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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Álbum “Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim”, da Banda Cucamonga, une brasilidade e jazz

São Paulo, por Kleber Patricio

Quinteto apresenta fusão inédita de gêneros musicais revitalizando as possibilidades sonoras que refletem a diversidade cultural do Brasil. Fotos: José de Holanda.

Uma produção que traduz em música a mistura vibrante entre o jazz tradicional de New Orleans e a brasilidade rítmica e festiva. Assim é “Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim”, primeiro álbum da Banda Cucamonga, de São Paulo, disponível em todas plataformas de streaming pelo link.

Formada há 13 anos por Mesaac Brito (trompete), Marcos Lúcio (clarinete), Fernando Thomé (banjo), José Renato (tuba/ souzafone), Ricardo Reis (washboard), a Banda Cucamonga tem a missão de levar ao público música e alegria com improviso e muita criatividade. E a proposta pode ser conferida no álbum “Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim”, composto por faixas autorais e inéditas e dois bônus, gravado em 2025 no Estúdio Arsis, com produção musical e direção artística da própria banda, em um processo 100% intuitivo e colaborativo; ou seja, onde cada faixa soa como se estivesse sendo tocada ao vivo, de forma orgânica, no meio da rua, em algum ponto imaginário.

O processo criativo da Banda Cucamonga fundamenta-se na articulação entre os pressupostos estético-musicais do jazz tradicional — em especial o Dixieland — e matrizes rítmicas e expressivas da música brasileira. “Isso ocorre por meio da improvisação coletiva, entendida não apenas como recurso performativo, mas como método composicional estruturante. Nesse contexto, a improvisação assume papel central na geração, desenvolvimento e organização do material musical, operando como dispositivo de interação, escuta ativa e construção colaborativa”, detalha o trompetista Mesaac Brito.

A incorporação de elementos da música brasileira, como samba, choro, baião, maracatu e marchinhas, ocorre de maneira transversal, influenciando aspectos como acentuação rítmica, condução do pulso, articulação fraseológica e organização formal. “O caráter aberto dos arranjos e a centralidade da improvisação conferem às obras da Banda Cucamonga um elevado grau de variabilidade interpretativa. Cada performance atualiza o material composicional, estabelecendo uma relação direta com o espaço, o contexto sociocultural e a interação com o público, reafirmando a música como prática processual, situada e em constante transformação”, afirma Brito.

Para celebrar o lançamento do álbum, a Banda Cucamonga promoveu a partir de setembro de 2025, uma turnê por São Paulo, com apresentações gratuitas na capital, litoral e interior como Guarulhos, Atibaia, Barueri, Diadema, Taboão da Serra, Boituva, Sorocaba, Santo André, Praia Grande, São Paulo. Ao vivo, o público presenciou o espírito do álbum no palco, com figurinos irreverentes, interações e performances de alta energia, fazendo dos shows uma extensão viva do disco.

A gravação do álbum e os shows das turnês foram viabilizados por editais do Programa de Ação Cultural (ProAC) e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Conheça a Banda Cucamonga:

Instagram: @bandacucamonga

Youtube: https://www.youtube.com/@bandacucamongaoficial

Faixas do álbum:

Corjass

Corda Bamba

Brues com R 

Oito, 4 ou meia 

Dona Siriema 

Melgreen

Chegança  

Gui 

Mr. Guga  

Tupiniquim 

Faixas Bônus:

Circus 

St. Inês. 

FICHA TÉCNICA 

Álbum: Banda Cucamonga – Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim

Ano de gravação: 2025

Produção viabilizada pelo: PROAC – PNAB

Local de gravação: Estúdio Arsis

Gravação, Mixagem e Masterização: Adonias (Estúdio Arsis)

Produção Musical, Composição e Arranjos e Direção Artística: Banda Cucamonga

Coordenação de Produção: João Gomes de Sá e Banda Cucamonga

Design Gráfico/Capa: Raro de Oliveira

Fotografia: José de Holanda.

Banda Cucamonga

Trompete – Mesaac Brito

Clarinete – Marcos Lúcio

Banjo – Fernando Thomé

Tuba/ Souzafone – José Renato

Washboard: Ricardo Reis

Letras – João Gomes de Sá

Coro de vozes – Banda Cucamonga.

(Com Ellen Fernandes/EBF Comunicação)

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Márcio Moura (à esquerda) e Alvaro Assad. Foto: Tercianne Melo

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio Gill, com sessões aos sábados e domingos, às 16h. A temporada vai até 29 de março.

Em “Dom Quixote”, a Etc e Tal reinventa o clássico de Cervantes por meio do teatro físico, da narrativa gestual e da pantomima. Objetos cotidianos ganham novos significados, personagens surgem de transformações inesperadas e a imaginação assume o comando da cena. Acompanhamos Dom Quixote (Alvaro Assad) e Sancho Pança (Márcio Moura) em uma jornada cômica, poética e surreal, onde a linha entre realidade e fantasia se dissolve a cada gesto. Um espetáculo que celebra o poder do sonho, do riso e da invenção, com a linguagem inconfundível que consagrou a Etc e Tal no Brasil e no exterior.

Reconhecida nacional e internacionalmente por sua pesquisa continuada em teatro físico e pantomima, a Etc e Tal consolida-se, com esta montagem, como uma das maiores referências da mímica no Brasil, reafirmando uma trajetória de mais de três décadas dedicadas à excelência artística, à invenção cênica e à comunicação direta com o público.

Dirigido por Alvaro Assad, nome central na consolidação da mímica contemporânea brasileira, Dom Quixote propõe uma leitura ousada, cômica e profundamente poética do cavaleiro errante que atravessa séculos como símbolo da imaginação e da resistência ao pragmatismo do mundo. Aqui, palavras dão lugar a gestos precisos, ritmos rigorosos e imagens que se constroem diante dos olhos do espectador – leia-se crianças e adultos.

Objetos cotidianos — um funil, um bule, um espanador, uma tampa de lixo — são constantemente ressignificados, transformando-se em escudos, monstros, barcos, lunetas ou delírios da mente quixotesca. Nada é o que parece. Tudo pode se transformar.

Em cena, Alvaro Assad e Marcio Moura impressionam pela fluidez com que transitam entre personagens e estados, dando vida a Dom Quixote, Sancho Pança, Cavaleiro da Lua, Dulcinéia e uma galeria de figuras imaginárias em uma atuação que combina virtuosismo técnico, humor refinado e lirismo. A comicidade nasce do corpo em ação, do detalhe do gesto e da inteligência do jogo cênico, marca registrada da companhia.

O espetáculo conta ainda com visagismo e adereços de Cleber de Oliveira, figurinos de Fernanda Sabino, trilha sonora original de Rodrigo Lima e iluminação de Aurélio Oliosi, elementos que ampliam o impacto visual e emocional da montagem. Os desenhos de Flávio Souza permeiam a obra como imagens poéticas, ampliando o imaginário e criando pontes entre o universo gráfico, o delírio literário e a cena teatral. A presença da intérprete de Libras Diana Dantas integrada à cena reforça o compromisso da Etc e Tal com a acessibilidade e com a ampliação dos sentidos do teatro.

Mais do que uma adaptação literária, Dom Quixote é uma declaração de princípios: um espetáculo que afirma o poder do corpo como linguagem universal, do riso como ferramenta crítica e da imaginação como força transformadora. Uma experiência cênica potente, atual e necessária — assinada por uma companhia que ajudou a escrever a história da mímica e do teatro físico no Brasil.

Dom Quixote foi contemplado para montagem e estreia com o Prêmio Fluxos Fluminenses – Patrocínio de Montagem, reconhecimento que atesta a relevância artística e cultural do projeto, que é apresentado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc.

Toda a programação de 2026 integra o projeto Etc e Tal 30+, que faz parte da programação anual da companhia e compõe a rede de ações artísticas brasileiras fomentada pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, executado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo do Brasil. O projeto consolida mais de três décadas de pesquisa continuada, criação artística e permanência no cenário teatral brasileiro.

Ficha Técnica

Texto Original: Miguel de Cervantes

Atuação e Adaptação sem palavras: Alvaro Assad e Marcio Moura

Direção e Preparação Mímica: Alvaro Assad

Produção: Centro Teatral e Etc e Tal

Figurinos: Fernanda Sabino

Visagismo (maquiagem, cabelos e próteses): Cleber de Oliveira

Música Original: Rodrigo Lima

Desenho de Luz: Aurélio Oliosi

Desenho de Arte: Flávio Souza

Adereços: Cleber de Oliveira

Assistente de Adereços e Visagismo: Lucas Raibolt

Torre de Livros: Marco Monte

Montagem e Contra Regragem: Levi Leonardo

Produção Executiva: Lu Altman

Fotografias: Tercianne Melo

Libras: Diana Dantas

Audiodescrição: Gilson Moreira

Programação Visual: Hannah23

Comunicação: Alexandre Aquino e Cláudia Tisato

Apoio Cultural: Colormake

Projeto agraciado com Prêmio Fluxos Fluminenses do Governo do Estado do Rio de Janeiro e Ações Continuadas da Funarte

Sobre a Companhia Etc e Tal -Instagram: @cia_etcetal

Com mais de 30 anos de trajetória contínua, a companhia carioca Etc e Tal consolidou-se como uma das principais referências brasileiras em teatro físico, comicidade gestual e criação sem palavras, desenvolvendo uma linguagem própria baseada no corpo do ator, na precisão do gesto e na imaginação como motor da cena. Fundada e com a gestão de Alvaro Assad e Marcio Moura, a companhia construiu um percurso artístico marcado pela pesquisa permanente, pela experimentação estética e pelo diálogo direto com públicos diversos, no Brasil e no exterior.

Ao longo de sua trajetória, a Etc e Tal criou um repertório expressivo e premiado, com espetáculos que circulam entre o universo adulto, familiar e infantojuvenil, sempre mantendo rigor artístico e forte comunicação visual. Entre suas montagens, destacam-se João, o Alfaiate, Victor James – o menino que virou robô de videogame, Esperando Beltrano, No Buraco e O Maior Menor Espetáculo da Terra, obras reconhecidas pela inventividade cênica, pela comicidade refinada e pela capacidade de abordar temas complexos de forma acessível e poética.

A companhia acumula importantes prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais, como o Prêmio PRIO do Humor, Prêmio Zilka Salaberry, Prêmio CBTIJ, Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem e o Newcomershow Leipzig, na Alemanha, além de participações em festivais, mostras e circuitos culturais no Brasil e no exterior. Seus trabalhos são frequentemente contemplados por editais públicos de fomento, reafirmando a relevância cultural e a consistência de sua produção artística ao longo das décadas.

Ao longo de mais de três décadas, a Etc e Tal mantém-se fiel a um princípio essencial: criar um teatro onde o corpo fala, o riso provoca reflexão e a imaginação transforma o mundo.

SERVIÇO:

Dom Quixote

Com a Cia Etc e Tal – espetáculo Inédito e sem palavras para o público infantil

Estreia: 7 de março

Temporada: 7 a 29 de março | sábados e domingos às 16h

Faixa etária: a partir de 5 anos de idade

Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s/nº – Copacabana, Rio de Janeiro, RJ)

Ingressos: R$30 inteira e R$15 meia – Na bilheteria e pelo link https://funarj.eleventickets.com.

(Com Alexandre Aquino Assessoria de Imprensa)

[Jacinta”]: espetáculo revisita caso de mulher negra exposta por 30 anos no Largo São Francisco

São Paulo, por Kleber Patricio

Espetáculo da Cia do Pássaro resgata e honra a história de Jacinta Maria de Santana, tensionando memória, racismo científico e apagamento histórico. Fotos: Bob Sousa.

No começo do século 20, uma mulher negra morre nas ruas da capital paulista e não é sepultada. Seu corpo embalsamado fica exposto como curiosidade científica durante trinta anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Para honrar a sua memória, a Cia do Pássaro volta em cartaz com o espetáculo “Jacinta – Você Só Morre Quando Dizem Seu Nome Pela Última Vez”, que faz uma curta temporada gratuita na sede do grupo (R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú, São Paulo/ SP), entre os dias 7 e 29 de março de 2026, com sessões aos sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Não haverá sessão no dia 21/3 (sábado). Haverá sessão extra no dia 29/3 (domingo) às 15h.

Escrita e dirigida por Dawton Abranches, a peça é baseada no caso real de Jacinta Maria de Santana, mulher negra brasileira que, após sua morte, teve o corpo embalsamado e exposto como curiosidade científica, sendo utilizado em trotes estudantis por quase trinta anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na cidade de São Paulo. Em cena, a atriz Gislaine Nascimento e o ator Alessandro Marba são acompanhados pela musicista Camila Silva, que conduz a trilha sonora no cavaquinho, remetendo ao universo do samba.

O espetáculo integra o projeto “Trilogia do Resgate”, da Companhia do Pássaro, que pretende resgatar do apagamento personalidades pretas históricas com trajetórias emblemáticas no Brasil.

“Jacinta não foi fotografada em vida. As pessoas que compunham seu círculo social nunca foram identificadas. Seus gostos, pensamentos, crenças e dizeres permanecem incógnitos, assim como seu endereço — se é que tinha um. Todos os atributos que lhe conferiam humanidade foram descartados em prol de uma transformação iniciada naquela mesma segunda-feira.” Ponte Jornalismo na matériaComo a principal faculdade de direito do país violou o corpo de uma mulher negra por 30 anos”.

Sobre Jacinta 

Jacinta Maria de Santana, mesmo se tornando vítima das mais diversas violações após a morte, permanecia praticamente anônima até 2021, quando a historiadora e pesquisadora Suzane Jardim leu sobre o caso em um jornal de 1929. O autor da ideia e execução do embalsamamento foi o professor Amâncio de Carvalho, da área de medicina legal da USP. Diferente de Jacinta, que permaneceu desconhecida por décadas, ele virou nome de rua da Vila Mariana, o segundo bairro mais branco da capital paulista, de acordo com dados do Censo Demográfico do IBGE.

Jacinta era uma mulher pobre e sem ocupação fixa que costumava andar pelas ruas do centro de SP. Um dia, sentiu-se mal e caiu na rua Dutra Rodrigues, a 700 metros da Estação da Luz. Quando sua presença foi comunicada às autoridades, Marcondes Machado, médico legista da Polícia Civil, e Pinheiro Prado, delegado da 1ª Circunscrição, compareceram ao local e deram os encaminhamentos para enviá-la à Santa Casa de Misericórdia. Ela não resistiu e morreu no trajeto.

O cadáver foi deixado aos cuidados de Amâncio, que, de acordo com as informações levantadas por Suzane Jardim, queria aperfeiçoar suas habilidades com embalsamento. Ele já havia deixado o corpo mumificado de uma criança exposto por trinta dias no necrotério da polícia. Foi assim que Jacinta permaneceu exposta na Faculdade de Direito do Largo São Francisco por tanto tempo. Ela só teve direito a um enterro após a morte do médico.

Sobre a montagem 

“O espetáculo ‘Jacinta’ é a segunda parte da nossa ‘Trilogia do Resgate’, dedicada a combater o apagamento da população negra da história brasileira. O primeiro deles foi ‘Baquaqua – Documento Dramático Extraordinário’, sobre o ex-escravizado Mahommah Gardo Baquaqua, que passou pelo Brasil no século 19”, conta Abranches.

O grupo busca devolver a humanidade às pessoas retratadas, contribuindo para romper estereótipos. Como descreve o projeto contemplado pelo ProAC/PNAB 38/2024 – Manutenção e Modernização de Espaços Culturais, “Jacinta sofreu um processo de despersonalização que a transformou em um objeto de estudo com o qual a ciência corroborou atrocidades impingidas às mulheres pretas, legando-as a papéis de subserviência, exotismo ou exclusão social.”

O espetáculo realizou sua estreia em setembro de 2023 e circulou por diversas unidades dos CEUs da cidade de São Paulo. Na sequência, foi contemplado pelo Projeto PULSAR do Sesc RJ, realizando temporada no Sesc Copacabana. No interior do Estado de São Paulo, apresentou-se em Santo André, Araraquara, Franca, Tatuí, Cubatão, Piracicaba e no Sesc Registro.

Teatro para os mais diversos públicos

Com o objetivo de tornar seu trabalho acessível ao maior número de pessoas, a Cia do Pássaro explora a linguagem do teatro popular. Há momentos de alívio cômico em “Jacinta”, sem perder de vista a seriedade do tema.

A narrativa foi construída de forma poética. Enquanto a atriz Gislaine Nascimento conta a história de Jacinta, é observada pela figura de Exu Tatá Caveira (Alessandro Marba), que manipula o tempo e o espaço e propicia o encontro da atriz com a personagem.

A peça estabelece relações com outras situações representativas da sociedade brasileira, como o surgimento da corrente eugênica no século 20 e o fato de que muitos alunos e ex-alunos da Faculdade São Francisco apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff.

Para a construção dramatúrgica, foram utilizadas como referências os livros “O Pacto da Branquitude”, de Cida Bento (2022); “Performances do tempo espiralar: Poéticas do corpo-tela”, de Leda Maria Martins (2021) e “Tornar-se negro”, de Neusa Santos Souza (1983); além de estudos de Sueli Carneiro e Rosane Borges.

O cenário evoca os tempos e espaços da Universidade, da Calunga e do próprio teatro onde Jacinta pode renascer. Para Dawton Abranches, a ideia da calunga está ligada ao que acreditam os povos bantos, evocando também um sentimento semelhante à saudade.

Sinopse | A peça é baseada no caso real de Jacinta Maria de Santana, mulher negra brasileira que, após sua morte, teve o corpo embalsamado e exposto como curiosidade científica, sendo usado em trotes estudantis por quase trinta anos na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na cidade de São Paulo. O espetáculo integra o projeto “Trilogia do Resgate”, da Companhia do Pássaro, que pretende resgatar do apagamento personalidades pretas históricas com trajetórias emblemáticas no Brasil.

Mais informações podem ser encontradas na página do Instagram da companhia: @cia_do_passaro.

Ficha técnica

Idealização: Cia do Pássaro – Voo e Teatro

Realização: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura e Economia

Criativa e Proac – Fomento CultSP – PNAB 38/2024.

Produção: Plataforma – Estúdio de Produção Cultural

Texto e Direção: Dawton Abranches

Elenco: Gislaine Nascimento e Alessandro Marba

Musicista: Camila Silva

Interpretação e Tradução em Libras: Sina – Acessibilidade e Produção

Direção de Movimento: Verônica Santos

Direção Musical: Alexandre Guilherme

Concepção de Iluminação: Alice Nascimento

Concepção de Cenário: Pedro de Alcântara e Dawton Abranches

Concepção de Figurinos: Pedro de Alcântara e Érika Bordin

Operação de Luz: Rebeka Teixeira

Costureira: Érika Bordin

Cenotécnico: Wesley Lopes

Percussionista Convidado Gravação: Julio Cesar

Direção de Produção: Fernando Gimenes e Plataforma – Estúdio de Produção Cultural

Produção Executiva: Alessandro Marba

Produção Financeira: Thalles Terencio e Alessandro Marba

Assistente de Produção e Contrarregra: Irlley de Mello

Fotos: Bob Sousa

Identidade Visual e Designer Gráfico: Murilo Thaveira

Redes Sociais: Jorge Ferreira

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques e Daniele Valério.

Serviço:
Jacinta – Você só morre quando dizem seu nome pela última vez
Duração:
 90min | Classificação: 14 anos | Acessibilidade: Libras em todas as sessões | O espaço também é acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Temporada: 7 a 29 de março de 2026, com sessões de sábados, às 20h e domingos, às 19h. Não haverá sessão no dia 21/3 (sábado). Haverá sessão extra no dia 29/3 (domingo) às 15h.

Local: Espaço Cia do Pássaro – Voo e Teatro
Endereço: R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú, São Paulo/ SP
Ingresso: Gratuito – Retirar ingressos com 1 hora de antecedência – Lugares Limitados
Telefone: (11) 94151-3055.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Teatro da Vertigem faz nova temporada de “Agropeça” em São Paulo, no Espaço Cultural Elza Soares, o Galpão do MST

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cena de Agropeça. Fotos: Lígia Jardim.

O Teatro da Vertigem volta em cartaz com o espetáculo “Agropeça”, criação do grupo paulistano que investiga o Brasil a partir de experiências cênicas imersivas e da ocupação de espaços não convencionais. Com concepção e direção de Antonio Araújo, texto final de Marcelino Freire e codireção de Eliana Monteiro, o espetáculo faz novas apresentações de 27 de fevereiro a 29 de março de 2026 no Espaço Cultural Elza Soares (Alameda Eduardo Prado, 474, São Paulo, SP), conhecido como Galpão do MST. Os ingressos, com preços populares, variam de R$20 a R$40 e já estão à venda pelo Sympla.

Diferente de trabalhos anteriores do Vertigem — realizados em igrejas, hospitais, presídios desativados e até no Rio Tietê —, Agropeça, em sua cenografia, toma todo o ambiente e o converte em uma arena, reforçando a ideia de disputa política, simbólica e social. A experiência imersiva, marca do grupo, permanece como eixo estruturante da encenação.

O mais recente trabalho do grupo lança um olhar crítico sobre o universo rural e a influência do agronegócio na sociedade brasileira contemporânea, tomando o rodeio como linguagem cênica. Para isso, aciona personagens centrais do imaginário brasileiro — Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa e o Marquês de Rabicó — criações de Monteiro Lobato, que surgem como eixo simbólico e narrativo da obra, em uma releitura livre e provocadora de O Sítio do Picapau Amarelo.

Dividido em três blocos narrados por Pedrinho, Tia Nastácia e Emília, o espetáculo constrói uma amálgama entre episódios recentes da realidade política brasileira, o imaginário rural e a herança cultural do Sítio. O rodeio — pesquisado extensivamente durante o processo criativo — surge como metáfora de um país que insiste em atualizar estruturas de exploração herdadas do passado.

O elenco reúne Andreas Mendes, James Turpin, Mawusi Tulani, Paulo Arcuri, Tenca Silva, Lola Fanucchi, Victor Salomão e Vinicius Meloni. A cenografia é assinada por Eliana Monteiro e William Zarella Junior, com iluminação de Guilherme Bonfanti, figurinos de Awa Guimarães e direção musical de Dan Maia.

Agropeça integra as comemorações dos 30 anos do Teatro da Vertigem e reafirma a trajetória do grupo na criação de obras que tensionam memória, espaço urbano e identidade brasileira, convidando o público a refletir sobre os rumos políticos e simbólicos do país.

Sinopse

Em uma arena que ora é rodeio, ora é o centro de um sítio, personagens se enfrentam à mesa de jantar ou diante de um touro bravio, tentando decifrar um país que “rumina” e “agoniza” em busca do próprio destino. Não se sabe se o que se vê é o retrato de um Brasil cruel e conservador ou uma antiga fábula infantil que ajudou a moldar o imaginário nacional.

FICHA TÉCNICA

Agropeça | Uma criação do Teatro da Vertigem

Texto: Marcelino Freire

Concepção e Direção Geral: Antonio Araújo

Codireção: Eliana Monteiro

Coordenação Tecnica e Desenho de Luz: Guilherme Bonfanti

Performers: Andreas Mendes, James Turpin, Mawusi Tulani, Paulo Arcuri, Tenca Silva, Lola Fanucchi, Victor Salomão e Vinicius Meloni

Artistas Colaboradores: Nicolas Gonzalez (1ª e 2ª Fase), Lee Taylor (1ª Fase)

Dramaturgismo: Bruna Menezes

Assistente de Dramaturgismo: João Crepschi

Conceito do Espaço: Antonio Araújo

Cenografia: Eliana Monteiro e William Zarella Junior

Sound Designer Associados: Randal Juliano, Guilherme Ramos e Kleber Marques

Figurino: Awa Guimarães

Visagismo: Tiça Camargo

Direção Musical e Trilha Original: Dan Maia

Direção vocal: Lucia Gayotto

Videografismo: Vic von Poser

Preparação corporal: Castilho e Ricardo Januário

Preparação Corporal (1ª Fase): Fabrício Licursi

Direção de movimento: Castilho

Assistente de Direção e Direção de Palco: Gabriel Jenó

Assistentes de Iluminação e Programação: Francisco Turbiani

Músicos: Dan Maia e Ricardo Saldaña

Operação de luz: Felipe Bonfante

Operador de Áudio: Fernando Sampaio

Operadoras de Projeção: Gabriel Theodoro

Operadores de Câmera: André Voulgaris

Operadores de Canhão Seguidor: Igor Beltrão e Giovanni Matarazzo

Montagem de Luz: Felipe Bonfante, Igor Beltrão, Raphael Mota, Danilo Punk, Jhones Pereira, Tarsis Braga (Cabelo) e Lucas da Silva

Contrarregras: Ayra Flores, Flávio Rodrigues e João Portela

Cenotécnico: Zé Valdir Albuquerque

Montagem, Pintura e Tratamento de Cenografia: Elástica SP Cenografia

Costureiras: Francisca Rodrigues e Cleonice Barros Correa

Aulas de Laço: Gui Sampaio

Crânios de Boi: Vinicius Fragata

Tradutor Yorubá: Mariana de Òsùmàrè

Estagiária de Direção: Julie Douet Zingano

Fotos: Lígia Jardim

Documentarista: Padu Palmerio

Designer Gráfico: Guilherme Luigi

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto

Estagiário de Produção: Bento Carolina

Produção: Corpo Rastreado – Leo Devitto e Gabi Gonçalves.

SERVIÇO:

Agropeça | uma criação do Teatro da Vertigem

De: 27/02 a 29/03/2026

Sextas e sábados às 20h e domingos às 18h

Classificação: 16 anos | Duração: 90 minutos

Espaço Cultural Elza Soares (Alameda Eduardo Prado, 474, São Paulo, SP)

Ingressos: R$ 40/ R$ 20 (meia) – Via Sympla.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Lançamento da Edusp analisa a ascensão da “nova direita” no Brasil

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa.

“Mercado de Opinião Política”, da socióloga Allana Meirelles Vieira, joga uma nova luz sobre o fenômeno frequentemente descrito como a ascensão da “nova direita” no Brasil depois das manifestações de junho de 2013, analisando tal fenômeno não como um produto de rupturas súbitas e inexplicáveis, mas como o resultado de dinâmicas mais profundas e de longa duração.

Publicado pela Edusp, o livro analisa o mercado de opinião política no Brasil entre 2014 e 2018, enfatizando acadêmicos, experts, jornalistas mainstream, blogueiros, polemistas e militantes, sejam de direita ou de esquerda. Ao traçar a estrutura desse mercado, a autora fornece elementos para entender como a correlação de forças entre os agentes, que são ao mesmo tempo produtos e produtores desse espaço social, possibilitou a proeminência de discursos polêmicos e violentos identificados com a extrema-direita.

A obra mostra como a mudança que muitos localizam no início dos anos 2010 foi, na verdade, resultante de transformações que remontam, em alguns casos, à chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder, em 2003; em outros, a várias décadas anteriores, embora os efeitos só tenham se tornado visíveis com o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República em 2018.

Mercado de Opinião Política

Autora: Allana Meirelles Vieira

288 páginas

Preço de capa: R$ 60,00

Brochura 16 x 23 cm

Ver sumário.

(Com Bruno Passos Cotrim/Libris)