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Projeto Arapenas promove oficinas gratuitas de costura e reaproveitamento de tecidos

Indaiatuba, SP, por Kleber Patricio

Iniciativa utiliza técnicas de upcycling para transformar restos de tecidos em objetos e peças utilitárias, estimulando práticas ligadas à economia circular, criatividade e geração de renda. Fotos: Kora Prince.

Transformar aquilo que seria descartado em uma nova possibilidade de uso é a proposta do Projeto Arapenas, que realiza, em outubro, oficinas gratuitas de iniciação artística e costura em diferentes espaços de Indaiatuba, município da Região Metropolitana de Campinas (SP). A iniciativa utiliza técnicas de upcycling, conceito relacionado ao reaproveitamento criativo de materiais, para ensinar os participantes a transformar restos de tecidos em novos objetos e peças utilitárias.

Durante as oficinas, os participantes terão contato com elementos das artes visuais, como desenho, fotografia e moda, enquanto aprendem a produzir objetos a partir de sobras de tecidos. Cada oficina terá seis horas de duração e, além da formação para a confecção das peças, pretende oferecer conhecimentos que possam ser utilizados posteriormente na produção e comercialização dos objetos, aproximando a atividade dos princípios da economia criativa e da geração de renda.

A programação é voltada prioritariamente a mulheres de diversos bairros e pessoas em situação de vulnerabilidade social, e integra uma proposta que relaciona sustentabilidade, empoderamento feminino e geração de renda. O projeto prevê seis oficinas de iniciação artística, com 12 vagas cada, além de eventos culturais para apresentar as peças produzidas e estimular a economia criativa. Em Indaiatuba, as oficinas serão realizadas na Casa Anália Franco, no Instituto Atos 4, na Casa da Fraternidade e na Associação de Bairro do Jardim Brasil. As inscrições serão feitas presencialmente nas próprias instituições. O projeto contará ainda com três eventos de encerramento, em que as participantes receberão certificados de participação, poderão expor as obras em uma feira de artesanatos e participarão de um evento cultural com música, desfile e fotografia. Dois deles serão realizados nos dias 31/10, às 16 horas, na Associação de Bairro do Jardim Brasil, e 04/11, na Casa Anália Franco.

A proposta dialoga com um desafio ambiental que cresce junto com o consumo de roupas. Segundo dados divulgados pela Agência Brasil, cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis são descartados anualmente pelos domicílios brasileiros. Parte desse material é encaminhada aos aterros sanitários, aumentando a pressão sobre o sistema de gestão de resíduos e contribuindo para impactos ambientais associados à produção, ao descarte e à decomposição dos tecidos. Nesse cenário, a economia circular propõe uma mudança na forma de olhar para os materiais. “Em vez de considerar um produto como algo que tem valor apenas até o momento do descarte, a lógica é prolongar sua utilização, reaproveitar seus componentes e criar novos ciclos de uso. No Arapenas, esse conceito é trabalhado de forma prática, por meio da costura e da criação artística”, explica Roberto Limberger, arte-educador do projeto.

O Arapenas é realizado pela Papillon Produções Artísticas, com apoio do Instituto Ideia Coletiva, e conta com patrocínio da MANN + HUMMEL por meio do ProAC ICMS, programa de ação cultural do Estado de São Paulo.

SERVIÇO:

Projeto Arapenas SP: Oficinas gratuitas de costura e reaproveitamento de tecidos

Casa Anália Franco (2 oficinas)

Data: 19, 21, 26 e 28/10 – segundas e quartas-feiras

Horário: das 13h30 às 16h30

Endereço: Rua Celestino Guimarães, 74, Centro – Indaiatuba

Instituto Atos 4 – Abrigo Institucional Feminino (1 oficina)

Data: 26 e 27/10 – segunda e terça-feira

Horário: das 9 às 12 horas

Endereço: Rua Ademar Von Ah, 840, Jardim Aldrovandi – Indaiatuba

Casa da Fraternidade (1 oficina)

Data: 20 e 27/10 – terças-feiras

Horário: das 14 às 17 horas

Endereço: Rua Antônio Vaciloto, 275, Jardim Oliveira Camargo – Indaiatuba

Associação de Bairro do Jardim Brasil (2 oficinas)

Data: 22 e 29/10 – quintas-feiras

Horário: das 9 às 12 horas e das 13 às 16h30

Endereço: Rua Lourenço Martins do Amaral, 271, Jd. Brasil – Indaiatuba

Eventos de encerramento:

Casa Anália Franco

Data: 04/nov – quarta-feira

Horário: das 13h30 às 16h30

Endereço: Rua Celestino Guimarães, 74, Centro – Indaiatuba

Associação de Bairro do Jardim Brasil

Data: 31/10 – sábado

Horário: das 16 às 18 horas

Endereço: Rua Lourenço Martins do Amaral, 271, Jd. Brasil – Indaiatuba.

(Com Carol Cerqueira/Fábrica de Histórias)

Artestil apresenta “A Doce Arte de Viver”, de Juarez Machado, em homenagem ao artista

Curitiba, PR, por Kleber Patricio

Imagens: Divulgação/Artestil.

A Artestil Galeria de Arte inaugurou no último sábado, 17 de outubro, a exposição “A Doce Arte de Viver – La Dolce Art de Vivre”, de Juarez Machado. A mostra estava pronta e com abertura marcada quando o artista faleceu, no último dia 6 de outubro, aos 85 anos.

Representante de Juarez Machado, a galeria consultou a família sobre o futuro da exposição. A decisão foi mantê-la. “Vamos continuar com a exposição porque meu pai gostaria que suas obras continuassem vivas”, afirmou João Machado, filho do artista. Com isso, a mostra ganha um novo sentido: passa a ser uma homenagem a Juarez e à sua família. A Artestil assume o compromisso de realizar esse desejo e de celebrar a vida do artista e sua contribuição imperecível ao mundo da arte.

O título da exposição resume o espírito de sua obra. Em telas de cores intensas, Juarez Machado retratou a boemia, a música, a dança e os encontros, com personagens elegantes e teatrais que se tornaram sua assinatura. Reunidas agora, as obras convidam o público a celebrar justamente aquilo que o artista mais pintou: o prazer de viver.

Juarez Machado nasceu em Joinville (SC), em 1941, e estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba. Pintor, escultor, desenhista e ilustrador, construiu um universo próprio, reconhecível à primeira vista. Em 1986 mudou-se para Paris, onde viveu e trabalhou por quatro décadas. De lá, levou o olhar brasileiro ao mundo, com exposições em diversos países e obras em importantes coleções. Sua arte permanece, seu traço permanece, sua história permanece.

(Com Emelin Leszczynski/Isabela França Conteúdo Estratégico)

‘Causos’ de Rolando Boldrin chegam ao palco do Sesc Belenzinho com Geni Cavalcante em “O Céu de Durvalina”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cena de “O Céu de Durvalina”. Fotos: Ariane Artioli.

Os causos de Rolando Boldrin chegam aos palcos às vésperas do aniversário de 90 anos que o artista completaria em 22 de outubro. A partir de 29 de outubro, o Sesc Belenzinho recebe “O Céu de Durvalina”, solo de Geni Cavalcante que retoma uma personagem criada entre 2009 e 2010, a partir da obra de Boldrin. A montagem é uma homenagem ao artista, cuja trajetória na música e na televisão esteve ligada à valorização da cultura popular brasileira.

A personagem Durvalina surgiu no espetáculo “Contando Causos”, dirigido por Ana Wuo, no qual Geni Cavalcante recriava figuras do cotidiano por meio da Mimesis Corpórea, procedimento de pesquisa desenvolvido pelo Lume Teatro. A atriz conheceu e trabalhou a personagem a partir da observação de pessoas reais e, mais de uma década depois, decidiu aprofundá-la em um solo. Para a nova montagem, os causos de Boldrin foram incorporados à dramaturgia de Nereu Afonso da Silva, com autorização de sua viúva, Patrícia Boldrin.

Em “O Céu de Durvalina”, Durvalina é uma mulher que deixou São João do Paraíso, no interior de Minas Gerais, há mais de três décadas, carregando o sonho de comprar uma máquina de costura para a mãe. Em São Paulo, vende bolos e café em um ponto de ônibus, onde compartilha causos e memórias com quem passa. A personagem atravessa histórias de migração, saudade e pertencimento, em diálogo com referências da música raiz caipira e com o universo dos causos populares.

A montagem – O espetáculo também recupera a relação de Geni Cavalcante com o repertório de Boldrin. Em “Contando Causos”, o artista acompanhou o trabalho da atriz e se emocionou com a criação. Agora, os causos voltam à cena em uma obra construída especialmente para Durvalina. O espetáculo traz ainda referências musicais ligadas ao universo de Boldrin, com canções e gravações de nomes como Milionário & José Rico, Pena Branca & Xavantinho e Helena Meirelles. Em uma das cenas, Durvalina dança com o vestido da mãe ao som de “Mãezinha Querida”, de Carlos Galhardo.

A relação com a cultura do interior também aparece em um momento em que a personagem convida o público a participar de uma lembrança da festa de São João do Paraíso, o “Segura Cano”. Em cena, o café servido por Durvalina reforça a proximidade com o público e o cotidiano da personagem.

A construção da atual Durvalina partiu ainda de uma nova pesquisa realizada por Geni Cavalcante nas ruas de São Paulo, com vendedores ambulantes, motoristas e cobradores de ônibus, porteiros, trabalhadores de supermercado, garçons e migrantes. Gestos, modos de falar e formas de caminhar observados nesse processo foram incorporados à personagem por meio da Mimesis Corpórea. A Durvalina apresentada agora, porém, é uma personagem ficcional, construída a partir dessas referências e da trajetória iniciada em “Contando Causos”.

Rolando Boldrin morreu em novembro de 2022, aos 86 anos. Durante 17 anos, apresentou o programa “Sr. Brasil”, na TV Cultura, dedicado à música e às manifestações da cultura popular brasileira. Em 2015, recebeu a Ordem do Mérito Cultural do governo federal. “O Céu de Durvalina” se soma às homenagens ao artista ao levar novamente seus causos para a cena, agora integrados à trajetória de uma personagem que nasceu justamente desse repertório.

Sinopse | Em cena, Durvalina é uma mulher que deixou São João do Paraíso (MG) há mais de três décadas, carregando o sonho de comprar uma máquina de costura para a mãe. Hoje vende bolos e café num ponto de ônibus em São Paulo, onde compartilha causos e memórias com quem passa. Inspirado em “Contando Causos”, espetáculo de 2010 sobre a obra de Rolando Boldrin, o solo tem atuação de Geni Cavalcante, direção artística de Ronaldo Aguiar e dramaturgia de Nereu Afonso da Silva. Uma homenagem à cultura popular brasileira e aos migrantes que vieram para a cidade grande.

FICHA TÉCNICA

Atuação: Geni Cavalcante

Dramaturgia: Nereu Afonso da Silva

Argumento e pesquisa: Geni Cavalcante

Direção artística: Ronaldo Aguiar

Codireção: Leandro Simões

Preparação da atuação: Mawusi Tulani

Mimesis Corpórea: Ana Wuo

Colaboradora cênica: Cristiane Urbinatti

Designer de luz: Giovanna Gonçalves

Direção musical: Leandro Simões

Figurinos: Christiane Galvan

Costureira: Mariluce Constantina da Costa

Adereços e cenário: Bira Nogueira

Contrarregra: Paulo Pellegrini

Técnica de luz: Stella Politti

Técnico de som: Leandro Simões

Causos: Rolando Boldrin

Produtora Executiva e Diretora de Produção: Taís Cabral

Designer gráfico: Saulo Martin

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação

Mídias sociais: Flávio Petins

Fotos: Ariane Artioli

Realização: Justas Produções.

SERVIÇO:

O Céu de Durvalina

Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos II

De 29 de outubro a 13 de dezembro de 2026

Quinta-feira (29/10), sextas e sábados, às 21h; domingos e feriado (20/11), às 17h

22 apresentações

Sessões com acessibilidade em Libras:

14 de novembro, sábado, às 21h

20 de novembro, sexta-feira, às 17h

05 de dezembro, sábado, às 21h

13 de dezembro, domingo, às 17h

Duração: 70 minutos

Classificação: 12 anos

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.  Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

sescsp.org.br/Belenzinho

Transporte público: Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Estacionamento:  De terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$10,00 a primeira hora e R$4,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$20,00 a primeira hora e R$5,00 por hora adicional.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Caso real de ufologia no Pará inspira ficção especulativa sobre avô desaparecido

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Operação Colares – Capa.

Em 1977, moradores da ilha de Colares, no Pará, relataram ver luzes misteriosas no céu. Os avistamentos levaram o Exército à região e deram origem à Operação Prato, investigação que se tornou um dos casos ufológicos mais conhecidos do Brasil. Quase 50 anos depois, esse episódio serve de inspiração para o livro “Operação Colares”, de Luana Cruz, que transforma os relatos sobre os avistamentos em uma narrativa que une suspense, ficção especulativa e um mistério familiar que atravessa gerações.

Na obra, publicada pela Plataforma21, o leitor conhece Laila Rosário, que deixou a região 10 anos atrás e não pretendia voltar. No entanto, um telefonema da avó, faz com que ela retorne à ilha para uma despedida. O que deveria ser uma passagem rápida pela cidade muda quando um pescador é encontrado ferido e carregando uma mensagem ligada ao avô de Laila, Josué Rosário, desaparecido décadas antes, depois de partir para o mar seguindo as luzes que eram vistas sobre Colares. Dado como morto ou abduzido, ele deixou para trás uma família que nunca soube o que realmente havia acontecido.

Ao seguir as pistas encontradas na mensagem nas águas, a protagonista percebe que o desaparecimento do avô pode esconder uma história muito diferente daquela que a cidade contou durante décadas. A investigação leva Laila e sua antiga melhor amiga, Elis Raiol, a revisitar documentos, cartas e registros deixados por Josué e a reconstruir os últimos passos do pescador. Aos poucos, as personagens descobrem que as luzes e os desaparecimentos da região podem estar relacionados a uma trama muito mais concreta e sombria do que uma suposta abdução extraterrestre. Enquanto novos acontecimentos colocam a comunidade em alerta, Laila avança na investigação e percebe que, por trás dos mistérios que cercam a ilha, estão pessoas capazes de escolher entre proteger, ferir ou transformar a vida daqueles ao seu redor.

“Todas as pessoas nascem engenhosas, para se tornarem grandes heróis ou cruéis vilões. Só depende do que exercitam as pessoas mais próximas da gente.”

(Operação Colares, p. 144)

Com orgulho de ser nortista, Luana Cruz é formada em Engenharia de Pesca, pois acredita que as melhores histórias são as de pescadores. É a partir das histórias que ouviu ainda na infância (especialmente aquelas contadas pela mãe), e da própria relação com o Pará e a Amazônia, que a autora constrói uma narrativa que valoriza pescadores, comunidades ribeirinhas e os vínculos entre os moradores. O resultado é uma ficção especulativa que parte de um acontecimento real para explorar temas como luto, identidade, pertencimento, relações familiares e a memória de um território.

“Não somos lendas, não somos folclore, não somos estrangeiros: somos a vida que pulsa na raiz do país”, enfatiza a paraense. Em Operação Colares, as luzes no céu dividem espaço com histórias de família, afetos mal resolvidos e conflitos de uma comunidade que precisa lidar com o retorno de algo que acreditava ter ficado no passado. Leitura indicada para quem se interessa por ufologia, mistérios inspirados em acontecimentos reais, histórias do Norte brasileiro e narrativas de ficção que combinam investigação, relações familiares e elementos sobrenaturais.

Ficha Técnica:

Título: Operação Colares

Autora: Luana Cruz

Editora: Plataforma21

Edição/ano: 1ª/2026

ISBN do livro físico: 978-6550080945

ISBN do e-book: 6550080940

Gênero: Thriller de suspense; ficção especulativa BR; mistério; romance LGBTQIA+

Idade recomendada: 16+

Número de páginas: 328

Preço: R$ 84,90

Onde encontrar: Amazon | VR-Commerce | Principais livrarias.

Foto: Arquivo pessoal.

Sobre autora | Luana Cruz veio ao mundo para ser contadora de histórias. Cresceu ouvindo os mais diversos causos de família e agora tem orgulho de contá-los. Gostaria de protagonizar relatos tão fantásticos quanto os de seus parentes, mas pelo visto só participa de comédias românticas. Formou-se em Engenharia de Pesca, porque acha que as melhores histórias são as de pescadores. Navegou de Belém do Pará para São Paulo com vários sonhos na bagagem, sendo a escrita o maior deles. Operação Colares é sua estreia na ficção especulativa e um manifesto de amor e saudade da Amazônia.

Redes sociais da autora: Instagram @luanacruiz

Sobre a editora | A Plataforma21 é o resultado do carinho da VR Editora pelos jovens leitores. E tudo começou com a publicação do best-seller Maze Runner. São 10 anos oferecendo o que há de melhor em aventura, romance, fantasia e cultura pop na literatura de entretenimento.

Instagram: @plataforma21_ e @VReditorabr  | TikTok: @plataforma21_.

(Com Gabriela Cuerba/LC Agência de Comunicação)

André Mogle explora o silêncio, a solitude e os sentimentos que não cabem em palavras em nova exposição na Galeria Kovak&Vieira

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Com curadoria de Renata Rocco, “O que não sei dizer” reúne pinturas recentes do artista e propõe uma reflexão sensível sobre autoconhecimento, equilíbrio e a necessidade de encontrar na arte uma forma de expressão. Fotos: Divulgação.

Há sentimentos que não encontram palavras, experiências difíceis de traduzir e momentos em que o silêncio parece ser a melhor forma de expressão. É desse território íntimo que nasce “O que não sei dizer”, nova exposição individual de André Mogle apresentada na Galeria Kovak&Vieira, em São Paulo. Com curadoria de Renata Rocco, a mostra reúne pinturas recentes do artista, marcadas por um olhar introspectivo sobre a vida, as emoções e a busca por equilíbrio.

Esta é a quarta exposição individual de Mogle na galeria e representa um momento particular de sua trajetória. Depois de experiências vividas em diferentes lugares do Brasil e do mundo ao longo do último ano, o artista volta seu olhar para dentro, transformando em pintura um acúmulo de sentimentos, acontecimentos e situações complexas. Mais do que representar emoções, suas obras procuram dar forma àquilo que ainda não pode ser nomeado.

A exposição tem como fio condutor a ideia de solitude – mas não de solidão – espaço onde o artista encontra possibilidades de compreender suas experiências e estabelecer uma relação mais serena com o mundo.

“Mogle reconhece este como um momento de solitude. E essa palavra interessa justamente porque não é sinônimo de solidão. Ao contrário, em solitude há uma escolha: a permanência consigo mesmo, isto é, um estar só que não significa necessariamente ausência, mas presença”, observa a curadora Renata Rocco.

Nas pinturas, o personagem criado por Mogle – sua figura recorrente de rosto esverdeado – atravessa situações que remetem a sentimentos e experiências universais, como nas obras A Balança da Vida, O Palco da Noite, O Peso que Cabe num Fio e Silêncio, nas quais surgem questões relacionadas ao tempo, às escolhas, às fragilidades e à necessidade de encontrar algum equilíbrio diante das incertezas.

A produção recente também inclui trabalhos como Se Precisar Recomece, A Liberdade é Solitária, Não Cheguei Sozinho, Nem Tão Só e A Chuva Passa. São títulos que, por si, sugerem pequenas narrativas sobre a condição humana, os afetos, a passagem do tempo e a possibilidade de recomeçar.

Para Renata Rocco, a força dessas pinturas está justamente na capacidade de comunicar sem necessariamente oferecer explicações. “O personagem criado por Mogle leva mensagens que não precisam ser grandiosas para serem universais, apresentando possibilidades de paz e de algum equilíbrio”, escreve a curadora.

O texto curatorial estabelece ainda um diálogo com a obra de Clarice Lispector, evocando a coragem de enfrentar a própria solidão e encontrar plenitude nessa experiência. A referência literária acompanha a proposta da exposição, que valoriza o silêncio não como vazio, mas como espaço de descoberta.

“Só a arte me sacia”, afirma André Mogle, sintetizando a relação visceral que mantém com a pintura. Para o artista, criar é também uma maneira de lidar com aquilo que não consegue expressar de outra forma, sem a obrigação de encontrar respostas definitivas.

Ao convidar o público a desacelerar e olhar para dentro, O que não sei dizer propõe uma experiência de contemplação e identificação. Em tempos marcados pelo excesso de informações e pela necessidade constante de expressão, a exposição sugere que nem tudo precisa ser explicado – e que a arte pode oferecer um lugar de acolhimento para aquilo que permanece sem palavras.

“Talvez seja isso que estas pinturas nos ofereçam: não respostas, mas lugares onde podemos permanecer em silêncio e plenos por algum tempo”, completa Rocco.

Sobre a Galeria Kovak&Vieira

Fundada em 2023, a Galeria Kovak&Vieira nasceu com a proposta de aproximar a arte contemporânea do público, valorizando a criatividade, a originalidade e a descoberta de novos talentos. Localizada no Jardim América, em São Paulo, a galeria busca construir um ambiente acessível e acolhedor, incentivando o diálogo entre artistas, obras e visitantes.

SERVIÇO:

Exposição O que não sei dizer

Pinturas recentes de André Mogle

Curadoria: Renata Rocco

Galeria Kovak&Vieira

Rua Cônego Eugênio Leite, 150 – Jardim América, São Paulo

Abertura: 20/10, das 14h às 21h

Período expositivo: 20/10 a 16/11

De segunda a sexta-feira, das 12h às 19h; sábados, das 12h às 17h

Manobrista no local

@galeriakovakevieira.

(Fonte: Assessoria Check Matte)