Patrocínio Mobilize)

08/08, sábado, às 17h (Patrocínio Mobilize)

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal

Ingressos R$13 a R$100 (inteira)

Classificação livre para todos os públicos – Sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária.

Duração total: 100 minutos.

(Com Letícia Santos/Assessoria de Imprensa Theatro Municipal)