Nesta semana, no domingo (06/abr), a recém-inaugurada Estação CCR das Artes será palco para dois concertos: às 11h, o Coro da Osesp apresenta seu segundo recital da Temporada 2025 com o novo regente titular, o britânico Thomas Blunt. O programa será dedicado a dois germânicos: um autor da música antiga, Heinrich Schütz, com a obra ‘Selig sind die Toten’ [Bem-aventurados os mortos], e a Johannes Brahms, de quem ouviremos o emocionante ‘Um réquiem alemão’, uma das mais ambiciosas partituras de todo o Romantismo.
Mais tarde no mesmo dia, às 18h, a Estação CCR das Artes será palco do primeiro recital de música de câmara desta Temporada. Formado por instrumentistas da Osesp, o Septeto 1913 vai interpretar o célebre Prelúdio da ópera ‘Tristão e Isolda’, de Richard Wagner, e ‘Metamorphosen’, de Richard Strauss, ambos em versões para septeto de cordas. Para vozes e piano a quatro mãos, as valsas ‘Liebeslieder’, de Johannes Brahms, serão executadas por integrantes do Coro.
Apesar de as duas obras do programa apresentado pelo Coro serem intrinsecamente diferentes em ambição e estilo, sua justaposição é bem coerente. Johannes Brahms [1833–1897] era um dedicado estudioso da música do passado. Tinha admiração particular pelos grandes mestres germânicos que o antecederam, entre os quais Heinrich Schütz [1585–1672] ocupava lugar de honra. Seu Réquiem alemão pode ser visto como uma reconexão consciente com essa tradição da música sacra alemã, atualizando-a com sua própria linguagem romântica.
A lenda medieval que narra o amor impossível entre Tristão e Isolda adquire contornos filosóficos e românticos na ópera de Richard Wagner [1813–1883]. Composta na década de 1850, a obra reflete a conturbada vida amorosa do compositor e é intensificada pela leitura de Schopenhauer, que defendia a arte musical não como “cópia da manifestação da vontade, mas cópia direta da própria vontade”. A intensidade erótica dessa ‘vontade’, que levará Isolda a ‘morrer de amor’ no longo êxtase que encerra a ópera, já está presente em seu famoso Prelúdio, uma das peças mais importantes da história da música.
Metamorphosen [‘Metamorfoses’], de Richard Strauss [1864–1949], foi construída em torno de citações da marcha fúnebre da Sinfonia eroica de Beethoven, além de evocar outros motivos de Bach, Mozart, Beethoven e Wagner; como se a longa tradição musical germânica, símbolo da ‘unidade espiritual’ de um povo sempre dividido politicamente, lamentasse seu destino e clamasse pela possibilidade de uma redenção futura. Não por acaso, o título remete também à orgulhosa herança clássica germânica reivindicada por Goethe em seus poemas sobre as metamorfoses poéticas de Lucrécio e Ovídio.
Compostas entre 1868 e 1869, as valsas Liebeslieder (‘De canções de amor’) testemunham os primeiros anos do amor de Brahms por Viena, cidade que o acolheu, em 1863, como diretor de seu principal coro. O ciclo é inspirado em obras de dois austríacos ilustres: as valsas populares de Franz Schubert (publicadas postumamente em edição organizada pelo próprio Brahms) e as grandiosas (e por vezes irônicas) valsas aristocráticas de Johann Strauss.
Coro da Osesp
O Coro da Osesp, além de sua versátil atuação sinfônica, enfatiza o registro e a difusão da música dos séculos XX e XXI e de compositores brasileiros. Destacam-se em sua ampla discografia Canções do Brasil (Biscoito Fino, 2010), Aylton Escobar: Obras para coro (Selo Digital Osesp, 2013) e Heitor Villa-Lobos: Choral transcriptions (Naxos, 2019). Apresentou-se em 2006 para o rei da Espanha, Filipe vi, em Oviedo, no 25º Prêmio da Fundação Príncipe de Astúrias. Em 2020, cantou, sob a batuta de Marin Alsop, no Concerto de Abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, feito repetido em 2021, em filme virtual que trazia também Yo-Yo Ma e artistas de sete países. Junto à Osesp, estreou no Carnegie Hall, em Nova York, em 2022, se apresentando na série oficial de assinatura da casa no elogiado Floresta Villa-Lobos. Fundado em 1994 por Aylton Escobar, integra a Osesp desde 2000, completando 30 anos de atividade em 2024. Teve como regentes Naomi Munakata [1995-2015] e Valentina Peleggi [2017-2019]. A partir de fevereiro de 2025, Thomas Blunt assume a posição de regente titular.
Thomas Blunt regente
Thomas Blunt construiu uma carreira versátil e abrangente, com sólida formação em canto e ópera, regendo em teatros e salas de concerto ao redor do mundo. Com um repertório que vai da música renascentista à contemporânea, sua regência se estabelece a partir da ideia de criação de uma dramaturgia por meio da música. Foi o primeiro participante britânico da prestigiosa Allianz International Conductors’ Academy. Mantém estreita relação com o Festival de Glyndebourne (Reino Unido), no qual iniciou sua carreira de regente na música coral. Atuou como regente assistente junto a Vladimir Jorowski, diretor musical da Filarmônica de Londres, resultando em apresentações no Royal Festival Hall, no Queen Elizabeth Hall e na própria Sala São Paulo em diversas ocasiões. Junto a seus compromissos com o Coro da Osesp, do qua passa a ser regente titular a partir de 2025, seus destaques desta temporada incluem apresentações com a Orquestra Nacional da BBC de Wales, o Fifth Door Ensemble, a Sinfônica da Nova Zelândia, além da atuação como assistente de Maurizio Benini na Royal Opera House.
PROGRAMAS
CORO DA OSESP
THOMAS BLUNT regente
FERNANDO TOMIMURA E DANIEL GONÇALVES piano a quatro mãos
Heinrich SCHÜTZ | Selig sind die Toten [Bem-aventurados os mortos], SWV 391
Johannes BRAHMS | Um réquiem alemão, Op. 45
SEPTETO 1913
AMANDA MARTINS violino
MATTEW THORPE violino
SARAH PIRES viola
ANDRÉ RODRIGUES viola
KIM BAK DINITZEN violoncelo
ADRIANA HOLTZ violoncelo
PEDRO GADELHA contrabaixo
Richard WAGNER | Tristão e Isolda: Prelúdio
Richard STRAUSS | Metamorphosen
FLÁVIA KELE soprano
CRISTIANE MINCZUK mezzo soprano
ANDERSON SOUSA tenor
ERICK SOUZA barítono
ISRAEL MASCARENHAS piano
FERNANDO TOMIMURA piano
Johannes BRAHMS | Liebeslieder Wälzer [Valsas de canções de amor], Op. 52
Serviço:
6 de abril, domingo, às 11h [Coro da Osesp] e às 18h [Concerto de Câmara]
Endereço: Praça Júlio Prestes, 16, Luz, São Paulo, SP
Capacidade: 543 lugares [Estação CCR das Artes]
Recomendação etária: 07 anos
Ingressos: R$ 42,00 [Coro da Osesp] e R$ 42,00 a R$ 150,00 [Câmara] (valores inteiros)
Bilheteria (INTI): osesp.byinti.com | salasaopaulo.byinti.com
(11) 3777-9721, de segunda a sexta, das 12h às 18h.
Estacionamento: Rua Mauá, 51 | R$ 39,00 (noturno, sábado e domingo após às 12h30)| 600 vagas; 20 para pessoas com deficiência; 33 para idosos.
Mais informações nos sites oficiais da Osesp e da Sala São Paulo.
A Estação CCR das Artes conta com o patrocínio institucional do Grupo CCR, por meio do Instituto CCR, via Lei Federal de Incentivo à Cultura. A realização é da Fundação Osesp, do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas, do Ministério da Cultura e do Governo Federal – União e Reconstrução.
A Osesp e a Sala São Paulo são equipamentos do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura.
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(Com Fabio Rigobelo/Fundação Osesp)