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Roberto Camasmie apresenta exposição “Gotejar” com visita guiada

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: João Liberado.

O artista plástico Roberto Camasmie apresenta “Gotejar”, uma exposição que marca uma nova e expressiva fase de sua trajetória artística. A mostra propõe uma imersão estética onde o gesto espontâneo do gotejamento dialoga com a memória, a figuração e a força da matéria pictórica. Nesta série inédita, Camasmie explora sobreposições, texturas e camadas de cor que transformam a tela em um território de emoção e movimento. Tons vibrantes, contrastes intensos e intervenções gestuais criam composições que transitam entre o clássico e o contemporâneo, revelando uma linguagem visual renovada e profundamente autoral.

Entre os destaques da exposição está uma obra especial desenvolvida na mesma técnica da série Gotejar: uma grande tela inspirada na bandeira do Brasil incorporando os rostos dos jogadores da Seleção Brasileira. A obra presta uma homenagem aos atletas que representam o país e simboliza a união, a paixão nacional pelo futebol e a esperança do povo brasileiro na conquista do tão sonhado hexacampeonato mundial.

Como parte da programação da exposição, o artista receberá convidados para uma visita guiada especial, compartilhando os processos criativos, inspirações e reflexões que deram origem a esta nova fase.

(Com Elaine Veloso)

Theatro Municipal de São Paulo apresenta “Tristão e Isolda”, de Richard Wagner

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cena da montagem de Tristão e Isolda de Allex Aguilera, no Teatro de la Maestranza.
Foto: Roberto Alcain.

Conforme anunciado para a programação 2026, o Theatro Municipal de São Paulo apresenta, entre os dias 22 de julho e 2 de agosto, a ópera “Tristão e Isolda” em três atos com música e libreto de Richard Wagner. A produção reúne a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal sob direção musical de Roberto Minczuk. A direção cênica, que anteriormente seria de Daniela Thomas, passa a ser do diretor brasileiro Allex Aguilera, que traz a montagem realizada no Teatro de la Maestranza, em Sevilha.

Descrita pelo próprio Wagner como o trabalho mais audacioso de sua carreira, a obra representa um marco na história da música ocidental ao expandir os limites da tonalidade e da harmonia tradicional. Seu célebre “acorde de Tristão”, apresentado logo no prelúdio, tornou-se símbolo das transformações que influenciaram profundamente a música dos séculos seguintes.

Baseada na versão de Gottfried von Strassburg para um dos mais conhecidos mitos medievais e inspirada pela filosofia de Arthur Schopenhauer, a trama acompanha a paixão avassaladora entre Tristão e Isolda, desencadeada pela ingestão acidental de uma poção de amor. O relacionamento proibido entre os dois culmina em um desfecho trágico, marcado pela célebre ária final Liebestod, um dos momentos mais emblemáticos da história da música.

O elenco conta, alternadamente, com os tenores Simon O’Neill e Michael Weinius no papel de Tristão, e as sopranos Annemarie Kremer e Eiko Senda como Isolda. Completam o elenco Leonardo Neiva (Kurwenal), Denise de Freitas (Brangäne), Hernan Iturralde (Rei Marke), Paulo Queiroz (Marinheiro) e Jessé Vieira (Timoneiro).

SOBRE O INSTITUTO BACCARELLI

Com 30 anos de trajetória, o Instituto Baccarelli é hoje uma das principais organizações sociais sem fins lucrativos do Brasil, promovendo educação, cultura e inclusão social. Com sede em Heliópolis, atende gratuitamente cerca de 1.650 alunos por ano, utilizando a música como ferramenta de transformação de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. A instituição também é responsável pela gestão do Theatro Municipal de São Paulo e, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, administra 12 unidades dos CEUs e as atividades do Programa Escola Aberta em 10 EMEFs, ampliando o acesso à cultura e ao ensino em 23 territórios periféricos da cidade.

A educação musical de excelência é o principal pilar do Baccarelli, oferecendo desenvolvimento pessoal e reais oportunidades de profissionalização. Entre os destaques da organização estão a construção do Teatro Baccarelli, a primeira sala de concertos em território de favela no mundo, a Orquestra Sinfônica Heliópolis, sob direção artística do renomado maestro Isaac Karabtchevsky, e o Coral Jovem Heliópolis, todos reconhecidos nacional e internacionalmente.

Para mais informações, acesse: baccarelli.org.br.

Instagram: Link

Instagram Teatro: Link.

(Com André Santa Rosa/Theatro Municipal)

Cisne Negro Cia de Dança apresenta novo espetáculo “Que tal o impossível?” no Sesc Belenzinho

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Com coreografia assinada por Jorge Garcia, o espetáculo apresenta a efervescência
cultural de SP através de uma estética contemporânea, poética e visualmente potente. Foto: Reginaldo Azevedo.

A renomada Cisne Negro Cia de Dança estreia o espetáculo “Que tal o impossível?” nos dias 26, 27 e 28 de junho no Sesc Belenzinho, com uma imersão coreográfica no universo sonoro e teatral do icônico músico Itamar Assumpção. Conduzida pelo coreógrafo Jorge Garcia, a montagem utiliza a canção-título do compositor como ponto de partida para explorar os movimentos contemporâneos, lúdicos e sensíveis que dão vida à noite paulistana.

O espetáculo consolida o encontro entre o legado de um dos maiores expoentes da Vanguarda Paulista e a trajetória de quase 50 anos da companhia de dança, uma das mais tradicionais do país. A concepção de Que tal o impossível? transporta o público para um cenário predominantemente noturno, inspirado nos bares, palcos e performances que o próprio Itamar frequentava e transformava na São Paulo das décadas de 1980 e 1990.

A pesquisa coreográfica se debruça sobre essa atmosfera urbana para construir uma composição visualmente marcante, na qual os corpos dos bailarinos se misturam a elementos cenográficos potentes que recriam a poesia e o caos da vida noturna da cidade. Longe de ser uma biografia linear, o espetáculo propõe um mergulho no instinto e na teatralidade de Itamar Assumpção, transformando suas provocações rítmicas em gestos.

Ao unir a musicalidade pulsante do artista com o vigor técnico da Cisne Negro, Que tal o impossível? apresenta- se como um mosaico cultural em movimento, costurando nostalgia, modernidade e o eterno espírito vanguardista de São Paulo.

FICHA TÉCNICA 

Música: Itamar Assumpção

Direção Artística: Dany Bittencourt

Concepção e coreografia: Jorge Garcia

Assistente de coreografia: Patrícia Alquezar

Trilha Sonora: Maurício Badé

Mixagem: Bruno Buarque

Participação Especial: Anelis Assumpção e Rubi Assumpção

Curadoria Musical: Anelis Assumpção

Cenografia: Leo Ceolin

Iluminação: Rossana Boccia

Figurino: João Pimenta

Participações especiais na Trilha Sonora: Anelis Assumpção, Rubi Assumpção, Mazinho Lima e Minarê Aureliano

Elenco: Bianca Huang, Isabelle Prado, Gabriela Evangelista, Rayssa Albuquerque, Diego Azevedo, Gabriel Félix, Luís Miranda, Willian Gásparo.

SERVIÇO:

Show Cisne Negro Cia de Dança

Sex, 26/06/2026, 19h30

Sáb, 27/06/2026, 19h30

Dom, 28/06/2026, 16h

Valores: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada), R$ 15 (Credencial Plena – Sesc).

Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.

Limite de 2 ingressos por pessoa.

Local: Sala de Espetáculo II (120 lugares). Classificação: Livre. Duração: 40 min.

SESC BELENZINHO 

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.

Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

sescsp.org.br/Belenzinho

Transporte Público   

Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Estacionamento 

De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional.

Sesc Belenzinho nas redes   

Facebook | Instagram | @sescbelenzinho.

(Com Andressa Santiago/Sesc Belenzinho)

As vilas mais bonitas da Turquia para o slow travel

Turquia, por Kleber Patricio

Vilas da Turquia são destinos ideais de slow travel. Foto: Divulgação/Turquia (Türkiye) Fotos: Divulgação/Turquia (Türkiye).

À medida que avançamos por 2026, o slow travel (viagem lenta) se tornou mais do que uma tendência de nicho — é agora uma filosofia de viagem definidora. Moldados pelo ritmo acelerado da vida urbana, agendas exigentes e um desejo crescente de significado em vez de quilometragem, os viajantes buscam cada vez mais experiências mais calmas e intencionais. De acordo com o Relatório de Perspectivas para 2026 da Comissão Europeia de Viagens, o slow travel está ganhando um verdadeiro impulso, subindo de 22% em 2025 para 26% em 2026.

Neste contexto, as vilas da Turquia emergiram como destinos ideais de slow travel — oferecendo paisagens de tirar o fôlego, tradições profundamente enraizadas e a oportunidade de vivenciar uma conexão mais genuína com a vida local. Aninhadas entre as montanhas e as linhas costeiras da Anatólia, essas vilas convidam os visitantes a se afastarem da pressa por meio de uma cultura autêntica, gastronomia do campo para a mesa, artesanato tradicional e uma arquitetura atemporal. Várias foram reconhecidas pelo programa Best Tourism Villages da ONU Turismo, afirmando seu compromisso com um turismo sustentável e promovido pela comunidade. Conheça algumas das vilas mais gratificantes da Turquia:

Bárbaros: a vila da hospitalidade e dos espantalhos

Bárbaros, nomeada uma das Best Tourism Villages 2025 pela ONU Turismo, é uma vila pacífica de 700 anos em Urla, Izmir, onde o tempo se move suavemente e os visitantes são atraídos pelos ritmos da autêntica vida do Egeu. Os hóspedes podem se hospedar em casas de pedra carinhosamente preservadas, passear por ruas de paralelepípedos ladeadas por janelas de madeira desgastadas e apoiar as mulheres artesãs locais por meio de lojas de artesanato e oficinas.

Vila de Mardin.

O coração de Barbaros é sua célebre tradição Çat Kapı (Bater à Porta) — um sinal simples em uma porta que se abre para uma refeição caseira do Egeu, preparada com azeite prensado nas proximidades, vegetais do quintal e ervas frescas. Os favoritos locais incluem o katmer, uma massa salgada quente recheada com queijo coalho artesanal, salsa e cebola. Na primavera, os habitantes locais colhem karabaşotu (um tipo de lavanda), adicionando outra camada sensorial ao caráter da vila.

Para quem deseja mergulhar totalmente nos costumes locais, o Festival do Oyuk (Espantalho) em setembro é obrigatório. Espantalhos feitos à mão, que desfilam pelas ruas, permanecem em exibição permanente durante todo o ano, transformando Barbaros em uma galeria viva ao ar livre. A apenas três quilômetros de distância, a Rota dos Vinhedos de Urla — que abriga a maior concentração de restaurantes do Guia MICHELIN na Turquia — oferece um contraponto gastronômico refinado ao charme rústico da vila. Bárbaros é a base perfeita: noites tranquilas na vila, aventuras culinárias de dia.

Kale üçağız e ormana: de joia costeira a refúgio de montanha

No coração da Riviera Turca, Antália abriga duas vilas notáveis reconhecidas pela ONU Turismo — cada uma oferecendo uma face completamente diferente do slow travel.

Kale Üçağız é uma charmosa vila costeira localizada na província de Antalya, Turquia, famosa por sua atmosfera pacífica, ruínas lícias submersas e casas tradicionais. A vila foi reconhecida como uma das Melhores Vilas Turísticas do Mundo pela ONU e serve como um dos principais pontos de partida para explorar a região da ilha de Kekova.

Kale Üçağız, também conhecida como a Vila do Castelo, encanta com uma mistura de tranquilidade, história em camadas e aventura. Ruas estreitas ladeadas por casas de pedra levam a restaurantes familiares, oficinas de arte e ao castelo medieval que deu nome à vila. As águas turquesa ao redor convidam a passeios de barco, caiaque no mar e mergulho, enquanto a vila serve de porta de entrada para a famosa Via Lícia — uma das grandes trilhas de caminhada de longa distância do mundo. Nas proximidades, a antiga cidade de Myra e a Igreja de São Nicolau em Demre — dedicada ao santo conhecido mundialmente como Papai Noel — acrescentam uma rica dimensão cultural e espiritual a qualquer visita.

Ormana, no distrito de İbradı, nas Montanhas Taurus, é um paraíso escondido diferente de qualquer outro lugar na Turquia. A vila é celebrada pelas suas extraordinárias “casas de botão” — construídas inteiramente com pedra local e madeira de cedro, sem argamassa, utilizando técnicas transmitidas de geração em geração. Muitas dessas estruturas notáveis funcionam agora como hotéis boutique, oferecendo uma estadia imersiva que é, por si só, uma peça de patrimônio vivo.

Ormana é também um destino para os sentidos: cogumelos morchella, ervas nativas, uvas e melaço de uva combinados com queijo de cabra local de gado criado solto proporcionam refeições memoráveis do campo para a mesa. A tecelagem tradicional de seda Gılamık — exclusiva da vila — é um presente requintado. Nas proximidades, a Gruta de Altınbeşik abriga o maior lago subterrâneo da Turquia; a Planície de Eynif é percorrida por cavalos selvagens; e as ruínas de Tol Han relembram as antigas rotas da Rota da Seda que outrora passavam por ali. Ormana também figura entre as principais viagens sustentáveis do GoTürkiye como um dos exemplos mais marcantes de arquitetura vernácula e turismo rural sustentável no país.

Anıtlı: uma viagem medieval em tur abdin

Anıtlı — anteriormente conhecida como “Hah” na língua siríaca — é um destino de slow travel diferente de qualquer outro. Localizada no distrito de Midyat, em Mardin, na culturalmente extraordinária região de Tur Abdin, oferece uma atmosfera medieval moldada por mosteiros, arquitetura de pedra cor de mel e a coexistência viva de comunidades cristãs siríacas e muçulmanas ao longo dos séculos.

Vila de Ormana. Foto: Divulgação/GoTürkiye.

A vila faz parte do sítio “Igrejas e Mosteiros Tardio-Antigos e Medievais de Midyat e Arredores (Tur Abdin)”, integrado na Lista Indicativa do Patrimônio Mundial da Unesco. Nas proximidades, o Mosteiro de Mor Gabriel — o mais antigo mosteiro ortodoxo siríaco em funcionamento no mundo, fundado em 397 d.C. — é um local imperdível. Na própria Anıtlı, a Igreja da Virgem Maria oferece uma experiência de estadia especialmente autêntica, com liturgias e missas matinais realizadas regularmente a cada 15 dias.

A gastronomia da região é igualmente cativante. O vinho siríaco caseiro, o pão à base de grão-de-bico feito com técnicas centenárias, o börek siríaco, os picles locais e os doces de amêndoa estão entre as especialidades imperdíveis — refletindo uma herança culinária tão multifacetada quanto a arquitetura. A cultura gastronômica de Mardin está ganhando cada vez mais reconhecimento pelo uso de especiarias locais, combinações de carne com fruta e tradições artesanais.

A vida rural pode ser vivenciada na prática, ordenhando ovelhas ou participando das colheitas locais. A região também ganha vida por meio de eventos culturais: o Festival Internacional de Cinema SineMardin, o Festival Internacional de Cultura e Arte de Midyat, o Festival da Uva Harire e a Bienal de Mardin oferecem, cada um, uma janela vívida para essa paisagem cultural rica e complexa. Os visitantes costumam se hospedar nas casas de pedra de Midyat, a 20 km de Anıtlı, muitas das quais já serviram de cenário para populares novelas e séries de televisão turcas — embora a opção com mais atmosfera continue sendo uma pernoite no próprio complexo da igreja da vila.

(Fonte: MAPA 360)

MASP apresenta primeira mostra individual de Carolina Caycedo no Brasil

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Carolina Caycedo, El ocho de Oshun [O oito de Oxum], da série Cosmotarrayas [Cosmotarrafas], 2025. Cortesia Commonwealth and Council; Paul Salveson.

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, a partir de 3 de julho, “Carolina Caycedo: confluências”. Reunindo fotografia, instalação, vídeo, performance e desenho, a mostra destaca as múltiplas relações entre rios e comunidades, articulando questões ambientais e formas de resistência. A exposição recebe o título da instalação inédita Confluências, produzida de forma colaborativa durante a Cúpula dos Povos no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), em Belém (PA), e apresentada ao público pela primeira vez nesta exposição. Após sua exibição no MASP, a exposição seguirá em itinerância para El Museo del Barrio, em Nova York.

Nascida em Londres e criada na Colômbia, Carolina Caycedo (Reino Unido, 1978) cresceu às margens do rio Magdalena, experiência que marcou profundamente sua relação com a ecologia e sua produção artística. Importante curso d’água colombiano, o rio tem sido impactado pela construção de barragens, tema recorrente na obra da artista, que investiga as dimensões simbólicas, sociais e políticas da água.

Confluências foi desenvolvida em diálogo com o Movimento Internacional dos Atingidos por Barragens, por Crimes Ambientais e Pela Crise Climática durante a Cúpula dos Povos, na ocasião da COP30. A instalação reúne camisetas, bandeiras e banners produzidos pelos próprios participantes do encontro. A obra evoca a ideia de confluência não apenas como encontro entre corpos d’água, mas também entre pessoas, culturas e formas de resistência, aproximando diferentes experiências de luta em defesa dos rios e dos territórios.

Com curadoria de Isabella Rjeille, curadora, MASP, a mostra evidencia um percurso na produção de Caycedo que parte da denúncia de violações sociais e ambientais e avança em direção à promoção de um espaço de proposição, reparação e cura. Ao longo de sua trajetória, a água permanece como força central e elemento estruturante de sua prática artística. Esse interesse se manifesta, entre outras obras, na série de esculturas Cosmotarrayas [Cosmotarrafas] (2016–em processo). Desenvolvidas a partir do envolvimento da artista com comunidades ribeirinhas, as obras são inspiradas na maneira como pescadores penduram suas redes em troncos de árvores para secá-las. Compostas por redes de pesca artesanais suspensas e preenchidas por objetos coletados pela artista, as Cosmotarrayas reúnem histórias, memórias e vestígios das múltiplas formas de vida que existem dentro e ao redor dos rios.

“Embora a denúncia siga presente em sua prática, o trabalho de Carolina Caycedo tem se deslocado cada vez mais para um campo de proposição e valorização da vida. Nesse movimento, a artista reconhece os legados de mulheres, ativistas e outras pessoas que estiveram à frente de causas ambientais, valorizando suas trajetórias e contribuições para outras formas de pensamento ecológico na América Latina e no mundo”, comenta a curadora Isabella Rjeille.

Esse movimento também pode ser observado em Minha linhagem feminina da luta (2018–2019), obra pertencente ao acervo do MASP e apresentada na mostra. Parte da série Genealogia da luta, a obra evidencia o interesse da artista por trajetórias ligadas às lutas sociais e ambientais, reunindo um extenso conjunto de retratos em desenho de mulheres ativistas de diferentes países e do Brasil. Nos versos, Caycedo registra as histórias de cada retratada, entre elas Marielle Franco, Tuíra Kayapó, Ana Laide Barbosa, Anna Terra Yawalapiti, Dorothy Stang e Maria do Carmo Silva D’Angelo.

Carolina Caycedo, Tuíra Kayapó, My Brazilian Feminine Lineage of Struggle, 2018-19. Acervo MASP.

Como parte da programação da mostra, Caycedo realiza a performance Atarraya no dia 4 de julho, sábado, no Vão Livre. A obra reúne vozes afetadas por infraestruturas hídricas como barragens e projetos de canalização. Durante a ação, uma pessoa dá voz a essas narrativas enquanto outra lança repetidamente uma rede de pesca ao espaço. Ao final, o público é convidado a sustentar e estender a rede coletivamente, em um gesto de solidariedade com as comunidades e ecossistemas evocados pela performance.

Carolina Caycedo: confluências integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Damián Ortega, Santiago Yahuarcani, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Colectivo Acciones de Arte, Sol Calero, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.

SOBRE A ARTISTA

Carolina Caycedo é uma artista multidisciplinar reconhecida por performances, vídeos, esculturas e instalações que investigam questões ambientais e sociais. Sua prática articula pesquisa, colaboração e engajamento com movimentos de resistência territorial, economias solidárias e iniciativas voltadas à moradia como direito humano, além de trabalhar com grupos e comunidades afetados por projetos extrativistas relacionados à construção de barragens e à privatização de corpos d’água. Participante da atual edição da Bienal de Veneza, a artista mantém uma trajetória consolidada, com trabalhos apresentados em exposições como a 50ª Bienal de Veneza (2003), a Whitney Biennial (2006), a Bienal de Havana (2009), a Bienal de Pontevedra (2010), a 32ª Bienal de São Paulo (2016), a bienal Made in L.A., do Hammer Museum (2018), a Bienal de Arquitetura de Chicago (2019) e a Artes Mundi 10 (País de Gales, 2024).

ACESSIBILIDADE

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.

CATÁLOGO

Será publicado um catálogo bilíngue, em português e inglês, reunindo imagens e textos sobre a obra de Carolina Caycedo. O livro tem organização editorial de Isabella Rjeille e conta com textos de Alex Ungprateeb Flynn, Ana Yarto Bilbao, Susanna V. Temkin, equipo TRansHisTor(ia) e Isabella Rjeille.

LOJA MASP

Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais de Carolina Caycedo: confluências, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.

REALIZAÇÃO

Carolina Caycedo: confluências é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O ano de Histórias latino-americanas no MASP conta com patrocínio do Nubank.

SERVIÇO:

Carolina Caycedo: confluências

Curadoria: Isabella Rjeille, curadora, MASP

3/7 — 4/10/2026

Edifício Lina Bo Bardi, 1º andar

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da loja do MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Fonte: MASP)