Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Museu da Casa Brasileira anuncia nova sede na Casa Olivo Gomes

São José dos Campos, por Kleber Patricio

Foto: Claudio Vieira/PMSJC.

Museu da Casa Brasileira (MCB) terá uma nova sede em São José dos Campos, no interior paulista. A Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo anuncia a instalação do museu na histórica Casa Olivo Gomes, com previsão de retomada das atividades ainda neste semestre. Localizado no Parque da Cidade Roberto Burle Marx e pertencente à Prefeitura de São José dos Campos, o imóvel passa atualmente por obras de conservação e adaptação para receber o museu e sua programação expositiva e cultural. A iniciativa é realizada em parceria com o município.

Projetada pelo arquiteto Rino Levi na década de 1950 para o industrial Olivo Gomes, fundador da Tecelagem Parahyba, a residência é considerada um dos mais importantes exemplares da arquitetura moderna paulista. O conjunto arquitetônico dialoga diretamente com a paisagem e com o espelho d’água que acompanha sua fachada, reforçando a integração entre arquitetura e natureza, um dos princípios centrais do modernismo brasileiro. O entorno paisagístico, concebido por Roberto Burle Marx, completa o conjunto ao articular arquitetura, paisagem e memória industrial.

A instalação do museu no espaço carrega também um simbolismo particular: uma instituição dedicada à reflexão sobre a casa, o morar e o design passa a ocupar uma residência que é, por si só, um marco da arquitetura doméstica moderna no país.

A iniciativa é realizada com a Associação Pinacoteca Arte e Cultura (APAC), Organização Social responsável pela gestão da Pinacoteca e do Memorial da Resistência, que atua ao lado da Secretaria na condução do restauro e na implementação das etapas necessárias para a reabertura do museu.

A EDP, uma das maiores empresas do setor elétrico, responsável pela distribuição de energia no vale do Paraíba, será Mantenedora do Museu da Casa Brasileira.

Sobre o Museu da Casa Brasileira

O Museu da Casa Brasileira (MCB) é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo dedicada às questões da morada brasileira, referência nacional e internacional no segmento de design e arquitetura. Desde 1986 o museu promove o Prêmio Design MCB com o objetivo de incentivar a produção do design brasileiro.

Em 2024, o MCB promoveu a exposição “Sentar, Guardar e Dormir: Museu da Casa Brasileira e Museu Paulista em diálogo”, em parceria com o Museu Paulista da USP e, em 2025, retomou o Prêmio Design MCB.

(Com Gabriel Fabri/Assessoria de Imprensa Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas)

Amazônia Imersiva: uma experiência inédita de arte contemporânea amazônida estreia em Belém

Belém, PA, por Kleber Patricio

Projeto 3D da sala com obra de Paulo Desana.

Belém recebe até 6 de maio o projeto Amazônia Imersiva, uma experiência audiovisual 360° em grande formato, dedicada à arte contemporânea amazônida, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. A entrada é gratuita, mediante breve cadastro que será realizado na portaria. A iniciativa é uma criação de artistas destaques do Pará contemporâneo, a cantora Aíla e a artista visual Roberta Carvalho.

A exposição propõe um olhar sobre a Amazônia atual a partir das perspectivas de nomes de diferentes estados, territórios e países, evidenciando a diversidade cultural da região. Por meio de tecnologias imersivas, obras de importantes artistas amazônidas, que transitam entre pintura, gravura, fotografia e vídeo, serão transpostas para uma sala com projeções 360º, expandindo suas narrativas em experiências audiovisuais. A curadoria de artes visuais e a codireção artística do projeto são assinadas por Roberta Carvalho. “Se por séculos foram projetadas sobre a Amazônia imagens de ausência, violência e estereótipos, agora projetamos nossa presença. Uma presença forjada na arte, nas tecnologias que criamos, nos pensamentos que cultivamos e na disputa radical pelos nossos imaginários e narrativas”, comenta Roberta Carvalho, cocriadora do Amazônia Mapping, festival pioneiro de arte e tecnologia no Brasil, nascido em Belém do Pará.

A ocupação Amazônia Imersiva estará dividida em três espaços. O primeiro abrigará a experiência imersiva, com a obra audiovisual inédita criada especialmente para o projeto, com obras dos artistas visuais Ailton Krenak, Coletivo Mahku, Elza Lima, Ge Viana, Glicéria Tupinambá, Hal Wildson, Jaider Esbell, Keila Sankofa, Olinda Silvano, Paulo Desana, Roberta Carvalho, Ronaldo Guedes, VJ Suave e PV Dias. A experiência imersiva tem uma trilha sonora conduzida pela codiretora artística do projeto, a cantora e pesquisadora musical Aíla, e composta pelo produtor Nelson D, artista indígena do Amazonas, que transita por diversos sons e territorialidades, refletindo a ancestralidade e pluralidade musical da região. A trilha será mixada e distribuída no espaço de maneira especializada, som de cinema, que fará o público ter uma imersão ainda maior na experiência.

Nesta sala acontecerão também os espetáculos de música e imagem, onde artistas musicais encontram artistas visuais, criando uma simbiose única. A programação inclui o show As Amazônias 360º, de Aíla, Djuena Tikuna e Patrícia Bastos, com visuais de Roberta Carvalho e Priscila Tapajowara, performances do grupo Dengue Dengue Dengue (Peru), que assinam os seus próprios visuais, e do projeto UAPI Amazônia Percussiva, com visuais elaborados por PV Dias e Nay Jinknss. “São muitos artistas envolvidos, desde a trilha da experiência imersiva, que vai imergir em ritmos amazônicos, do marabaixo ao carimbó, até a música eletrônica, do experimental ao tecnobrega. E teremos também apresentações ao vivo, de música e imagem, que reforçam o caráter híbrido e múltiplo do projeto”, adianta Aíla, responsável também pela direção musical da NAVE, projeto emblemático do Rock in Rio 2022, tendo levado mais de 50 artistas da região ao maior festival de música do mundo.

O segundo ambiente é a Sala Manifesta, onde o público poderá imergir em conceitos, pensamentos e frases de pensadores e artistas da Amazônia, que compõem o imaginário do projeto. Além disso, vai conhecer a biografia dos artistas e também a instalação Ouriços Falantes, em que caixas de som são incorporadas a ouriços de castanha, trazendo vozes, mensagens e depoimentos de artistas e pensadores sobre a ideia do que é imergir na Amazônia. É nesse mesmo local que estará disponível a experiência com óculos de realidade virtual, que apresenta as obras do acervo do Amazônia Mapping em outra perspectiva.

A terceira sala abordará as tecnologias ancestrais, ampliando o conceito de tecnologia para além do high-tech contemporâneo. O espaço convida o público a reconhecer a inteligência presente nas formas de cultivo, alimentação, na constituição da própria floresta e na medicina da floresta, entendidas como tecnologias de cuidado, equilíbrio e invenção. Trata-se de uma experiência sensorial e artística que propõe uma imersão na ancestralidade como força viva, revelando que inovação e tradição caminham juntas.

O projeto arquitetônico da ocupação é da dupla Luís Guedes e Pablo do Vale, sócios e fundadores da Guá Arquitetura.

Em parceria com o British Council e com o Instituto Guimarães Rosa, comemorando o ano do Brasil no Reino Unido, dois artistas escoceses, Tom Scholefield e Sonia Killmann, serão convidados a construir uma obra com artistas amazônidas; entre eles, Renata Chebel e Nelson D., fruto de uma residência artística realizada em Belém. O resultado desse trabalho será divulgado em um espetáculo inédito de música e imagem comandado pelas duplas criativas.

Amazônia Imersiva contará com atividades gratuitas e shows quinzenais. A agenda será divulgada no perfil oficial do evento no Instagram (link).

A iniciativa é apresentada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Nubank, em parceria com o British Council e apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Pará, fortalecendo o compromisso conjunto com o fomento à cultura, à sustentabilidade e à difusão de novas narrativas sobre a região amazônica.

Serviço:

Data: 10/03/2026 a 06/05/2026

Horários Sessões: Terças-feiras a quintas-feiras: das 09h às 17h

Horários Sessões: Sextas-feiras a domingos: das 09h às 20h

Endereço: Casa das 11 Janelas – Rua Siqueira Mendes – Cidade Velha, Belém – PA

Ingresso: Entrada gratuita

Sobre o Amazônia Imersiva

O projeto Amazônia Imersiva é uma exposição de grande formato que reúne obras de variados artistas da Amazônia utilizando tecnologias imersivas de imagem. Acontecerá em Belém, e propõe uma experiência visual e sonora através da arte, da tecnologia e da diversidade cultural dos povos amazônidas, propiciando ao visitante um mergulho na diversidade cultural da região. Para mais informações, acesse a página oficial do evento no Instagram.

(Com Maria Eduarda/Agência Lema)

Os Satyros estreiam “Quase Todos” no Sesc 24 de Maio

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Uma peça sobre o tempo que nos separa – e a memória que tenta nos salvar. Fotos: André Stefano.

A Cia. de Teatro Os Satyros estreia no dia 19 de março no Sesc 24 de Maio seu novo espetáculo “Quase Todos”. Em cartaz até o dia 12 de abril, a montagem, com dramaturgia de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, mergulha nas fraturas de uma família separada pelo tempo e a examina como a primeira estrutura simbólica que nos organiza – lugar onde aprendemos a amar, a disputar amor e a silenciar.

A peça acompanha quatro irmãos que, após um pacto na infância no interior do Brasil, seguem caminhos distintos e enfrentam um afastamento de décadas. Diferente de uma narrativa tradicional de reencontro, o espetáculo foca na fratura: o que resta quando o pertencimento deixa de ser prática e vira apenas lembrança?

O diferencial desta montagem é a camada distópica: a Inteligência Artificial é inserida no centro da narrativa. Personagens compram e vendem memórias, adquirindo lembranças de momentos que nunca viveram. A discussão desloca a tecnologia para o campo afetivo: se podemos fabricar o passado, o que acontece com a nossa identidade?

Com dez atores em cena, a peça reafirma a pesquisa vanguardista dos Satyros ao integrar cenografia tecnológica com uso de laser, LED digital e video mapping. A trilha sonora original proporciona uma atmosfera imersiva que tensiona o discurso e o corpo, unindo-se à Inteligência Artificial integrada à cena para materializar o conceito de memórias editáveis.

Sinopse 

Quatro irmãos de uma família do interior do Brasil fazem um pacto na infância. Na juventude, deixam a casa dos pais e seguem caminhos distintos. O que parecia apenas o movimento natural da vida transforma-se em afastamento prolongado. Anos passam sem encontros, sem conversas profundas, sem revisões.

Entre memórias fragmentadas, silêncios herdados e tentativas de reconexão, a família se reencontra – ou quase. O espetáculo percorre o tempo como matéria dramática e expõe as fissuras que ele provoca: o que foi dito, o que ficou por dizer e o que talvez já não possa mais ser reparado. Em um ato composto por quadros que atravessam diferentes momentos dessa trajetória, Quase Todos investiga o que resta das relações quando o tempo faz seu trabalho silencioso.

Ficha Técnica

Dramaturgia: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez

Direção: Rodolfo García Vázquez

Assistência de direção: Renatto Moraes

Elenco: André Lu, Diego Rifer, Eduardo Chagas, Gabi Flores, Gustavo Ferreira, Ivam Cabral, Julia Bobrow, Marcia Dailyn, Tai Zatolinni e Thiago Ribeiro.

Cenografia: Thiago Capella

Design de laser, led digital e video mapping: Thiago Capella

Confecção de cenários: Emerson Fernandes e João Bento

Montagem de cenário: Ademir Gazarolli e João Bento

Operação de vídeo e laser: Heyde Sayama

Produção audiovisual: Circulus Ópera

Iluminação: Flavio Duarte, Rodolfo García Vázquez e Thiago Capella

Operação de luz: Flavio Duarte

Figurino: Elisa Barbosa, Gustavo Parreira e Jota Silva

Assistência de figurino: Emilia Lira

Adereços: Eduardo Chagas, Elisa Barboza e Emilia Lira

Visagismo: Maxime Weber

Modelagem: Lucas Maia

Preparação vocal e colaboração musical: André Lu

Trilha sonora original: Felipe Zancanaro e Lea Arafah

Desenho de som: Felipe Zancanaro e Lea Arafah

Operação de som: Felipe Zancanaro e Lea Arafah

Fotografias: Andre Stefano

Produção: Diego Rifer

Assistente de Produção: Gabriel Mello

Idealização: Os Satyros.

Serviço: 

Quase Todos

Com Os Satyros 

Estreia: 19 de março, às 20h

Temporada: de 19/03 a 12/04

Quintas, sextas e sábados às 20h; Domingos e feriados, às 18h

* Sessão extra no dia 04/04, às 17h. Não haverá sessão no dia 03/04.

Acessibilidade: sessões aos sábados com Intérprete de Libras

Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo/SP

Classificação: 14 anos

Ingressos: no site sescsp.org.br/24demaio e no aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 10/3 e nas bilheterias das unidades a partir de 11/3 – R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia) e R$ 15 (Credencial Sesc)

Duração: 100 minutos

Serviço de Van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.

Acompanhe nas redes:

facebook.com/sesc24demaio

instagram.com/sesc24demaio

sescsp.org.br/24demaio

Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino/Sesc 24 de Maio)

Ofner inaugura loja no Iguatemi Campinas com conceito contemporâneo e foco em experiência

Campinas, SP, por Kleber Patricio

Unidade apresenta projeto arquitetônico premium, tecnologia no atendimento e proposta alinhada ao novo posicionamento da marca. Fotos: Divulgação.

A Ofner inaugura uma loja no Iguatemi Campinas, apresentando ao público um conceito de operação mais atual, que integra design, tecnologia e conveniência. Localizada no 1º piso, a unidade foi concebida como um ponto de pausa no fluxo do shopping, estimulando encontros e momentos de convivência. A abertura marca uma nova etapa do plano de expansão da marca e reflete a evolução do seu modelo de negócios, com projeto focado na experiência do consumidor e no uso de tecnologia para trazer ainda mais conveniência.

A inauguração acontece em um momento de crescimento consistente da Ofner. Em 2025, a marca encerrou o ano com avanço de 20% no faturamento em relação a 2024 e mantém, em 2026, a estratégia de expansão em áreas-chave, reforçando o compromisso de estar cada vez mais próxima do seu público. O movimento prioriza a experiência, amplia a conveniência e preserva a alta qualidade e o padrão premium que fazem parte do DNA da empresa.

O espaço traduz a evolução do modelo de loja da marca, combinando sofisticação e funcionalidade em um ambiente alinhado ao perfil do Iguatemi Campinas, reconhecido como um dos principais polos de compras, gastronomia e lazer da região. “Essa inauguração soma ao nosso mix uma marca com forte identidade e reconhecimento nacional, que dialoga com o perfil do nosso público e amplia a diversidade gastronômica do shopping. A Ofner chega ao Iguatemi Campinas com um conceito que valoriza ambientes bem desenhados e acolhedores, aliado ao alto padrão e qualidade de seus produtos, que são referência no mercado”, afirma Lívia Moufarrej Abdalla, gerente de marketing do empreendimento.

Reconhecida pelo cuidado em cada detalhe, pela excelência dos produtos e pela cultura centrada em pessoas, a Ofner reforça, com essa inauguração, sua missão de oferecer muito mais do que uma cafeteria: um espaço de pausa, conexão e experiência. “O novo quiosque no Shopping Iguatemi Campinas materializa esse posicionamento e convida o público a estar, sentir e se conectar com a marca”, explica Denilson Moraes, CEO da marca.

Com visual clean, elegante e acolhedor, o novo projeto arquitetônico traduz um conceito alinhado às transformações no comportamento do consumidor, que busca ambientes sensoriais e confortáveis. A arquitetura aposta em linhas contemporâneas, iluminação suave e elementos de biofilia para criar uma atmosfera de bem-estar e conexão, reforçando o posicionamento da marca em um espaço sofisticado e atemporal.

Entre os destaques está o mobiliário assinado pelo designer Fahrer, referência no design brasileiro, que adiciona personalidade e autenticidade ao ambiente. Pequenas áreas de convivência convidam o consumidor a desacelerar em meio à dinâmica do shopping, enquanto a presença do verde integra natureza e estética, tornando a experiência mais leve e acolhedora.

A operação também incorpora tecnologia ao atendimento, com pedidos e pagamentos realizados diretamente na mesa ou por meio de totens de autoatendimento, garantindo mais agilidade e autonomia ao consumidor.

Além do portfólio tradicional da marca, o público poderá conhecer os itens da campanha de verão Sabores do Mundo, com sobremesas, gelatos, bebidas e salgados inspirados nos sabores do Brasil, Portugal e Itália. 

Sobre a Ofner 

Com mais de 73 anos de história, a Ofner é referência no setor de confeitaria premium no Brasil. Fundada em São Paulo, a marca se destaca pela produção artesanal de doces, salgados, chocolates e gelatos, unindo tradição, qualidade e inovação. Atualmente, conta com mais de 30 lojas e uma fábrica própria com mais de 7.500 m², responsável pela produção de mais de 70 mil itens por dia. A empresa também atua em canais digitais, parcerias com o varejo, eventos e com a marca L’Atelier, voltada a celebrações de alto padrão.

(Fonte: FSB Comunicação e Macchina)

José Roberto Aguilar apresenta “Rapsódias Amazônicas” no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba

Sorocaba, SP, por Kleber Patricio

José Roberto Aguilar, “Rio Tapajós”, 2015. Mostra reúne cerca de 30 pinturas, entre elas sete telas de grandes dimensões, além da instalação “Guardiões das águas”. Foto: Divulgação.

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba apresenta a exposição “Rapsódias Amazônicas”, individual de José Roberto Aguilar com curadoria de Fabio Magalhães. A mostra reúne cerca de 30 pinturas, entre elas sete telas de grandes dimensões, além da instalação “Guardiões das águas”.

Desde 2004, Aguilar divide seu tempo entre São Paulo e Alter do Chão, no Pará, onde mantém residência e ateliê. A convivência com a floresta amazônica e com comunidades ribeirinhas atravessa o conjunto apresentado no MACS. A exposição marca o encontro de dois trajetos que atravessam mais de seis décadas de atuação no campo da arte brasileira, articulando produção artística e reflexão crítica em torno de uma obra que se mantém em movimento.

Nos anos 1960, o físico e crítico Mário Schenberg identificou Aguilar como um dos pioneiros da nova figuração no Brasil. Em 1965, o artista passou a utilizar spray e pistola, incorporando à pintura uma dinâmica direta entre gesto e superfície. O embate com a tela tornou-se procedimento recorrente. A pintura se organiza como ação contínua, em que texto, palavra e imagem coexistem. A fabulação comparece como estrutura, não como ilustração.

Aguilar também atua na literatura e na música. Na juventude, integrou, ao lado de Jorge Mautner e José Agrippino de Paula, o grupo Kaos, experiência que antecede o ambiente cultural da Tropicália. Em 1981 lançou o livro A Divina Comédia Brasileira e criou a Banda Performática com Paulo Miklos e Arnaldo Antunes. A circulação entre linguagens informa a construção de uma pintura que incorpora narrativa, ritmo e enunciação poética.

José Roberto Aguilar. Foto: Fernanda Sarmento.

Haroldo de Campos observou que o rapsodo é aquele que reúne poemas. Ao definir Aguilar como rapsodo de imagens, aponta para um procedimento de montagem e sobreposição que atravessa sua produção. A escala também integra esse vocabulário. Em 1991, ao ocupar o subsolo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand com obras de grande formato, apresentou a tela Hermenêutica, da série Gigantomaquia, com vinte metros de altura. A dimensão física da pintura tornou-se parte da experiência pública.

Em Alter do Chão, às margens do rio Tapajós, a pintura encontra outra medida de espaço e tempo. A floresta, os ciclos das águas, a relação entre matéria orgânica e transformação atravessam a produção recente. A convivência com lideranças locais e com saberes tradicionais amplia o campo simbólico da obra. A instalação Guardiões das águas insere essa dimensão no espaço expositivo, tensionando pintura e ambiente.

Rapsódias Amazônicas apresenta um recorte que articula memória, deslocamento e permanência. Ao reunir telas recentes e trabalhos de grande escala, a exposição inscreve no museu uma trajetória que atravessa diferentes momentos da arte brasileira, conectando experiência urbana e vivência amazônica em uma mesma superfície pictórica.

Serviço:

Exposição Rapsódias Amazônicas – José Aguilar

Curadoria: Fabio Magalhães

Abertura: 14 de março, às 10h30

Período: 15 de março a 04 de julho de 2026

Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS

Endereço: Av. Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro, Sorocaba

Visitação: terça a sexta, 10h às 17h | sábados, domingos e feriados, 10h às 15h

Realização: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba

Apoio: Secretaria de Cultura de Sorocaba, Dan Galeria

Patrocínio: Laranjinha Itaú, Itaú, White Martins, Sorocaba Refrescos, Ibram, Ministério da Cultura.

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)