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Dicionário Crítico Jorge Amado reúne análises sobre a obra e trajetória do escritor

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa.

‘Dicionário Crítico Jorge Amado’ oferece um compêndio da obra de um dos mais célebres autores do Brasil. Organizado por Nelson Tomelin Jr. e Marcos Silva, o lançamento da Edusp reúne textos sobre trabalhos do escritor — incluindo livros, ensaios, artigos e discursos —, além de explorar aspectos de sua vida, como sua relação com a música, sua atuação na imprensa literária e seu engajamento político.

A obra é composta por 52 verbetes, organizados em ordem alfabética, que abrangem tanto a produção literária de Jorge Amado quanto sua trajetória pessoal, discutindo suas obras, ideias e influências. Escritos por autores de diferentes gerações, nacionalidades e áreas do conhecimento, como estudos literários, história e antropologia, os textos oferecem uma abordagem multidisciplinar e aprofundada sobre o autor e seu legado.

Entre as análises da vasta produção de Amado, há reflexões sobre clássicos, como ‘Capitães da Areia’ e ‘Tieta do Agreste’, além de obras menos conhecidas, como ‘Lenita’, sua primeira ficção, e diversas crônicas e biografias. Algumas dessas obras recebem mais de uma análise crítica, como o livro de memórias ‘Navegação de Cabotagem’ e o romance ‘Brandão entre o Mar e o Amor’, escrito em parceria com Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aníbal Machado e José Lins do Rego.

O Dicionário Crítico Jorge Amado foi elaborado com o apoio de diversas instituições e colaboradores, incluindo a Fundação Casa de Jorge Amado, que contribuiu com acesso a materiais, informações e contatos essenciais para a realização do projeto.

(Com Bruno Passos Cotrim/Libris)

Simões de Assis apresenta exposição com pinturas inéditas de Jorge Guinle

São Paulo, por Kleber Patricio

Sem Título, 1985-1986, Jorge Guinle. Fotos: Erika Mayumi/cortesia Simões de Assis.

A Simões de Assis apresentará entre os dias 27 de março e 10 de maio uma exposição com pinturas inéditas de Jorge Guinle (1947–1987), em São Paulo. A mostra ‘Infinito’ apresenta um conjunto de 10 obras, sendo nove em grande formato, realizadas pelo artista durante sua temporada em Nova York entre 1985 e 1986. Pela primeira vez reunidas e trazidas ao Brasil, essas pinturas marcam um momento singular em sua trajetória, combinando maturidade artística com a densidade emocional que permeou seus últimos anos de vida.

No período em que produziu essas telas, Guinle participou da 17ª Bienal de São Paulo e realizou exposições individuais em importantes galerias. Paralelamente, enfrentava o impacto de um diagnóstico de doenças relacionadas à Aids, que levaria ao seu falecimento em 1987. As telas dessa fase nova-iorquina revelam um percurso intenso e visceral, no qual suas composições se tornam mais diluídas e translúcidas, sem perder a vibração gestual e cromática que caracterizou sua obra.

Sem Título, 1985-1986, Jorge Guinle.

A exposição conta com texto assinado por Vanda Klabin, curadora, historiadora e amiga próxima do artista, que contextualiza a importância desse conjunto dentro da produção de Guinle. Reconhecido por sua abordagem singular dentro da pintura contemporânea brasileira, ele estabeleceu um diálogo intenso com as tendências internacionais da época, como o expressionismo abstrato e a pintura norte-americana do pós-guerra. Ao longo de sua curta, mas intensa carreira, Guinle foi um dos grandes incentivadores da revalorização da pintura nos anos 1980, sendo uma referência fundamental para a chamada Geração 80. Seu trabalho era marcado pelo gestual enérgico, pelo uso audacioso das cores e pela busca constante de uma harmonia dissonante, que se distanciava das vertentes conceituais predominantes na década anterior.

A série de pinturas, realizada no Kaufman’s Studio, em Nova York, permaneceu inédita até o momento, mesmo sendo considerada uma das mais significativas de sua carreira. As nove pinturas foram localizadas pela galeria Simões de Assis e trazidas para primeira exposição no Brasil, ao lado de outras obras produzidas entre 1985 e 1986; elas consolidam o estilo único do artista, que soube capturar tanto a energia do cenário artístico internacional quanto às especificidades do contexto brasileiro.

Sem Título, 1985-1986, Jorge Guinle.

Jorge Guinle Filho nasceu em Nova York em 1947 e passou parte de sua vida entre o Brasil, Paris e Nova York. Autodidata, aprofundou seus estudos em pintura a partir do contato direto com grandes mestres do modernismo, como Henri Matisse, além de influências decisivas da action painting e da pop art. Sua produção, concentrada nos últimos sete anos de vida, revela um comprometimento absoluto com a pintura como experiência vital.

Com esta exposição, a Simões de Assis pretende trazer ao público obras fundamentais da arte moderna e contemporânea brasileira, promovendo a redescoberta de um dos grandes nomes da pintura do século XX.

Sobre Jorge Guinle

Jorge Guinle Filho (Nova York, EUA, 1947–1987) viveu entre o Rio de Janeiro e Paris durante o período de 1965 a 1977, fixando-se na cidade carioca em 1977. Nos anos seguintes, o clima de abertura política no país favoreceu as manifestaçõe

Jorge Guinle em seu ateliê. Foto: Cortesia de Marco Rodrigues e Simões de Assis.

s artísticas e Guinle retomou sua carreira em uma trajetória muito rápida: trabalhou por sete anos, nos quais produziu obras marcantes. Entre 1980 e 1982, realizou entrevistas para a revista Interview, de circulação nacional, com importantes artistas brasileiros, entre eles Hélio Oiticica, Rubens Gerchman, Antonio Dias, Lygia Clark, Mira Schendel e Cildo Meireles.

Sua obra integra coleções importantes como Museo de Arte Contemporáneo de Monterrey, México; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Coleção Gilberto Chateaubriand, Brasil; Museu Nacional de Belas Artes, Brasil; Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Brasil; Centro Cultural Cândido Mendes, Brasil; Instituto Figueiredo Ferraz, Brasil; Coleção Roberto Marinho, Brasil; Coleção José Olympio Pereira, Brasil; Coleção Hecilda e Sérgio Fadel, Brasil; Coleção Ronaldo Cezar Coelho, Brasil; Coleção Ricardo Akagawa, Brasil; e Coleção Orandi Momesso, Brasil.

Sobre Vanda Klabin

Vanda Mangia Klabin (Rio de Janeiro) é cientista social, historiadora e curadora de artes plásticas. Formada em Ciências Políticas e Sociais, graduou-se também em Educação Artística e História da Arte, com pós-graduação em História da Arte e Arquitetura pela PUC/Rio. Foi coordenadora adjunta do Curso de Especialização em História da Arte e de Arquitetura no Brasil, PUC-Rio, entre 1983 e 1990. Dirigiu o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, 1996-2000, onde realizou exposições de artistas brasileiros e estrangeiros. Foi coordenadora adjunta de Brasil + 500 Mostra do Redescobrimentos, na Bienal de São Paulo, 1999-2000, e curadora do módulo A vontade construtiva na arte brasileira – 1950/1960, integrante da exposição Art in Brazil, no Festival Europalia, Bozar, em Bruxelas, Bélgica (2011-2012). Participou regularmente de conselhos consultivos em instituições como o Paço Imperial, Dia Center for the Arts, ICOM, Museu da Chácara do Céu – Fundação Raymundo Castro Maya, Prêmio Pipa, entre outras. Atualmente, trabalha como consultora e curadora independente para museus, instituições e editoras.

Sobre a Simões de Assis

Sem Título, 1985-1986, Jorge Guinle.

Desde a sua abertura, em 1984, a Simões de Assis dirige o seu olhar para a arte moderna e contemporânea, especialmente para a produção latino-americana. Ao longo de quatro décadas de trabalho, a galeria se especializou na preservação e na difusão do espólio de importantes artistas como Abraham Palatnik, Carmelo Arden Quin, Cícero Dias, Emanoel Araujo, Ione Saldanha e Miguel Bakun, contando com a parceria de famílias e fundações responsáveis.

A partir do contato estreito com pesquisadores e curadores, a Simões de Assis conseguiu a articulação necessária para difundir e representar seus artistas no Brasil e no exterior. Ampliando o alcance no mercado de arte do Brasil, atualmente, a galeria tem três espaços: em São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Balneário Camboriú (SC), estimulando trocas e debates, além de fomentar o talento e a carreira de seus artistas.

Serviço:

Infinito, exposição individual de Jorge Guinle

Período expositivo: 27 de março a 10 de maio de 2025

Local: Simões de Assis | Alameda Lorena, n° 2050 – térreo – Jardins – São Paulo/SP

Horário de visitação: segunda a sexta, das 10h às 19h | sábados, das 10h às 15h

Entrada gratuita

@simoesdeassis_ | www.simoesdeassis.com.

(Com Patricia Marrese)

‘Bronzes e Cristais’, espetáculo que aborda a solidão e o companheirismo na velhice, faz curta temporada no Sesc Belenzinho

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Renan Neves.

O espetáculo ‘Bronzes e Cristais’, com Travessias Escénicas, faz curta temporada no Sesc Belenzinho do dia 29 de março a 6 de abril, aos sábados, domingos e quintas às 16h.

Bronzes e Cristais é um espetáculo de meias máscaras expressivas que revela a convivência de duas senhoras, Carmen e Leonor. O conflito gira em torno da preparação de uma festa cujo objetivo é reunir amigos do passado e resgatar antigos laços. Entre preparativos e lembranças, ambas confidenciam segredos e histórias que as fazem pensar sobre o sentido de suas vidas, provocando uma reflexão sobre a solidão e o companheirismo feminino na velhice.

O espetáculo tem direção de Marcos Nascimento, atuação de Camila Rodrigues e Ingrid Taveira e composição da trilha sonora de Ivan Alves. O título da peça é inspirado na nostálgica canção de Maysa. A música remonta às décadas de 1950 e 1960 e foi o pontapé inicial para a criação da trilha sonora, que transcende a mera ambientação e imerge-se nas profundezas dos boleros evocando o som nostálgico de discos arranhados que giram em repetição e abraçando o toque latino que ecoa nas noites de juventude de nossas personagens.

O espetáculo conta a história de Carmen e Leonor, duas senhoras que vivem juntas e planejam realizar uma grande festa para reencontrar amigos do passado. No entanto, ninguém aparece para o festejo. Sozinhas, elas têm uma à outra para conversar. As revelações sobre a vida dessas figuras, somadas às ações cotidianas, envolvem a todos em uma reflexão em torno da solidão e o companheirismo feminino na velhice.

A encenação deste projeto é fundamentada na técnica de utilização de máscaras teatrais. O método escolhido foi o da Comédia Humana – nome que se dá ao trabalho com as meias máscaras expressivas. Faz parte do estudo e utilização dessas máscaras, o desenvolvimento de uma narrativa que revela novos tipos e arquétipos presentes na sociedade, proporcionando uma experiência sensível, crítica e reflexiva.

Ficha Técnica

Direção e Cenografia: Marcos Nascimento

Atuação e confecção de máscaras: Camila Rodrigues e Ingrid Taveira

Trilha Sonora: Ivan Alves

Dramaturgia: Travessias Escénicas (Camila Rodrigues, Ingrid Taveira e Marcos Nascimento)

Iluminação: Gabriel Pangonis e Marcos Nascimento

Orientação de confecção de máscaras: Fernando Martins

Orientação de confecção de figurinos: Thais Kaori

Social Mídia: Luana Miranda

Produção: Marcela Marcucci

Apoio Cultural: Espaço Cultural Circo Lunar.

Serviço:

Bronzes e Cristais, com Travessias Escénicas

De 29 de março a 6 de abril | sábados, domingos, às 16h

Ingressos: R$ 50,00 (inteira); R$ 25,00 (meia-entrada); R$ 15,00 (Credencial Plena)

Vendas no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.

Local: Sala de Espetáculos I (120 lugares). Duração: 50 min. Classificação: Livre.

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.

Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

Estacionamento:

De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 8,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 17,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional.

Transporte público:  Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Sesc Belenzinho nas redes: Facebook | Instagram | YouTube.

(Com Priscila Dias/Sesc Belenzinho)

Pinacoteca de São Paulo inaugura exposição em formato de escola

São Paulo, por Kleber Patricio

Escola Feminista de Pintura, 2021. BALTIC Centro de Arte Contemporânea.

A Pinacoteca de São Paulo apresenta ‘Ad Minoliti: Escola Feminista de Pintura’ na Galeria Praça do edifício Pina Contemporânea. Partindo de um repertório ligado à abstração geométrica e aos ativismos de gênero e sexualidade, a pessoa artista propõe um novo modelo de educação artística, transformando a sala expositiva em um espaço de aprendizado teórico-prático e convidando artistas, pesquisadoras, escritoras e ativistas brasileiras para conduzirem oficinas quinzenais gratuitas e abertas ao público. Nomes como Maria Bonomi, Erica Malunguinho e Anelis Assunção participam dos encontros quinzenais.

A oitava edição da Escola Feminista de Pintura foi pensada como um site-specific para a Galeria Praça, espaço que já foi uma sala de aula. Em diálogo com a história da Pina, que originalmente estava veiculada ao Liceu de Artes e Ofícios, responsável pela formação profissional de artistas desde a virada do século XIX, o projeto ajuda a prospectar caminhos rumo a uma educação libertadora, inclusiva e protagonizada por pessoas há tanto tempo invisibilizadas em processos de criação e decisão em espaços dominantes. “Ad despontou na cena argentina e nos últimos anos seu repertório artístico e político vem ganhando bastante destaque no mundo. Trazendo a Escola Feminista pela primeira vez para o Brasil, a Pinacoteca deseja aproximar essa trajetória dos grupos e pautas locais, permitindo instâncias de trocas e aprendizados a partir de uma perspectiva decolonial e crítica às padronizações das identidades e das formas de expressão e ensino de arte”, conta a curadora Ana Maria Maia.

Sobre a exposição

Ao entrar na Grande Galeria, o público tem acesso ao manifesto da Escola Feminista de Pintura, em diálogo com um conjunto de obras abstratas do acervo da Pinacoteca, feitas por artistas mulheres que tiveram destaque no Brasil desde os anos 1950 até a atualidade. Haverá obras de Lygia Pape, Judith Lauand, Maria Bonomi, Mira Schendel, Moussia_Pinto Alves, Rebeca Carapiá e Tomie Ohtake, culminando em uma diversidade de gerações, linhas de pesquisa e aberturas para pensar leituras das formas abstratas hoje. Ao atravessar a galeria de referências, o público chega ao ateliê, equipado com mesas e cadeiras para trabalhos manuais, estantes de fanzines e um monitor para consulta a um compilado de vídeos relacionados a temas como teoria queer, ciências naturais, geometria, política e pedagogias radicais. É ali onde ocorrerá quinzenalmente, até o fim da mostra, o programa de oficinas e falas de personalidades que respondem às premissas da Escola a partir de seus respectivos campos de conhecimento.

Todo o espaço, no entanto, é igualmente tomado por uma grande pintura mural, cujas cores e formas vibrantes extrapolam molduras e tornam o ambiente tanto convidativo quanto desconcertante. Ad Minoliti costuma apresentar sua pesquisa como uma ‘ficção pictórica especulativa’. Entre a ludicidade das cores e uma anarquia punk, as citações históricas e um estímulo ao ‘faça você mesmo’, o questionamento da dualidade entre o abstrato e o figurativo e a presença enigmática de um manequim com cabeça de pelúcia, a Escola Feminista de Pintura levanta a bandeira política da invenção de si e das estruturas de saber e viver.

A abertura da exposição aconteceu no sábado, dia 22 de março, com uma aula inaugural que apresenta o manifesto da Escola ao público. Confira a programação e para mais informações, consulte o site.

11 de abril, sexta

Planta-Colagem. Territórios de Reexistência com Manuela Eichner

12 de abril, sábado

Aquilombar o imaginário com Erica Malunguinho

25 de abril, sexta

Pintar para além do olhar com Elisa Bracher

9 de maio, sexta

Com Maria Bonomi

10 de maio, sábado

Com Anelis Assumpção

23 de maio, sexta

Com Mônica Ventura  

6 de junho, sexta

Com Ana Be

7 de junho, sábado

Com Abigail Campos Leal

27 de junho, sexta

Com Élle de Bernardini

11 de julho, sexta

Com Yacunã Tuxá

12 de julho, sábado

Com Marcela Tiboni

25 de julho, sexta

Com Ad Minoliti.

Sobre a pessoa artista

Ad Minoliti (Argentina, 1980) realiza instalações experimentais em torno da geometria e da abstração que abrangem história da arte, arquitetura, feminismo queer, animalismo e ficção especulativa. Seus trabalhos foram exibidos em galerias, instituições e museus na Coréia, Peru, México, Japão, Brasil, China, Bolívia e Chile, entre outros países. Realizou exposições recentes no BALTIC e Tate St Ives (Reino Unido) e La Casa Encendida (Espanha) e participou de diversas exposições, como a 58ª Bienal de Veneza. Vive em Buenos Aires, Argentina.

Sobre a Pinacoteca de São Paulo

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

Serviço:

Pinacoteca de São Paulo

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Fonte: Pinacoteca de São Paulo)

MASP expõe sua coleção completa de Renoir

São Paulo, por Kleber Patricio

Pierre-Auguste Renoir, Rosa e azul – As meninas Cahen d’Anvers, 1881. Acervo MASP.

O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe, entre os dias 28 de março e 3 de agosto, todas as obras de Pierre-Auguste Renoir (18411919) presentes em seu acervo. ‘Cinco ensaios sobre o MASP — Renoir’ apresenta 12 pinturas e uma escultura no quinto andar do Edifício Pietro Maria Bardi. Esse conjunto de obras foi exposto pela última vez em 2002, na mostra ‘Renoir – O pintor da vida’, realizada no próprio museu.

Com curadoria de Fernando Oliva, curador, MASP, a seleção abrange praticamente toda a carreira do artista francês. Entre as pinturas está a famosa obra Rosa e azul – As meninas Cahen d’Anvers (1881), que retrata Elisabeth e Alice, filhas do banqueiro Louis Cahen d’Anvers (18371922), uma família pertencente à comunidade judaica do século XIX. Alice viveu até os 89 anos e morreu em Nice, em 1965. Já Elisabeth teve um destino trágico. Durante a exposição de obras do MASP realizada na Fondation Pierre Gianadda, em 1987, na Suíça, seu sobrinho Jean de Monbrison escreveu ao museu relatando que Elisabeth fora enviada para Auschwitz durante a Segunda Guerra e morreu a caminho do campo de concentração, aos 69 anos.

O período, conhecido como ‘obra tardia’ de Renoir — influenciado por sua viagem à Itália, em 1881, que possibilitou o contato com mestres renascentistas, como Rafael e Ticiano —, é marcado por pinturas em tons pastéis, sem contornos firmes e sobreposição de cores puras. Essas características podem ser observadas em Banhista enxugando a perna direita (c. 1910) e Banhista enxugando o braço direito (grande nu sentado) (1912). O tema das banhistas, abordado por Renoir desde o início de sua carreira — como na tela A banhista e o cão griffon – Lise à beira do Sena (1870) — tornou-se central em sua produção até sua morte em 1917.

Pierre-Auguste Renoir, Retrato da condessa de Pourtalès [Portrait of the Countess of Pourtalès], 1877. Acervo MASP.

Além das pinturas, a exposição apresenta Vênus vitoriosa (Venus Victrix, 1916), escultura produzida no período em que o artista sofria de artrite reumatoide severa. Por conta das limitações impostas pela doença, a obra foi criada com o auxílio do jovem artista Richard Guino (18901973). O trabalho dialoga com a pintura O julgamento de Páris, feita por Renoir alguns anos antes, inspirada no episódio ‘Pomo da discórdia’, da mitologia grega.

As obras de Renoir foram adquiridas pelo museu durante o chamado período das grandes aquisições quando, entre o final da década de 1940 e início dos anos 1950, Pietro Maria Bardi (19001990), diretor-fundador do MASP, incorporou ao acervo trabalhos de artistas do cânone europeu, em sua maioria italianos e franceses, o que resultou no mais importante acervo de arte europeia do hemisfério sul. A coleção de Renoir constitui o maior número de trabalhos de um único artista dentre as pinturas europeias do acervo da instituição.

Diálogo com os cavaletes de cristal

As pinturas de Renoir são apresentadas em suportes individuais feitos de chapas metálicas reflexivas, com um design que inclui um recorte curvo em uma das pontas. Concebidas pela arquiteta Juliana Godoy, essas estruturas foram criadas buscando um diálogo com os cavaletes de cristal de Lina Bo Bardi e com a história do MASP.

Pierre-Auguste Renoir, Menina com as espigas [Girl with Flowers], 1888. Acervo MASP.

Os blocos de concreto dos cavaletes originais, que remetem ao modernismo, nesta expografia são substituídos por uma base com dois pés de apoio, sendo que um deles é calcado em espuma. A escolha desse material flexível propõe uma alusão ao momento contemporâneo.

A expografia usa ainda como referência as travas desenvolvidas pelo museu para fixar as obras nos cavaletes de vidro, e mantém a proposta de apresentar as legendas na parte posterior das telas, convidando o visitante a passear pelo espaço.

Renoir, Geometrias, Artes da África, Histórias do MASP e Isaac Julien: Lina Bo Bardi – um maravilhoso emaranhado integram os Cinco ensaios sobre o MASP, série de exposições pensadas a partir do acervo do museu para inaugurar o novo Edifício Pietro Maria Bardi.

Sobre Renoir

Pierre-Auguste Renoir, Dama sorrindo (Retrato de Alphonsine Fournaise) [Lady Smiling (Portrait of Alphonsine Fournaise)], 1875. Acervo MASP.

Nascido em Limoges, na França, em 1841, Renoir foi um dos principais pintores do movimento impressionista francês, conhecido por suas pinturas de cores vibrantes, caracterizadas pelo uso de luz e cor, pinceladas fluidas e uma atenção especial à figura humana, especialmente em cenas de cotidiano e retratos. Renoir começou sua carreira como aprendiz de pintor de porcelana, mas logo se dedicou à pintura em tela, desenvolvendo um estilo que evoluiu do impressionismo ao realismo. Ainda na juventude conheceu Claude Monet (18401926), quando frequentava ateliês e estudava na École de Beaux-Arts de Paris. Com Camille Pissarro (18301903) e Alfred Sisley (18391899), formaram o primeiro núcleo dos impressionistas que renovou a técnica e os temas da pintura da época. Contudo, diferentemente dos colegas que estavam mais preocupados em captar a sensação visual produzida pelo motivo ao ar livre, Renoir se interessou mais pela representação humana nos diversos retratos que pintou, muitos de famílias da elite francesa.

Acessibilidade

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, além de textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil – com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados em geral. Os conteúdos ficam disponíveis no site e no canal do YouTube do museu.

Realização

Cinco ensaios sobre o MASPRenoir é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e tem patrocínio de Citi Brasil e Stellantis.

Serviço:

Cinco ensaios sobre o MASP Renoir 

Curadoria: Fernando Oliva, curador, MASP

5° andar

Edifício Pietro Maria Bardi

Visitação 28/3/2025 38/2025

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Av. Paulista, 1510 – Bela Vista – São Paulo, SP

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 75 (entrada); R$ 37 (meia-entrada)

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Com Carla Gil/Assessoria de Imprensa MASP)