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De Paris a Mônaco: Venice Simplon-Orient-Express apresenta Monte Carlo como novo destino para 2027

Paris, França, por Kleber Patricio

No dia 10 de maio de 2027, o lendário trem partirá de Paris e percorrerá a deslumbrante ferrovia costeira da Côte d’Azur, com parada pela primeira vez em Monte Carlo, o coração pulsante de Mônaco; viagem passará a integrar o calendário anual do trem. Fotos: Divulgação/Belmond.

Ícone dos trilhos, o Venice Simplon-Orient-Express, A Belmond Train, Europe, prepara-se para revelar um itinerário inédito para a temporada 2027. No dia 10 de maio de 2027, o lendário trem partirá de Paris e percorrerá a deslumbrante ferrovia costeira da Côte d’Azur, com parada pela primeira vez em Monte Carlo, o coração pulsante de Mônaco. A viagem passará a integrar o calendário anual do trem.

Ampliando ainda mais suas rotas europeias, o Venice Simplon-Orient-Express passa a incluir Monte Carlo como parada em sua jornada rumo a Veneza. Sinônimo de espetáculo e sofisticação, Mônaco abriga marcos mundialmente conhecidos, como o Casino de Monte-Carlo e o célebre Grande Prêmio de Fórmula 1.

Da Cidade Luz à Côte D’azur

A experiência começa na plataforma em Paris, onde os hóspedes embarcam nos icônicos vagões azul-meia-noite do trem e se acomodam em cabines moldadas por quase um século de histórias. É possível escolher entre as elegantes Cabines Históricas, as Suítes e as Grand Suítes, cada uma com sua própria interpretação da célebre herança Art Déco do trem.

Para quem busca a máxima expressão de privacidade, o L’Observatoire é um vagão inteiramente exclusivo a bordo do Venice Simplon-Orient-Express, concebido em parceria com o aclamado artista JR. Com quarto e banheiro privativo com banheira independente, uma ampla sala de estar, biblioteca e uma sala de chá secreta, o vagão sem igual é um refúgio íntimo sobre os trilhos, convidando os hóspedes a relaxar enquanto as paisagens da Riviera Francesa se desenrolam pela janela.

Ao anoitecer, os hóspedes são recebidos para o jantar em um dos dois vagões-restaurante do trem, o Étoile du Nord ou o L’Oriental, cada um com seu caráter Art Déco próprio e um charme atemporal. Mais tarde, o clima muda no famoso Bar Car ‘3674’, onde coquetéis, música ao vivo ao piano e boas conversas se estendem noite adentro.

Pela manhã, os comissários uniformizados servem nas cabines um café da manhã com pães e doces frescos, sucos naturais, chás e café, enquanto o trem percorre a reluzente ferrovia costeira da Côte d’Azur. O trajeto margeia os impressionantes penhascos avermelhados do Massif de l’Estérel antes de seguir por Saint-Raphaël em direção a Cannes e Nice, com vistas panorâmicas da Riviera Francesa. À medida que Mônaco se aproxima, a ferrovia adentra a montanha, até que o trem chega à estação Monaco-Monte-Carlo, escondida nas profundezas da rocha.

A Era de Ouro dos trens encontra o glamour de Monte Carlo

Com profundas raízes na história ferroviária, o novo itinerário une dois símbolos do glamour europeu e escreve um novo capítulo na trajetória de uma das lendas mais duradouras do universo das viagens. Pascal Deyrolle, Area Managing Director de Trens da Europa Continental, comenta:

“Mônaco sempre ocupou um lugar especial na história das viagens europeias, atraindo gerações à Côte d’Azur por seu estilo singular, sua cultura e seu senso de ocasião. Incluir o destino é uma continuação natural para o Venice Simplon-Orient-Express, levando o romantismo das viagens de trem de luxo a um lugar que sempre dominou a arte de chegar. E há algo de muito especial em voltar a Monte Carlo, considerando o papel que a cidade teve na história do trem. Foi aqui, em 1977, que dois vagões originais foram arrematados em leilão, dando início à jornada que se tornaria o Venice Simplon-Orient-Express que conhecemos hoje.”

Somando-se ao segundo ano da série Villeggiatura by Train, que conecta o Venice Simplon-Orient-Express a hotéis Belmond em algumas das cidades mais lendárias da Itália, o inédito itinerário de Paris a Mônaco estende essa visão à Riviera Francesa. Juntos, esses roteiros traduzem a filosofia Slow Luxury, levando viagens de trem históricas a alguns dos destinos mais amados da Europa.

Os preços da rota Paris–Monte Carlo (Mônaco) a bordo do Venice Simplon-Orient-Express começam em € 4.870 por pessoa, com base em ocupação dupla em Cabine Histórica. Todos os itinerários incluem uma noite a bordo do Venice Simplon-Orient-Express (serviço de comissário 24 horas; todas as refeições com vinhos selecionados pelo sommelier e refrigerantes à vontade) e traslados.

Para mais informações ou reservas no Venice Simplon-Orient-Express, clique aqui.

(Fonte: Imprensa Belmond)

Biblioteca, diversidade e pertencimento: Cia. Luarnoar reúne teatro, histórias e música em programação gratuita em outubro

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cena do espetáculo “InCômodos”. Foto: Eliane Weinfurter.

O que pode uma biblioteca quando se transforma em espaço de encontro, escuta e acolhimento? Essa é uma das questões que atravessam a programação de outubro da Cia. Luarnoar, que promove uma série de atividades gratuitas na Biblioteca Municipal Raul Bopp e no Parque da Aclimação, em outubro. Ao longo do mês, teatro, contação de histórias, literatura, música e rodas de conversa colocam em pauta temas como diversidade, pertencimento, respeito às diferenças, igualdade de gênero, cultura iorubá e representatividade de comunidades migrantes.

A programação começa em 5 de outubro, com o Clube de Leitura – Delícias da Literatura, que propõe uma experiência diferente dos tradicionais encontros literários. De olhos vendados, os participantes escutam contos acompanhados por uma paisagem sonora que remete às antigas radionovelas. A experiência busca ampliar a percepção e apresentar diferentes formas de pensar o acolhimento.

Cia. Luarnoar. Foto: Divulgação.

Para o público infantil e familiar, a Cia. Luarnoar apresenta, em 17 de outubro, no Parque da Aclimação, Luarnoar Conta Rubem Alves, reunindo os contos A Porquinha do Rabo Esticadinho e Como Nasceu a Alegria. As histórias partem de personagens que enfrentam situações de diferença e inadequação para abordar, de maneira lúdica, temas como respeito, liberdade, amor e transformação. Música e efeitos sonoros ajudam a recriar o universo das radionovelas.

Outro destaque da agenda é O Pescador Teimoso, da Cia. Arte Raiz, no dia 20 de outubro. Inspirado na obra de Mãe Beata de Yemonjá, o espetáculo recupera a tradição da oralidade e elementos da cultura iorubá para contar a história de um pescador que precisa rever sua relação com o mar e com a pesca. A apresentação será realizada em português e Libras, ampliando o acesso do público à experiência artística.

As questões relacionadas ao feminino chegam à programação no dia 23 de outubro, com (In)Cômodos, da Cia. Luarnoar. A montagem reúne histórias e poemas escritos por mulheres para discutir, entre outros temas, violência, desigualdade de gênero, afetos e os desafios de ser mulher na sociedade contemporânea. Depois do espetáculo, o público é convidado a participar de uma roda de conversa com as artistas, criando um espaço para compartilhar experiências e saberes.

O Pescador Teimoso. Foto: Sabrina Caires.

No dia seguinte, 24 de outubro, acontece a Roda de Conversa A Biblioteca Pública Abraçando Todos os Públicos, parte do projeto Acolher com Histórias, que reúne profissionais e pesquisadores para discutir os desafios e as possibilidades de fazer da biblioteca um espaço que acolha diferentes públicos. Participam Marcus Rei de Lima Alves, Simone Rego, Sidneia Chagas e Charlene Lemos.

Fechando o mês, o Grupo Libertat leva ao Parque da Aclimação, em 31 de outubro, o espetáculo Música Andina e Latina Viva. Formado por migrantes, indígenas e brasileiros residentes em São Paulo, o coletivo articula música folclórica e elementos sinfônicos em um repertório que passa por Bolívia, Equador, Peru, Venezuela, Paraguai, Chile, Argentina e Colômbia. A apresentação coloca em cena memórias, identidades e narrativas de comunidades que também constroem sua presença cultural na cidade.

Com a programação, a Cia. Luarnoar reforça a ocupação de bibliotecas e espaços públicos como territórios de convivência, troca e acesso à cultura, aproximando diferentes linguagens artísticas de públicos diversos.

Programação:

17 de outubro, às 11h

Luarnoar Conta Rubem Alves – A Porquinha do Rabo Esticadinho e Como Nasceu a Alegria

Parque da Aclimação – anexo da biblioteca

20 de outubro, às 10h

O Pescador Teimoso – Cia. Arte Raiz

Biblioteca Municipal Raul Bopp

Apresentação em português e Libras

23 de outubro, às 14h

(In)Cômodos – Cia. Luarnoar

Biblioteca Municipal Raul Bopp

24 de outubro, das 10h30 às 12h30

Roda de Conversa – A Biblioteca Pública Abraçando Todos os Públicos

Biblioteca Municipal Raul Bopp

31 de outubro, às 12h30

Música Andina e Latina Viva – Grupo Libertat

Parque da Aclimação – Coreto.

SERVIÇO:

Projeto Acolher com Histórias – A Biblioteca Pública abraçando todos os públicos

Local: Biblioteca Municipal Raul Bopp (Rua Muniz de Souza, 1155, Aclimação, São Paulo/SP)

Entrada: gratuita

Realização: Cia. Luarnoar.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Cia. Kà de Teatro apresenta curta temporada do premiado espetáculo “Doce²” em São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cena do espetáculo “Doce²”. Créditos: Annelise Tozetto.

Após temporadas de sucesso no Paraná e no Rio de Janeiro, o espetáculo de dança-teatro “Doce²” chega ao palco do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, na República, no Centro de São Paulo, para três únicas apresentações. O público pode conferir o trabalho da companhia paranaense nos dias 30 e 31 de outubro, sexta-feira e sábado, às 19h30, e no dia 1º de novembro, domingo, às 18h. Os ingressos já estão disponíveis na plataforma Sympla a preços populares de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Após as apresentações, a plateia será convidada a participar de um bate-papo com a Cia Kà de Teatro. A classificação indicativa é de 16 anos.

Kelvin Millarch assina a direção, e o coreógrafo Caio Frankiu interpreta as múltiplas camadas da psique humana em uma montagem potente e uma proposta intensa que combina dança, teatro e performance. “Doce²” se debruça sobre o descontrole emocional, estados de colapso e desejo por alívio. No palco, Caio Frankiu dá vida a personagens etéreos – A Escuridão, A Primavera, A Euforia e A Tempestade – além de um psicólogo que se conecta com sua infância e à figura de Logun-Edé. Máscaras confeccionadas pelo próprio ator ajudam a construir esses universos, que se entrelaçam com cartas reais recebidas por um “amigo secreto”, elemento central na dramaturgia. “As cartas criam atmosferas, as quais são base de pesquisa corporal para o desenvolvimento das cenas”, explica o diretor Kelvin Millarch. “Nossa proposta é provocar reflexões sobre a fragilidade humana frente às próprias emoções e à pressão do mundo exterior, sem recorrer a narrativas lineares, mas sim a um fluxo poético de imagens e movimentos”, pontua o dramaturgo.

A montagem nasceu a partir do curta “DOCE (desilusão)”, criado por Caio e Kelvin em 2020 e, desde então, se expandiu para uma obra cênica mais profunda e sensorial. Um dos objetivos do espetáculo é atravessar a instabilidade psíquica sem seguir uma narrativa tradicional, mas por meio de imagens, movimentos e atmosferas. No espetáculo, o corpo do ator não é apenas um veículo de movimento, mas um gerador de imagens perturbadoras e revelações psicológicas. “Com a ausência da palavra, o espectador precisa decifrar a angústia, o pânico e o desejo de desaparecer apenas pela sinergia entre o movimento do ator, as máscaras e a manipulação de objetos cênicos”, ressalta Caio Frankiu.

Além da encenação do espetáculo, a Cia. KÀ de Teatro também promove a oficina “Corpos em Vendas”, no dia 31 de outubro, sábado, das 13h às 16h. Dividida em três momentos que abrangem a preparação e consciência, com exercícios focados no aquecimento sensorial; investigação e estados de tensão, estimulando reações a partir de texturas sonoras e improvisações guiadas; e a criação coletiva com improvisações sequenciais fixas. Ministrada pelo ator, diretor, coreógrafo e cenógrafo Caio Frankiu, a atividade formativa é aberta a artistas, estudantes e interessados nas artes cênicas, a partir de 14 anos. Serão oferecidas 40 vagas gratuitas mediante inscrição por meio deste formulário aqui.

“Doce²” recebeu os prêmios Melhor Espetáculo, Melhor Caracterização e Melhor Técnica (Sonoplastia, Iluminação e Cenário) no Festival de Teatro de Pinhais (PR); além de uma homenagem especial no Festival de Pontal (PR), em reconhecimento à sua contribuição artística. A montagem também abriu, oficialmente, o Festival de Teatro de Paranaguá, no mesmo estado.

As apresentações de “Doce²” contam com legenda descritiva e alerta de fotossensibilidade, já que o espetáculo contém efeitos de luz que podem causar desconforto em pessoas sensíveis à exposição a flashes intensos ou luzes estroboscópicas.

A temporada da montagem de teatro-dança “Doce²” e a oficina “Corpos em Vendas” em São Paulo contam com o patrocínio da Fundação de Asseio e Conservação do Estado do Paraná (Facop), Lumen Audiovisual, Orixá Bazar Pingo de Ouro e Cataia Bar; e o apoio do Programa Funarte Aberta 2026, da Fundação Nacional de Artes e da Genialgraph – Impressões em Pequenos e Grandes Formatos e Comunicação Visual.

Sobre a Cia. KÀ de Teatro

Fundada em 2019 na capital paranaense, a Cia. KÀ de Teatro tem-se consolidado como uma força criativa que mescla teatro, dança e performance em criações autorais, reafirmando seu compromisso com a arte como ferramenta de transformação. O termo “KÀ” origina-se na antiga concepção egípcia de uma força vital única, um princípio que não se traduz plenamente em palavras, mas que se aproxima da ideia de alma ou começo. A cada espetáculo, oficina e projeto, o grupo busca honrar esse significado, trazendo ao público algo que nasce do interior para ecoar no coletivo. Kà é potência, transformação e arte.

Acompanhe a Cia. KÀ de Teatro:

Site: ciakadeteatro.com.br

Instagram:  @ciakadeteatro

Facebook: ciakadeteatro

YouTube:  @ciakadeteatro.

Ficha técnica

Direção e operação de som: Kelvin Millarch| Performance: Caio Frankiu | Iluminação: Ike Rocha e Beatriz Marçal | Produção local: Mila Leão e Carol Scabora | Produção executiva: Thayna Bressan e Cia. KÀ de Teatro | Produção: Millarch Produções | Patrocínio: Lumen Audiovisual, Orixá Bazar Pingo de Ouro, Cataia Bar e Fundação de Asseio e Conservação do Estado do Paraná (Facop) | Assessoria de imprensa: Orbe Comunicação | Apoio: Programa Funarte Aberta 2026, e Genialgraph – Impressões em Pequenos e Grandes Formatos e Comunicação Visual.

SERVIÇO:

Espetáculo de dança-teatro “Doce²”, da Cia. KÀ de Teatro

Temporada: 30 de outubro a 1º de novembro de 2026

Horários: 19h30 (sexta-feira e sábado) e 18h (domingo)

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)

Compre online: https://www.sympla.com.br/evento/doce-2/3505108

Bilheteria: abertura com até 1h de antecedência do início do espetáculo

Classificação indicativa: 16 anos

Duração: 60 minutos

Oficina “Corpos em Vendas”, com Caio Frankiu

Data: 31 de outubro de 2026 (sábado)

Horário: 13h às 16h

Entrada: gratuita

Inscreva-se: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScGYpfyYy2bDyOKyfDCpHGTl3kIqJcYfRUj0ej7hhjL_P55yQ/viewform

Público-alvo: artistas, estudantes e interessados nas artes cênicas

Vagas: 40

Classificação indicativa: a partir de 14 anos

Mais informações: cia.ka.contato@gmail.com

Local: Teatro de Arena Eugênio Kusnet

Endereço: Rua Dr. Teodoro Baima, nº 94 – República – São Paulo/SP.

(Com Livia Gomes/Orbe Comunicação)

Quando o álcool vira uma forma de viver: romance questiona os limites entre escolha, fuga e dependência

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Foto: Banco de Imagens.

Há escolhas que parecem incompreensíveis para quem olha de fora. Abandonar uma vida estruturada, afastar-se das obrigações, romper com a rotina e escolher permanecer nas ruas pode parecer apenas uma sequência de perdas. Mas o que acontece quando, para quem vive essa experiência, esse caminho passa a fazer sentido? É a partir dessa tensão que “Na Rua”, romance de Maurílio de Sousa Jr., constrói a trajetória de Alcebíades, personagem que rompe com a vida convencional e estabelece uma relação cada vez mais profunda com o álcool e com a vida nas ruas. Em sua segunda edição, a obra volta a provocar uma discussão sobre liberdade, escolha, dependência, identidade e os limites entre abandonar um caminho e já não conseguir retornar a ele.

A própria apresentação da obra a define como algo que vai além de um relato sobre alcoolismo, ao tratar a trajetória de Alcebíades como uma espécie de “filosofia marginal” e uma renúncia consciente à normalidade. A história acompanha o personagem, já há anos vivendo nas ruas, enquanto ele narra sua trajetória a um companheiro de calçada.

Quando permanecer também é uma escolha

Alcebíades não é construído apenas como alguém que perdeu o controle da própria vida. O personagem faz escolhas. E, em determinado momento, escolhe permanecer no caminho que encontrou.

Para Maurílio, o álcool passa a cumprir uma função dentro dessa decisão: permite ao personagem viver de uma determinada maneira e escapar das exigências impostas pela vida convencional. “Ele prefere o caminho da loucura, não um outro caminho. Na vida, a gente pode fazer vários caminhos, e ele escolhe estar sempre louco porque ali tudo se resolve. Você não é obrigado a batalhar para sobreviver porque o álcool resolve tudo”, explica o autor.

A afirmação desloca a discussão do julgamento sobre o comportamento do personagem para uma pergunta mais incômoda: o que uma pessoa está escolhendo quando escolhe permanecer em uma determinada forma de existência?

No universo de Alcebíades, o álcool não aparece apenas como elemento de degradação. Ele também funciona como uma espécie de mecanismo que permite ao personagem sustentar a vida que escolheu. A bebida não elimina os problemas, mas altera a maneira como ele se relaciona com eles.

É justamente essa contradição que interessa ao romance.

A realidade também pode ser difícil de enfrentar

A relação do personagem com a sobriedade acrescenta outra camada à discussão.

Segundo Maurílio, sua experiência com pessoas que passaram por períodos prolongados de consumo de álcool também o levou a observar o que acontece quando a bebida deixa de cumprir a função que ocupava naquele cotidiano. “Quando elas ficam sóbrias, como eu vi, para elas é terrível, porque vem toda a realidade de uma forma brutal”, relata.

No romance, essa percepção ajuda a questionar uma ideia aparentemente simples: a de que bastaria abandonar o álcool para que a pessoa pudesse retornar à vida anterior.

Para Alcebíades, porém, não existe necessariamente uma volta simples ao ponto de partida.

Quanto mais longe, mais difícil voltar

A trajetória do personagem também é marcada pelo acúmulo de rupturas.

Uma escolha leva a outra. A permanência nas ruas modifica sua relação com trabalho, rotina, obrigações e responsabilidades. Aos poucos, o personagem se distancia das regras que organizavam sua vida anterior e constrói outras formas de existência.

É nesse processo que a fronteira entre escolha e aprisionamento começa a ficar menos evidente.

“Chega uma hora em que a pessoa ultrapassou tantas fronteiras que não é mais possível voltar ao mundo como a gente conhece, de obrigações, rotinas, de desafios”, afirma Maurílio.

A questão é central para a trajetória do personagem porque o retorno não depende apenas de querer voltar. Depois de atravessar sucessivas fronteiras, ele já não é a mesma pessoa que deixou aquela vida para trás.

O que a sociedade chama de escolha?

A trajetória de Alcebíades também provoca uma reflexão sobre a maneira como a sociedade interpreta comportamentos que fogem do padrão.

Existe uma tendência de observar alguém que vive nas ruas ou enfrenta uma relação problemática com o álcool a partir de uma posição externa, buscando rapidamente uma explicação ou uma solução. O romance, porém, propõe permanecer mais tempo dentro da experiência do personagem.

O que parece irracional para quem observa pode ter uma lógica para quem vive aquela realidade.

Essa perspectiva não significa transformar as escolhas de Alcebíades em modelo ou negar as consequências de suas decisões. A literatura faz outro movimento: tenta compreender como uma sequência de escolhas pode construir uma realidade própria, até que aquilo que antes parecia uma possibilidade passe a ser a única forma de vida que o personagem reconhece como possível.

É nessa zona de conflito que “Na Rua” encontra sua principal questão: somos livres para escolher nossos caminhos quando as escolhas anteriores já transformaram profundamente as possibilidades que temos diante de nós?

A rua como ruptura, não apenas como cenário

Na narrativa, a rua não funciona apenas como espaço físico. Ela representa uma ruptura com um modelo de vida baseado em trabalho, rotina, obrigações e expectativas sociais.

Alcebíades encontra nesse universo uma espécie de liberdade que não existia na vida anterior, ao mesmo tempo em que essa liberdade cobra um preço.

A contradição atravessa o personagem: quanto mais ele se liberta das regras que organizavam sua existência, mais distante fica das condições necessárias para retornar a elas.

É justamente por isso que o romance evita uma divisão simples entre vítima e culpado, liberdade e prisão, escolha e consequência.

Uma segunda edição para uma discussão que permanece

Capa do livro. Foto: Editora Essencial.

Publicado originalmente em 2022 e agora em segunda edição, “Na Rua” mantém como eixo a trajetória de Alcebíades e sua relação com o álcool, a rua e a própria identidade.

Para Maurílio, a literatura permite abordar essas questões sem reduzi-las a explicações prontas. Em vez de oferecer uma resposta sobre porque alguém escolhe determinado caminho, o romance acompanha o personagem enquanto ele constrói esse caminho e enfrenta as consequências de permanecer nele.

Com formação em Sociologia, o autor utiliza a ficção para observar relações humanas e comportamentos que frequentemente são analisados apenas de fora. A trajetória de Alcebíades, nesse sentido, funciona como uma provocação ao leitor: até onde vai nossa liberdade de escolher uma vida diferente e em que momento nossas próprias escolhas passam a limitar as possibilidades futuras?

Sobre o autor | Maurílio de Sousa Jr. é escritor e mestre em Sociologia. Em Na Rua, constrói a trajetória de Alcebíades, personagem que rompe com a vida convencional e passa a viver nas ruas, estabelecendo uma relação complexa com o álcool, a liberdade e a própria identidade.

SERVIÇO:

Livro Na Rua

Autor: Maurílio de Sousa Jr.

Edição: segunda edição

Editora: Editora Essencial

Formato: livro físico

Onde encontrar: o livro está disponível para compra diretamente no site da Editora Essencial.

Comprar “Na Rua” na Editora Essencial.

(Com Vivian Roberta Borges Batizelli Koqui/Agência 2205wv)

Cia Tu Mateixa estreia espetáculo de marionetes de fio “Das Duas, Uma”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Companhia convida público para conhecer o universo de uma senhora chamada Ermelinda que, a partir de sua cozinha caipira, revisita seu passado como artista circense. Foto: Ricardo Avellar.

No dia 11 de outubro de 2026 (domingo), a Cia Tu Mateixa (@ciatumateixa) iniciou uma temporada de apresentações com uma mostra de processo do espetáculo de marionetes de fio “Das Duas, Uma”. A primeira apresentação acontecerá às 16h, no Complexo Cultural Funarte. Depois, o espetáculo participa do Festival Solos, no dia 15 de outubro, às 20h, no SESC Avenida Paulista, com ingressos a partir de R$ 15,00.

A estreia oficial de “Das Duas, Uma” acontece no dia 24 de outubro, às 11h, no Festival Solos, no Galpão dos Bonecos, na Vila Romana. E no dia 26 de outubro, às 14h, no Centro de Memória do Circo, na Galeria Olido, no Centro.

Com marionetes de fios confeccionadas por Júlia Barnabé e orientação cênica de Rhena de Faria, o espetáculo conta a história de Ermelinda, uma senhora que, na juventude, foi artista circense e dividia o picadeiro com sua irmã gêmea, Ermínia, que hoje já não está entre nós.

Ambientada em uma cozinha caipira, a peça apresenta Ermelinda revisitando lembranças do antigo circo onde as irmãs encantavam o público com números de trapézio, mágica e equilíbrio no arame. Entre a delicadeza das recordações e a força da imaginação, o espetáculo convida o público a percorrer as fronteiras entre memória e presença, celebrando os vínculos que persistem mesmo diante da ausência.

Nos últimos anos, a Cia Tu Mateixa tem direcionado parte de sua pesquisa ao público da terceira idade, investigando, por meio do Teatro de Bonecos, as conexões entre as duas extremidades da vida: a infância e a velhice. A dramaturgia de “Das Duas, Uma” nasceu de uma coleção de relatos de pessoas idosas de Núcleos de Convivência do Idoso sobre suas memórias de circo.

Inspiradas nas artistas circenses que hoje são mulheres idosas, Ermelinda e Ermínia homenageiam aquelas que conquistaram espaços de autonomia e reconhecimento, deixando como legado às gerações seguintes a possibilidade de ocupar o picadeiro com a liberdade que elas mesmas ajudaram a conquistar.

A trilha sonora original foi composta por Danielle Siqueira e Danilo Rodrigues, e transita por gêneros como o chorinho, a moda de viola e o baião. Em cena, Ermelinda escuta um antigo rádio, e são as canções que a conduzem em suas viagens pela memória. A trilha inclui ainda a canção “Memória de Coisa Boa”, de Lula Fidalgo, que dialoga com seus temas centrais: a memória, a passagem do tempo e os laços que permanecem vivos.

Sobre a Cia Tu Mateixa

Fundada em 2014 pela marionetista, atriz e palhaça Júlia Barnabé, a Cia Tu Mateixa tem uma trajetória marcada pelo encontro entre marionetes, teatro físico, circo e humor. Com cenografia e bonecos confeccionados artesanalmente pela própria artista, que também assina a dramaturgia das criações, a cia já levou seus espetáculos a mais de 40 festivais no Brasil e no exterior, passando por países da América Latina, Europa, Ásia e África. A Cia. acumula reconhecimentos como o prêmio de “The Best Charming Show”, recebido por “Laia e o Voo da Imaginação” no Petruska World Puppet Festival, (Rússia), além de participações em importantes festivais internacionais como o Awaji Art Circus (Japão), o International Konya Theater Festival (Turquia), e o Chuncheon Puppet Festival (Coreia do Sul).

O espetáculo foi criado com apoio da 10ª Edição do Programa de Fomento ao Circo da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e do edital Fomento CULTSP PNAB Nº 34/2024 Produção e Apresentação De Número Circense. Informações: www.instagram.com/ciatumateixa.

SERVIÇO:

Espetáculo “Das Duas, Uma”

O espetáculo conta a história de Ermelinda, uma senhora que, na juventude, foi artista circense e dividia o picadeiro com sua irmã gêmea, Ermínia, que hoje já não está entre nós. Ambientada em uma cozinha caipira, a peça apresenta Ermelinda à beira do fogão a lenha, revisitando lembranças que atravessam o tempo. À medida que suas memórias ganham vida, a casa se transforma no antigo circo onde as irmãs encantavam o público com números de trapézio, mágica e equilíbrio no arame. Entre a delicadeza das recordações e a força da imaginação, o espetáculo convida o público a percorrer as fronteiras entre memória e presença, celebrando os vínculos que persistem mesmo diante da ausência.

Duração: 60 minutos. Classificação Livre. Grátis

11 de outubro de 2026 – Abertura de processo de “Das Duas, Uma” –  Às 16h – Complexo Cultural Funarte – Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo – SP

15 de outubro de 2026 – participação no Festival Solos @festival.solos – Às 20h – SESC Avenida PaulistaAvenida Paulista, 119 – Bela Vista, São Paulo – SP. Link para os ingressos: https://www.sescsp.org.br/programacao/cabare-dos-solos/

24 de outubro de 2026 – Estreia de “Das Duas, Uma” – Festival Solos @festival.solos – Às 11h – Galpão dos Bonecos @galpaodosbonecos – Rua Coriolano, 622 – Vila Romana, São Paulo – SP

26 de outubro de 2026 – Cabaré dos Solos – Às 14h – Centro de Memória do Circo – Galeria Olido – Avenida São João, 473 – Centro, São Paulo – SP.

Ficha Técnica – Concepção, atuação, confecção e animação de marionetes: Júlia Barnabé. Orientação Cênica: Rhena de Faria. Dramaturgia: Júlia Barnabé e Rhena de Faria. Cenografia: Júlia Barnabé com a colaboração de Guilherme Rossi, Otavio Fantinato e Valentin Flamini. Trilha Sonora: Danielle Siqueira e Danilo Rodrigues. Música “Memória de Coisa Boa”: Lula Fidalgo. Figurino: Elisa Rossin. Figurinos das marionetes: Júlia Barnabé com a colaboração de Laura Rodrigues e Mariluce Costa. Design gráfico e ilustrações: Otavio Fantinato. Fotografia e vídeo: Ricardo Avellar. Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini. Impressões em 3D: Tiago Barnabé. Produção: Cia Tu Mateixa Marionetes.

(Com Luciana Gandelini Assessoria de Imprensa)