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Amor nas alturas: passeios de balão na lista de presentes para o Dia dos Namorados

Boituva, SP, por Kleber Patricio

Dalton e Karen. Fotos: Divulgação/Decola Boituva

Esqueça as filas em restaurantes e os presentes em caixas. No Dia dos Namorados de 2026, a tendência que domina o mercado de lazer e turismo é a experiência contemplativa. Em Boituva, capital nacional do balonismo turístico, casais saem do roteiro tradicional para celebrar da data ao nascer do sol.

O movimento faz parte de um fenômeno global pós-digital: a troca de bens materiais por memórias compartilhadas, refletindo um público que prioriza exclusividade, com direito a café da manhã e pedidos de casamento a mil metros de altitude.

Mais do que um passeio, a experiência nas alturas passou a integrar uma tendência crescente de consumo voltada à criação de memórias afetivas. Com voos ao amanhecer, vista panorâmica da cidade e experiências, o balonismo tem atraído casais em busca de celebrações diferenciadas, longe dos formatos tradicionais de presentes. Além disso, é o motor de uma cadeia que movimenta a hotelaria e a gastronomia local. “O casal que vem voar não investe apenas com o passeio de balão. Eles buscam hotéis aconchegantes e jantares harmonizados, elevando o padrão do turismo regional”, explica Ricardo de Almeida, representante do Projeto Decola Boituva.

Para atender à demanda crescente, as operadoras se transformam em verdadeiras agências de eventos aéreos. Entre os diferenciais mais buscados estão voo VIP, catering premium (brindes com espumantes) e fotos e café da manhã.

Turismo de experiência impulsiona buscas por celebrações personalizadas e momentos memoráveis em Boituva.

A profissionalização do setor, impulsionada por iniciativas como o Projeto Decola Boituva, colocou a cidade em evidência. A expectativa é que nos finais de semana do mês de junho, os voos realizados pelos operadores do Projeto aumentem 50%. “Hoje, o luxo não é o que você compra, mas o que você sente. Existe um movimento muito forte de valorização das experiências. Muitos casais preferem investir em momentos que gerem conexão e memória afetiva, com a vista que outro presente não é capaz de replicar”, afirma Ricardo de Almeida, representante do Projeto Decola Boituva. “O passeio de balão proporciona exatamente isso: uma experiência contemplativa, exclusiva e emocional”, afirma Almeida.

Para viver uma experiência extraordinária, escolha um operador participante do Projeto Decola Boituva. Informações e reservas: decolaboituva.com.br.

Sobre Projeto Decola Boituva | O Projeto Decola Boituva reúne operadores de balonismo turístico de Boituva (SP) que têm por objetivo fomentar a atividade no destino, evidenciando que o projeto também segue as novas medidas de segurança da atividade, alinhadas às normas vigentes da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A ação também conta com apoio de fábricas de balão, hotéis, bares e restaurantes da capital nacional do balonismo turístico.

(Com Rosi Silva Veronezzi/MAPA360)

Pedreira Paulo Leminski impulsiona Curitiba como polo de festivais de música

Curitiba, PR, por Kleber Patricio

Mais da metade dos eventos desse porte realizados na capital em 2025 aconteceram no espaço, localizado no Parque Jaime Lerner, segundo dados do Mapa dos Festivais. Fotos: Vinicius Grosbelli.

Um line-up forte deixou de ser o único fator decisivo para o sucesso de um festival. A experiência do público depende também da estrutura da cidade, da mobilidade, da rede hoteleira, da gastronomia e da capacidade de oferecer vivências além dos shows. É justamente essa combinação que vem consolidando Curitiba e a Pedreira Paulo Leminski, localizada no Parque Jaime Lerner, entre os polos desses grandes eventos no país.

Somente em 2025, de acordo com dados do Mapa dos Festivais, mais da metade dos festivais realizados na capital paranaense aconteceram na Pedreira.  O CEO do Parque, Helio Pimentel, reforça que o local reúne características que hoje são fundamentais. “Falamos de contato com a natureza, capacidade de público, possibilidade de montagem de diversas estruturas e uma experiência integrada com a cidade. Isso, sem dúvida alguma, faz com que Curitiba se destaque cada vez mais no cenário nacional de entretenimento”, reconhece.

Para o público que vem de fora, completa Pimentel, a cidade proporciona uma combinação de organização e estrutura urbana, áreas verdes e experiências culturais que contribuem para tornar o destino ainda mais atrativo. “Além de movimentar a economia da cidade, hotéis, restaurantes e outros atrativos turísticos”, diz. “E nem é preciso ir muito longe: o próprio Parque Jaime Lerner já conta com a Rua da Música, que oferece experiências gastronômicas e apresentações de música instrumental ao longo do dia”, completa.

Música com experiências

Edição anterior (2024) do Coolritiba.

O ano de 2026 tem tudo para manter a Pedreira Paulo Leminski na liderança dos festivais. O espaço já recebeu o Warung Day Festival, dividindo o protagonismo com a Ópera de Arame, outro atrativo do Parque. E se prepara para sediar mais uma edição do Festival Coolritiba 2026, com line-up totalmente nacional e o conceito de unir as apresentações à sustentabilidade e experiências.

A expectativa para este ano também é impulsionada pelo sucesso da edição de 2025, que reuniu quase 20 mil pessoas na Pedreira Paulo Leminski em mais de 14 horas de programação. O festival reforçou sua proposta de diversidade artística ao reunir nomes de diferentes estilos musicais, transitando entre MPB, Pop, Trap e Piseiro, além de consolidar o evento como um dos principais encontros culturais do calendário nacional.

Para 2026, a programação distribuída em dois palcos deve ampliar ainda mais essa experiência imersiva, com atrações como Dominguinho (João Gomes, Jota.pê e Mestrinho) Marina Sena, Lagum, Gilsons, Seu Jorge, Criolo, Djonga e Céu ao longo de 12 horas de apresentações. Mais do que um festival de música, o Coolritiba fortalece o posicionamento da Pedreira Paulo Leminski como um espaço multifuncional para grandes eventos, conectando entretenimento, turismo, economia criativa e ações de impacto social em Curitiba.

Sobre o Parque Jaime Lerner

O Parque Jaime Lerner é um complexo cultural e ambiental que integra, por meio da Rua da Música, dois dos maiores ícones do entretenimento brasileiro: a Ópera de Arame e a Pedreira Paulo Leminski. Com mais de 115 mil m² de área preservada, o espaço consolida-se como um dos principais cartões-postais e pontos turísticos de Curitiba, servindo como ponto de encontro vibrante para moradores e visitantes em busca de arte e cultura.

O complexo oferece infraestrutura completa, incluindo o Vale da Música (palco flutuante com música instrumental diária), o estúdio Geração Pedreira (projeto acústico de alta performance e curadoria de instrumentos e tecnologias de referência mundial), o Espaço Paulo Leminski (memorial interativo sobre vida e obra do poeta curitibano), o Mirante da Ópera de Arame ( para registros fotográficos) e a Rua da Música – polo gastronômico que abriga seis cinco restaurantes, além de programação musical com artistas locais. Sob gestão da DC Set Group desde 2012, o parque recebe anualmente cerca de 2 milhões de pessoas.

Patrocinadores e Apoiadores: O Parque Jaime Lerner conta com patrocínio de Electrolux e Heineken e apoio da Red Bull, enquanto o Vale da Música é apresentado pelo Ministério da Cultura e Bradesco com apoio de Sem Parar, marcas que também assinam a Rua da Música.

Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h (sujeito a alterações em dias de grandes eventos). Rua da Música, consulte os horários diferenciados.

Instagram: @parquejaimelerner, @ruadamusicaoficial @operadearameoficial e @pedreirapauloleminski.

Site: https://parquejaimelerner.com.br/

Endereço: Rua João Gava, 970 – Abranches, Curitiba – PR.

(Com Maria Coelho/V3 Comunicação)

Simões de Assis apresenta exposição sobre pioneirismo abstrato de Cícero Dias

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Sem título, Década de 50 – 1950’s, Cícero Dias. Foto: Ana Pigosso.

No dia 2 de junho, a Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Cícero Dias – Pioneiro da Arte Abstrata no Brasil”, com texto crítico do curador e historiador Gerardo Mosquera. Em cartaz até 18 de julho, a mostra apresenta um conjunto de obras que evidencia o papel singular do artista como precursor de uma linguagem abstrata desenvolvida antes da consolidação do concretismo no país.

A exposição reúne trabalhos produzidos entre as décadas de 1940 e início dos anos 1960, período em que Dias transita da figuração para a abstração. Nas telas dos anos 1940, formas orgânicas começam a dissolver a imagem figurativa; na década seguinte, surgem composições geométricas mais estruturadas. Ao longo desse percurso, sua produção revela-se em constante transformação, articulando elementos líricos e construtivos entre o rigor formal e a memória sensorial de Pernambuco.

Além da mostra

Um dos aspectos centrais da mostra é a coexistência, em uma mesma obra, entre abstração lírica e geometria. Nas pinturas da década de 1940, referências à abstração europeia dialogam com elementos cromáticos e formas que evocam a paisagem pernambucana. Já nas obras dos anos 1950 — núcleo da exposição — as composições exploram movimentos em espiral e diagonal, tensionando a geometria no espaço pictórico.

Essa produção desafia leituras estritamente formais. As obras de Dias são atravessadas por cor, luz e movimento, refletindo uma relação profunda com suas origens culturais. Como pontua Gerardo Mosquera, trata-se de uma obra que convoca “mais um olho-corpo do que um olho-máquina racionalista”.

Constant, 1962, Cícero Dias. Foto: Ana Pigosso.

A exposição também destaca a trajetória independente do artista no contexto latino-americano. Ainda no início dos anos 1940, Dias já desenvolvia experiências abstratas — um movimento que, no Brasil, só se consolidou na década seguinte com o concretismo e o neoconcretismo — antecipando tendências que marcaram gerações posteriores.

Radicado na Europa a partir do final dos anos 1930, o artista integrou o Groupe Espace e a Galeria Denise René, epicentro da arte construtiva na França, mantendo diálogo com relevantes núcleos artísticos internacionais. Ao longo de sua trajetória, manteve um contato contínuo com o Brasil, para onde viajou com frequência e onde realizou obras de grande escala.

Sobre Gerardo Mosquera

Curador, crítico, historiador de arte e escritor independente, vive e trabalha em Havana e Madri. Assessor de várias instituições e revistas internacionais. Publicou livros e ensaios em diversos países e idiomas; sendo o mais recente Beyond the Fantastic. Crítica de Arte Contemporáneo en América Latina, Universidad de Granada, 2023. Foi cofundador da Bienal de Havana, curador do New Museum of Contemporary Art, em Nova York, e Diretor Artístico da PhotoEspaña, em Madri. Realizou a curadoria de inúmeras bienais e exposições internacionais ao redor do mundo. Entre as mais recentes: Desbocadas. Retrospectiva de Yeguas del Apocalipsis, 2026, Museo de Bellas Artes, Santiago de Chile; Hot Spot. Caring for a Burning World, 2022, Galleria Nazionale d’Arte Moderna e Contemporanea, Roma; e a Guangzhou Image Triennial 2021. Recebeu o prêmio de melhor curadoria na Bienal de Cuenca 2025 e a Bolsa Guggenheim, Nova York, em 1995, entre outras distinções.

Sobre o artista 

Cicero Dias. Foto: Serge Vandercam.

Cícero Dias (1907–2003) foi um dos principais nomes da arte moderna brasileira. Nascido em Pernambuco, construiu uma trajetória entre o Brasil e a Europa ao longo do século XX. Revelado no final da década de 1920, destacou-se no cenário modernista e, a partir de 1937, estabeleceu-se em Paris, onde se aproximou de artistas como Pablo Picasso e do poeta Paul Éluard.

Sua obra transita da figuração ao abstracionismo, marcada por cores intensas e uma linguagem vibrante, sendo pioneiro na arte abstrata na América Latina. Com trabalhos em importantes coleções internacionais, Cícero Dias permanece como um elo entre a sensibilidade brasileira e as vanguardas europeias.

Cícero Dias possui trabalhos em importantes coleções como The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York; Colección Patricia Phelps de Cisneros, Nova York; Museum of Fine Arts, Houston; Centre Georges Pompidou, Paris; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid; Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro; e Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; entre outras.

Sobre a Simões de Assis

Com mais de 40 anos de história, a Simões de Assis é uma das principais galerias da América Latina dedicadas à arte moderna e contemporânea. Inaugurada em Curitiba, Brasil, em 1984, é conduzida por duas gerações da família fundadora, operando em três sedes — São Paulo, Curitiba e Balneário Camboriú.

A galeria representa um grupo curado de 37 artistas e espólios, com foco especial na arte brasileira, mas também na arte latino-americana em diálogo com perspectivas globais. A Simões de Assis é profundamente comprometida com a internacionalização de seu programa, estabelecendo parcerias com importantes galerias, museus e curadores ao redor do mundo. Em estreita colaboração com colecionadores e instituições, busca posicionar seus artistas em importantes coleções públicas e privadas, por meio da participação regular nas feiras de arte mais relevantes – o que reflete sua visão estratégica e sua crescente atuação internacional.

Como pioneira na promoção de diálogos transgeracionais, a Simões de Assis trabalha com artistas consagrados e emergentes, construindo um programa que combina elementos históricos e uma visão voltada para o futuro. Como um projeto multigeracional, é uma plataforma de amplo alcance para intercâmbios culturais, moldando o legado da arte brasileira e latino-americana dentro de um sistema artístico globalizado e interconectado.

www.simoesdeassis.com | @simoesdeassis_fb.com/simoesdeassisgaleria

SERVIÇO:

Cícero Dias – Pioneiro da Arte Abstrata no Brasil

Entrada gratuita

Abertura: 2 de junho, terça-feira, das 18h às 21h

Período de visitação: 2 de junho a 18 de julho de 2026

Local: Galeria Simões de Assis | Alameda Lorena, nº 2050 – Jardins, São Paulo/SP

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h.

(Com Patricia Marrese/Marrese Assessoria)

Tradição centenária vira experiência gastronômica e mobiliza comunidades no litoral de Santa Catarina

Bombinhas, SC, por Kleber Patricio

Estabelecimentos gastronômicos apresentam releituras e criações exclusivas a partir da tainha. Foto: Luciano Dias/Divulgação.

Enquanto o Brasil discute sustentabilidade, preservação cultural e o impacto das atividades econômicas no meio ambiente, uma tradição centenária segue viva no litoral de Santa Catarina, mobilizando comunidades inteiras, movimentando a economia local e ganhando novos significados por meio da gastronomia.

A pesca artesanal da tainha em Bombinhas, reconhecida como patrimônio cultural catarinense desde 2019, é uma prática que atravessa gerações. Herdada dos povos indígenas e aprimorada pelos açorianos a partir do século 18, ela continua sendo transmitida de pai para filho e preserva um modo de vida que resiste ao tempo e às transformações do mercado.

Foto: Luciano Dias.

Mais do que uma atividade econômica, trata-se de um fenômeno social. Em um único lanço de pesca, dezenas de pessoas se organizam em funções específicas (vigias, remadores, redeiros e camaradas) em uma operação coletiva que pode reunir até 80 participantes na praia, em um verdadeiro ritual comunitário.

É justamente esse contexto que inspira a Rota Gastronômica da Tainha, iniciativa que conecta tradição, turismo e gastronomia ao transformar a cultura local em experiência para visitantes. Realizada em Bombinhas (SC), cidade que reúne 17 ranchos de pesca ativos, a rota convida o público a conhecer não apenas os pratos, mas toda a história por trás deles.

O evento mobiliza 13 estabelecimentos que têm como meta apresentar pratos diferenciados com o pescado tão famoso por estes lados. São locais que passaram pela Metodologia Cocriando Sabor e Saber, promovida pelo Sebrae/SC, que forma os empreendedores visando a sustentabilidade dos negócios posteriormente ao evento.

“São oficinas de atendimento, higiene, precificação e o suporte técnico de um chef-consultor que ajuda no desenvolvimento dos pratos criados exclusivamente para o festival gastronômico. É o fortalecimento da atividade de Alimentos e Bebidas em favor também do turismo regional como geração de emprego e renda”, relata a gestora do projeto de Alimentos e Bebidas do Sebrae/SC, Luciane Scheuermann. A Rota Gastronômica da Tainha é uma realização da Prefeitura de Bombinhas com o apoio do Sebrae/SC.

Entre o mar e o prato: cultura, economia e identidade

Foto: Luciano Dias.

A tainha é um peixe sazonal e símbolo do litoral Sul do Brasil, com ocorrência que vai da Argentina ao Rio de Janeiro. Seu ciclo migratório complexo e dependente de fatores ambientais, como temperatura, ventos e salinidade, reforça a conexão entre natureza e cultura na atividade pesqueira. Os cardumes migratórios saem da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, em direção ao norte do país fugindo das frentes frias, buscando assim, águas mais quentes para a desova.

Ao mesmo tempo, a pesca artesanal convive com desafios contemporâneos. A disputa com a pesca industrial, que opera com maior escala e tecnologia, e as discussões sobre cotas de captura colocam em evidência a necessidade de equilíbrio entre preservação ambiental e manutenção de tradições culturais.

Nesse cenário, iniciativas como a Rota Gastronômica da Tainha surgem como uma forma de valorizar o conhecimento tradicional, gerar renda para comunidades locais e promover um turismo mais consciente baseado em experiências autênticas e na valorização da identidade regional.

Uma tradição que vai além da pesca

Pesca artesanal da tainha em Bombinhas é reconhecida como patrimônio cultural catarinense desde 2019. Foto: Ricardo Ruas/Divulgação

A pesca da tainha envolve muito mais do que capturar o peixe. Ela reúne saberes que passam pela construção de embarcações, produção e manutenção de redes, culinária típica, observação das condições climáticas e, principalmente, a oralidade que nada mais é do que as histórias e conhecimentos compartilhados entre gerações.

Preservar essa tradição é, portanto, preservar um patrimônio imaterial brasileiro. Ao transformar esse contexto em uma experiência gastronômica estruturada, a Rota Gastronômica da Tainha não apenas atrai visitantes, mas ajuda a manter viva uma cultura que segue sendo escrita todos os dias, entre o mar, a areia e a mesa.

Conheça os estabelecimentos participantes:

Canto do Macuco

Dom Pedro Bar & Bistrô

Ilha do Sol Restaurante e Eventos

Mar Criado, Cultura e Sabor

Nico’s Restaurante

Quiosque Sol & Mar

Restaurante Camarão da Praia

Restaurante e Petiscaria Villa do Sabor

Restaurante e Pizzaria Vô Lauro

Restaurante Olímpio

Rubia Melo Ateliê de Sabores

Tomatino Cantina Italiana

Vila Rooftop Restaurante Bistrô & Lounge.

SERVIÇO:

O quê: Rota Gastronômica da Tainha

Onde: nos 13 estabelecimentos participantes, em Bombinhas (SC)

Quando: de 27/5 a 2/8

Pratos: de R$ 55 a R$ 180 (para duas pessoas)

Informações: www.instagram.com/rotagastronomicadatainha.

(Com Jo Laps/Oficina das Palavras)

“Gente de Classe”, do Grupo Carmin (RN) estreia no Sesc Avenida Paulista com sátira sobre a classe média em colapso

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Montagem aposta no humor ácido para confrontar gênero, classe e fé em um país à beira de novas rupturas. Foto: Marcia Novaes.

Em 2040, o condomínio de luxo Nova Canaã já não é apenas o endereço de uma família de classe média: tornou-se a metáfora de um país murado; conforto, discurso e medo convivem sob vigilância privada. É nesse território aparentemente protegido que “Gente de Classe”, do Grupo Carmin, com direção de Quitéria Kelly, uma das fundadoras do grupo, criado em Natal há mais de vinte anos, projeta um Brasil que parece futuro, mas fala diretamente do presente. O espetáculo estreia no Sesc Avenida Paulista, dia 29 de maio e fica em temporada até 28 de junho, de quinta a domingo, com algumas sessões às quartas (ver serviço completo no final).

Inspirada nas leituras do sociólogo potiguar Jessé Souza, a dramaturgia constrói um recorte específico da classe média — urbana, escolarizada, moralmente ansiosa — que pode ser reconhecida em diferentes regiões do país. “Não é de uma ‘ficção científica’ clássica, que tenta antecipar o futuro, mas uma crítica do presente a partir da projeção desse futuro possível”, afirma Quitéria Kelly, diretora do espetáculo.

No centro da narrativa está uma mãe solo que cria dois filhos dentro do condomínio blindado “Nova Canaã”. Ela encarna a contradição entre autonomia e sobrecarga, discurso progressista e prática conservadora. Ao seu redor, personagens majoritariamente femininas ampliam o debate: Maria, a inteligência artificial doméstica, e uma ativista do movimento revolucionário disputam o espaço privado e o espaço público. “O protagonismo feminino é uma larga tradição na modernidade. Por que não imaginar que a próxima revolução deste século XXI comece e seja liderada por mulheres?”, provoca a diretora.

Foto: Marcia Novaes.

A encenação tem uma estética assumidamente artificial, limpa e controlada, que reflete um mundo em que as relações humanas passaram a funcionar como um jogo permanente de performance. O cenário, composto por elementos minimalistas e modulares, deixam uma atmosfera “clean”, asséptica e impessoal: tudo parece organizado demais, calculado demais, “como um feed de rede social cuidadosamente editado”, nas palavras da diretora.

Para a diretora, a ideia do condomínio e da casa funcionam como metáfora de uma sociedade obcecada por sucesso, perfeição, status, engajamento e pertencimento: um espaço aparentemente perfeito, mas frágil. “Existe sempre uma sensação de vazio e instabilidade”, diz.

A encenação se distancia da realidade analógica, com o uso de projeções mapeadas. Esse recurso amplia a sensação de gamificação das relações pessoais, em que tudo é mediado por números, likes, rankings, barras de progresso, desafios e recompensas.

Foto: Ligia Jardim.

A escolha do nome “Nova Canaã” também é deliberada. “No Brasil de hoje, é muito forte a manipulação política do discurso evangélico e é justamente a partir da religião que a ideologia dominante opera no imaginário”, destaca a diretora. Para ela, fé, consumo e conservadorismo se entrelaçam na manutenção de privilégios.

Com influência de beats eletrônicos, trap music e da pesquisa musical de Ian Medeiros, a trilha sonora ajuda na construção estética e crítica da obra, ao conduzir a dramaturgia com pulsações, ironias e ritmos. “Em muitos momentos, ela funciona como um mecanismo de distanciamento: interrompe a tensão dramática para permitir que o humor apareça e que a crítica social possa emergir de forma mais aguda. Essa operação cria um contraste importante entre o absurdo das situações e a leveza aparente com que elas são apresentadas, característica marcante da linguagem do Grupo Carmin”, diz.

A direção de movimento acompanha essa lógica de artificialidade e controle: os corpos reproduzem gestos automatizados, poses de felicidade, dinâmicas coreografadas de convivência e comportamento performático.

Foto: Ligia Jardim.

Criada antes da pandemia, a peça foi retomada em 2024, quando o grupo percebeu que as tensões que a motivaram permaneciam ativas. “A surpresa é que, a despeito de estarmos com um governo mais democrático, os temas e as questões levantadas continuavam vivos na sociedade brasileira”, afirma Quitéria Kelly. O conteúdo político, aqui, é assumidamente mais explícito.

Grupo Carmin

Criado em 2007, em Natal (RN) pelas atrizes Quitéria Kelly e Titina Medeiros, o Grupo Carmin, pesquisa temas urbanos, memória e história e os retrata de forma cômica em dramaturgias originais. No seu repertório, peças consagradas como “Jacy” (2013) – um dos 10 melhores espetáculos do ano de 2015, segundo O Estadão; “A Invenção do Nordeste” (2017) – Melhor Dramaturgia (Prêmio Shell 2019), Melhor Espetáculo (Cesgranrio 2019), Melhor Autor e Melhor Ator Coadjuvante (APTR 2019), Melhor Peça, Direção e Texto (Prêmio do Humor 2019).

Além dessas duas peças, o Grupo Carmin tem em sua trajetória as peças “Pobres de Marré” (2007) – que marca o nascimento do Grupo e “Por Que Paris?” (2015), ambas não figuram mais em repertório. Ao longo de quase 20 anos, o grupo Carmin soma mais de 500 apresentações para mais de 30.000 pessoas em 23 estados brasileiros, Portugal e França. Circulou pelo SESC Palco Giratório (2016 e 2023), BR Distribuidora de Cultura e festivais como Mirada (SP), Cena Contemporânea (DF), Flip (RJ), Festival d’Aurillac (França), MICBR (SP), Fringe (PR), FIT BH (MG), FIT Rio Preto (SP), FIAC Bahia (BA). Fez temporadas importantes no Teatro Carlos Gomes (RJ), SESC Pinheiros (SP), SESC Belenzinho (SP); SESC Copacabana (RJ) e Teatro Sesi-Firjan (RJ). Em 2025 estreou sua nova peça intitulada “Gente de Classe”.

Sinopse

Em 2040, um condomínio de luxo deixou de ser apenas o lar de uma família de classe média, para se tornar um retrato das tensões sociais e contemporâneas. Em uma rotina aparentemente comum, uma mãe solo e seus dois filhos vivem cercados pelo conforto e desejo de empreendedorismo; mesmo em um mundo abalado por revoltas sociais e desigualdades crescentes.

Protegido por uma empresa de segurança privada, o condomínio Nova Canaã parece imune ao caos do lado de fora, até que o muro que separa esses dois mundos começa a ruir. Um movimento organizado, liderado por mulheres, propõe uma mudança nessa divisão social.

Ficha Técnica

Direção: Quitéria Kelly

Dramaturgia: Henrique Fontes, Pablo Capistrano e Quitéria Kelly

Elenco: Rafa Guedes, Thuyza Fagundes e Carol Cantídio / Quitéria Kelly

Direção de Movimento: Ana Cláudia Viana

Trilha Sonora: Ian Medeiros

Design de Luz: David Costa

Videomaker: Taline Freitas e Mylena Sousa

Animação: Juliano Barreto

Cenografia: Manar Zind

Figurino: Virginia Borges

Produção: Grupo Carmin e Corpo Rastreado

Assistência de Produção: Rafa Guedes e Lanuk Nagibson

Assistente de Palco: Venâncio Cruz

Comunicação Visual: Gabi Mati e (Estúdio Rima)

Sonoplasta: Ian Medeiros

Projeção Mapeada: Gabi Mati

Costureiras: Valquíria Rosa e Célia Lucena.

SERVIÇO:

Teatro | Gente de Classe | Com Grupo Carmin

Sesc Avenida Paulista – Av. Paulista, 119 – Bela Vista, São Paulo Fone: (11) 3170-0800

Data: de 29 de maio a 28 de junho de 2026. Quinta a sábado, às 20h. Domingo e feriado, às 18h. Dias 10, 17 e 24/6 (quartas), às 15h. *Não haverá sessões nos dias 13/06 (sáb) e 19/06 (sex)

Acessibilidade: 10, 17 e 24/06 às 15h sessões com audiodescrição. 18, 20 às 20h e 21/06 às 18h sessões com tradução e interpretação em libras.

Local: Arte II (13º andar)

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 16 anos

Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (Meia) e R$ 18 (Credencial plena:). Venda de ingressos online a partir de 19/5, às 17h, e nas bilheterias das unidades a partir de 20/5, às 17h.

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(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)