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Recorde histórico: Brasil ultrapassa 76 milhões de passageiros na aviação doméstica em 2026

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Volume, de janeiro a setembro – o maior da história – é 3,4% maior que o mesmo período do ano passado, quando 74,3 milhões de passageiros voaram pelo país. Foto: Imagem de Leszek Stępień por Pixabay.

O Brasil bateu, mais uma vez, um recorde na aviação doméstica em 2026. De janeiro a setembro, 76,8 milhões de passageiros voaram pelo país – número 3,4% superior aos 74,3 milhões contabilizados no mesmo período do ano passado. É a primeira vez desde o início da série histórica, em 2000, que o Brasil ultrapassa a marca dos 76 milhões de passageiros.

O mês de setembro de 2026 registrou 8,5 milhões de passageiros, mantendo o patamar recorde alcançado no ano passado.

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, celebrou mais um recorde no setor. “Os números confirmam o que vivemos na prática: o Brasil voltou a voar alto e a bater recordes históricos no turismo. Ultrapassar a marca inédita de 76 milhões de passageiros no mercado doméstico mostra a força da nossa economia e a confiança do mundo no nosso país”, afirmou o ministro.

Gustavo Feliciano falou ainda sobre o que a estatística significa para a economia nacional. “Cada voo representa mais empregos gerados, mais hotéis movimentados e mais renda injetada de Norte a Sul do Brasil. Esse resultado é fruto de um trabalho integrado para ampliar a conectividade aérea, baratear custos e promover nossas belezas lá fora. O brasileiro está viajando mais pelo seu próprio país e os estrangeiros estão descobrindo cada vez mais as nossas riquezas”, complementou.

O país também registrou recorde no número de passageiros internacionais: foram 22,7 milhões de janeiro a setembro deste ano, ante 21,1 milhões no mesmo período de 2025 (alta de 7,2%). O mês passado foi o maior já registrado também: 2,3 milhões (4% maior que setembro de 2025).

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. Foto: Roberto Castro/MTur.

Analisando o total de passageiros (domésticos + internacionais) o Brasil registrou o maior volume de movimentação aérea da história nos nove primeiros meses do ano: 99,5 milhões de passageiros – número 4,2% maior que os 95,5 milhões contabilizados no mesmo período do ano passado.

Os dados, compilados pelo Ministério do Turismo, são da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Em alta

O turismo brasileiro vem batendo sucessivos recordes neste ano. Na semana passada, o país alcançou a marca de 7 milhões de turistas internacionais, mantendo o patamar inédito obtido no mesmo período do ano passado. Em 2025, o país atingiu o recorde histórico anual com 9,2 milhões de chegadas de estrangeiros.

Estados como Pernambuco e Rio Grande do Norte já alcançaram, inclusive, a quantidade total de turistas internacionais registrada em todo o ano de 2025.

Os gastos de turistas internacionais foram extremamente positivos para o país: de janeiro a agosto deste ano, pessoas vindas de outros países deixaram R$ 38,7 bilhões na economia do Brasil. O resultado é o maior da história. Os números de setembro ainda não foram divulgados pelo Banco Central.

Já o turismo de negócios atingiu faturamento recorde no Brasil em 2026. Entre janeiro e agosto, o segmento movimentou R$ 9,75 bilhões (um aumento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado). Os números de setembro, divulgados pela Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), têm previsão de divulgação no fim deste mês.

Os números do emprego também são positivos: em um ano (de agosto de 2025 a agosto de 2026) o turismo gerou 62 mil vagas formais. Hoje, o setor responde por 5% da força de trabalho do país, com 2,42 milhões de pessoas empregadas.

(Fonte: Ministério do Turismo/Governo do Brasil)

Fever apresenta experiências assustadoras para celebrar o Halloween no Brasil

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Histórias de fantasmas, músicas sinistras e contos macabros fazem parte do imaginário do Halloween, data que ganha cada vez mais espaço no calendário cultural brasileiro. Neste mês de outubro, a Fever, principal plataforma tecnológica do mundo para descobrir cultura e entretenimento ao vivo, convida o público a viver essas tradições de três formas diferentes.

No Edgar Allan Poe Speakeasy, em São Paulo, historiadores especializados na obra de Poe dão vida a quatro dos contos mais conhecidos do autor em um ambiente escuro e intimista, e cada história inspira um dos quatro drinques da experiência.

O Candlelight® apresenta edições especiais de Halloween em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Curitiba, com melodias assombradas do cinema, da televisão e do repertório clássico, interpretadas ao vivo por um quarteto de cordas à luz de milhares de velas. O programa inclui “Thriller”, os temas de Psicose e Stranger Things e trechos de O Estranho Mundo de Jack, ao lado de “Dança Macabra”, de Saint-Saëns, e “Uma Noite no Monte Calvo”, de Mussorgsky.

Em A Mente de um Serial Killer: Uma Experiência Imersiva, em cartaz no Shopping Eldorado, em São Paulo, os visitantes percorrem 20 ambientes imersivos dedicados a casos notórios, recriações de cenas de investigação e ao trabalho que levou criminosos à justiça.

Juntas, essas experiências reúnem ficção gótica, melodias assombradas e true crime em uma programação de Halloween com um toque mais sombrio.

Edgar Allan Poe Speakeasy

Edgar Allan Poe Speakeasy. Fotos: Divulgação/Fever.

Entre em um speakeasy sombrio para uma noite inspirada nos contos góticos de Edgar Allan Poe. Historiadores especializados dão vida a quatro de suas histórias mais conhecidas (“O Coração Delator”, “O Corvo”, “A Máscara da Morte Rubra” e “O Gato Preto”), cada uma harmonizada com um drinque inspirado em seus temas arrepiantes. Opções sem álcool também estão disponíveis.

Onde: São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro – consulte a agenda e disponibilidade em cada cidade

Candlelight® de Halloween

Os concertos Candlelight de Halloween reinterpretam algumas das melodias mais assombrosas do mundo em apresentações ao vivo de um quarteto de cordas. Unindo obras clássicas a trilhas do cinema, da televisão e da cultura pop, o programa traz peças como “Thriller”, de Michael Jackson, o prelúdio de Psicose, de Bernard Herrmann, o tema de Stranger Things e trechos de O Estranho Mundo de Jack, além de “Dança Macabra”, de Saint-Saëns, e “Uma Noite no Monte Calvo”, de Mussorgsky, tudo à luz de milhares de velas. Duração de 60 minutos; a partir de 8 anos (menores de 16 acompanhados por um adulto).

Onde: São Paulo (no MASP e no Grand Mercure São Paulo Ibirapuera), Curitiba e Rio de Janeiro – consulte a agenda e disponibilidade em cada cidade

Mind of a Serial Killer

Produzida pela Exhibition Hub em parceria com a Fever, e após temporadas em Nova York, Seattle e Dublin, a exposição convida o público a mergulhar na psicologia criminal, nas técnicas de investigação e no fenômeno cultural do true crime. Ao longo de 20 ambientes imersivos, documentos, recriações de cenas investigativas e conteúdos audiovisuais ajudam a entender os padrões de comportamento de nomes como Ted Bundy, Jeffrey Dahmer, John Wayne Gacy e Dennis Rader, o BTK. A experiência inclui ainda uma investigação exclusiva em realidade virtual, na qual o visitante assume o papel de investigador.

Quando: em cartaz, de terça a domingo, das 10h às 22h

Onde: Shopping Eldorado – Av. Rebouças, 3970, Pinheiros, São Paulo (2º subsolo)

Ingressos: a partir de R$ 50. Classificação: 16 anos (menores de 18 acompanhados por um responsável).

Site: mindofaserialkillerexpo.com/sao-paulo

Do true crime aos contos góticos e às experiências imersivas ao vivo, a programação de outubro da Fever oferece diversas formas de mergulhar no lado mais sombrio da temporada.

Seja para quem gosta de suspense psicológico, narrativas teatrais, mistérios ou dos sustos mais tradicionais do Halloween, a programação reúne experiências para diferentes gostos e diferentes tipos de saída à noite em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Curitiba.

(Com Ana Eduarda Ferreira/Feverup)

MAM São Paulo lança edital para espetáculos teatrais voltados ao público infantil

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Edital recebe propostas de companhias, produtoras culturais e cooperativas de todo o Brasil para temporadas de 12 a 18 apresentações entre janeiro e novembro de 2027. Fotos: Ana Clara Matta.

O Museu de Arte Moderna de São Paulo abre inscrições para o edital da Temporada Infantil MAM Teatro 2027. A convocatória vai selecionar de um a oito espetáculos teatrais voltados ao público infantil para compor a programação do espaço ao longo do próximo ano. As inscrições são gratuitas e ficam abertas de 13 de outubro a 9 de novembro de 2026. Para participar, os interessados devem enviar a proposta e a documentação exigida no edital para o e-mail teatro@mam.org.br.

O edital é destinado a pessoas jurídicas, como produtoras culturais, companhias de teatro e cooperativas, com sede no Brasil e experiência comprovada na produção ou direção de espetáculos cênicos. Podem ser inscritos espetáculos inéditos (desde que a companhia tenha recursos próprios para viabilizar a estreia) ou obras já estreadas que tenham interesse em realizar uma nova temporada.

As temporadas serão realizadas entre janeiro e novembro de 2027, em formato de cessão de uso do espaço, com 12 a 18 apresentações por projeto. As sessões acontecerão aos sábados e domingos, às 11h e às 16h.

Foto: Estúdio em Obra.

Para participar, os projetos devem ter classificação indicativa livre ou ser direcionados especificamente ao público infantil. A avaliação será realizada pela curadoria interna do MAM Teatro, considerando aspectos como a qualidade artística da proposta, sua adequação ao público infantil, a viabilidade técnica e espacial, o potencial de comunicação e mobilização de público e a experiência das equipes envolvidas.

O MAM disponibilizará o espaço de seu auditório, com infraestrutura técnica básica instalada de luz e som e equipe de apoio, incluindo bilheteria, operação da plataforma Eventim, assessoria de imprensa e limpeza. Durante a montagem, ensaios e apresentações, a companhia contará também com um técnico de teatro. Caso o espetáculo necessite de profissionais técnicos adicionais, como operadores de luz e som ou maquinistas, a contratação ficará sob responsabilidade da produção.

Como parte da parceria, cada companhia selecionada deverá realizar duas apresentações gratuitas do espetáculo para o Projeto Escola do MAM, em datas e horários definidos em conjunto com o teatro.

SERVIÇO:

Edital Temporada Infantil MAM Teatro 2027

Inscrições: 13 de outubro a 9 de novembro de 2026

Quem pode participar: pessoas jurídicas, produtoras culturais, companhias de teatro e cooperativas com sede no Brasil

Projetos: espetáculos teatrais inéditos ou já estreados, com classificação indicativa livre ou voltados ao público infantil

Temporadas: janeiro a novembro de 2027

Formato: 12 a 18 apresentações por espetáculo

Sessões: sábados e domingos, às 11h e às 16h

Inscrições: gratuitas

Envio de propostas: teatro@mam.org.br

Documentação e orientações: conferir o edital completo no site antes do envio da proposta.

(Com Evandro Pimentel/MAM SP)

Roxy Dinner Show completa dois anos como case de reinvenção, turismo e economia criativa

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Fotos: Tomas Rangel.

Em dois anos, Roxy recebeu cerca de 130 mil espectadores, realizou mais de 470 apresentações, empreendimento transformou um antigo cinema de Copacabana em um case de turismo, cultura, gastronomia e entretenimento. Desde a reabertura, em 17 outubro de 2024, o antigo cinema Art Déco de Copacabana passou a integrar a rota de visitantes brasileiros e estrangeiros e, em menos de dois anos, conquistou dois reconhecimentos de peso: foi incluído pela Time na lista World’s Greatest Places 2025, entre os destinos mais extraordinários do mundo, e recebeu o Travelers’ Choice 2026, do TripAdvisor, ficando entre os 10% melhores estabelecimentos e atrações da plataforma, segundo as avaliações dos próprios viajantes.

Dois anos, 339.310 pratos servidos. Visitantes de 83 países. Os números dão a dimensão de como o Roxy deixou de ser apenas uma casa de espetáculos para se tornar uma experiência turística com projeção internacional. A força desse alcance aparece na origem do público.

O Roxy já recebeu visitantes de 26 estados brasileiros, 254 cidades do país e 39 municípios fluminenses, além dos turistas internacionais que chegaram de 83 países. É uma plateia que ultrapassa fronteiras e ajuda a explicar por que a casa passou a ser também uma vitrine da cultura brasileira para quem chega ao Rio. O Roxy criou um modelo de negócio, o resultado desses dois primeiros anos é um case de reinvenção. Se consolidou como um dos exemplos mais expressivos de reinvenção do entretenimento carioca. Inaugurado em antigo cinema Art Déco, o empreendimento transformou uma casa tradicional do bairro em uma operação que combina gastronomia, música, tecnologia, turismo e cultura brasileira — e que, em pouco tempo, passou a ser reconhecida também fora do país.

Mais do que contabilizar ingressos, o Roxy passou a funcionar como uma porta de entrada para diferentes experiências da cidade. O público chega para assistir ao espetáculo, mas também para jantar, conhecer a gastronomia brasileira, circular por Copacabana e consumir outros serviços ligados ao turismo. Cerca de 35% da plateia é formada por público latino-americano, enquanto iniciativas como o CARIOCAROXY aproximaram ainda mais a casa do público local.

Um restaurante que também virou indicador de escala

Filé mignon ao ponto com mil-folhas de mandioca, molho de jabuticaba e caviar de aroeira (pimenta-rosa).

A dimensão da operação aparece também à mesa. Ao longo desses dois anos, foram servidas 107.760 entradas, 122.441 pratos principais e 109.109 sobremesas. Entre os campeões de pedidos, o filé mignon lidera com 55.195 unidades, enquanto a sobremesa Textura de Chocolate soma 49.599 pedidos. Os números revelam um aspecto importante do projeto: a gastronomia deixou de ser coadjuvante e passou a integrar a experiência central oferecida pela casa.

Essa estratégia ganhou uma nova dimensão com a chegada do Almoço Musical, lançado em 15 de agosto. A iniciativa levou para o período diurno a mesma lógica de integração entre gastronomia, cultura e entretenimento que marcou a trajetória do Roxy desde sua abertura. A casa convidou a chef Kátia Barbosa para desenvolver o menu, executado pelo chef executivo Caio Silva. São 33 opções, entre entradas, petiscos, pratos principais, receitas para compartilhar, sanduíches, menu infantil e sobremesas. Aos sábados, o repertório musical fica por conta de Gui Valença; aos domingos, Camilla Marotti conduz a programação, com MPB, bossa nova e clássicos internacionais.

A experiência ainda utiliza a tela de LED de 210 metros quadrados, uma das marcas tecnológicas do empreendimento, para criar uma imersão visual com imagens do Rio de Janeiro. Na prática, o almoço amplia o tempo de funcionamento da casa e cria uma nova frente de consumo. O que começou como um dinner show passou a ocupar diferentes faixas do dia e a dialogar com públicos distintos.

De cinema a espaço multifuncional

A transformação do Roxy também pode ser medida pela quantidade de formatos que passaram a caber dentro do mesmo endereço. Desde a abertura, foram realizados 48 eventos corporativos, lançamentos, premiações e celebrações, em configurações completamente diferentes.

Texturas de chocolate com pé-de-moleque de castanhas brasileiras e um delicado creme de cumaru.

Um dos exemplos foi o The One Volkswagen, em agosto de 2025, que reuniu 600 convidados para o lançamento do Tera. A casa foi inteiramente personalizada com a identidade da marca, dos lanterninhas ao figurino da recepção, e a programação reuniu coquetel, apresentação dos executivos, jantar e o espetáculo Aquele Abraço, que ainda ganhou uma intervenção especial com a entrada de uma porta-bandeira carregando uma bandeira personalizada da Volkswagen.

Para a italiana Davines, empresa de cosméticos de luxo, o palco se transformou em espaço para demonstrações de cortes e coloração ao vivo, antes do jantar e do espetáculo. Já a premiação do Brasileirão, realizada pela CBF, reuniu cerca de 600 pessoas em dezembro de 2025. Outro exemplo da flexibilidade da operação foi o Prêmio Supermed, que recebeu cerca de mil convidados. O salão foi completamente reconfigurado, sem mesas e cadeiras, para receber estações de coquetel, premiação, shows de Belo e DJ Felipe Mar, além de uma apresentação de balé no tecido.

A possibilidade de transformar o espaço para cada ocasião tornou-se um dos ativos do negócio. O Roxy pode funcionar como restaurante, teatro, espaço para shows, salão de premiações, palco para lançamentos ou ambiente corporativo — sem perder sua identidade. A história desses dois anos também é marcada por uma sequência de mudanças. O projeto original nasceu em torno do Roxy Dinner Show e do espetáculo Aquele Abraço, mas a operação foi ampliada progressivamente para acompanhar diferentes hábitos de consumo. Vieram as matinês, com produções próprias como Fala Sério, Mãe – Elas Só Mudam de Endereço, inspirado na obra de Thalita Rebouças, e agora o almoço musical. As matinês retornam em 2027, enquanto o almoço passa a ocupar os fins de semana.

É essa capacidade de testar novos formatos sem abandonar a identidade original que ajuda a explicar a trajetória do empreendimento. Em vez de trabalhar com uma única experiência, o Roxy passou a operar como uma plataforma de entretenimento.

Um case que ganhou o Rio

O principal resultado desses dois anos talvez esteja justamente fora da contabilidade de ingressos. O Roxy criou um modelo no qual a casa ganha, mas a cidade também ganha. Ao atrair turistas brasileiros e estrangeiros para Copacabana, contratar artistas e profissionais locais, consumir produtos e serviços da cadeia gastronômica e de eventos e criar novas possibilidades de programação cultural, o empreendimento passou a participar de uma engrenagem maior da economia criativa carioca.

A presença de visitantes de diversos países dá outra dimensão ao projeto. Para esse público, a experiência não é apenas assistir a um espetáculo: é encontrar, em uma mesma noite, música, gastronomia, cenografia, tecnologia e referências culturais brasileiras. Para o carioca, a proposta é inversa e igualmente estratégica: oferecer uma experiência turística dentro da própria cidade, criando novas razões para voltar a um endereço tradicional de Copacabana. “É nesse ponto que os dois anos do Roxy Dinner Show deixam de ser apenas um aniversário de uma casa de espetáculos e passam a representar um case de sucesso de reocupação, diversificação e valorização de um equipamento cultural e turístico do Rio. E, ao completar dois anos, o Roxy chega a uma nova fase: não apenas como lugar para assistir a um show, mas como destino capaz de reunir, sob o mesmo teto, turismo, gastronomia, cultura, entretenimento e negócios”, define Alexandre Accioly.

Roxy Dinner Show

Funcionamento de: 4ª a domingo

Abertura da casa: 18h30 / Pré Show: 19h15 / Jantar: a partir das 19h / Apresentação “Aquele Abraço”: 21h

Pacote Copacabana / Pacote Rio de Janeiro / Pacote Aquele Abraço

Informações: https://www.roxyoficial.com.br/pt-BR/lp/aquele-abraco

Capacidade da casa: 626 lugares

Acessibilidade.

(Com Rozangela Silva/BT Assessoria de Comunicação)

Tom Zé lança álbum no projeto Relicário com registro de show de três décadas

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Relicário: Tom Zé (Ao vivo no Sesc 1996) recupera apresentação no Sesc Pompeia de período da carreira posterior à internacionalização do músico. Fotos: Divulgação.

Um dos músicos mais originais e irreverentes da música brasileira é o destaque do novo álbum da série Relicário, do Selo Sesc. Relicário: Tom Zé (ao vivo no Sesc 1996) recupera o registro de uma apresentação do compositor, cantor e multi-instrumentista baiano realizada há três décadas no Sesc Pompeia. O álbum está disponível nas principais plataformas de áudio.

O disco documenta um período de intensa atividade na carreira de Tom Zé, que, após anos de menor circulação no Brasil, havia retomado a projeção, com reconhecimento internacional, no início da década de 1990, especialmente a partir do lançamento de The Hips of Tradition (1992), pelo selo Luaka Bop, de David Byrne. O registro traz o resultado de uma fase de pesquisas, experimentações e maior internacionalização do artista baiano. “O ano anterior [ao registro], olhe, foi uma época que passei toda na Europa – Áustria, Alemanha, Bélgica, Suiça, Paris. Cada passo que eu dava, pedalava num europeísmo qualquer. Às vezes eu não sabia se estava acordando em Irará ou em Hamburgo. Ora no frio, ora no calor”, conta Tom Zé.

O repertório de Relicário: Tom Zé (ao vivo no Sesc 1996) percorre diferentes momentos da trajetória do compositor e evidencia características que se tornaram marcas de sua produção: a mistura entre canção popular e experimentação, o uso não convencional dos instrumentos, aspectos teatrais, além do tom crítico e contestador por meio da sagacidade e ironia em suas letras. Entre as faixas estão Nave Maria, que abria os shows da turnê europeia de 1996, Augusta, Angélica e Consolação, Dois Mil e Um e A Carta, que, como todo o repertório do disco, refletem a criatividade do músico e seu olhar abrangente para os temais que permeiam o cotidiano e a vida social. “As músicas de Relicário são um pedaço vivo de São Paulo que salta sobre nós. Vivíssimo! Os títulos das canções não deixam a mãe paulista escapar. Pegam a cidade pela saia. Sacodem, e fazem uma roda de samba”, comenta.

Capa.

A gravação conta com músicos que acompanharam Tom Zé em diferentes momentos de sua trajetória. A relação entre o compositor e seus músicos era parte importante do processo de construção dos shows, marcados por ensaios constantes e pela possibilidade de alterações no repertório durante as apresentações. Em A Carta, por exemplo, a interpretação incorpora sons corporais à composição instrumental, denotando a dimensão cênica e expressiva da obra de Tom Zé. A participação do público era também parte fundamental da inspiração. “Eu tenho a lembrança da plateia, transformando a cidade num espelho, olhando para si mesma, e para si mesmo. Eu só fazia me jogar nessa roda paulistanamente viva”, completa o músico.

Com Relicário: Tom Zé (ao vivo no Sesc 1996), o Selo Sesc dá continuidade ao projeto que visa a recuperação e valorização da história da música brasileira em sua diversidade, experimentação e criatividade, bem como a preservação e difusão de registros históricos e marcantes de artistas que também constroem a memória do Sesc São Paulo.

FAIXAS

1 – Nave Maria

2 – Ta-Hi (pra você gostar de mim)

3 – Sofro de Juventude

4 – Dói

5 – Jingle do Disco

6 – Um oh! E um ah!

7 – Cademar

8 – Dois Mil e Um

9 – Menina Jesus

10 – USP x GV

11 – A Carta

12 – Ogodô, Ano 2000

13 – Hein?

14 – Augusta, Angélica e Consolação

15 – Sem a Letra “A”

16 – Trem das Onze.

FICHA TÉCNICA

Cristina Carneiro – teclado

Gilberto Assis – baixo elétrico

Jarbas Mariz – percussão e voz

Lauro Lellis – bateria

Marco Prado – guitarra

Tom Zé – voz

Gravado no Sesc Pompeia em 5 de novembro de 1996

Masterização: Clemant Zular

Produção Executiva: Neusa Martins

Projeto gráfico: Alexandre Calderero

Comunicação digital: Renan Abreu, Bárbara Carneiro e Sofia Calabria.

SOBRE TOM ZÉ

Nascido em Irará (BA), em 1936, Tom Zé é um dos nomes fundamentais da música brasileira e um dos artistas ligados à formação do movimento tropicalista. Estudou na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, onde teve contato com compositores como Hans-Joachim Koellreutter e Ernst Widmer. Na cidade, aproximou-se de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia. Em 1968, participou do álbum Tropicália ou Panis et Circencis, com a canção “Parque Industrial”, e lançou seu primeiro disco, Grande Liquidação. No mesmo ano, venceu o IV Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, com “São São Paulo”.

Ao longo de sua trajetória, Tom Zé desenvolveu uma obra marcada pela experimentação, pelo humor, pela pesquisa de linguagem e pela combinação de elementos da música popular com procedimentos de vanguarda. Entre seus trabalhos estão Todos os Olhos (1973), Estudando o Samba (1976), Com Defeito de Fabricação (1998) e Tropicália Lixo Lógico (2012). A partir do final dos anos 1980, sua obra ganhou maior circulação internacional depois que o músico escocês-estadunidense David Byrne conheceu Estudando o Samba e passou a divulgar o trabalho do artista por meio de seu selo Luaka Bop.

Em 2022, o Selo Sesc lançou Língua Brasileira, álbum que reuniu onze faixas dedicadas à investigação da língua e da cultura brasileiras, em diálogo com o espetáculo teatral homônimo dirigido por Felipe Hirsch. O disco teve direção artística de Hirsch e produção musical de Daniel Ganjaman e Daniel Maia. Em 2026, também pelo Selo Sesc, o músico lança Relicário: Tom Zé (ao vivo no Sesc 1996), fruto do arquivo histórico da apresentação realizada há três décadas no Sesc Pompeia.

Com uma produção que atravessa diferentes períodos da música brasileira, Tom Zé mantém como eixo de seu trabalho a pesquisa sobre as possibilidades da canção, explorando relações entre música, palavra, ritmo, instrumentos e objetos sonoros. Relicário Tom Zé: ao vivo no Sesc 1996 recupera um momento dessa trajetória e amplia o acervo de registros históricos da música brasileira reunidos pelo Selo Sesc.

Ouça o álbum: https://tratore.ffm.to/relicariotomze.

(Com Sofia Calabria/Selo Sesc)