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Scena – Semana da Cena Italiana Contemporânea chega à quinta edição no Sesc Belenzinho

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea realiza sua quinta edição em São Paulo, no Sesc Belenzinho, entre os dias 8 e 16 de agosto de 2026, reunindo três espetáculos que transitam entre teatro, música e dança, inéditos na América Latina. Realizada pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo e pelo Sesc São Paulo, com curadoria de Rachel Brumana e produção da Associação SÙ de Cultura e Educação, a mostra vem se consolidando como um espaço de aproximação entre o público brasileiro e a produção contemporânea da Itália.

Nesta edição, a programação reúne artistas consagrados e uma nova geração de criadores em três trabalhos de diferentes linguagens e trajetórias: “SID – Fin qui tutto bene”, com texto e direção de Girolamo Lucania e interpretação de Alberto Boubakar Malanchino; “Nina”, da companhia Fanny & Alexander; e “Graces”, da coreógrafa Silvia Gribaudi. “A curadoria desta edição buscou reunir três artistas de trajetórias muito distintas, que representam diferentes momentos da criação contemporânea italiana. Ao mesmo tempo, são espetáculos que compartilham um desejo comum: estabelecer uma comunicação direta com o público, sem abrir mão da pesquisa e da experimentação artística”, afirma Rachel Brumana.

Embora partam de universos diversos, os três espetáculos dialogam com questões do presente, como identidade, memória, racismo, representação e os modos como o corpo é percebido e construído socialmente. Cada criação desenvolve esses temas por caminhos próprios, combina diferentes recursos cênicos e linguagens artísticas distintas. “A SCENA pretende valorizar a experiência presente e relacionar diferentes culturas e pensamentos, de modo que a reflexão sobre temáticas da contemporaneidade transcenda o indivíduo e una o público em um compartilhamento artístico coletivo”, colocam Lillo Teodoro Guarneri e Margherita Marziali, diretor e adida e vice-diretora do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo.

PROGRAMAÇÃO

Abrindo a programação, SID – Fin qui tutto bene apresenta o ator italiano de origem burquinense Alberto Boubakar Malanchino em um solo escrito e dirigido por Girolamo Lucania. A montagem acompanha um jovem italiano, filho de imigrantes do norte da África, cuja trajetória expõe as tensões da Europa contemporânea por meio de uma narrativa que mistura teatro, música e referências da cultura urbana. Vestido de branco — cor do luto na tradição muçulmana —, Sid vive entre o consumismo, a violência, as drogas e o desejo de pertencimento. Leitor apaixonado, cinéfilo e ator de si mesmo, o personagem constrói sua identidade em uma sucessão de fragmentos de memória, bullying e exclusão. A dramaturgia avança como um filme sem montagem, alternando humor, dureza e poesia para revelar um jovem dividido entre diferentes mundos e constantemente levado a interpretar papéis para sobreviver.

A segunda atração é Nina, criação da companhia Fanny & Alexander, fundada em 1992 por Chiara Lagani e Luigi de Angelis. Em cena, a soprano norte-americana Claron McFadden empresta corpo e voz a Nina Simone sem recorrer ao formato biográfico tradicional. O espetáculo utiliza entrevistas, discursos e canções da artista para construir um concerto cênico que atravessa teatro, música e documento. Por meio da técnica da heterodireção, McFadden permanece conectada em tempo real aos registros sonoros da própria Nina Simone, interpretando suas canções e palavras enquanto dialoga com um piano automático e a criação sonora de Damiano Meacci. O resultado é uma experiência sensorial em que diferentes vozes parecem coexistir no palco, reafirmando a singularidade da voz humana e convidando o público a refletir sobre identidade, memória, racismo e o legado artístico e político de Nina Simone.

Encerrando a programação, a coreógrafa Silvia Gribaudi apresenta Graces, criação inspirada na escultura As Três Graças, de Antonio Canova. Partindo de um dos grandes símbolos da arte clássica, a obra aproxima dança, teatro e performance para questionar os padrões históricos de beleza, feminilidade e representação do corpo, sempre com humor e irreverência. Em cena, Gribaudi divide o palco com três bailarinos em um espaço onde masculino e feminino deixam de ocupar papéis fixos. A artista, que costuma definir seu trabalho como uma pesquisa sobre o corpo em toda a sua diversidade, transforma imperfeições em potência criativa e aproxima intérpretes e espectadores por meio de uma linguagem direta, acessível e bem-humorada. O espetáculo propõe uma reflexão sobre envelhecimento, liberdade e convivência, mostrando que o corpo pode ser também território de imaginação, afeto e transformação.

“Chegamos à quinta edição com uma programação que mantém a vocação do SCENA para apresentar a produção contemporânea italiana em toda a sua diversidade. São três obras de linguagens distintas que convidam o espectador a se envolver desde o primeiro momento”, conclui Rachel Brumana.

Serviço, sinopses e fichas técnicas:

SID – Fin qui tutto bene, do Cubo Teatro

Sala de Espetáculos

Dia 8 de agosto, sábado, às 19h30

Dia 9 de agosto, domingo, às 17h

Classificação: 14 anos | Duração: 70 min

Espetáculo vencedor do Prêmio Inbox 2023, um dos principais reconhecimentos para novas produções teatrais na Itália, a montagem acompanha a trajetória de Sid, um adolescente da periferia que atravessa um cotidiano marcado pela exclusão social, solidão, consumo, drogas e violência urbana. Inteligente e sensível, o jovem encontra na música de Mozart um refúgio, mas também canaliza sua apatia e revolta em uma escalada de crimes e assassinatos. Suas vítimas são sufocadas com sacolas de marcas de luxo, um gesto simbólico que evidencia as contradições entre desejo de pertencimento, consumo e marginalização. O ator Alberto Malanchino também recebeu o prêmio de Melhor Ator Under 35 no prestigiado Prêmio UBU por sua interpretação.

Ficha Técnica:

Texto e Direção: Girolamo Lucania

Interpretação: Alberto Boubakar Malanchino

Música ao Vivo e Desenho de Som: Ivan Bert e Max Magaldi

Videoprojeções: Niccolò Borgia

Concepção Cenográfica: Ivan Bert

Direção Técnica: Alessandro Vendrame

Baseado em um conceito original de Ivan Bert e Girolamo Lucania

Produção: Cubo Teatro

Nina, de Fanny&Alexander

Dias 12 e 13 de agosto, quarta e quinta-feira, às 21h.

Teatro

Classificação: 14 anos | Duração: 65 min

Nina é um espetáculo que investiga a voz humana por meio de uma fusão entre música e performance, utilizando a técnica da heterodireção. Em cena, a soprano norte-americana Claron McFadden dá corpo à figura mítica de Nina Simone, em uma homenagem que ultrapassa a representação biográfica para explorar a potência singular de sua presença e de sua voz.

Conectada em tempo real, por meio de fones de ouvido, aos registros sonoros da própria Nina Simone, McFadden interpreta canções emblemáticas, revisita seus posicionamentos políticos e evoca suas frustrações e lutas. Acompanhada por um piano automático (autopiano) e pela sofisticada criação sonora de Damiano Meacci, a artista constrói uma sobreposição quase fantasmagórica entre sua própria voz e a de Simone, revelando a voz humana como uma marca única e irreproduzível.

Entre tecnologia e encantamento, Nina propõe uma experiência sensorial e poética que convida o público a refletir sobre identidade, memória, racismo e resistência, reafirmando o legado artístico e político de uma das maiores vozes do século XX.

Ficha Técnica:

Performance: Claron McFadden

Concepção, Direção e Desenho de Luz: Luigi Noah De Angelis

Dramaturgia e Figurinos: Chiara Lagani

Criação Musical: Claron McFadden e Damiano Meacci (Tempo Reale)

Música Eletrônica e Desenho de Som: Damiano Meacci

Fotografia: Enrico Fedrigoli

Preparação Artística (Coaching): Andrea Argentieri

Gestão de Projeto e Promoção: Marco Molduzzi e Andrea Martelli

Administração: Stefano Toma

Produção: Fanny & Alexander/E Production e Muziektheater Transparant

Coprodução: IRCAM / Centre Pompidou (Paris), Festival d’Automne à Paris e Romaeuropa

Festival

Graces, de Silvia Gribaudi

Sala de Espetáculos

Dia 15 de agosto, sábado, às 21h

Dia 16 de agosto, domingo, às 17h

Classificação: 14 anos | Duração: 60min

GRACES é um projeto inspirado em As Três Graças, escultura criada por Antonio Canova entre 1812 e 1817. A obra tem origem na mitologia: as três filhas de Zeus, Eufrósine, Aglaia e Tália, irradiavam esplendor, alegria e prosperidade. Em cena, três figuras masculinas ocupam o palco em um espaço e tempo suspensos entre o humano e o abstrato: um lugar onde masculino e feminino se encontram sem papéis definidos e dançam ao ritmo da própria natureza.

Os três intérpretes masculinos ao lado da autora Silvia Gribaudi, que gosta de se definir como uma “autora do corpo”, pois sua poética transforma imperfeições em forma de arte por meio de um estilo cômico direto, cru e empático, sem fronteiras entre dança, teatro e artes performativas.

Ficha Técnica:

Coreografia: Silvia Gribaudi
Dramaturgia: Silvia Gribaudi e Matteo Maffesanti
Intérpretes: Silvia Gribaudi, Andrea Rampazzo, Francesco Saverio Cavaliere e Siro Guglielmi
Desenho de luz: Antonio Rinaldi
Direção técnica: Luca Serafini
Técnicos em turnê (em revezamento): Leonardo Benetollo, Paolo Rodighiero, Luca Serafini e Alessandro Palumbi
Figurinos: Elena Rossi
Produção: Associazione Culturale Zebra
Coprodução: Santarcangelo Festival
Com apoio do MiC – Ministério da Cultura da Itália

FICHA TÉCNICA SCENA:

SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea 2026

Idealização e Curadoria: Rachel Brumana

Coordenação de Produção: Dani Correia e Rachel Brumana

Coordenação de Comunicação e Produção Executiva: Veni Barbosa

Coordenação Financeira e Administrativa: Gabi Correia

Coordenação Técnica: Grazi Vieira

Assistência de Produção e Receptivo: Nina Brumana Camozzi

Técnico de Luz e Vídeo: Eduardo Albergaria

Técnica de Som: Emillie Becker

Costura e Cenotécnica: Enrique Casas e Airton Casas

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação

Design Gráfico: Érico Peretta

Registro Audiovisual: Thais Taverna – Taverna Produções

Produção: Associação SÙ de Cultura e Educação

Realização: Instituto Italiano de Cultura de São Paulo (IIC) e Sesc SP.

SERVIÇO:

Scena – Semana da Cena Italiana Contemporânea – 5ª edição

De 8 a 16 de agosto

SESC BELENZINHO   

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.

Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

sescsp.org.br/Belenzinho

Ingressos: R$60 (inteira) / R$30 (meia) / R$18 (credencial plena)

Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.

Limite de 2 ingressos por pessoa.

Venda online a partir de 28 de julho às 17h; Venda presencial a partir de 29 de julho às 17h.

Transporte público: Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Estacionamento: de terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional.

Sesc Belenzinho nas redes:    Facebook | Instagram | @sescbelenzinho.

(Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Teatro Amazonas vira Patrimônio Mundial da Unesco em meio a alta de 49% nas reservas para atividades em Manaus

Manaus, AM, por Kleber Patricio

Reconhecida pela Unesco ao lado do Theatro da Paz, a casa de ópera de Manaus torna-se o primeiro bem cultural do Norte brasileiro na lista. Foto: Civitatis Brasil.

O cartão-postal mais conhecido de Manaus acaba de ganhar um novo status. Na madrugada do último dia 27, durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul, o Teatro Amazonas foi reconhecido como Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco, em candidatura conjunta com o Theatro da Paz, de Belém. Sob a denominação “Teatros da Amazônia”, os dois edifícios se tornam o primeiro bem cultural da Região Norte a integrar a lista e a 26ª inscrição brasileira.

Para Alexandre Oliveira, country manager da Civitatis, plataforma de reserva de atividades e experiências presente em mais de 160 países, o título deve acelerar um movimento que já aparece nos próprios dados da empresa: a projeção da capital amazonense como destino de turismo cultural, e não apenas como porta de entrada para a floresta.

O reconhecimento chega em um momento de expansão do turismo no estado. Em janeiro de 2026, dados da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE apontaram avanço de 4,7% na atividade turística estadual ante dezembro.

O ritmo se reflete na própria demanda registrada pela Civitatis em Manaus. No primeiro semestre de 2026, o número de reservas de atividades na cidade avançou cerca de 49% na comparação ano a ano, segundo dados internos da plataforma. E, embora a floresta ainda concentre a maior parte da procura, os passeios pelo centro histórico já aparecem entre os mais reservados: nos primeiros seis meses do ano, os tours urbanos com foco no Teatro Amazonas responderam por quase um em cada cinco reservas na cidade (18%), incluindo a visita guiada por Manaus e ao Teatro Amazonas, ficando atrás apenas das experiências na selva e dos passeios pelos rios Negro e Amazonas. “Já vínhamos observando um interesse crescente por Manaus e o centro histórico ganhava espaço mesmo antes do anúncio. O Teatro Amazonas sempre foi um ícone, mas para muitos viajantes ele era um detalhe dentro de uma viagem cuja motivação principal era a floresta. O selo da Unesco muda essa hierarquia: ele transforma o próprio centro histórico da cidade em um motivo de viagem e é uma referência que o turista internacional reconhece na hora de escolher um destino”, afirma Alexandre Oliveira.

Inaugurado em 1896, em Manaus, o teatro nasceu como símbolo do ciclo da borracha, período em que o látex amazônico financiou uma súbita modernização urbana no fim do século XIX. A arquitetura inspirada na Belle Époque europeia, com mármore de Carrara, ferro forjado e uma cúpula de telhas coloridas nas cores da bandeira brasileira, convivia com materiais e referências da própria floresta, o que a Unesco reconheceu como uma identidade cultural singular. Tanto o Teatro Amazonas quanto o Theatro da Paz, em Belém, já eram tombados pelo Iphan desde a década de 1960.

Por que o título da Unesco importa para o turista

Ao contrário de um monumento isolado, o Teatro Amazonas está inserido em um centro histórico que concentra boa parte da memória do ciclo da borracha. A poucos passos do teatro ficam o Largo de São Sebastião, com seu calçamento ondulado, a igreja de mesmo nome, o porto de Manaus, um dos maiores portos fluviais do mundo, e o mercado municipal Adolpho Lisboa, de 1883, cuja estrutura de ferro remete aos projetos de Gustave Eiffel. É esse conjunto, e não apenas a casa de ópera, que passa a contar com o reconhecimento internacional.

Na prática, quem visita a cidade encontra esses pontos reunidos em um mesmo roteiro a pé, modelo que já é o terceiro tipo de experiência mais reservado pelos clientes da Civitatis em Manaus. A visita guiada por Manaus e ao Teatro Amazonas oferecida pela Civitatis com guia em português parte justamente do Largo de São Sebastião e inclui a entrada no teatro, onde o visitante conhece o interior revestido de mármore italiano e a história da construção antes de seguir pelo porto, pelo mercado Adolpho Lisboa e pelo mirante Lúcia Almeida, de onde cidade e floresta parecem se fundir no horizonte. O percurso dura de três horas e meia a quatro horas.

Um cartão de visitas para o Norte do país

A entrada do Teatro Amazonas na lista da Unesco também ajuda a reposicionar Manaus como um centro cultural no Norte. Para o viajante que quer entender a região além da floresta, o teatro passa a funcionar como âncora de itinerários urbanos, que costumam ser combinados com clássicos amazônicos como a excursão ao Encontro das Águas e tribo indígena, fenômeno em que as águas escuras do Rio Negro correm lado a lado com as barrentas do Solimões sem se misturar, e a excursão às cataratas de Presidente Figueiredo, a cerca de 100 km ao norte da capital, onde a floresta se abre em quedas d’água e igarapés. “Quando um destino ganha um reconhecimento desse porte, o interesse não se limita ao monumento em si. Ele se espalha pela cidade e pela região no entorno. Nossa expectativa é de que Manaus e Belém passem a aparecer com mais força nos planejamentos de viagem, inclusive de estrangeiros, e que o turismo cultural caminhe lado a lado com o turismo de natureza que já é forte no Norte”, conclui Alexandre Oliveira.

(Com Leonardo Moura/Civitatis Brasil)

Concerto no Theatro Municipal celebra a inclusão por meio da música

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Evento do Instituto Olga Kos integra Calendário Oficial da capital paulista e será realizado pela primeira vez em um dos mais importantes palcos culturais do Brasil. Fotos: Divulgação.

Tudo começou em 2019, na Galeria Olido, em São Paulo, com o Concerto In Batukada. A iniciativa foi crescendo e ocupando espaços emblemáticos como o MASP, o Memorial da América Latina e o Teatro Sérgio Cardoso como instrumento de inclusão, transformação social e celebração da diversidade. Em 2026, passa a ocupar um palco histórico. Pela primeira vez, o Concerto Notas que Iluminam o Mundo, idealizado e promovido pelo Instituto Olga Kos, será realizado no Theatro Municipal, um dos símbolos da cultura e artes da cidade de São Paulo e do Brasil.

O evento acontece no dia 8 de novembro a partir das 19h e marca uma edição ímpar do projeto, que passa a integrar oficialmente o Calendário Oficial da Cidade de São Paulo por meio da Lei nº 18.217. Ao todo, 150 participantes com e sem deficiência compartilharão o palco com músicos profissionais e da Orquestra Sinfônica Jovem Municipal sob regência do maestro Henrique Villas Boas, além do Madrigal Etcetera e Tal regido pela maestrina Márcia Henchel. O espetáculo contará ainda com a participação de artistas convidados, reforçando a proposta de inclusão social por meio da arte.

O Concerto é o produto de um trabalho contínuo desenvolvido pelo Instituto Olga Kos com o objetivo de democratizar o acesso à cultura e ampliar oportunidades para pessoas com deficiência ou em situação de vulnerabilidade social. Os ingressos são gratuitos e estarão sujeitos à disponibilidade. Para validar o acesso ao espetáculo, será imprescindível a doação de 1 kg de alimento não perecível na entrada do Theatro Municipal. Para facilitar o acesso do público interessado, o Instituto Olga Kos abrirá uma Lista Exclusiva para o concerto. Quem realizar o cadastro pelo formulário receberá, antecipadamente, o link para retirada dos ingressos, antes da divulgação ao público em geral. “É uma emoção muito grande testemunhar a trajetória desse projeto. O que começou de forma simples, em uma galeria da cidade, tornou-se um dos maiores eventos de inclusão cultural de São Paulo. Chegar ao Theatro Municipal, um espaço de enorme relevância para a cultura brasileira, e ainda integrar oficialmente o calendário da cidade representa o reconhecimento de que a arte é capaz de transformar vidas e aproximar pessoas. Este é um marco não apenas para o Instituto Olga Kos, mas para todos que acreditam na inclusão por meio da cultura”, afirma Wolf Kos, presidente do Instituto Olga Kos.

Repertório eclético e inclusivo

Com o tema “Notas que Iluminam o Mundo”, o repertório da edição 2026 promete uma viagem musical por diferentes culturas e países, mesclando obras clássicas e populares como Bachianas Brasileiras nº 2 (Trenzinho Caipira), de Heitor Villa-Lobos; Eine Kleine Nachtmusik, de Mozart; Rhapsody in Blue, de George Gershwin; Bolero, de Maurice Ravel; Por Una Cabeza, de Carlos Gardel; Asa Branca, de Luiz Gonzaga; e Aquarela do Brasil, de Ary Barroso.

Para a vice-presidente do Instituto Olga Kos, Dra. Olga Kos, a música desempenha um papel fundamental na construção de uma sociedade mais inclusiva. “A música tem um poder extraordinário de acolher, conectar e dar voz às pessoas. Para as pessoas com deficiência, ela representa muito mais do que uma manifestação artística: é uma ferramenta de expressão, desenvolvimento e fortalecimento da autoestima. Ver essas pessoas ocupando um palco tão simbólico como o Theatro Municipal é uma demonstração concreta de que a inclusão acontece quando oferecemos oportunidades e valorizamos os talentos de cada indivíduo”, destaca.

Além do caráter artístico, o evento reforça o compromisso do Instituto Olga Kos com a acessibilidade e a participação plena de pessoas com deficiência em todas as etapas do projeto, desde a preparação até a apresentação final. A expectativa é reunir mais de 1,5 mil espectadores em uma noite marcada pela emoção, pela excelência musical e pela valorização da diversidade humana.

Serviço:

Concerto da Cidade de São Paulo – Notas que Iluminam o Mundo
Data: 8 de novembro de 2026
Horário: 19h
Local: Theatro Municipal de São Paulo
Endereço: Praça Ramos de Azevedo, s/nº – Centro Histórico, São Paulo (SP)
Entrada Gratuita.

Sobre o Instituto Olga Kos

Fundado há 19 anos, o Instituto Olga Kos de Inclusão é uma organização sem fins lucrativos, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desenvolve projetos artísticos, esportivos e científicos para atender, crianças, jovens, adultos e idosos com deficiência e abre espaço para pessoas em situação de vulnerabilidade social, proporcionando trocas de experiências e inclusão. Ao traçar sua rota, o OLGA acompanha a trajetória do beneficiário e sua evolução durante a realização das oficinas, adaptando e melhorando as metodologias por intermédio de pesquisas e instrumentos inéditos, como o Indicador de Desenvolvimento Olga Kos (Idok) e o Índice Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência Olga Kos (Iniok_pcd).

(Fonte: Instituto Olga Kos)

Agosto Indígena do Sesc São Paulo destaca protagonismo tecnológico dos povos originários

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

De 6 a 16 de agosto, cerca de 120 atividades – diversas delas, gratuitas – em mais de 30 unidades no estado convidam o público a conhecer os múltiplos significados do conceito de tecnologia para os povos indígenas. Foto: Divulgação.

Entre os dias 6 e 16 de agosto, diversas unidades do Sesc em todo o estado de São Paulo realizam ações voltadas ao Agosto Indígena, com o tema “Tecnologias Indígenas”. A iniciativa tem como objetivo criar espaços de visibilidade para as práticas e conhecimentos de diversas etnias, propondo reflexões sobre o conceito de tecnologia que engloba tanto o universo digital quanto os métodos tradicionais e contemporâneos de manejo, subsistência, arte e ativismo político.

O projeto baseia-se nos saberes-fazeres dos mais de 300 povos originários do território hoje conhecido como Brasil. É o caso de diversos conhecimentos ancestrais, como aqueles conectados aos sistemas agrícolas tradicionais, que fazem das roças indígenas verdadeiros repositórios de biodiversidade – cultivadas com técnicas atualmente difundidas pelo termo “agrofloresta”. Além disso, as ações demonstram o mapeamento e o uso de ferramentas contemporâneas, como o audiovisual e as redes sociais, em iniciativas de valorização cultural e na defesa territorial dessas comunidades.

A programação inclui atividades como exibições de cinema, bate-papos, shows, oficinas e vivências esportivas, com ações gratuitas e para diversas faixas etárias.
A abertura acontece no Sesc Pompeia, no dia 6 de agosto, quinta-feira, às 19h, com o encontro Tecnologias de Resistência. A programação conta com intervenções artísticas e bate-papo. Estarão presentes Alberto Alvares, Eunice Kerexu Yxapyry, Geni Núñez, Lilly Baniwa, Paulinho Fluxus_, Sioduhi e Suraras do Tapajós para visibilizar e debater as mais diversas tecnologias acionadas pelos povos indígenas no Brasil.

Entre as atrações, haverá o desfile de Sioduhi Waíkhun, estilista e diretor criativo de moda, integrante do povo Waíkahna (Piratapuya). Suas criações têm como fio condutor a ancestralidade, o design e a inovação, desenvolvendo coleções pautadas na responsabilidade socioambiental, que valorizam tecnologias originárias e fortalecem a economia criativa da Amazônia.

No Sesc Interlagos, no dia 7 de agosto, o público poderá acompanhar o bate-papo Tecnologias Indígenas do Cuidado, com Lyryca e Txai Suruí. A mediação será de Jessica Jera, articulando conversas sobre saberes ancestrais a partir do documentário Kunhã Karai.

Inspirada no livro que a nomeia, escrito pela liderança indígena Ailton Krenak, a peça Ideias para Adiar o Fim do Mundo será apresentada no Sesc Santo André (7/8), Sesc Campo Limpo (8/8) e Sesc 24 de Maio (9/8).

No Sesc 14 Bis, no dia 12 de agosto, ocorre o lançamento do livro O Feitiço do Fio: A Busca Pelo Manto Tupinambá, num encontro com a autora Glicéria Tupinambá e mediação de Rita Carelli, abordando o processo de repatriamento dos mantos tupinambás.

O documentário Yvy Pyte: Coração da Terra, dirigido por Alberto Alvares e José Cury, será exibido no Sesc Pompeia (7/8), e ganha sessões de bate-papo, em sequência, com os cineastas no Sesc Santo André (8/8), Sesc Piracicaba (9/8) e Sesc Franca (11/8).

A cantora, compositora e ativista Clara Potiguara apresenta o espetáculo Akajubaté, celebrando a cultura do povo Potiguara com toré, coco de roda e sonoridades contemporâneas em apresentações no Sesc Jundiaí (8/8), Sesc Ribeirão Preto (9/8) e Sesc Belenzinho (13/8).

A pluralidade de ações também permitirá ao público imersão nos saberes, metodologias e memórias de diferentes territórios. A artista e educadora Liça Pataxoop apresenta a metodologia de ensino do povo Pataxoop no bate-papo Tehêy: Metodologia de Ensino da Aldeia Muã Mimatxi, no Sesc São Carlos (11/8), na oficina Conhecendo Tehêys, no Sesc Ribeirão Preto (12/8), e no curso O Tehêy de Dona Liça Pataxoop: Pescaria de Conhecimentos, no Centro de Pesquisa e Formação (15/8).

Em diálogo com a memória urbana e territorial paulista, o historiador e liderança Casé Angatu conduz a palestra O Caminho do Peabiru: Memória Central Marcando as Indígenas Identidades Paulistas, no Sesc Sorocaba (12/8), a vivência e caminhada Îe’engara Guatá Toré: Pinheiros é Terra Indígena e Ribeirinha, pelo Sesc Pinheiros (15/8), e a aula aberta Indígenas Identidades Paulistas, no Sesc Avenida Paulista (16/8).

A força e o protagonismo feminino indígena também ganham espaço na roda de conversa Kunhangue Nhemboaty: Encontro de Mulheres Guarani e Partilha de Narrativas, que reúne mulheres Guarani de diferentes regiões no Sesc Pinheiros (7/8) e no Sesc Sorocaba (8/8).

O atleta Lavozier Marubo compartilha sua trajetória e ensina os fundamentos da modalidade na Apresentação Esportiva e Aula Aberta de Luta Greco-Romana no Sesc Campo Limpo (8/8) e no Sesc Ribeirão Preto (9/8). Já a atleta arqueira Graziela Santos (Yaci), do povo Karapãna, conduz a Apresentação Esportiva e Aula Aberta de Tiro com Arco, articulando a prática com a tradição indígena, no Sesc Ribeirão Preto (8/8) e no Sesc Campo Limpo (9/8).

Confira alguns destaques das unidades do Sesc da edição do Agosto Indígena:

Desfile Mulheres Indígenas em Ação (Sesc Consolação)

Intervenção de expressão corporal na Área de Convivência focada na afirmação, no protagonismo e na atualização estética de lideranças originárias de diferentes territórios indígenas.

Dia 16/8, domingo, às 15h.

Culinária Guarani: Saberes e Tradições Indígenas (Sesc Pinheiros)

Curso prático ministrado pela liderança Jerá Guarani sobre o preparo de pratos tradicionais como o mbeju e o jopara, conectando técnicas de alimentação e preservação do território.

Dias 11, 18 e 25/8, terças-feiras, às 19h.

Exibição do filme A Queda do Céu (Sesc Guarulhos e Sesc Consolação)

Sessão cinematográfica do documentário dirigido por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, baseado na cosmologia Yanomami e na obra do xamã Davi Kopenawa com o antropólogo Bruce Albert.

Dia 12/8, quarta-feira, às 19h30 no Sesc Guarulhos. Dia 27/8, quinta-feira, às 19h no Sesc Consolação.

Amazônia Viva em Realidade Virtual (Sesc Franca)

Experiência imersiva em tecnologia 360° conduzida pela liderança Raquel Tupinambá, transportando o público ao Rio Tapajós para vivenciar a floresta sob a perspectiva originária.

Dias 15 e 16/8, sábado e domingo, às 13h.

Aulas Abertas de Tiro com Arco (Sesc Campo Limpo e Sesc Ribeirão Preto)

Demonstração esportiva e vivência prática guiadas por Graziela Santos (Yaci), atleta do povo Karapãna e integrante da seleção brasileira da modalidade.

Dia 8/8 no Sesc Ribeirão Preto e dia 9/8 no Sesc Campo Limpo.

Acesso à programação 

As atividades são majoritariamente gratuitas. A participação varia de acordo com o formato da atividade e o local de realização na unidade. Para verificar a programação completa, acesse: sescsp.org.br/agosto-indigena.

(Com Romeu Marinho Ubeda/Sesc SP)

MACS recebe estreia brasileira do projeto Gravitas, de Túlio Pinto e Eduardo Rezende

Sorocaba, SP, por Kleber Patricio

Túlio Pinto & Eduardo Rezende, Gravitas – Ato I #03, 2025, Impressão fine art com pigmento mineral sobre papel Canson Infinity Somerset Enhanced, 180 x 135 cm. Fotos: Eduardo Rezende.

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS) recebe, a partir de 15 de agosto de 2026, a exposição “Gravitas”, com curadoria de Patrícia Borges. A data de abertura coincide com o aniversário de fundação de Sorocaba, em 15 de agosto de 1654. A mostra corresponde ao Ato I do projeto do artista Túlio Pinto em colaboração com o fotógrafo Eduardo Rezende, apresentado previamente com dois conjuntos de obras na Piero Atchugarry Gallery, em Miami, Estados Unidos.

Gravitas marca a primeira vez em que Túlio Pinto introduz o corpo humano em seu vocabulário. O artista trabalha há anos com escultura e instalação a partir de investigações sobre peso, equilíbrio e resistência dos materiais, usando concreto, ferro e vidro. Para este projeto, ele convidou Eduardo Rezende, fotógrafo que se relaciona com o universo da moda, área em que o corpo costuma ser fotografado de forma idealizada. Para Gravitas, o corpo se transforma em estrutura escultórica em diálogo com pedras brutas. Aqui o esforço físico, a deformação e a tensão entre corpo e peso constroem um novo sistema de relações. O conjunto fotográfico inverte a lógica tradicional da escultura, em que o artista talha ou modela uma matéria inerte.

Nas fotografias de Rezende, pedras brutas funcionam como elemento ativo, imprimindo seu peso sobre modelos de diferentes tipos físicos, escolhidos para a série. Mãos, braços e torsos reagem ao contato direto com a pedra e as mãos aparecem como ponto de transferência entre os dois materiais. As fotografias são em preto e branco, de grande formato e com alto contraste.

Túlio Pinto & Eduardo Rezende, Gravitas – Ato I #16, 2025, Impressão fine art com pigmento mineral sobre papel Canson Infinity Somerset Enhanced, 180 x 135 cm.

Na entrada do MACS, duas pedras ficam disponíveis para o público. Os visitantes podem tocar, levantar e sentir o peso desses elementos, o que estende para o espaço expositivo a experiência física registrada nas imagens. Uma agenda de atividades educativas liderada por Sadao Mori acompanha o período da exposição.

O título do projeto parte do termo latino gravitas, que remete simultaneamente ao peso físico e a um sentido de rigor. Túlio Pinto ocupa posição de referência na escultura contemporânea brasileira. Realizou exposições individuais no Brasil e no exterior; entre elas, Cerrado Cultural, em Brasília, Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, Millan, em São Paulo, Bienal de Vancouver (2014, Canadá), o Phoenix Institute of Contemporary Art (2015, Estados Unidos), Fondamenta Sant’Apollonia, em Veneza e a Piero Atchugarry Gallery. Recebeu prêmios como o 65º Salão Paranaense e o Prêmio Energisa Artes Visuais e tem obras em coleções institucionais, como as do Museu Marta Herford, na Alemanha, da Fundación Pablo Atchugarry, no Uruguai, e do Museu Oscar Niemeyer, no Brasil, além de coleções privadas.

Túlio Pinto & Eduardo Rezende, Gravitas – Ato I #17, 2025, Impressão fine art com pigmento mineral sobre papel Canson Infinity Somerset Enhanced, 135 × 180 cm.

Eduardo Rezende é fotógrafo com atuação no Brasil e no exterior. Sua produção aborda arquitetura, paisagem e espaços em transformação. Expôs individualmente na Piero Atchugarry Gallery, em Miami e em Torino, na Art Basel Miami, na Casa Gabriel, em São Paulo, e na Pair Gallery, entre outros espaços. Participou de mostras coletivas como o Art Factory Project, em Miami, e a Mostra Flávio de Carvalho Desveste, no MuBE e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Participou de residências artísticas e assinou editoriais para publicações como Vogue, Harper’s Bazaar, L’Officiel e Elle.

Patrícia Borges é curadora e consultora de arte. Atua há mais de 16 anos nos mercados nacional e internacional. Formou-se em Administração de Empresas e Economia pela Universidade de Ribeirão Preto e cursou Business na New York University Stern School. É mestre em Art as a Financial Asset pela New York University e em Art Institutions Management pela ESE, em Florença, na Itália, concluído em 2024. Desenvolve projetos curatoriais de grande escala na interseção entre arte, patrimônio, investimento e sustentabilidade.

“A abertura da exposição acontece em 15 de agosto, data que marca o aniversário de 372 anos de fundação de Sorocaba. A escolha do dia reforça o compromisso do MACS com a agenda cultural da cidade.” — Carol Paiffer, presidente do MACS.

SERVIÇO:

Gravitas | Túlio Pinto e Eduardo Rezende

Curadoria: Patrícia Borges

Pré-abertura para convidados: 14 de agosto, das 18h às 22h

Abertura: 15 de agosto de 2026

Visitação: até 15 de novembro de 2026

Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS

Endereço: Av. Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro, Sorocaba

Horário: Terça a sexta, das 10h às 17h | Sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h

Realização: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS

Apoio: Secretaria de Cultura de Sorocaba, Dan Galeria, Ágere, Applix, Nucleo TCM

Patrocínio: Laranjinha Itaú, Itaú, White Martins, Ministério da Cultura, Lei Rouanet

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)