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Na semana da criança, Theatro Municipal de São Paulo leva lenda do folclore brasileiro ao palco

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo “Lendas Brasileiras”, dirigido e coreografado por Luiz Fernando Bongiovanni, reúne Balé da Cidade e Orquestra Experimental de Repertório em uma experiência para toda a família, com dança, teatro, música ao vivo, bonecos e cinco histórias do imaginário popular brasileiro. Imagem: Divulgação.

Que criança nunca ouviu falar da Mula sem Cabeça, do Curupira ou do Boto Cor-de-Rosa? Na semana do Dia das Crianças, o Theatro Municipal de São Paulo convida o público infantil e suas famílias a embarcar em uma viagem pelo imaginário popular brasileiro com “Lendas Brasileiras”. Em uma montagem colorida, lúdica e repleta de personagens fantásticos, o espetáculo resgata cinco narrativas do folclore brasileiro e transforma o palco em um universo de histórias, música e fantasia, abordando temas contemporâneos como cuidado com a natureza, convivência, diversidade e afetividade.

Com roteiro, coreografia e direção geral de Luiz Fernando Bongiovanni e regência de Wagner Polistchuk e Leonardo Labrada, o trabalho reúne dança, teatro, música ao vivo e contação de histórias, apresentando cinco narrativas da cultura popular brasileira para as novas gerações. As apresentações acontecem na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal nos dias 11 e 12 de outubro, às 11h e às 15h, com classificação livre e duração aproximada de 50 minutos, sem intervalo.

Idealizado por Luiz Fernando Bongiovanni, Lendas Brasileiras é fruto da colaboração entre diferentes artistas. Edson Bueno assina a direção teatral e o texto; Alexandre Guerra é responsável pela composição musical original; e Ricardo Garanhani responde pela direção de arte, cenografia, bonecos e figurinos. A Orquestra Experimental de Repertório será regida por Wagner Polistchuk e Leonardo Labrada.

Para Luiz Fernando Bongiovanni e Edson Bueno, as lendas também constituem formas de compreender o mundo e a relação das pessoas com as histórias que produzem e transmitem. “As lendas nos conduzem a mundos imaginários que criamos para conhecer melhor o mundo e também a nós mesmos. Afinal, somos seres que inventam histórias, sonham e se divertem com suas próprias criações”, afirmam.

O espetáculo estreou originalmente no Centro Cultural Teatro Guaíra e integrou a programação de 2022, ano marcado pelas celebrações do Bicentenário da Independência do Brasil e do Centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. Agora, a montagem chega ao Theatro Municipal de São Paulo em uma oportunidade de apresentar às novas gerações, especialmente ao público infantil, um dos mais importantes palcos do país e seus corpos artísticos.

Com figurinos fantásticos, cores vibrantes, bonecos e personagens que fazem parte do imaginário de diferentes gerações, a encenação apresenta um universo estimulante e cheio de cores, por onde guiados pelo Senhor das Lendas, mestre de cerimônias, os personagens do imaginário popular ganham vida em figurinos cativantes e contam cinco lendas que envolvem relações com a natureza, o medo, o desejo e a imaginação.

A Mula sem Cabeça surge a partir de uma das figuras mais conhecidas do folclore brasileiro. Em seguida, a história de Jaci e da indiazinha Nayá apresenta uma narrativa ligada à Lua e à origem da Vitória-Régia. O Caipora aparece como protetor das florestas e dos animais, enquanto o Boto Cor-de-Rosa remete ao universo dos rios e das comunidades ribeirinhas. Por fim, o Boitatá encerra o percurso como uma figura associada à proteção dos campos e das florestas.

Lendas Brasileiras é um encontro lúdico entre dança contemporânea, música orquestrada ao vivo, teatro, bonecos, contação de histórias, artes visuais e o imaginário folclórico brasileiro. Ao reunir diferentes linguagens artísticas em apenas 50 minutos, o espetáculo oferece uma porta de entrada para o universo da dança, música de concerto e do teatro, aproximando crianças e famílias aos dos Corpos Artísticos do Theatro Municipal de São Paulo.

SERVIÇO:

Lendas Brasileiras

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo

BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO

ORQUESTRA EXPERIMENTAL DE REPERTÓRIO

Datas e horários

11 de outubro, domingo, às 11h

11 de outubro, domingo, às 15h

12 de outubro, segunda-feira, às 11h

12 de outubro, segunda-feira, às 15h

Roteiro, coreografia e direção geral

Luiz Fernando Bongiovanni

Direção teatral e texto

Edson Bueno

Regência

Wagner Polistchuk e Leonardo Labrada

Direção de arte, cenografia, bonecos e figurinos

Ricardo Garanhani

Composição musical original

Alexandre Guerra

Ingressos de R$ 13,00 a R$ 100,00 (inteira)

Duração aproximada de 50 minutos, sem intervalo

Classificação: livre para todos os públicos – sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária.

Sobre o complexo Theatro Municipal de São Paulo

O Theatro Municipal de São Paulo é um equipamento da Prefeitura da Cidade de São Paulo ligado à Secretaria Municipal de Cultura e à Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

O edifício do Theatro Municipal de São Paulo, assinado pelo escritório Ramos de Azevedo em colaboração com os italianos Claudio Rossi e Domiziano Rossi, foi inaugurado em 12 de setembro de 1911. Trata-se de um edifício histórico, patrimônio tombado, intrinsecamente ligado ao aperfeiçoamento da música, da dança e da ópera no Brasil. O Theatro Municipal de São Paulo abrange um importante patrimônio arquitetônico, corpos artísticos permanentes e é vocacionado à ópera, à música sinfônica orquestral e coral, à dança contemporânea e aberto a múltiplas linguagens conectadas com o mundo atual (teatro, cinema, literatura, música contemporânea, moda, música popular, outras linguagens do corpo, dentre outras).

Oferece diversidade de programação e busca atrair um público variado. Além do edifício do Theatro, o Complexo Theatro Municipal também conta com o edifício da Praça das Artes, concebido para ser sede dos Corpos Artísticos e da Escola de Dança e da Escola Municipal de Música de São Paulo.

Sua concepção teve como premissa desenhar uma área que abraçasse o antigo prédio tombado do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e que constituísse um edifício moderno e uma praça aberta ao público que circula na área.

Inaugurado em dezembro de 2012 em uma área de 29 mil m², o projeto vencedor dos prêmios APCA e ICON AWARDS é resultado da parceria do arquiteto Marcos Cartum (Núcleo de Projetos de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura) com o escritório paulistano Brasil Arquitetura, de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz.

Quem apoia institucionalmente nossos projetos, via Lei de Incentivo à Cultura: Bradesco, CAIXA Vida e Previdência, Elevadores Atlas Schindler, Mobilize, igc Partners, Scotiabank, CAIXA Seguridade. Pessoas físicas também fortalecem nossas atividades através de doações incentivadas.

Sobre o Instituto Baccarelli

O Baccarelli é uma das principais organizações sociais sem fins lucrativos do Brasil, promovendo educação, cultura e inclusão social há 30 anos. Com sede em Heliópolis,atende gratuitamente cerca de 1.650 alunos por ano, utilizando a música como ferramenta de transformação de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, além de distribuir 3,5 toneladas de alimentos por mês. A instituição também é responsável pela gestão do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, incluindo a Praça das Artes, o Theatro, a Central Técnica e, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, administra 12 unidades dos CEUs e as atividades do Programa Escola Aberta em 10 EMEFs, ampliando o acesso à cultura e ao ensino em 23 territórios periféricos da cidade.

A educação musical de excelência é o principal pilar do Baccarelli, oferecendo desenvolvimento pessoal e reais oportunidades de profissionalização. Entre os destaques da organização estão a construção do Teatro Baccarelli, a primeira sala de concertos em território de favela no mundo, a Orquestra Sinfônica Heliópolis, sob direção artística do renomado maestro Ira Levin, e o Coral Jovem Heliópolis, todos reconhecidos nacional e internacionalmente.

Para mais informações, acesse: baccarelli.org.br

Instagram: Link

Instagram Teatro: Link.

(Com André Santa Rosa/Assessoria de imprensa Theatro Municipal)

Mostra “Bonecos Sem Fronteiras” chega a São Paulo com espetáculos da Caravan Maschera e grupos convidados

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Distopias. Foto: Divulgação.

Bonecos, máscaras, objetos e materiais ganham diferentes funções na cena na programação da mostra “Bonecos Sem Fronteiras”, que chega a São Paulo em outubro. Idealizada pela Caravan Maschera Bonecos, de Atibaia, a mostra reúne espetáculos que usam o teatro de animação para abordar temas como espera, memória, crise ambiental, literatura, morte, imaginação e relações de poder. As apresentações acontecem no Teatro Arthur Azevedo, de 7 a 11 de outubro, e no Espaço Sobrevento, de 22 a 24 de outubro. No dia 24, o Espaço Sobrevento também recebe a oficina “Introdução ao Teatro de Objetos”, ministrada por Sandra Vargas, do Grupo Sobrevento, que apresenta princípios básicos dessa linguagem e propõe exercícios de criação a partir de materiais cotidianos. A mostra inclui ainda ações fechadas em uma instituição para pessoas idosas e em uma escola.

A Caravan Maschera é o principal núcleo da programação, com cinco trabalhos de seu repertório: “Hoje, Godot não vem!”, “Monsanto Mon Amour”, “Vidas Secas”, “Pulchinella (ma non troppo)” e “Tiringuito, Luisa e a Morte”. Criada em 2010 e sediada em Atibaia, a companhia desenvolve pesquisa em teatro de bonecos e formas animadas. A mostra é resultado desse percurso e vem circulando por cidades paulistas com espetáculos e ações formativas.

No Teatro Arthur Azevedo

Poema. Foto: Divulgação.

No Teatro Arthur Azevedo, a programação reúne espetáculos para diferentes públicos. Entre as apresentações voltadas ao público adulto estão “Poema”, da Mevitevendo, “Monsanto Mon Amour” e “Vidas Secas”, da Caravan Maschera, e “Distopias”, do Teatro Didático da Unesp e do Teatro Brancaleone. Já a programação da tarde inclui trabalhos dirigidos ao público infantil e familiar.

A programação começa em 7 de outubro, quarta-feira, às 14h30, com “Quanta Coisa o Lixo É”, da Cia. UsFulano, grupo que trabalha com teatro e educação. Dois coletores transformam materiais descartados em bonecos, brinquedos e elementos de cena. Às 20h, a Mevitevendo, companhia dedicada ao teatro de animação, apresenta “Poema”, espetáculo adulto que constrói um universo visual com bonecos, máscaras e figuras que transitam entre o real e o imaginário.

No dia 8, quinta-feira, às 14h30, a Caravan Maschera apresenta “Hoje, Godot não vem!”, espetáculo voltado ao público infantil que parte de uma situação clássica do teatro do absurdo: dois personagens, uma longa espera e a incerteza sobre a chegada daquele que é aguardado. A encenação combina bonecos, stop motion, música e projeções. Ainda no dia 8, às 20h, é a vez de “Monsanto Mon Amour”, espetáculo adulto em que Nadinho, artista e ativista ambiental, revisita memórias da infância no interior de Minas Gerais. A encenação combina depoimento pessoal, memória e ficção para abordar temas como contaminação por agrotóxicos, intolerância religiosa e ativismo ambiental, com quatro bonecos manipulados por diferentes técnicas.

Hoje Godot não vem! Foto: Flavia Hiroki.

No dia 9, às 14h30, tem a segunda sessão de “Hoje, Godot não vem!”. Às 20h, a Caravan Maschera apresenta “Vidas Secas”, espetáculo adulto inspirado na obra de Graciliano Ramos e construído com bonecos, máscaras, luz e movimento. A montagem traduz para a cena estados de escassez, silêncio e deslocamento e aborda questões relacionadas à sobrevivência, à desigualdade e à migração.

As apresentações da Caravan Maschera nos dias 8 e 9 contam com acessibilidade em Libras.

No dia 10, sábado, às 16h, “Pulchinella (ma non troppo)”, da Caravan, recupera a tradição italiana da Commedia dell’arte e do teatro popular de bonecos, com música ao vivo e interação com o público. Às 20h, o Teatro Didático da UNESP, grupo ligado à pesquisa e formação teatral, e o Teatro Brancaleone, dedicado à criação cênica e às formas animadas, apresentam “Distopias”, espetáculo adulto que combina máscaras, marionetes, materiais e atores para construir um mundo submetido a condições de vida opressivas.

Monsanto Mon Amour. Foto: João Maria.

No encerramento no Arthur Azevedo, em 11 de outubro, domingo, às 16h, o grupo Boas Histórias, que trabalha com adaptações literárias para o público infantil e familiar, apresenta “Dom Quixote, o Cavaleiro Sonhador”. Às 19h, a Caravan retorna com “Vidas Secas”.

Apresentações fechadas para idosos e estudantes

A programação também chega a outros espaços. Em 16 de outubro, às 10h, “Tiringuito, Luisa e a Morte”, da Caravan Maschera, será apresentado no Centro Dia para Idosos Adoniran Barbosa. Inspirado no teatro de mamulengos nordestino e na tarantella italiana, o espetáculo acompanha o encontro de Tiringuito com a Morte. No dia 26, às 10h, o Trip Teatro, companhia catarinense dedicada ao teatro de animação, apresenta “Kasperl e a Cerveja do Papa” na EMEF Anália Franco Bastos. Ambas as sessões são fechadas para seus respectivos públicos.

No Espaço Sobrevento

No Espaço Sobrevento, no Belenzinho, a programação começa em 22 de outubro, às 20h30, com “O Princípio do Espanto”, do Morpheus Teatro. Criado, dirigido e interpretado por João da Silva Araujo, o espetáculo coloca em relação um homem e um boneco para investigar quem controla quem. O Morpheus desenvolve pesquisa continuada em teatro de animação, mímica e máscaras.

No dia 23, às 20h30, a Caravan Maschera apresenta novamente “Pulchinella (ma non troppo)”. A mostra termina no dia 24, das 14h às 17h, com a oficina “Introdução ao Teatro de Objetos”, ministrada por Sandra Vargas, do Grupo Sobrevento. A atividade investiga como objetos cotidianos podem adquirir funções cênicas por meio de improvisações, metáforas e associações de ideias.

Ao reunir companhias com pesquisas distintas, a Mostra Bonecos Sem Fronteiras coloca em evidência uma característica do teatro de animação: a possibilidade de fazer um objeto, um boneco ou uma máscara assumir o centro da cena e, a partir daí, tratar de questões que vão da infância e da imaginação à crise ambiental, à literatura e às relações de poder.

Quanta Coisa o Lixo É

Dia 07/10, quarta, às 14h30

Cia Usfulano (Arujá – SP) – Classificação: Livre – Duração: 40 min

Dois amigos que trabalham como coletores de lixo descobrem, entre os materiais descartados, possibilidades de criação. Objetos que seriam jogados fora se transformam em bonecos, brinquedos e elementos de cena. A montagem combina brincadeira e teatro de animação para abordar o reaproveitamento de materiais, o consumo responsável e a preservação do meio ambiente.

Poema

Dia 07/10, quarta, às 20h

Mevitevendo (Mairiporã – SP) – Classificação: Livre – Duração: 55 min

Dois personagens apresentam um universo de bonecos, máscaras e figuras animadas que aparecem, se misturam e se transformam. Sem uma narrativa convencional, o espetáculo constrói uma viagem visual entre realidade e imaginação, explorando as possibilidades do teatro de animação e a relação entre o cotidiano e o fantástico.

Hoje, Godot não vem!

Dias 08/10, quinta e 09/10, sexta, às 14h30

Caravan Maschera (Atibaia – SP) – Classificação: 8 anos – Duração: 60 min

O espetáculo acompanha duas crianças que aguardam a chegada de alguém — ou talvez de alguma coisa — em um lugar indeterminado, onde o tempo, a imaginação e a expectativa transformam a espera em jogo. Bonecos, animação em stop motion, música autoral e projeções compõem a encenação, que aborda temas como infância, crescimento, diversidade, aceitação e pertencimento.

Monsanto Mon Amour

Dia 08/10, quinta, às 20h

Caravan Maschera (Atibaia – SP) – Classificação: 16 anos – Duração: 60 min

O personagem Nadinho revisita memórias de sua infância no interior de Minas Gerais, marcada pela expansão do agronegócio, pelo fundamentalismo religioso e pela ruptura de saberes ancestrais. A partir dessa memória pessoal, o espetáculo articula crise ambiental, ativismo e responsabilidade diante das transformações provocadas pela ação humana sobre o território.

Vidas Secas

Dia 09/10, sexta, às 20h e dia 11/10, domingo, às 19h

Caravan Maschera (Atibaia – SP) – Classificação: 14 anos – Duração: 65 min

Inspirado na obra de Graciliano Ramos, o espetáculo não busca reproduzir a narrativa do romance, mas traduzir para a cena seus estados de escassez, silêncio e deslocamento. Bonecos, matéria, luz e movimento constroem a trajetória de uma família de retirantes e abordam questões relacionadas à sobrevivência, à desigualdade e à migração.

Pulchinella (ma non troppo)

Dia 10/10, sábado, às 16h

Caravan Maschera (Atibaia – SP) – Classificação: Livre – Duração: 55 min

O espetáculo recupera a tradição italiana da Commedia dell’arte e do teatro popular de bonecos a partir da figura de Pulchinella. A encenação combina manipulação de bonecos, linguagem corporal, vozes alteradas e música ao vivo, com canções do sul da Itália e interação direta com o público, recriando a atmosfera das ruas napolitanas.

Distopias

Dia 10/10, sábado, às 20h

Teatro Didático Unesp e Brancaleone (São Paulo – SP) – Classificação: 10 anos – Duração: 90 min

Sem um enredo linear, o espetáculo é estruturado em quadros que formam um ciclo de acontecimentos. Máscaras, marionetes, papel, tecido, madeira e atores constroem um mundo marcado por condições de vida opressivas. A montagem questiona as relações entre humanos e formas inanimadas e investiga a possibilidade de imaginar outros mundos em meio a cenários distópicos.

Dom Quixote, o Cavaleiro Sonhador

Dia 11/10, domingo, às 16h

Boas Histórias (Atibaia – SP) – Classificação: Livre – Duração: 60 min

Um velho sonhador decide se tornar um grande cavaleiro e, usando a antiga armadura de seu bisavô, parte em busca do amor e da justiça. Ao lado de seu fiel escudeiro, Sancho Pança, Dom Quixote transforma a realidade a partir de sua imaginação. O espetáculo é inspirado no clássico de Miguel de Cervantes.

Programação Espaço Sobrevento – Bresser

O Princípio do Espanto

Dia 22/10, quinta, às 20h30

Grupo Morpheus Teatro – Classificação: 14 anos – Duração: 45 min

Um boneco acredita controlar os objetos e a vida à sua volta, sem perceber que seus movimentos são conduzidos por um homem. O manipulador, por sua vez, também desconhece o que existe além de sua própria ação. Sem palavras, o espetáculo estabelece uma relação entre criador e criatura e investiga as noções de controle, dependência e autonomia.

Pulchinella (ma non troppo)

Dia 23/10, sexta, às 20h30

Caravan Maschera (Atibaia – SP) – Classificação: Livre – Duração: 55 min

O espetáculo recupera a tradição italiana da Commedia dell’arte e do teatro popular de bonecos a partir da figura de Pulchinella. A encenação combina manipulação de bonecos, linguagem corporal, vozes alteradas e música ao vivo, com canções do sul da Itália e interação direta com o público, recriando a atmosfera das ruas napolitanas.

Oficina Introdução ao Teatro de Objetos

Dia 24/10, sábado, das 14h às 17h

Ministrada por Sandra Vargas, do Grupo Sobrevento, a oficina apresenta princípios básicos do teatro de objetos e investiga como materiais cotidianos podem assumir funções cênicas sem perder suas características. Por meio de improvisações, metáforas e associações de ideias, os participantes experimentam possibilidades de criação e desenvolvem exercícios voltados à construção de uma dramaturgia própria.

SERVIÇO:

Mostra Bonecos Sem Fronteiras

A programação aberta inclui espetáculos da Mevitevendo, Cia UsFulano, Caravan Maschera, Morpheus Teatro, Teatro Didático da UNESP e Teatro Brancaleone e Boas Histórias.

Teatro Arthur Azevedo – Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo – SP
7 a 11 de outubro de 2026

Espaço Sobrevento – Rua Coronel Albino Bairão, 42, Belenzinho, São Paulo/SP.
22 a 24 de outubro de 2026

Ingressos gratuitos

Atividades fechadas

16 de outubro, às 10h — Centro Dia para Idosos Adoniran Barbosa

26 de outubro, às 10h — EMEF Anália Franco Bastos.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Cerâmica japonesa ganha exposição na Japan House São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Obra Shizuku Zen/2000 (uma gota zen 2000), de Masamichi Yoshikawa. Fotos: ©Takashi Hatakeyama.

Muito antes da cerâmica japonesa se tornar reconhecida mundialmente, os primeiros habitantes do arquipélago já moldavam pratos, vasos, recipientes e demais utensílios com as mãos e levavam para queima em grandes fogueiras a céu aberto. Consideradas algumas das peças em cerâmica mais antigas do mundo, confeccionadas durante o período Jōmon, entre cerca de 14000 a.C. e século III a.C., essas primeiras técnicas deram origem a uma longa história de tradição no Japão. É a partir dessa trajetória milenar que a Japan House São Paulo (JHSP) apresenta a exposição inédita “Cerâmica em curso” com entrada gratuita até 30 de maio de 2027.

Com curadoria da diretora cultural da JHSP, Natasha Barzaghi Geenen e Carolina De Angelis, supervisora cultural da instituição, a mostra parte dessa trajetória milenar e percorre a evolução da cerâmica a partir dos seis fornos antigos do Japão – Bizen, Echizen, Seto, Shigaraki, Tamba e Tokoname – polos ceramistas tradicionais, cujo conjunto é chamado como Rokkoyō. Reconhecido desde 2017 como parte da Japan Heritage pela Agência de Assuntos Culturais, sua produção data do século XII e se mantém contínua até os dias atuais.

O percurso da mostra inicia-se com peças históricas dos períodos Jōmon e Muromachi (c. 1336-c. 1573), apresentando formas e técnicas, bem como os dois tipos de construção de fornos ligados às seis regiões produtoras, o anagama, caracterizado por uma única câmara de queima escavada em terreno inclinado, e o noborigama, também construído em encostas, composto por sucessivas câmaras dispostas em degraus, que permitem a produção de peças em grande quantidade. Além disso, a exposição conta com amostras das argilas de diferentes centros produtores e suas características minerais, apresentando como diferentes materiais resultam em diferentes cores, brilho e texturas. É abordado também o processo de esmalte natural, presente em muitos centros produtores, explorando as expressões únicas da cerâmica japonesa.

Para apresentar as características de cada um dos seis fornos antigos, serão exibidos objetos utilitários, em conjunto com peças artísticas contemporâneas. Essa reunião permite observar as técnicas e o senso estético que foram transmitidos ao longo do tempo, além das características próprias de cada região. Para Natasha, “a cerâmica é uma expressão muito importante da cultura japonesa, não apenas pela sua longa trajetória histórica, mas também pela maneira como reúne conhecimento, tradição, território e formas de compreender a relação com a matéria. Por isso, criar uma exposição sobre esse tema Japan House São Paulo foi uma escolha que exigiu muita pesquisa e cuidado. Levamos em consideração também que a exposição seria vista por curiosos e por especialistas, uma vez que temos importantes polos de produção ceramista próprios no Brasil, muitos deles com forte ligação com o Japão, inclusive. A exposição pretende apresentar ao público brasileiro um recorte focado nas especificidades dos seis fornos antigos que resistiram ao tempo e permitem novas leituras e conexões”. 

Obra Shizuku Zen/2000 (uma gota zen 2000), de Masamichi Yoshikawa.

Dentre as obras, destaque para “Shizuku Zen/2000” (Uma gota zen 2000), de aproximadamente 200 quilos, criada pelo artista Masamichi Yoshikawa, natural de Tokoname, cuja produção amplia a escala e possibilidades de uso dos objetos cerâmicos. Além dele, estão artistas como Taiga Mori (Bizen), Toyokazu Yoshida (Echizen), Tomoya Sakai (Seto), Yuji Ueda (Shigaraki) e Masahiko Ichino (Tamba). Por meio dessas obras, criadas a partir da relação dos artistas com a argila local e o fogo, é possível observar as características próprias dos materiais de cada região, bem como as diferentes expressões resultantes da queima.

Entre os destaques das peças utilitárias estão a tigela de arroz feita com o tradicional padrão mugiwarade, de Yusuke Mizuno (Seto); e o recipiente para água com borda em formato de flecha yahazu, criado por Naokata Ueda VI (Yame). Entre as demais peças, estão a tigela em espiral de Kazuya Ishida (Bizen), a tigela redonda com esmalte cinza e padrões lineares, de Kenji Kasatsuji (Echizen), o copo de saquê guinomi, de Shusaku Ichino (Tamba), e o recipiente cilíndrico com acabamento em esmalte gosu e argila preta, de Takumi Sugie (Tokoname). O desenvolvimento da pesquisa da exposição contou com o apoio fundamental da Associação dos seis fornos antigos e de associações locais de cada uma das regiões. A expografia de “Cerâmica em Curso” conta com patrocínio da empresa Taipal Brasil.

Para ampliar o acesso do público, a exposição oferece recursos acessíveis como Libras, materiais táteis, recursos em braile e piso tátil, presente em toda a instituição. Os textos da exposição estarão disponíveis em português, inglês, espanhol e japonês por meio de QR Codes no espaço.

SERVIÇO:

Exposição “Cerâmica em curso”

Período: 06 de outubro de 2026 a 30 de maio de 2027

Local: Japan House São Paulo, segundo andar – Av. Paulista, 52 – São Paulo/SP

Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.

Entrada gratuita.

Mais informações em www.japanhousesp.com.br.

Sobre a Japan House São Paulo (JHSP)

A Japan House é uma iniciativa internacional com a finalidade de ampliar o conhecimento sobre a cultura japonesa da atualidade e divulgar políticas governamentais. Inaugurada em 30 de abril de 2017, a Japan House São Paulo foi a primeira a abrir suas portas, seguida pelas unidades de Londres e Los Angeles. Estabelecida como um dos principais pontos de interesse da celebrada Avenida Paulista, a JHSP destaca em sua fachada proposta pelo arquiteto Kengo Kuma, a arte japonesa do encaixe usando a madeira Hinoki. Desde 2017, a instituição promoveu mais de 55 exposições e cerca de mil eventos em áreas como arquitetura, tecnologia, gastronomia, moda e arte, para os quais recebeu mais de 5 milhões de visitantes. A oferta digital da instituição foi impulsionada e diversificada durante a Pandemia de Covid-19, atingindo mais de sete milhões de pessoas em 2020. No mesmo ano, expandiu geograficamente suas atividades para outros estados brasileiros e países da América Latina. A JHSP é certificada pelo LEED na categoria Platinum, o mais alto nível de sustentabilidade de edificações.

Confira as mídias sociais da Japan House São Paulo:

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Instagram: https://www.instagram.com/japanhousesp

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(Com Bruna Janz/Suporte Comunicação)

Bani Vadanaha: povo Deni do Xeruã retoma festa tradicional após mais de duas décadas

Amazonas, AM, por Kleber Patricio

Vista aérea da aldeia Boiador, Terra Indígena Deni, no Amazonas, durante a celebração do Bani Vadanaha. Fotos: Bruno Kelly/OPAN.

Depois de mais de duas décadas sem ser realizada, uma das mais importantes expressões culturais do povo Deni do rio Xeruã foi retomada entre os meses de junho e julho, na Terra Indígena Deni, no Amazonas. O Bani Vadanaha, que significa “festa da caça”, reúne caça, cantos, rituais, pinturas, brincadeiras e alimentos em uma celebração que fortalece vínculos entre famílias e promove a transmissão de conhecimentos entre gerações.

A retomada da festa foi uma decisão coletiva dos Deni. Em abril de 2025, lideranças de todas as aldeias do território se reuniram na Aldeia Itaúba para discutir a realização da celebração. A proposta foi aprovada por unanimidade. Na ocasião, também foram definidos os rituais e cantos que fariam parte do Bani Vadanaha, além da divisão de tarefas e do calendário de preparação.

A iniciativa partiu dos mais velhos, que perceberam que muitos jovens, já com suas próprias famílias e assumindo responsabilidades comunitárias, ainda não haviam vivenciado a celebração. A preocupação estava relacionada à continuidade de conhecimentos tradicionais, como cantos, rituais e práticas que fortalecem a cultura, os vínculos comunitários e a relação com o território. “Agora, fizemos uma grande luta para realizar novamente a festa, porque os mais velhos estão indo embora e, com eles, parte dos conhecimentos. Fizemos esse grande esforço para repassar esse conhecimento para os mais jovens”, afirma Vabishi Deni, liderança do povo Deni e um dos organizadores da festa.

Itavari: vínculos que atravessam gerações

Itavari é um compromisso afetivo de acolhimento e companheirismo entre o povo Deni.

Um dos momentos centrais do Bani Vadanaha é a formação dos itavari, relação equivalente ao compadrio, estabelecida entre duas famílias a partir de um compromisso de companheirismo e cuidado mútuo por toda a vida. “Itavari significa a gente unir a nossa família com a do outro para formar uma grande família”, explica Pha’avi Deni, presidente da Associação do Povo Deni do Xeruã (Aspodex).

Para fortalecer esse vínculo, uma grande caçada é organizada. Cinco grupos, formados por caçadores e suas famílias e reunindo cerca de 100 pessoas, permaneceram durante 18 dias em diferentes pontos da floresta. Enquanto os caçadores percorriam a mata em busca dos animais, outros integrantes das famílias preparavam e defumavam as carnes nos acampamentos, mantendo o fogo aceso continuamente.

O processo exige conhecimentos transmitidos entre gerações. Na floresta, os caçadores interpretam sons, cheiros, rastros e sinais do céu para localizar os animais. Nos acampamentos, o manejo do fogo requer experiência para manter uma intensidade baixa e constante, garantindo a conservação da carne. “É uma relação harmônica entre humanos e não humanos. Uma ecologia plural, uma relação íntima dos Deni com os seres que vivem no território. A vida vai correndo através da floresta e da água, de forma bonita e natural”, observa Karina Nymara, indigenista da Operação Amazônia Nativa (OPAN), que acompanhou a celebração junto aos Deni.

Crianças, homens e mulheres disputam uma corrida com seus itavari.

Enquanto os caçadores estavam na floresta, a comunidade na aldeia Boiador também se preparava para a chegada. Foram organizados alimentos e bebidas, construídas pontes e abertos caminhos para a passagem dos caçadores. O retorno não tinha data anunciada: a chegada surpresa é parte da celebração.

Uma aldeia em festa

Já passava da meia-noite quando os primeiros pontos de luz começaram a surgir na floresta. Da aldeia Boiador, os Deni acompanharam a chegada dos caçadores enquanto a liderança mais velha, Doutor Barros, narrava, na língua Deni, a jornada realizada na mata.

A chegada foi marcada por cantos, pinturas, adornos e uma corrida entre os itavari. Crianças, homens e mulheres participaram da disputa, em que os caçadores tentavam alcançar seus itavari que haviam permanecido na aldeia e tomar deles pequenos cocares ou flechas adornadas, que representam troféus.

Em seguida, as caças foram levadas ao centro da aldeia e recebidas por uma grande roda, ao som do Bani Tamidi, o canto da caça. Os alimentos foram posteriormente destinados às famílias dos itavari e compartilhados no terreiro da aldeia, junto a produtos dos roçados, como banana, macaxeira, abacaxi, cará e farinha, além do kirihá, bebida fermentada feita com patauá e goma de farinha de tapioca.

A celebração continuou nos dias seguintes com brincadeiras tradicionais, como Manu (macaco cairara), Hizama (queixada) e Hava Pashu (cobra d’água). À noite, os cantos Zazaha e Mishe Biriharu ecoaram pela aldeia.

Celebração do Bani Vadanaha é histórica para o povo Deni.

A festa completa se estendeu por mais de 40 dias, desde a formação dos itavari até a brincadeira do Shiri, que envolve uma disputa por pedaços de cana-de-açúcar e abacaxi. Ao final, as famílias retornaram para suas aldeias, levando consigo a memória dos dias de encontro.

Cultura e território

A retomada do Bani Vadanaha foi apoiada pelo projeto Raízes do Purus, realizado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) em parceria com a Petrobras. A equipe de indigenistas do projeto acompanhou a celebração e participou dos diferentes momentos da festa, fortalecendo a relação com o povo Deni e ampliando o conhecimento sobre seus modos de vida e práticas culturais. “Presenciando todo esse processo da festa e observando a relação do povo com a natureza e com as suas tradições, percebemos o quão forte a cultura Deni é”, afirma Raimundo Francisco, indigenista da OPAN.

Para os Deni, a retomada do Bani Vadanaha representa também uma oportunidade de garantir que os conhecimentos transmitidos pelos mais velhos continuem vivos entre as novas gerações. Mais do que uma celebração da caça, a festa reúne território, memória, relações de parentesco, alimentação e cultura em uma experiência coletiva que reafirma os vínculos do povo Deni com seu território.

(Com Jéssica Amaral/DePropósito Comunicação de Causas)

Aos 52 anos, piloto transforma paixão de infância em volta ao mundo solo

Forteleza, CE, por Kleber Patricio

Voo de teste, adaptações na aeronave e autorizações internacionais fizeram parte de um plano conciliado com a carreira e a família. Fotos: Divulgação.

O piloto cearense Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, que tirou o brevê aos 44 anos, concluiu no Ceará, em 12 de setembro de 2026, uma volta ao mundo solo em monomotor iniciada em 15 de março. A expedição durou 182 dias e, somou 77 mil quilômetros, 297 horas de voo e pousos em 33 países de cinco continentes. Frota criou o Frotas Pelo Mundo como um diário de viagem, que passou a documentar a preparação e o percurso da viagem. Ele desenvolveu o projeto enquanto conciliava a carreira no mercado financeiro com a vida familiar.

A aviação fazia parte de seus interesses desde a infância, mas a decisão de aprender a pilotar veio na vida adulta. Depois do brevê, a ideia de voar cada vez mais longe ganhou dimensão até se tornar um plano de atravessar o planeta. O intervalo entre as duas etapas importa para esta história: Frota já tinha uma profissão, esposa e filhos quando começou a organizar uma ausência de meses e uma viagem que dependeria de decisões técnicas, financeiras e pessoais.

A experiência de começar projetos na maturidade também aparece nos dados sobre negócios. Segundo o Monitor Global de Empreendedorismo 2025, divulgado pelo Sebrae em abril de 2026, pessoas com mais de 45 anos representaram 33,7% dos empreendedores iniciais no Brasil. Foi a maior participação dessa faixa etária desde o início da série, em 2000.

O levantamento trata da criação de empresas, mas ajuda a situar uma discussão que vai além do trabalho: como objetivos novos passam a disputar tempo e recursos com responsabilidades já estabelecidas.

Da ideia ao primeiro teste

Em 2022, Frota começou a organizar a expedição em etapas. Antes de definir uma rota pelos cinco continentes, precisava descobrir até onde poderia voar com segurança, quais autorizações seriam necessárias e quanto tempo conseguiria dedicar à preparação. “Desde 2022, a gente vem trabalhando mês a mês, divide o projeto em projetinhos menores”, explica o piloto. Era uma maneira de avançar sem tratar a viagem inteira como uma decisão a ser tomada de uma só vez.

Esse ritmo também precisava caber na carreira. Como gestor de recursos, Frota continuou trabalhando enquanto o plano deixava de ser uma ideia distante e passava a exigir providências concretas. Prazos, disponibilidade financeira e avaliação de riscos, assuntos presentes em sua atividade profissional, também faziam parte da organização da viagem. Na aviação, porém, ele precisava desenvolver conhecimentos específicos e ganhar experiência antes de assumir trajetos mais longos.

Em 2024, fez um voo de Fortaleza aos Estados Unidos e retornou ao Brasil. O percurso de cerca de 15 mil quilômetros, 60 horas de voo e passagem por dez países serviu para testar a aeronave, as comunicações aéreas em inglês e os procedimentos exigidos em aeroportos internacionais. A travessia menor ofereceu respostas que o planejamento em terra não poderia dar. Também mostrou quais pontos ainda precisavam de ajustes antes de uma ausência de quase seis meses.

A aeronave experimental passou por uma revisão de 40 dias. Os tanques das asas foram ampliados e um reservatório adicional ocupou o lugar do banco traseiro, elevando a autonomia para quase 15 horas. A mudança respondia à distância entre escalas em alguns trechos. Para alcançar regiões com poucas alternativas de pouso e abastecimento, era necessário adequar a estrutura do avião às exigências do percurso.

Frota também precisou considerar a distância da esposa e dos filhos. Ele ainda não havia passado tantos meses longe da família e o apoio deles entrou no planejamento junto com a rota e o trabalho. A decisão de partir afetaria a rotina de quem ficava. Por isso, a preparação envolveu tanto as condições para viajar quanto as consequências pessoais de passar quase meio ano fora de casa.

O que muda quando se começa depois dos 40

Tirar o brevê aos 44 anos significou aprender uma nova atividade quando Frota já tinha responsabilidades profissionais e familiares estabelecidas. A licença abriu uma possibilidade que só depois ganharia a dimensão de uma expedição internacional. Para quem considera iniciar um projeto nessa fase da vida, sua trajetória traz questões concretas: quanto tempo será necessário para aprender, quais compromissos precisarão ser reorganizados e o que ainda deve ser testado antes de assumir um risco maior?

A preparação lhe deu mais informações sobre os próprios limites. Durante a expedição, o piloto enfrentou falhas de navegação, uma pane elétrica, vazamento de combustível e frio de 22 graus negativos na Groenlândia. Em cada etapa, era necessário avaliar se havia condições de seguir. “O perigo existe e continua lá. Não é porque você venceu uma etapa que pode achar que está tudo resolvido e baixar a guarda”, ressalta.

Nem todas as dificuldades estavam sob seu controle. Autorizações atrasaram a viagem nas Filipinas e mudaram o caminho de volta no México, levando o piloto a retirar a passagem pela América do Sul daquela expedição. Frota havia reservado dias para esse tipo de contratempo. “No planejamento geral, já tinha previsto isso, então deixava em alguns lugares bolsões de reserva de dias”, afirma o gestor.

A disposição para rever uma etapa foi tão necessária quanto o esforço para chegar até ela. O objetivo continuava sendo completar a volta ao mundo, mas o roteiro precisava acompanhar as condições encontradas. A experiência acumulada ajudava a avaliar alternativas; reconhecer o que dependia de terceiros permitia ajustar expectativas e preservar a continuidade da viagem.

Entre aprender a pilotar e concluir a expedição, passaram-se oito anos. A trajetória de Frota não indica que exista uma idade ideal para iniciar um projeto ambicioso. Ela mostra o que foi necessário neste caso: desenvolver a habilidade, medir as exigências do objetivo e ajustá-lo às responsabilidades que já faziam parte da vida. A maturidade aparece nesse conjunto de decisões, que permitiu transformar uma paixão antiga em uma realização construída ao longo do tempo.

Sobre Alex Frota

Alex Frota é administrador de empresas formado pela Universidade de Fortaleza com MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC. É gestor de recursos e administrador de carteiras credenciado pela CVM, com certificações CGA, CFP® e CEA.

Apaixonado por aviação desde a infância, tirou o brevê aos 44 anos. Aos 53, lidera o Projeto Frotas Pelo Mundo, iniciativa com a qual realizou a primeira volta ao mundo solo, em monomotor, feita por um brasileiro cruzando os cinco continentes.

Alex Frota é mais conhecido como Alex Bacana, apelido que ganhou em referência ao personagem da série Armação Ilimitada.

Sobre o Frotas Pelo Mundo

O Frotas Pelo Mundo nasceu como um diário de viagem e se transformou em um projeto de alcance internacional, com comunidade digital ativa e estrutura de produção dedicada. Concluída em setembro de 2026, a jornada percorreu 77 mil quilômetros ao longo de 182 dias, somou 297 horas de voo e teve pousos em 33 países, atravessando cinco continentes. O projeto contou com cobertura multiplataforma e desdobramentos em educação, cultura, tecnologia e impacto social. Para mais informações, acesse o site, canal do Youtube ou o Instagram.

(Com Carolina Lara/Lara Visibilidade Estratégica)